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Oppfølgingsspørsmål

3. Har kvinner en sterkere opplevd negativ effekt på privatlivet enn menn med bakgrunn i

4.2. Oppfølgingsspørsmål

No Rio Grande do Norte, o processo de concentração do setor supermercadista foi impulsionado, num primeiro momento, por meio da instalação de uma loja do hipermercado Bompreço, no inicio da década de 1980. Até o ano 2000 essa empresa apresentava capital essencialmente nacional, tendo sido adquirida, no ano 2005, pelo grupo Royal Ahold (capital holandês), passando a pertencer ao grupo

Wallmart de capital norte-americano.

O Hipermercado Bompreço assinala um novo momento da atividade comercial no Rio Grande do Norte e, particularmente, na cidade do Natal. Essa grande superfície comercial deu início a um processo de modernização do setor de comércio e, por conseguinte, no tecido comercial da cidade que, por sua vez, até então, se expandia devido à construção de conjuntos habitacionais. Este tipo de comércio trouxe para Natal um novo padrão de empreendimentos comerciais, cuja característica fundamental era a centralização de atividades e de serviços. Tratava- se de uma nova concepção espacial do comércio, que permitia ao usuário dispor de múltiplas atividades e produtos, concentrado na oferta dos serviços e na

preocupação com o conforto, economia de tempo, comodidade e segurança do consumidor (GOMES, 2010).

Em Natal a concentração e competitividade é imposta pela presença de hipermercados e atacarejos, a exemplo do Hiper Bompreço, na década de 1980 e mais tarde do Carrefour e dos shoppings centers, a partir da década de 1990, e da chegada do Extra, Atacadão, Super Fácil, Makro e Assaí, nos anos 2000. As instalações dessas grandes superfícies comerciais no contexto da cidade provocaram uma reestruturação no setor e prejudicaram diretamente os pequenos supermercadistas, tendo vista que estes dificilmente conseguiam competir com as estratégias dessas empresas. Ao se instalarem nos lugares, para melhor funcionarem, estas empresas criam uma “desordem” principalmente para as pequenas e médias empresas que atuam no setor.

A instalação desses estabelecimentos comerciais em Natal pode ser explicada por alguns eventos, tais como: a intensa expansão urbana vivenciada pela cidade, principalmente nas últimas décadas do século XX, associado à dinamização do setor imobiliário, com a construção de diversos conjuntos habitacionais e de equipamentos viários que possibilitaram maior intensidade dos fluxos de mercadorias, pessoas e capitais, e, por conseguinte, contribuíram também para a expansão urbana; o desenvolvimento do setor industrial, promovido pela implantação do Distrito Industrial e a expansão dos serviços relacionados principalmente à atividade turística, promoveram o crescimento urbano de Natal no sentido Norte/Sul, fazendo emergir um gradativo processo de desconcentração das atividades comerciais (SILVA; GOMES, 2007).

Cabe ainda destacar a expansão do turismo via Programa de Ação para o Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (PRODETUR), que iniciou suas atividades no território potiguar nos anos de 1990, com a implementação de dois projetos: o Rota do Sol e o Polo Costa das Dunas. Esses projetos foram marcos significativo, pois, com isso foi criada uma infraestrutura hoteleira que possibilitou o desenvolvimento e a expansão do turismo, principalmente a partir dos anos 1980, com a implantação da Via Costeira (estrada que interliga as praias urbanas), concentrando importante infraestrutura hoteleira, voltada a receber fluxos crescentes de turistas em Natal. Desse modo, a atividade turística e sua expansão constituíram- se num importante elemento definidor no processo de modernização dos setores de comércio e serviços (SILVA; GOMES, 2007).

O comércio dessa cidade se ampliou e se diversificou nas três últimas décadas, acompanhando processos socioeconômicos inspirados na ampliação do modelo capitalista de produção verificado em escala global. Nesse contexto, a atividade comercial desempenhou um importante papel no processo de urbanização, ao proporcionar o surgimento de novos agentes econômicos, remodelar o modo de vida urbana mediante implantação de diferentes padrões de produção e de consumo, bem como interferindo na reestruturação espacial. A cidade passa a ser organizada, em grande medida, para servir aos interesses desses agentes hegemônicos em detrimento dos demais também envolvidos na atividade comercial, dentre os quais, os pequenos supermercadistas.

