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Lokalt samarbeid og forankring: Politiråd/SLT

In document Gode krefter (sider 40-43)

4 Virkemidler og strategier

4.3 Styrket samarbeid og samordning på ulike plan

4.3.3 Lokalt samarbeid og forankring: Politiråd/SLT

2.1.3.1. Cíbele

a) Caracterização da divindade e do seu culto

Cíbele tem sido entendida como a divindade oriental mais popular nas províncias do Império, juntamente com Átis, seu par masculino, sendo porém mais frequentes as invocações isoladas de Cíbele (Toutain, 1911: 74). Esta surge amplamente designada na documentação epigráfica como Mater Deum, sendo portanto considerada uma Deusa-Mãe, cujos epítetos se circunscrevem, na epigrafia latina, a sancta, sanctissima e omnipotens, tendo sido atribuído à mesma um carácter benfazejo, enquanto personificação da Natureza fecunda (Toutain, op. cit.: 73-74; 77).

No tocante aos ritos do culto, em cuja celebração as confrarias desempenhavam um papel relevante, é conhecida a associação do mesmo ao taurobolium, consistindo no sacrifício do touro, ligado ao baptismo de sangue dos fiéis (Toutain, 1911: 78-79; 84); tendo o único taurobólio seguro na Lusitânia sido celebrado em Emerita (Alvar, 2002: 207). A procedência e carácter deste rito não podem ser dados como exclusivamente frígios (tal como o crinobolium, marcado pelo sacrifício do carneiro), tendo sofrido uma mais extensa difusão nas províncias (Toutain, op. cit.: 81-82 e 88-89). Esta situação remete para a chegada dos cultos orientais à Lusitânia após diversas transformações, não constituindo então já cultos próprios da sua região de origem (Alvar, 2002: 205).

b) Origem e extensão geográfica do culto

A origem desta divindade situa-se na Frígia, pertencendo então ao grupo de divindades oriundas da Ásia Menor, que terá chegado a Roma em 204 a. C., altura em que

decorre o transporte da pedra representativa da mesma para a cidade (Toutain, 1911: 73). À semelhança das restantes divindades da Ásia Menor, Cíbele não se encontra abundantemente representada na epigrafia votiva da Hispânia, embora tenham subsistido alguns testemunhos deste culto no seu território, que parecem concentrar-se ao longo das vias de mais fácil ligação da vida provincial a Roma e ao mundo mediterrâneo (Toutain, 1911: 101; 103).

No contexto da Hispânia, a consulta de HEpOL traz-nos cerca de 15 dedicatórias a Cíbele, 8 das quais descobertas na Lusitânia, que fornece então 53,3% deste conjunto epigráfico, não se afastando muito da Tarraconense, com 6 inscrições (40%), enquanto da Bética provém apenas uma. Mérida (CIL II 5260 e AE 1962, 67) e Lisboa (CIL II 178 e 179) surgem como os núcleos da Lusitânia que fornecem mais epígrafes, distribuindo-se as restantes por Cáceres (CIL II 805), Estremoz (IRCP 440), Beja (IRCP 289) e Faro (IRCP 1); tendo sido proposta a existência de santuários de Cíbele em Mérida, Beja e Lisboa (Alvar, 2002: 207).

c) Representação nas cidades do mundo urbano

O culto de Cíbele no Sul do território actualmente português conta com três testemunhos (Tabela 1), um dos quais integrável em âmbito urbano (IRCP 1, Faro), tratando- se da divindade oriental mais cultuada neste espaço geográfico. A gravação de uma palma estilizada poderá simbolizar certos atributos de Cíbele, nomeadamente a sua protecção da vegetação ou triunfo sobre a morte (Encarnação, 1984: 42).

Esta epígrafe afigura-se relevante para o estudo do culto desta divindade no território actualmente português, nomeadamente pela referência à realização de um crinobolium, bem como ao sacerdote que dedica a inscrição; sugerindo a existência de um número significativo de fiéis na região, o que se afigura consistente com o cosmopolitismo de Ossonoba (Encarnação, loc. cit.).

