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5. Data of the scenarios

5.3. The use of NETs in Scenarios

5.3.2. BECCS in scenarios in 2030

Em suas falas as crianças fazem menção a razão de estarem no primeiro ano do Ensino Fundamental, dando a entender o sentido que elas dão ao modo como a escola está organizada nos diferentes níveis e anos de ensino. Quando questionadas nas rodas de conversa sobre o motivo que as faziam estar no primeiro ano, elas demostram que conhecem que critério utilizados para o processo de entrada é a sua idade: ter completado seis anos de idade.

- Aí, outra coisa, como é que faz uma pessoa sair do prezinho e ir pro primeiro ano? (Pesquisadora)

- É moleza! Fazendo seis anos! (Felipe, fazendo seis com os dedos das mãos)

- Porque a gente fez 6 anos. (Catarina)

Felipe explica à pesquisadora “sua teoria”, construída na interação com o outro, demostrando que era preciso ter seis anos para a criança sair da Educação Infantil (prezinho) e ir para o primeiro ano. A idade foi considerada o principal critério de transferência das crianças da Educação Infantil para o primeiro ano do Ensino Fundamental, determinado pela Lei n° 11.114/2005. As crianças que completam seis anos de idade até o dia 31 de março (Resolução Nº 6, emitida pelo Conselho Nacional de Educação em outubro de 2010) devem ser matriculadas no primeiro ano, independentemente do seu histórico escolar, com ou sem outras experiências anteriores numa instituição de ensino. Muitas crianças tem o contato inicial com a cultura escolar aos seis anos, enquanto outras já leem e escrevem antes mesmo de entrar no primeiro ano, o que nos faz concordar com Bruner (1997, p. 40) ao afirmar que “É a cultura, e não a biologia, que molda a vida e a mente humanas, que dá significado à ação, situando seus estados intencionais subjacentes em um sistema interpretativo”. A idade das crianças é a mesma, mas o que determinará sua adaptação no novo nível de ensino será a maneira como ela, os pais, a professora e a comunidade escolar conduzirão esse processo.

No Projeto Político Pedagógico da escola existe uma sessão específica que trata das crianças de seis anos no Ensino Fundamental. Esse é um fator importante para compreendermos a escola e sua preocupação com a criança que faz parte da instituição.

Visando contribuir com o processo de inclusão da criança de seis anos no Ensino Fundamental, esta instituição pretende desenvolver uma prática educativa, de forma a possibilitar e respeitar as especificidades da criança promovendo uma transição satisfatória.

Para isso, o fazer pedagógico explicitado no Projeto Político Pedagógico deverá oportunizar condições para o desenvolvimento integral de todas as crianças nesta faixa etária, respeitando suas múltiplas linguagens,

proporcionando a interação com outras crianças e a aprendizagem permanente a partir de atividades lúdicas. (PPP, 2011, p. 51 e 52)

Mas essa entrada na escola aos seis anos demandou um aspecto também mencionando pelas crianças: o tempo. Não se entra na escola apenas depois de completar os seis anos, e sim no início do ano letivo, depois das férias:

- Por que a gente estava de férias então decidiu nas férias, a gente, a gente demorou, demorou muito bastante tempo e nossos pais ficaram trabalhando e agente ficou em casa e depois de muito tempo, e depois de muito dias... eh... (Rafaela)

- A gente foi pro primeiro aninho (Gina)

Rafaela e Gina, nesse relato, confirmam a questão do tempo como critério fundamental para a entrada no primeiro ano do Ensino Fundamental. O tempo, apresentado nessa narrativa pelo elemento “férias” é citado como o ponto decisivo da mudança de um nível de ensino para o outro. Em sua fala, Rafaela conta que teve que ficar em casa por “muito tempo”, “muitos dias”, para poder ir para o “primeiro aninho”, esclarecendo que foi uma “decisão” nas férias. O ficar em casa, depois que “demorou, demorou muito, bastante tempo” marca bem essa transição, essa passagem da Educação Infantil para o primeiro ano do Ensino Fundamental. As crianças perceberam que foi preciso um tempo em casa para “passarem” de ano.

“E eu também tenho 6 anos, aí os pais vieram aqui na escola, aí a diretora disse que eu passei...” (Sara)

Essa narrativa é intrigante porque a criança repete o discurso dos adultos no qual ela é o principal personagem. Os pais vêm à escola para se informar sobre ela e “(...) aí a diretora disse que eu passei”. Uma história com um final feliz! De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (2009) não pode haver nenhum tipo de retenção de uma criança na Educação Infantil e também nenhuma avaliação do desenvolvimento da criança com o objetivo de seleção, promoção ou classificação. Ficamos a imaginar as expectativas da criança sobre esse “passar” de ano. O que isso representa de positivo ou de negativo em suas vidas de criança?

As crianças também entendem que no primeiro ano não farão prova, pois ainda não são grandes o suficiente, e que só farão quando estiverem maiores. Comprovando que conhecem a maneira como a escola está estruturada, conforme anotamos em nosso Diário de campo (06 de fevereiro de 2014):

Catarina em sua primeira semana de aula pergunta à professora: - Professora, aqui tem prova? (Catarina)

-Tem não, na sua série não, só quando você tiver maior. (Professora)

- Não! Umas tem provas, outras não. Tem, só que é bem maiorzinho... Quando fizer sete anos.” (Felipe, na roda de conversa)

No relato do diário de campo, Catarina questiona preocupada à professora sobre a questão da avaliação no primeiro ano do Ensino Fundamental. A negativa da professora não a tranquilizou, apenas prolonga sua inquietação para uma nova etapa: “farei prova quando for maior, só preciso saber o quanto maior”. Percebemos nesse diálogo entre a professora e Catarina uma ansiedade da criança sobre o primeiro ano, sobre a estrutura da escola, o que ela faria, não apenas naquele ano letivo, mas nos próximos quando for “maior”.

Contextualizando a fala de Felipe sobre a prova, todas as crianças na roda conversavam explicavam ao Aliem como a escola estava organizada, quais eram as salas e até que ano escolar a escola funcionava. Quando perguntamos se todas as salas eram iguais, Felipe respondeu que não, pois “Umas tem provas, outras não”. Quando a pergunta volta para o grupo e todos respondem que eles não tinham prova, Felipe foi o único que discordou dos colegas afirmando que sim, eles teriam, “só que é bem maiorzinho”.

Para as crianças, a prova apresenta-se como um desafio a ser enfrentado, mesmo que eles tenham a certeza de que não farão prova no primeiro ano do Ensino Fundamental, este dia ainda irá chegar nos próximos anos, e isto é um ponto importante que faziam questão de trazer para a conversa com o Aliem, quando ficarem maior todos farão prova.