Mudanças nas formas (estrutura física dos estabelecimentos, criação de novas formas comerciais) e nas relações (implantação do autosserviço), constituem novos mecanismos que foram implantados no setor comercial de bairro em Natal, em função da necessidade de acompanhar as novas tendências mercadológicas e dos novos hábitos de consumo da população da referida cidade, a exemplo das redes associativistas de supermercados. A formação dessas redes no âmbito dos pequenos supermercados existentes em Natal constituiu-se em um importante vetor de modernização da atividade comercial que, segundo Salgueiro (1996), ocorre quando os estabelecimentos mudam a fachada, o interior da loja, alteram o mix dos artigos comercializados e reestruturam a forma de gestão do estabelecimento. As mudanças incluem ainda obras de conservação e modernização da loja (ampliação, novos mobiliários, alteração do balcão, iluminação, etc); nos equipamentos (terminais de pagamento automático, leitura ótica do código de barras junto com a caixa registradora, alarme, climatização); e as modificações no mix de produtos, com crescente ampliação de seções não alimentar, no caso dos supermercados (SALGUEIRO, 1996).

No Rio Grande do Norte, conforme já foi dito, a primeira rede associativista de supermercado foi a RedeMais, que formou-se no ano de 1997, com a fundação da Associação RN Super Central de compras, composta por 17 (dezessete) pequenos supermercadistas independentes da cidade do Natal. O objetivo inicial dessa união era o de comprar em conjunto, conforme explica Eugênio Pacelli de Medeiros, e assim aumentar os volumes de compras dos diversos estabelecimentos, em geral, todos muito pequenos, para torná-los grandes a ponto de oferecer competitividade às lojas associadas. Até o ano de 2002, a RedeMais, através da sua central de

compras, atuou exclusivamente voltada para a negociação das compras para os seus associados.

Essa centralização das compras através da rede associativista possibilitou aos pequenos supermercadistas maior poder de negociação junto aos fornecedores, tendo em vista o maior volume de mercadorias que passou a ser negociado. Isso se traduziu em menores custos para os supermercadistas, e, por conseguinte, maiores possibilidades de se utilizarem de políticas de preços junto aos seus consumidores (SALGUEIRO, 1996).

Com a consolidação da central de compras, a rede buscou desenvolver novos serviços para os seus associados, como por exemplo, serviços de marketing. Para concretização desse projeto, o grupo teve como referência algumas experiências já desenvolvidas em outras cidades, a exemplo de Uberlândia (MG). Nesta cidade, o grupo conheceu a Rede Smart, pertencente ao Grupo Martins, que já havia feito uma oferta aos associados da RedeMais para que estes adotassem uma bandeira única da Rede Smart.

A proposta feita pelo Grupo Martins não foi aceita pelos associados à rede. Isso porque, embora fosse um negócio de grande viabilidade econômica para os sócios da RedeMais, estes entenderam que seria suscitado um vínculo e que resultaria em subordinação na prática da gestão das suas lojas, que, por conseguinte, propiciaria a dependência em relação à Rede Smart. Contudo, apesar da parceria não ter sido concretizada, a RedeMais decidiu adotar um modelo similar de funcionamento ao da Rede Smart, principalmente no tocante às estratégias de

marketing.

Assim, a partir de 2001, a RedeMais passou a realizar para as lojas associadas, além das compras conjuntas, serviços de marketing. Para tanto, fez-se necessário a criação e unificação de uma marca fantasia (bandeira) única da Rede, que passou a ser designada RedeMais de Supermercados, embora, fossem mantidas suas identidades societárias, ou seja, a marca anterior da loja. Entretanto, o destaque dado passa a ser a marca RedeMais, como se pode observar na Foto 01.

Foto 01 – Fachadas dos supermercados associados à RedeMais.

Fonte: RedeMais, 2014.

