CHAPTER 4: FARMING SYSTEMS IN THEORY AND PRACTICE
4.3 Basic assumptions in system analysis
Após apresentarmos determinadas considerações históricas, educacionais e institucionais, importantes para clariar o nosso objeto de estudo, nestas considerações serão apresentados os resultados deste contexto, ou seja, os fatores externos e internos que diretamente ou indiretamente contribuirão para a formação técnica profissionalizante na Escola Estadual Américo Renê Giannetti.
Como na pesquisa, o ponto de partida foi estudar as práticas e as representações sociais referentes ao ensino técnico profissionalizante de 2º grau na Escola Estadual Américo, nos ateremos nestas considerações as três fases passadas pela escola: quando esta esteve sob a direção do professor Valdemar Firmino de Oliveira, no período da ditadura militar; quando foi dirigida pelo professor Ademar Inácio, no contexto da abertura política e o período em que foi dirigida pela professora Iolanda Abalém.
O professor Valdemar Firmino que estava na direção da Escola Estadual Américo Renê Giannetti desde 1962, foi um dos colaboradores para implantação do 2º grau técnico profissionalizante. Nesta gestão destacou-se a tentativa de implantação do denominado “Centro Regional de Educação para o Trabalho”, um projeto que segundo declarou o próprio diretor, foi elaborado com todos os argumentos para que fosse implantado o 2º grau técnico profissionalizante e, que na escola apenas contribui para este determinado fim.
Como a gestão do professor Valdemar Firmino de Oliveira transcorreu no período da ditadura militar, ou seja, um momento de extrema repressão política e controle social pelas esferas governamentais e que em termos educacionais pautou-se na crença do ensino profissionalizante enquanto capacitador do aluno para o mercado de
trabalho, expresso na lei 5692/71. Como também, numa política educacional voltada para o nacionalismo cujo objetivo era despertar os sentimentos cívicos da sociedade.
A direção pautou-se, segundo professores e ex-alunos em uma gestão mais rígida e autoritária, onde todos os comportamentos tanto em sala de aula, quanto no pátio da escola eram observados. Havia também, um maior rigor em relação aos horários de entrada e saída da escola que deveriam ser rigorosamente cumpridos pelos alunos, tanto que cobrava-se destes a permanência em sala de aula e o cumprimento de todas as normas expressas no regimento da escola.
Notou-se também a importância significativa dadas as feiras científicas, como uma forma de propagar o nome da Escola Américo Renê Giannetti enquanto técnica profissionalizante. E devido ao contexto histórico e educacional, foi bem marcante na escola a questão de se estar a todo momento exigindo do aluno a participação nas comemorações cívicas e a na organização de grêmios.
Como foi salientado essas comemorações também tinham o objetivo de divulgar a Escola Estadual Américo Renê Giannetti para a comunidade, bem como argumentou uma ex-aluna: “Nos desfiles havia até premiações para a escola mais bonita” (Ester Marques).
Percebeu-se também que, o rigor disciplinar desta gestão dividia opiniões, entre professores e alunos, alguns dos entrevistados achavam que era boa e contribuía para o funcionamento da escola, outros já não concordavam com algumas atitudes do diretor por ser muito rigorosa.
Já nas gestões posteriores, quando presencia-se uma política mais dita democrática, com a denominada abertura política, a Escola Estadual Américo Renê Giannetti vai aos poucos adequando às políticas educacionais. Desta forma, percebeu-se que a primeira transformação acontece com a saída do professor Valdemar Firmino de
Oliveira da direção escolar e a primeira eleição para diretor, quando o professor Ademar Inácio da Silva foi eleito pelos professores, funcionários e representantes de alunos, com o projeto de federalização para a escola Américo Renê Gianeetti.
Segundo as entrevistas, em relação as exigências e ao cumprimento das normas escolares, o professor Ademar Inácio da Silva, tentou manter as mesmas políticas administrativas adotadas pela gestão anterior. Porém como o país vivenciava um regime político mais democrático, já não era tão exigida a participação dos alunos em grêmios e comemorações cívicas nem mesmo em nas feiras científicas organizadas pela escola.
Assim, nos últimos anos de funcionamento do curso técnico profissionalizante de 2º grau, percebeu-se que a escola já não era tão rígida como no período anterior e os valores, as atitudes e o comportamento dos alunos foram mudando, uma vez que já não havia tanto rigor disciplinar como antes. Esses foram fatos relatados pelos alunos nas entrevistas.
Na gestão da professora Iolanda Abalém, marcada pela efetiva política de municipalidade na escola com a implantação da “Fundação Municipal de Educação pelo Trabalho”, tem-se na escola os definitivos reflexos das políticas neoliberais que, retiraram do governo o compromisso com a educação e manutenção do ensino profissionalizante o que fez a escola estabelecer estreitas relações com a Prefeitura Municipal.
Nesta gestão, como na anterior, não houve efetiva participação dos alunos nos eventos cívicos, conforme argumentou alguns dos entrevistados, pela própria não obrigatoriedade na participação nestes. E apesar dos problemas vividos, a escola já ao contrário da gestão anterior, neta gestão, procurou-se resgatar junto aos alunos a importância das feiras científicas, que indiretamente significavam uma forma de estar divulgando os cursos técnicos profissionalizantes e a escola.
Quanto as questões relativas as regras disciplinares, na leitura da maioria dos ex- alunos e ex-professores entrevistados, estas já não eram tão rígidas, porém alguns destes apontaram que, uma maior rigorosidade na questão disciplinar era necessária para um bom funcionamento escolar.
Por meio dos relatos e documentos pesquisados, percebeu-se que a criação da Fundação Municipal de Educação pelo Trabalho, não representou uma saída para os problemas que a escola enfrentava, uma vez que persistiu o elevado índice de evasão escolar, faltavam recursos materiais para o funcionamento das oficinas, os alunos continuavam desestimulados e sem acreditar no ensino técnico profissionalizante, que, como alguns alunos relataram, havia caído em relação ao nível de ensino e, também, contava com professores mal preparados.
Em relação aos comportamentos dos alunos, nas gestões mais ditas “democrática”, também não havia uma expressiva participação dos alunos nos eventos cívicos e na formação dos grêmios escolares e já não havia tanto rigor em relação aos comportamentos dos alunos. Porém, a escola ainda como forma de propagar os cursos técnicos, incentivava a participação dos alunos nas feiras científicas, porém não havia uma grande participação por parte dos alunos.
No transcorrer da pesquisa se evidenciou, que enquanto escola técnica profissionalizante a Escola Estadual Américo Renê Giannetti, tentou adequar as habilitações técnicas à realidade das empresas de Uberlândia, com a finalidade que o aluno ingressaria no mercado de trabalho, porém, na medida em que a cidade não absorveu essa mão-de-obra o aluno foi sentindo desistimulado em cursar as habilitações técnicas oferecidas pela escola.
Percebeu-se também bque através das iniciativas tomadas, a escola tentou resolver os problemas com relação a formação profissionalizante de 2º grau. Porém,
com o passar dos anos, foi perdendo a identidade de escola Técnica Profissionalizante, encerrada de fato com a lei 9394/96, que desobrigou a escola pública a oferecer disciplinas profissionalizantes em seus currículos.