2.1.3.2. Ísis e Serápis

a) Caracterização das divindades e dos seus cultos

Ísis apresenta-se como a mais popular do grupo das divindades designadas “greco- egípcias” ou “alexandrinas”, juntamente com o seu par masculino, Serápis. Embora surjam invocados em conjunto, nota-se uma prevalência das dedicatórias isoladas a Ísis na Hispânia (Dias, 1978: 39-40; Toutain, 1911: 5-7). Ambos terão sido assimilados a diversas divindades

da mitologia greco-romana (e também regionais ou locais), denotando as suas representações iconográficas e escultóricas nas províncias latinas uma tentativa de síntese destas três dimensões (Toutain, op. cit.: 8-9). No que respeita aos epítetos, é conhecido o uso de Pantheus para designar Serápis, remetendo para o seu carácter de deus supremo e universal, enquanto Ísis seria homenageada como deusa máxima, como sugere a presença do epíteto Domina (Encarnação, 1984: 253 e 305).

Ambas as divindades terão sido também invocadas como protectoras do elemento aquático, como mostra a descoberta de uma dedicatória a Ísis (CIL II 4491) nas chamadas Aquae Calidae (Caldas de Montbuy), nas proximidades de Barcelona (Toutain, 1911: 11). Quanto aos actos dos seus cultos, J. Toutain (op. cit.: 15) alude à escassa frequência de referências a cerimónias e ritos na epigrafia, excepto no que respeita à existência de sacerdotes (CIL II 1611, Bética) e confrarias religiosas (CIL II 3730, Valência).

b) Origem e extensão geográfica dos cultos

Ísis e Serápis têm origem alexandrina, encontrando-se África e Hispânia entre as regiões onde os seus cultos terão gozado de mais abundante representação (Toutain, 1911: 18); sob a protecção dos Flávios, estes implantar-se-iam em diversas localidades ocidentais, a partir do séc. I d. C. (Alvar, 2002: 205). Na Hispânia, os testemunhos parecem encontrar-se sobretudo nas regiões mais propícias aos contactos com as populações exógenas, nomeadamente o sul da Lusitânia, o vale do Bétis, o extremo Sudoeste da Tarraconense e a sua costa oriental (Toutain, op. cit.: 19).

Esta situação parece ser corroborada pela consulta de HEpOL, que nos fornece cerca de 26 dedicatórias a Ísis (incluindo aquelas em que surge associada a Serápis), uma vez que, provindo cerca de metade deste conjunto da Tarraconense, apresentam-se mais numerosas as inscrições oriundas da costa oriental; já a Bética fornece dez epígrafes (38,5% do conjunto epigráfico), e a Lusitânia apenas três, de Badajoz (CIL II 981), Alcácer do Sal (IRCP 182) e Beja (IRCP 338). Apesar da maior popularidade de Cíbele entre as divindades orientais, o culto de Ísis terá deixado mais vestígios, sobretudo nas regiões mais romanizadas do Sul peninsular, tendo sido possivelmente importado por mercadores que acompanhavam os exércitos durante a República (Encarnação, 1984: 253).

Por seu lado, o culto de Serápis encontra-se menos significativamente representado na Hispânia, com cerca de 12 inscrições, 9 das quais oriundas da Tarraconense, que fornece então 75% deste conjunto epigráfico. Já a Bética e a Lusitânia apresentam-se muito

parcamente representadas neste aspecto, com uma e duas epígrafes, respectivamente, tendo os exemplares lusitanos sido descobertos em Mérida (ERAE 17) e Beja (IRCP 231).

c) Representação nas cidades do mundo urbano

Das três dedicatórias a Ísis provenientes da Lusitânia, duas podem ser atribuídas ao território actualmente português, uma das quais (IRCP 182, Alcácer do Sal) integrável na esfera urbana, tendo sido descoberta num porto onde se encontram atestadas ligações com o Oriente (Encarnação, 1984: 254). Já a outra inscrição (IRCP 338) encontra-se maculada por algumas reservas no tocante à sua integração no mundo urbano ou rural, dada a sua procedência desconhecida. Embora J. d’Encarnação (1984: 414, nota 1) tenha situado a sua descoberta nas imediações de Beja, entende-a como procedente de uma pilha de entulho junto das “Portas de Aviz”, a qual teria vindo do interior da cidade; tendo isto em conta, optei por não incluir esta inscrição em nenhum dos âmbitos. O texto apresenta-se muito fragmentado, embora possamos discernir com clareza a grafia do teónimo, não tendo sido recuperado o nome do dedicante.

Por fim, também se insere neste âmbito o único testemunho do culto de Serápis no território actualmente português (IRCP 231, Beja), em que este surge invocado como Pantheus. Avulta aqui o carácter simultaneamente votivo e funerário do monumento, como se verifica para outras divindades greco-romanas, cumprindo uma mãe o voto em honra do seu filho falecido, por decreto dos decuriões (Encarnação, 1984: 304).

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