Agora dedicamos as próximas linhas para o estudo do grau de instrução dos pais e responsáveis, no contexto de respostas do alunos das três escolas escolhidas. Dentro de um universo total de 129 questionários respondidos e validados (conforme explicado no item 3.5 dessa dissertação) o panorama a seguir está concentrado na questão de número sete. Nela solicitamos aos alunos que marquem as alternativas do maior grau de instrução daqueles que eles desejarem responder. As opções iniciam com Ensino Fundamental incompleto e terminam com a opção doutorado, entre elas existe um leque de possibilidades de respostas.
O objetivo estabelecido com essa coleta de informações específicas é poder fazer uma aproximação de alguns questionamentos, como, por exemplo, se o grau de instrução tem alguma relação com o número de filhos, ou mesmo, com a procura por aulas realizadas na sombra da educação formal. Partimos, então, expondo o gráfico direcionado à escola particular:
Gráfico 21 – Escola Particular: Grau de instrução do pai Fonte: elaborado pela autora (2013)
Um olhar mais atento para os dados do gráfico 21, referentes apenas a formação do pai, permite inferir que 76% deles (somando as porcentagens de: ensino superior completo, mestrado e doutorado) possuem Ensino Superior completo. Sendo que desse total, 14% está no nível de mestrado e 3% no de doutorado. Ainda, 17% já realizou os estudos a nível de Ensino Médio e 6% afirmaram que o pai ainda não concluiu o Ensino Superior. Um valor mínimo, apenas 1%, afirma que o progenitor possui Ensino Fundamental incompleto.
O próximo gráfico é dedicado a formação da mãe. Separamos os dados entre pai e mãe e, ainda, outros responsáveis para que fosse possível visualizar separadamente o grau de instrução de cada um. Observe:
Gráfico 22 – Escola Particular: Grau de instrução da mãe Fonte: elaborado pela autora (2013)
Conforme descrito no gráfico em forma de “pizza” , extraímos as informações referentes ao grau de instrução das mães dos alunos. Estes informam que a grande maioria das mães, com uma representação significativa de 81%, possui Ensino Superior completo (somando-se mestrado, 10; doutorado 3% em conjunto com Ensino Superior completo, 68%). Depois tem-se 9% de mães com Ensino Médio Completo e 7% com Ensino Superior incompleto. Empatam em 3% aquelas com Ensino Médio incompleto e as que realizaram os seus estudos a nível de doutorado.
Comparando os pais e as mães da escola particular, conclui-se um dado relevante que as mães são o as que possuem, em maior número, um grau mais elevado de estudos, elas representam 81% do total, contra 76% do total dos pais. No entanto, quando olhamos para os gruas mais avançados de estudos, percebemos que os valores são muito próximos. A nível de mestrado e doutorado, o índice de respostas é muito próximo, entre os pais e as mães. Aqueles contemplam 14% de mestres e 3% de doutores, enquanto entre elas temos 10% de mestres e 3% de doutoras; ou seja, no nível mais elevado de estudos, o doutorado, a diferença é inexistente, enquanto que nos níveis mais iniciais de formação existe a distinção. Como última informação sobre os dados da escola particular, no tocante ao grau de instrução, temos, ainda, aqueles que responderam o grau de instrução de outros responsáveis. Tem-se uma avó com Ensino Médio completo, uma empregada com Ensino Médio completo, um padrasto com Ensino Superior completo, dois irmãos, sendo que um deles possui Ensino Superior completo e o outro incompleto, uma irmã com Ensino Superior completo, um tio com Ensino Superior incompleto e, por último, uma tia com Ensino Superior completo.
Seguindo com a análise partimos para os gráficos da escola estadual. Eles, seguindo o modelo anterior, estão separados entre os pais e as mães.
Gráfico 23 – Escola Estadual: Grau de instrução do pai Fonte: elaborado pela autora (2013)
Segundo os dados do gráfico 23, a maioria dos pais dos alunos da escola estadual possui Ensino Médio completo (38%), depois, com 23% das respostas, se encontram os pais com Ensino Fundamental incompleto. Logo após, temos o Ensino Superior incompleto, representado em um universo de 12%, seguido por 11% daqueles que possuem Ensino Fundamental completo. Por último, empatados com 8% estão os pais, cujo grau mais elevado de estudos é ou o Ensino Superior completo ou o Ensino Médio incompleto.
Abaixo, está exposto o gráfico 24, informando o grau de instrução da mãe. Propomos a observação, para depois fazermos uma comparação entre os dados direcionados para os pais e para as mães.
Gráfico 24 – Escola Estadual: Grau de instrução da mãe Fonte: elaborado pela autora (2013)
Segundo informações inferidas a partir do gráfico 24, temos que o grau de instrução das mães que mais ocorreu, no contexto em presente, foi o de mães com Ensino Fundamental incompleto, com 35% das respostas. Em seguida, com 27% das referências temos o Ensino Médio completo; seguido, imediatamente, por 11% de duas respostas que empataram, sendo elas: Ensino Superior completo e Ensino Fundamental completo. Por último, representando 8% das respostas fornecidas, estão as opções: Ensino Superior incompleto e Ensino Fundamental completo.
