3. Corporate Social Responsibility (CSR)
3.1 Bedrifters samfunnsansvar (CSR)
(E5) “A gente nunca fez nenhuma divulgação, nem nada do tipo, a nossa maior divulgação é de boca a boca, e os clientes, eles se sentem atendidos... A gente estava com uma preocupação muito grande de que a gente ia precisar provar o valor do serviço para eles e isso não foi necessário, porque a gente dá uma solução completa, então, ele (o cliente) não precisa se preocupar em comprar material, em contratar pedreiro, em ficar olhando tudo”.
(E5) descreve o conjunto de práticas da (Ep5) com clientes para realizar reformas planejadas e de baixo custo para eliminar a insalubridade de casas nas favelas e regularização de documentação junto às prefeituras. Para viabilizar esses objetivos, a (Ep5) tem a prática de apresentar e divulgar o trabalho diretamente ao cliente, o que chamou de ação boca a boca. (E5) explica que ao cliente é apresentado um diagnóstico sobre o problema, a solução proposta, o material que será usado na obra e o cronograma de execução. Essa prática surpreende os clientes, pois normalmente são eles que executam a obra nos finais de semana e tem noção dos custos e do tipo de material que empregam. Ao se depararem com os custos e materiais que a (Ep5) utiliza ficam surpreendidos positivamente.
A (Ep5) tem a prática de preços acessíveis ao cliente, portanto sempre atenta à capacidade financeira dos clientes discutindo a melhor forma de pagamento, considerando as condições da família no período, conforme citado por (E5):
“Uma coisa que a gente faz é adequar a parcela (de pagamento da obra) de acordo com o que a família tem (capacidade de pagamento), então, tinha uma família que estava pagando um carnê que ia demorar mais três meses prá quitar. O que a gente fez nos primeiros três meses? Eles pagavam um valor menor (prestação menor), quando acabava aquele carnê a parcela aumentava para gente, influenciou pouco no fluxo de caixa e para família foi gratificante essa preocupação” [...]
Os clientes moradores da zona leste de São Paulo saem muito cedo para trabalhar e retornam tarde durante a semana. Para atender o cliente, a (Ep5) tem a prática de atendimento aos finais de semana, permitindo aos clientes ser atendidos em horário adequado às suas necessidades.
Outro serviço prestado pela (Ep5) é a regularização de documentação de residências junto à prefeitura, permitindo o acesso dessas unidades a serviços públicos básicos. Para esse serviço a (Ep5) tem a prática de representação (despachante), atuando como representante
do morador junto à prefeitura cuidando da burocracia de regularização. A regularização tira o imóvel da clandestinidade. Uma vez regularizado o imóvel, o proprietário pode registrar sua residência, ter legalizado o funcionamento de atividade comercial, comercializá-lo, ter acesso e exigir serviços públicos, tais como: limpeza e varredura das ruas, coleta de lixo, iluminação pública, saneamento básico, pavimentação, postos de saúde e hospitais públicos, creches, escolas e bibliotecas públicas, tratamento de água e esgoto, etc.
4.6.5.2 Práticas com empregados
(E5) descreve as práticas da (Ep5) com empregados como informal e profissionalizante:
(E5) Como o objetivo da (Ep5) é desenvolver toda a comunidade, toda a cadeia, não faz sentido a gente levar colaboradores de outra região. Tem colaboradores ali, tem pedreiros, tem ajudantes de pedreiros ali, então, eu tenho de trabalhar com eles, porque o impacto na vida deles é muito grande [...]
No momento da entrevista a (Ep5) tinha dois funcionários, o próprio (E5) e uma sócia. Os pedreiros e auxiliares de pedreiros que realizam as obras são pagos por empreitada. A (Ep5) não tem condições ainda de ter empregados em folha de pagamento. A (Ep5) contrata mão de obra da própria comunidade e treina para execução das reformas mediante prática de contratação por empreitada. Essa capacitação tem dois objetivos, ter mão de obra produtiva para a (Ep5) e prover treinamento técnico profissional que possibilite ao morador ter renda e inclusão social e econômica. Há expectativa de (E5) é que muitos desses trabalhadores criem outras empresas congêneres à (Ep5) de forma a acelerar o impacto social desejado. (E5) declara que a intenção é que assim que haja fluxo de caixa satisfatório contratará mão de obra via CLT
4.6.5.3 Práticas com fornecedores
(E5) [...] o que a gente oferece para essas empresas (fornecedores de materiais para reforma) é a entrada (no mercado), permutação do produto deles na comunidade. É isso que a gente oferece e também oferece todo marketing social para eles, mas só que a gente não conta com doação deles e a gente não quer doação deles, a gente quer parceria de negócios, porque a gente não pode ficar dependente de doação.
(E5) descreve como prática da (Ep5) com fornecedores a realização de parcerias com fornecedores de materiais para viabilizar reformas de eliminação de insalubridade. Os
materiais de alta qualidade têm custo elevado e não são acessíveis para moradores da favela. Para viabilizar o acesso desses materiais aos clientes da (Ep5), (E5) comenta:
São parcerias com alguns fornecedores – chave na nossa cadeia, por que a gente tem alguns materiais que são muito utilizados, então, para viabilizar, a gente precisa ter parceria com esses fornecedores. Alguns a gente já tem, outros a gente está em contato.
Esses fornecedores são grandes empresas de tintas, impermeabilizante, cimento e azulejo. A parceria com empresas de tintas e de impermeabilizantes está concluída, faltando acertar com a empresa de cimento e azulejos. Para viabilizar essa negociação e permitir o acesso desses produtos nas reformas da (Ep5) comenta:
[...] o que a gente oferece para essas empresas é a entrada, permutação do produto deles na comunidade. É isso que a gente oferece e também oferece todo marketing social para eles, [...] E como funciona essa parceria de negócios? Eles flexibilizam as opções de pagamento, as formas de pagamento para viabilizar o fluxo de caixa da (Ep5) e em troca, a gente faz o marketing social, e faz a entrada dos produtos deles na comunidade [..]
Segundo (E5), a negociação com esses fornecedores é algo novo para as empresas fornecedoras e também para a (Ep5). Portanto, ambos estão diante de um processo de aprendizado que exige paciência e boa vontade. Para o fornecedor a (Ep5) oferece o marketing social, ou seja, os fornecedores podem divulgar para seus consumidores as ações de cunho social junto à (Ep5) caracterizando-a como ação de Responsabilidade Social Empresarial (RSE). A contrapartida é receber produtos de qualidade com maior financiamento, principalmente em relação ao prazo de pagamento, viabilizando o financiamento ajustado às necessidades do cliente, realizado pela (Ep5). A (Ep5) não tem capacidade de estoque, portanto as vendas dos fornecedores são realizadas diretamente para as lojas da comunidade em uma prática de estoque zero. A (Ep5) faz a compra nessas lojas realizando o pagamento conforme condições pactuadas junto ao fornecedor.
Quadro 13 - Síntese das práticas junto aos stakeholders da (Ep5)
Stakeholders Práticas da (Ep5)
Clientes De apresentar e divulgar o trabalho diretamente ao cliente
De prover preços acessíveis ao cliente De atendimento aos finais de semana De representação (despachante)
Empregados De contratação por empreitada
Fornecedores De realização de parcerias com fornecedores de materiais De manter estoque zero
4.6.6. Práticas junto aos stakeholders da (Ep6) – empresa ambiental com foco na diminuição