• No results found

De acordo com Sacomano e Truzzi (2002), a perspectiva do novo institucionalismo busca explicar por que as organizações surgem, tornam-se estáveis ou são transformadas (FLIGSTEIN, 1999), e as formas como a ação e a cultura são estruturadas nas organizações (DIMAGGIO; POWELL, 1991). Os autores destacam que as raízes teóricas dessa perspectiva originam-se no trabalho de MEYER; ROWAN (1991), Institucionalized organizations: formal structure as myth and cerimony, onde surgiu o interesse de vários autores na sociologia em explicar os papéis simbólicos das estruturas formais. Entretanto, o novo institucionalismo não é um corpo de conhecimento único; ao contrário, é composto por três diferentes perspectivas analíticas: institucionalismo histórico, institucionalismo da escolha racional e institucionalismo sociológico (HALL; TAYLOR, 1996). Os autores buscam explorar o conjunto de relações existentes entre as instituições e seu comportamento, bem como a explicação dos processos pelos quais as organizações se originam ou se modificam nas diferentes perspectivas: histórica, racional e sociológica.

Uma das grandes contribuições do novo institucionalismo sociológico está no entendimento de como se configura o isomorfismo entre as organizações.

De acordo com Dimaggio e Powell (1991), o conceito que melhor capta o processo de homogeneização é o de isomorfismo. Na descrição de Hawley (1968), o isomorfismo constitui um processo de restrição que força uma unidade em uma população a se assemelhar as outras unidades que enfrentam o mesmo conjunto de condições ambientais.

Hannan e Freeman (1977) apontam que o isomorfismo pode ocorrer por duas razões: quando formas não ótimas são selecionadas de uma população de organizações, ou quando tomadores de decisão aprendem respostas apropriadas e ajustam seus comportamentos de acordo com essas respostas.

Em época de incerteza ambiental, a competição entre organizações volta-se tanto para a busca de recursos e consumidores, como de legitimidade institucional, cuja perpetuação contribui para o sucesso das estratégias implementadas e para o pleno funcionamento interno. Essa disputa torna as práticas organizacionais cada vez mais homogêneas, ou isomórficas, diminuindo a variedade e a instabilidade dos arranjos organizacionais em vigor em dado momento (MEYER; ROWAN, 1983; SCOTT, 1983, 1987; MACHADO-DA-SILVA; FONSECA, 1993). Nesse sentido, dois tipos de isomorfismo emergem: o isomorfismo competitivo, fruto das pressões do mercado e das relações de troca entre os integrantes de um dado espaço organizacional, visão adequada, segundo DiMaggio e Powell (1991), para situações de competição livre e aberta, e o isomorfismo institucional, que inclui a luta por legitimidade. De acordo, ainda, com os autores citados, as organizações competem não apenas por recursos e clientes, mas também por poder político e legitimidade institucional, por adequação tanto social, quanto econômica. Apontam, assim, uma outra esfera que conforma o espaço de tomada de decisão: não apenas o desempenho, mas também a legitimidade são fatores relevantes para a construção de modelos e de soluções para os problemas organizacionais.

Enfatizar, também, que as maneiras como os atores organizacionais percebem e interpretam as forças isomórficas institucionais interfere na definição das ações estratégicas, podendo levar a orientações diferenciadas (MACHADO-DA-SILVA; FONSECA, 1993). Em outras palavras, as formas como os agentes organizacionais percebem as exigências institucionais, com base em seus esquemas interpretativos, pode levar as organizações a adotarem estratégias e estruturas diferenciadas.

Para Dimaggio e Powell (1991) há três tipos de “mecanismos” por meio dos quais ocorre isomorfismo institucional, que podem aparecer em conjunção:

a) isomorfismo coercitivo: resulta tanto de pressões formais quanto de pressões informais exercidas sobre as organizações por outras organizações das quais elas dependem e pelas expectativas culturais da sociedade em que as organizações atuam. Tais pressões podem ser sentidas como coerção, como persuasão ou como um convite a se unirem em conluio.

b) isomorfismo mimético: adotado quando os dirigentes imitam estratégias e arranjos estruturais implantados pelos concorrentes, a fim de atingir o sucesso por eles conquistado, além de procurar reduzir a incerteza ocasionada por problemas tecnológicos e objetivos conflitantes. Modelos de ação podem ser assim adotados indiretamente, por meio da transferência

e da rotatividade de empregados, ou diretamente, mediante a contratação de firmas de consultoria, por exemplo.

c) isomorfismo normativo: deriva principalmente da profissionalização, definida por Larson (1977) e Collins (1979), como a luta coletiva de membros de uma profissão para definir as condições e os métodos de seu trabalho, para controlar a “produção dos produtores” (LARSON, 1977, p. 49-52). Dois aspectos da profissionalização são fontes importantes de isomorfismo. Um deles é o apoio da educação formal e da legitimização em uma base cognitiva produzida por especialistas universitários. O segundo aspecto é o crescimento e a constituição de redes profissionais que perpassam as organizações e por meio das quais novos modelos são rapidamente difundidos. Um outro importante mecanismo estimulador do isomorfismo normativo é a seleção de pessoal.

A interferência de cada um desses mecanismos institucionais na delimitação da estratégia organizacional pode ocorrer a despeito de qualquer acréscimo na eficiência. O isomorfismo é vantajoso para as organizações, pois a similaridade facilita as transações interorganizacionais e favorece o seu funcionamento interno pela incorporação de regras socialmente aceitas. Ao demonstrar que atua de acordo com normas coletivamente compartilhadas, a organização pode ganhar reconhecimento externo e assegurar o seu desenvolvimento, construindo melhores oportunidades de expansão por meio da maximização da sua capacidade de obtenção de recursos e de adoção de possíveis inovações (DIMAGGIO; POWELL, 1983; MEYER; ROWAN, 1983; MACHADO-DA-SILVA; FONSECA, 1993).

Os estudos de Weber (1968), sobre a burocratização e racionalização das organizações, conduziram a conclusões de que as organizações ainda estão se tornando mais homogêneas, e a burocracia permanece como a configuração organizacional comum. Esse processo, por sua vez, é em grande medida afetado pelo Estado e pelas categorias profissionais, que se tornaram os grandes racionalizadores da segunda metade do século XX (DIMAGGIO; POWELL, 1994).

No caso das instituições de ensino, sabe-se que são organizações controladas e regidas pelo Estado, por isso tendem a ser homogêneas. Dessa forma, buscou-se nesta dissertação, compreender a estrutura dos centros universitários e, a partir dessa referência, identificar as características de uma burocracia. Para tanto, os estudos aprofundaram-se na teoria da contingência estrutural.