Ao se fazer o comparativo entre os pais e as mães dos alunos da escola estadual podemos concluir que o grau de escolaridade dos pais é mais elevado do que o das mães. Enquanto 38% deles possui Ensino Médio completo, 35% delas tem apenas o Ensino Fundamental incompleto. De forma inversa, e na segunda posição entre eles, tem-se que 23% dos pais possui Ensino Fundamental completo e 27% das mães concluiu o Ensino Médio. Quanto ao Ensino Superior completo apenas 8% dos pais realizou, contra 11% das mães, nesse nível as mães superam os pais.
Ainda, imerso no universo da escola estadual estudada, alguns participantes da pesquisa falaram sobre o grau de instrução de outros responsáveis, além do pai e da mãe. Não foram elaborados gráficos a partir dessas informações porque elas eram em número muito reduzido. Expomos nas linhas a seguir essas informações. Dois alunos fizeram referência à escolaridade de suas avós; tendo uma delas Ensino Fundamental incompleto e a outra, Ensino Médio completo. Também encontramos respostas sobre o mesmo tema na referência a uma tia e uma irmã. As duas figuras consideradas pelos alunos como as responsáveis por eles, possuem Ensino Médio completo.
Por último trazemos os dois gráficos sobre o mesmo tema, mas agora dos contexto da escola municipal. Para, assim, posteriormente, fazer uma análise conjunta dos três contextos e seus resultados.
Gráfico 25 – Escola Municipal: Grau de instrução do pai Fonte: elaborado pela autora (2013)
No âmbito da escola municipal a realidade apresentada pelos alunos respondentes informa que a divisão entre os graus de escolaridade é um pouco mais uniformemente dividida. Tem-se: 38% de Ensino Fundamental incompleto, 18% com Ensino Médio completo, 17% com Ensino Médio incompleto, 12% Ensino Superior incompleto e Fundamental completo e apenas 3% com Ensino Superior completo. Passamos diretamente para os dados referentes às mães.
Gráfico 26 – Escola Municipal: Grau de instrução da mãe Fonte: elaborado pela autora (2013)
Ao se fazer a leitura dos dados do gráfico 26, percebemos que em primeiro lugar, com maior número de respostas (35%) temos as mães com Ensino Fundamental incompleto, seguidas por (21%) aquelas que têm Ensino Médio incompleto, depois, com Ensino Médio completo aparece 18% das respostas, em quarta posição aparece a constante de valor 12% referentes aquelas com Ensino Superior incompleto, em quinto lugar, duas respostas obtiveram 7% de referência, sendo elas: Ensino Fundamental completo e Ensino Superior completo. Por fim, também temos as informações ligadas aos outros responsáveis: duas referências à padrasto, um com Ensino Médio completo e o outro com Ensino Superior incompleto e uma ocorrência para tia, avó e avô; respectivamente, com os seguintes graus de instrução: Ensino Fundamental completo e Ensino Superior incompleto (tanto a avó, quanto o avô). Em uma proposta de estudo posterior (a nível de doutorado, por exemplo) poderia ser
investigada qual o grau de interferência (positiva ou negativa) dessas figuras “adultas” para a construção do percurso de estudos do aluno, já que as figuras representativas aparecem de formas múltiplas.
Um olhar amplo, que se estenda para os três contextos, permite formular algumas hipóteses. Primeiro é perceptível que existe uma diferença na repetição dos dados conforme o contexto estudado. Enquanto na escola particular parece existir uma maior constância na formação dos pais, pois junto a esse público a conclusão do Ensino Superior prevalece. Em contrapartida nas escolas públicas (municipal e estadual) existe uma maior variabilidade nas possibilidades de saturação dos dados. Tanto para os pais, como para as mães da escola municipal a formação que mais é recorrente é a incompletude do Ensino Fundamental. Já na escola estadual, os pais possuem um grau maior de formação, pois eles, em sua maioria, já concluir os estudos a nível médio, enquanto as mães (35%) não concluiu o Ensino Fundamental. Nos questionamos, assim, se a formação dos pais não terá influência no percurso acadêmico dos descendentes. Aqui não tentaremos responder a essa interrogação, apenas nos limitamos a expor os dados obtidos, mas mais a frente, tentaremos pensar nesse questionamento.
Concluímos o panorama referente ao grau de instrução dos pais/responsáveis, agora partimos para a análise da ocupação profissional deles. Da mesma forma que o intervalo de gráficos contemplados nesse espaço (21, 22, 23, 24, 25 e 26), onde ocorreu a separação entre os dados dos pais e das mães, o próximo subcapítulo partirá da mesma estrutura, mas fazendo análise da ocupação profissional dos pais/responsáveis.