3. Corporate Social Responsibility (CSR)
3.2 Strategisk CSR
O empreendimento (Ep3) foi fundado em 2012 com capital próprio. O empreendimento (Ep3) tem atualmente cinco funcionários que atuam na área de atendimento e criação / manutenção de software. O serviço ofertado é um programa de identificação e desenvolvimento de talentos para jovens entre 10 e 20 anos. O programa é apresentado em três módulos com diferentes durações e objetivos, onde os alunos desenvolvem seu autoconhecimento, percepção das relações sociais, ação protagonista (como resolver o problema) e gestão de projetos e soluções. O programa é conduzido por professores das escolas-cliente, enquanto os alunos propõem soluções para os problemas sociais de sua região e criam projetos que são implantados com a ajuda da escola, da comunidade e da própria (Ep3). Os clientes da (Ep3) são escolas privadas e públicas que desejam desenvolver atividade complementar ao programa oficial de ensino. O programa também é vendido para ONGs que atendem empresas para cumprimento do programa Jovem Aprendiz.
[...] hoje, a educação no Brasil, tem o erro como algo ruim, quando na verdade, faz muito parte do aprendizado.
[...] porque a gente não trabalha o talento deles (jovens), a gente fala ‘você tem que
ser isso ou isso porque isso que dá dinheiro, isso que dá certo’.
A gente vê também que é uma grande carência da educação tradicional, nunca pergunta qual o seu sonho, pelo contrário, fica rotulando.
Quando é criança ‘ah, que bonitinho! Ele quer ser astronauta’. Agora, esqueça isso tudo, não falamos mais de sonhos, colocamos jovens em um modelo de educação de revolução industrial, toda vida, focado muito em repetição, etc. em prova de vestibular que vai dizer se você tá dentro ou tá fora, e aí você consegue, começa a enxergar que os jovens são mais brilhantes, por muitas vezes eles não se enquadraram muito no modelo tradicional que não valoriza a criatividade dele, não valoriza a pro atividade.
[...] a gente vê muito por aí que são os jovens que são tidos pela diretoria das
escolas como bagunceiros, como maloqueiros, quando na verdade ele é um grande motor criativo, né?
Esse pessoal mais desacreditado acha que ‘meu, isso aí que vocês estão fazendo
O empreendedor (E3) tem uma visão de mundo empresarial “como ele é” baseado em sua visão sobre ensino oficial no Brasil e na Rússia e a diferença entre os dois países na capacidade de identificar e desenvolver talentos. (E3) ressalta que, no Brasil, os jovens são orientados pelas famílias e também pelas escolas, a construir carreira profissional baseado no que dá dinheiro ou que dá certo, como seguir a profissão dos pais, quando são bem sucedidos. Ninguém pergunta para esse jovem qual é o seu sonho, e quando pergunta, se a resposta é considerada “inadequada”, imediatamente iniciam ações para formatar o pensamento e influenciar as escolhas dos jovens. Essa valorização das carreiras tradicionais e a obrigatoriedade de optar por elas limitam as escolhas das famílias e escolas em termos de desenvolvimento profissional desses jovens. Segundo (E3), os talentos mais significativos, muitas vezes, não têm avaliação adequada dentro do modelo atual de ensino, um modelo de ensino que não valoriza o erro como parte do aprendizado. Essa visão tradicional é um problema para a implantação de um programa de desenvolvimento de talentos, pois muitos diretores de escolas, professores e pais avaliam que esse programa não irá conduzir os jovens a nada efetivo em suas vidas.
A visão de mundo empresarial no segmento da educação “como ele é” de (E3), pode ser expresso pela frase “[...] porque a gente não trabalha o talento deles (jovens), a gente fala que você tem que ser isso ou isso, porque isso que dá dinheiro, isso que dá certo”.
4.7.1.4. Empreendedor 4 (E4) – Empresa (Ep4) - empresa financeira que dá crédito a quem não tem
O empreendimento (Ep4) foi fundado, em 2014, com aval do BACEN e com capital próprio e de sócios, entre eles um dos maiores Philantropic Venture Capital do Brasil, contando atualmente, com 14 funcionários. O serviço ofertado é de captação e aplicação de recursos financeiros com juros bastante diferenciados, tanto para o investidor como para o tomador. Os clientes da (Ep4) são investidores de qualquer volume de aplicação e tomadores que não tem crédito disponível, pois estão negativados pelo sistema bancário tradicional.
[...] a indústria financeira é extremamente arcaica, obsoleta, principalmente quando comparada com as outras indústrias do mundo, indústrias de mercado de serviços financeiros [...]
Então, hoje, a gente poupa, bota no banco, o banco decide para quem vai emprestar.
O sistema financeiro brasileiro é muito ruim, ele é muito caro e ele é muito lento.
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Existem basicamente quatro ou cinco bancos que dominam 90, 80% do mercado, e eles batem recorde de lucros todo ano, ou seja, nada contra o modelo de negócio deles, não julgo, mas eles dificilmente vão evoluir no sentido de proporcionar um atendimento melhor, um serviço melhor.
Então hoje em dia o banco não acredita (no cliente) [...]
O empreendedor (E4) tem uma visão de mundo empresarial “como ele é” baseado nos
setores bancários brasileiros. O setor é visto por (E4) como inadequado. Trata-se de um sistema que tem foco exclusivo no stakeholders e que quer assegurar unicamente a maximização do lucro. São poucos os bancos que atuam no mercado, tendo o controle do sistema de tomada e aplicação de recursos. Esse sistema não quer operar com risco e estabelece padrões e níveis de investimento elevados para quem quer aplicar e altas taxas de juros e garantias extremas para quem quer tomar capital para suas operações empresariais. O banco decide qual é o valor mínimo para aplicação e a taxa a ser paga, bem como define pra quem vai emprestar, sem que essa ação seja transparente para o investidor. Segundo (E4), os bancos operam há muito tempo no mercado brasileiro com lucros exorbitantes, portanto não há qualquer motivação para a mudança do sistema financeiro nacional, ou seja, o modelo de negócios deve permanecer o mesmo.
A visão de mundo empresarial “como ele é” de (E4) pode ser expresso pela frase “Então hoje em dia o banco não acredita (no cliente) [...]”. Essa frase enfatiza que os grandes bancos querem dar crédito para quem não oferece risco de retorno. Portanto os empreendedores das classes C, D e E não são elegíveis a crédito no sistema financeiro atual.
4.7.1.5. Empreendedor 5 (E5) – Empresa (Ep5) – Reformas e regularização de residências