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Da mesma forma que foi desencadeado o processo evolutivo da tecnologia, consequentemente, a calculadora também acompanhou esse processo evolutivo, e as calculadoras que antes possuíam apenas recursos para atender as operações básicas, ampliaram sua capacidade operacional contando com uma série de recursos e capacidade de realização de muitas funções de grande importância para facilitar a vida das pessoas, tanto em atividades acadêmicas como em atividades do cotidiano.

Nos anos 70, ao ingressar no ensino técnico médio na Escola técnica federal do Pará (ETFPA), os alunos iniciavam o curso matriculando-se em um curso de seis meses para aprender a manusear um instrumento chamado de “régua de cálculo” para facilitar a realização de cálculos complexos e longos que apareciam ao longo do desenvolvimento de diversas disciplinas desse curso técnico, aja visto que até então, a calculadora ainda não estava disponível para o aluno. As calculadoras científicas disponíveis no mercado hoje operam com números na forma de notação científica, na forma fracionária, operam em bases binárias, com representações gráficas, com funções trigonométricas. Em nosso trabalho a calculadora que iremos usar é da Casio modelos fx-82ES e fx-82ES PLUSbk, que é um recurso de fácil aquisição pela escola.

Para que o professor possa realizar um bom trabalho em sala de aula com o auxílio de qualquer recurso tecnológico, é necessário primeiramente que este professor tenha sido preparado para isso. Com a calculadora não é diferente, pois é necessário que o professor faça um bom planejamento, elabore estratégias e faça um estudo para a preparação prévia de atividades, exercícios, experimentos, etc.; visando o sucesso do trabalho.

É importante que se tenha alguns cuidados quando inserimos em sala de aula a utilização de um novo instrumento que pode ser às TIC ou outro qualquer, ou seja, deve-se pensar e planejar como será feita esta aplicação por intermédio de estratégias e objetivos muito bem elaborados.

Na maioria de nossas escolas, de um modo geral, o único recurso que o professor tem para desenvolver o seu trabalho em sala de aula, é o livro didático, porém, nem sempre, o livro agrega a utilização da calculadora, apesar da recomendação feita pelos Parâmetros Curriculares Nacionais em relação ao uso das tecnologias nas aulas de matemática.

De acordo com os PCN (BRASIL, 1997a, p. 67) “é indiscutível a necessidade crescente do uso de computadores pelos alunos como instrumento de aprendizagem escolar, para que possam estar atualizados em relação às novas tecnologias da informação e se instrumentalizarem para as demandas sociais presentes e futuras.”

Sobre o uso da calculadora em sala de aula, Melo (2008) afirma que “as ideias sobre o que é tecnologia nos permite situar e destacar a calculadora no quadro geral das inovações de tecnologias na sociedade”.

Os PCN (BRASIL, 1997b, p. 19) afirmam que os recursos didáticos devem “estar integrados a situações que levem ao exercício da análise e da reflexão, em última instância, a base da atividade matemática”.

Acrescentam que estudos evidenciam a calculadora como um instrumento que pode contribuir para a melhoria do ensino de Matemática, pelo fato de:

Que ela pode ser usada como um instrumento motivador na realização de tarefas exploratórias e de investigação. Além disso, ela abre novas possibilidades educativas, como a de levar o aluno a perceber a importância do uso dos meios tecnológicos disponíveis na sociedade contemporânea. A calculadora é também um recurso de verificação de

resultados, correção de erros, podendo ser um valioso instrumento de auto-avaliação. (BRASIL, 1997b, p. 34).

Um grande número de educadores do ensino fundamental, e até mesmo de outros níveis de ensino, acham que o uso da calculadora em sala de aula pelos alunos, afeta negativamente o desenvolvimento do raciocínio, fazendo com que os alunos não tenham interesse em aprender algoritmos para as operações básicas. No entanto, muitos pesquisadores como Borba (1999), Rubio (2003), Scchiffl (2006), Guinther e Bianchini (2009), Borba, Malheiros e Zulatto (2008), D’Ambrósio (2003) apoiem o uso dessa ferramenta em sala de aula; ainda contamos com diversas formas de resistência por parte de professores e pais de alunos. Percebemos que alguns não utilizam por acharem que esse recurso constitui uma ameaça para o seu trabalho. Para Ponte (1991), como qualquer outro instrumento, a calculadora pode, simplesmente, ser bem ou mal utilizada.

Ainda com relação ao uso desse recurso, Mocrosky (1997) defende que o professor deve se inserir nesse mundo tecnológico em vez de se sentir ameaçado por ele.