Bairro de Alecrim, Natal (RN) Cruzeta (RN)

Canguaretama (RN) Bairro Felipe Camarão, Natal (RN)

Bairro de Cidade Satélite, Natal (RN) Bairro de Cidade Esperança, Natal (RN)

Bairro Nossa Senhora de Nazaré, Natal

(RN) Bairro Rocas, Natal (RN)

Bairro Planalto, Natal (RN) Bairro Potengi, Natal (RN)

A adoção da marca única pelos estabelecimentos associados consistiu um grande desafio para os pequenos comerciantes. Sobre isso, Medeiros (2014) relata que: “Tivemos que abrir mão de coisas tradicionais, como as nossas marcas, que tinha todo um vinculo afetivo, algumas com uma história de família, pois existiam pessoas que já possuíam a marca há mais de 50 anos, que vinha do pai, e tiveram que colocar sua marca num plano secundário, para que todas as lojas ficassem conhecidas como RedeMais”. Ao priorizar a marca da rede, muito dos pequenos supermercadistas, com lojas cuja gestão é de base essencialmente familiar, a exemplo do Supermercado Venâncio, em Currais Novos (RN), tiveram que abdicar de toda a história expressa até então pela marca do seu estabelecimento, reproduzida há décadas por gerações e com forte identidade com o lugar em que sempre atuaram.

Conforme salientado anteriormente, a RedeMais, além de ser a maior rede associativista do Estado, no ano de 2014 está entre as trinta maiores redes associativistas no Brasil, e ocupa a 23ª posição no Ranking da ABRAS (SUPERHIPER, 2014). Esta rede conta com 14 (quatorze) sócios que administram 22 (vinte e duas) lojas distribuídas em 12 (doze) cidades do Estado (mapa 03).

Mapa 03 – RN: Localização e número de lojas associadas à RedeMais – 2014.

Convém ressaltar, que a RedeMais mantém a sua constituição original, ou seja, não foram admitidos novos sócios desde a sua formação, tendo ocorrido apenas algumas desistências no âmbito da associação. Isso se deve ao fato de que o Estatuto da rede não permitiu a associação de novos sócios. Recentemente essa normatização foi modificada, e já consta nos planos da rede a adesão de novos sócios, que expandirá suas atividades em Natal e demais cidades do Estado nos próximos anos.

No tocante à localização das lojas da RedeMais no Rio Grande do Norte, observa-se que há uma maior concentração na cidade do Natal, com 10 lojas associadas à rede. Todos os estabelecimentos estão localizados em bairros, alguns inclusive ocupando eixos de circulação importante, como a Avenida Maria Lacerda, todavia a grande maioria encontra-se distribuídos em bairros periféricos e populares. Convém ressaltar que no âmbito da cidade do Natal, as unidades da RedeMais se apresentam na condição de comércio de proximidade (vizinhança), uma vez que, nas áreas de centralidades encontram-se unidades das grandes redes como Hiper Bompreço, Carrefour e Nordestão.

Já nas cidades da Região Metropolitana, a RedeMais conta com 05 lojas associadas, sendo 01 (uma) na cidade de Parnamirim, 01 (uma) em São José do Mipibu, 01 (uma) em Monte Alegre e 02 em Ceará-Mirim. No interior do Estado também são encontradas 04 (quatro) lojas associadas à RedeMais, localizadas nas cidades de Macau, João Câmara, Currais Novos e Cruzeta.

Como forma de evitar uma competição entre os sócios da rede, o regimento normatiza como critério para localização das lojas, o porte da cidade. No caso das lojas localizadas em Natal, por exemplo, estas devem apresentar uma distância mínima de 3 km. Já nas pequenas cidades, estas não podem ter mais do que um sócio por cidade, muito embora, esse sócio possa ter mais de uma loja na mesma cidade.

A RedeMais se tornou referência no âmbito do processo de formação das demais redes associativistas de supermercados, tanto em Natal, quanto nas demais cidades do interior do Estado. Assim, pequenos supermercadistas independentes subsidiados por este modelo passaram a adotar o formato como estratégia de modernização, principalmente no que se refere às mudanças propiciadas no âmbito da gestão das empresas.

Embora tenha sido um processo iniciado em Natal e durante certo tempo este modelo tenha se restringido à região metropolitana de Natal, a partir de 2002, tem-se sua interiorização no estado. Na pesquisa de campo, foram encontradas 09 (nove) redes associativistas de supermercados que tem como área de atuação as cidades do interior do estado.

Com o objetivo de delinear as características principais das redes associativistas que atuam nas cidades do interior do Estado, foi realizado pesquisa de campo em um total de 07 (sete) redes associativistas de supermercados, o que representa cerca de 80% do total (Tabela 03).

Tabela 03 – Principais características das redes associativistas de supermercados que atuam no interior do Rio Grande do Norte – 2014.

POS.