Não importa a forma como a calculadora vem sendo utilizada em sala de aula, o fato que se pode constatar, é que, sempre aparecerão pessoas contrárias ao seu manuseio. O importante com relação ao uso desse recurso tecnológico, e o fato de se ter consciência de que, ele pode contribuir no processo de construção do conhecimento de nossos alunos. A utilização da máquina de calcular em sala de aula para auxiliar os alunos nas aulas de matemática também é uma maneira de introduzir e incorporar uma ferramenta de cálculo nas atividades, é importante lembrar que essa ferramenta tecnológica de cálculo, pode ser um poderoso recurso no processo de aprendizagem da matemática

Em seu trabalho de pesquisa, a respeito da calculadora em sala de aula, Oliveira (1999) aponta alguns fatores que levam a não utilização desse recurso em nossas escolas por parte dos alunos, são eles: A falta de recursos financeiros por parte dos alunos para adquiri-la; dificuldades em fazer os cálculos a utilizando; impossibilidade de utilizá-la em certos momentos de sua vida, como no vestibular ou em concursos públicos; desvantagem de quem não têm, em relação àqueles que à possuem; necessidade de treinar a tabuada; importância de trabalhar com materiais concretos no ensino fundamental.

Quanto ao raciocínio dos alunos, o autor aponta argumentos como os de que a calculadora não contribui para seu desenvolvimento e ainda afeta o ensino de algoritmos, mas apresenta autores que apontam no sentido contrário, que mostram inclusive que quando os alunos são poupados de realizar cálculos longos e mecânicos, ganham tempo para desenvolver outras habilidades mais importantes, ficando mais atentos aos aspectos que são exigidos na solução de atividades aritméticas.

O autor levanta também os motivos pelos quais os professores não usam a calculadora e apresenta os seguintes: não sabem como trabalhar com a calculadora, não tiveram a oportunidade de aprender como trabalhar com a calculadora, como nunca utilizaram quando eram alunos, acreditam que não devem usar a calculadora com seus alunos, não veem avanço no seu uso. De acordo com Giancaterino (2009, p. 70) “o uso adequado das ferramentas tecnológicas pode subsidiar o professor nos processos de ensino e de aprendizagem, e ainda assim estará mais próximo da realidade do educando, usuário assíduo dessas tecnologias.”

O autor aponta ainda que quanto a escola e os pais, a direção da escola não permite o uso de calculadora e não tem recursos financeiros para adquiri-las, e os pais simplesmente não concordam com o uso.

Ao trabalhar com a calculadora em atividades de sala de aula, o professor passa ter outra postura em sala de aula, que ao invés de ser um mero transmissor de conhecimento, passa a ter um papel de mediador, incentivador da aprendizagem, elaborador de estratégias e preparador de ambientes de aprendizagem que conduzem o aluno ainda à aprendizagem coletiva.

Na realização de atividades dessa natureza, Levy (1999, p. 171) afirma que os professores:

aprendem ao mesmo tempo em que os estudantes atualizam continuamente tanto os seus saberes disciplinares como suas competências pedagógicas... A principal função do professor não ser mais a difusão dos conhecimentos que agora é feita mais eficaz por outros meios. Sua competência deve deslocar-se no sentido de incentivar a aprendizagem e o pensamento.

Para D`Ambrósio (1996), a utilização da calculadora em sala como recurso didático, já deveria ter sido consolidada e fazer parte do currículo de nossas escolas, pois é um recurso tecnológico simples, e de fácil acesso por quase todos os estudantes.

Nos trabalhos de alguns pesquisadores que já foram mencionados anteriormente a respeito da utilização da calculadora como recurso didático em sala de aula, foram apontadas diversas vantagens e diferentes funções no processo de ensino e aprendizagem da matemática em nossas escolas, segundo afirma Rubio (2003, p. 32):

- Recurso de auxílio na resolução de problema, buscando, por tentativas e erros, a solução da situação.

- Instrumento de investigação e exploração de conteúdos descobrindo relações nos conteúdos estudados, propiciando um estudo mais aprofundado dos conteúdos.

- Verificação de resultados, correção de erros e auto avaliação. - Análise de conteúdos, verificando as relações entre as situações abordadas, podendo apreciar os conceitos matemáticos e partir da construção do conhecimento pelo aluno, e não mais de definições indiscutíveis.

- Agente motivador da aprendizagem, uma vez que a tecnologia exerce certo fascínio em nossos alunos.

- Os recursos de operações aritméticas, livrando os alunos de contas desnecessárias ao processo de aprendizagem e deixando assim, mais tempo para desenvolver o raciocínio.

Segundo Giancaterino (2009, p. 70), “o professor de Matemática em aula ministrada com NTIC [Novas Tecnologias da Informação e Comunicação] deve considerar a tecnologia como meio, a partir do qual o aluno como sujeito constrói seu conhecimento pela ação e reflexão sobre o próprio processo”.

O importante sobre o que foi mencionado anteriormente sobre a utilização da calculadora em sala de aula como recurso didático, é no sentido de avançar no estudo e no entendimento de como seria mais viável possível a integração da calculadora na organização de uma situação de ensino e aprendizagem objetivando uma forma mais adequada possível e que seja de grande eficiência.

Em nosso trabalho com as atividades realizadas com o auxílio da calculadora científica, esperamos que a mesma possa se constituir como um recurso de grande importância para atingirmos os objetivos desejados.

2.4 AS OPERAÇÕES COM NÚMEROS FRACIONÁRIOS EM LIVROS DIDÁTICOS