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Em Tupanciretã, comecei a me inscrever no curso de Magistério para Ouvintes (como queria ser professora) mas o chefe me proibia, senti o mesmo que havia sentido em Santa Vitória do Palmar. Mas explicava-me: pode, pode, mas ela dizia: não pode. Ficava cansada, de novo senti-me mal, chorei, quase abandonei os estudos mas veio a professora especial conhecida minha que saiba pouco comunicar-se em LS, defendia a minha causa, lutou para eu me inscrever, essa professora foi a CRE de Cruz Alta exigir o meu direito e lá esperamos a confirmação do processo. Ela me disse que iria trabalhar como interprete, e eu como incluída.

Enquanto isso eu me inscrevi no Ensino Médio, estudei, ao mesmo tempo esperei pela resposta. A coordenadora pedagógica desta escola me chamou para fazer a prova de admissão para o curso de magistério público, eu assustada, fiquei nervosa, ela me explicou como fazer a rapidez conforme a hora limitada estabelecida com 10 pontos de cada disciplina (Matemática, Português,...).

Fiquei nervosa fazendo a prova com o cronômetro em 7 minutos usada pela professora, consegui terminar no último minuto, passaram-se outras provas em outras disciplinas, faz como geometria (psicotécnica com decoração de desenhos geométricos,...).

Passei, e finalmente ser inscrita em curso Magistério.

Aliviada e muito nervosa mas feliz. As professoras fizeram com as mãos com vibrações , difere a de bater palmas das mãos para as pessoas que ouvem, emocionei-me.

Mudei para este curso em Tupanciretã, sentei, e pensei como em Santa Maria não tinha o Ensino Médio e Magistério? E ficava triste.

1- Contar/explicar o que sente sobre a ciência positiva da pedagogia dos surdos. - A lacuna vivida existente em Pedagogia própria para surdos?

- Diante das muitas tessituras, que pedagogia os surdos querem? - Como e porque nomeamos esta pedagogia?

- Tem algo a volta e a reverberação dentro da formação da pedagogia - A pedagogia dos surdos nos incomoda e incomoda os ouvintes? - Há bastantes perguntas sobre esta incomoda pedagogia? - Há reclamações pela falta da própria pedagogia?

- Ensina-se aos surdos numa formação não pedagógica?

Em Tupanciretã, as professoras não sabiam como fazer com a presença da aluna surda na aula, aliviaram-se com a presença do intérprete, mas ela não freqüentava tudo (vinha às vezes, depois desaparecia), tinha seu próprio trabalho na classe de crianças surdas. Só havia uma única intérprete em Tupanciretã. Eu consegui com a ajuda dos colegas que aprenderam alguns sinais, pois elas foram orientadas pela intérprete e educadora especial.

2-Contar o que recebeu ou não da arte - educação (literatura, arte, poesia, piada/ humor, cartunista, teatro, filmoplastia) da própria cultura surda dentro do currículo da pedagogia.

- Consegue construir/produzir durante/depois do ensino dessa arte - educação? - Quais são os elementos constantes desta pedagogia (cultura, língua, currículo, etc. .)? - Literatura é como uma vida?

Durante as aulas, sempre perguntei corajosamente a professora e as colegas, escritas num papel, “o que é esta palavra, o que significa?” Mesmo recebendo as respostas porém frias, escuras pois todos os textos eram baseados em Língua Portuguesa.

3- Qual a formação da identidade cultural / da mesmidade em relação à área filosófica/poética/política da própria cultura surda dentro da formação da Universidade?

- Qual a importância da cultura e participação do povo surdo na construção da pedagogia dos surdos?

Também ensinei os colegas de lado alguns sinais básicos, preocupada “como nos comunicaremos?”. Sempre surgia o aviso, apareciam os colegas me dando avisos.

Eu como surda, sempre vivia sozinha, longe daquele contato, às vezes visitava Santa Maria para matar a saudade.

4-- Contar em especial os problemas da vida dentro da formação. - O que te fez causar problemas na vida?

Em Tupanciretâ, tive mais ou menos os problemas na saúde especialmente nervosa e angustiada pelos conhecimentos, às vezes os colegas ouvintes me ajudavam, mas a comunicação em Português complicou muito a comunicação, eu hesitei muito nisso. Fiquei triste, senti-me nostalgia de que adorava contatar os surdos de Santa Maria, trocando experiências históricas, poéticas, filosóficas em vivência doméstica, esportiva, em lazer, do trabalho, e escolar nos espaços e tempos próprios.

5- Expor o que tem a política surda e o movimento surdo vividos dentro da Universidade. - a política da diferença

- a política da pedagogia da diferença - a política da pedagogia dos surdos

No final do ano passei, ao mesmo tempo em Santa Maria veio a resposta: aprovação do projeto do Curso Normal (Magistério) e do Ensino Médio para Surdos em Santa Maria pelo CEE e pelo Governo do Estado, após durante o 1º Encontro de Políticas Educacionais para Surdos no RS: “A Educação que Nós Surdos Queremos” na Assembléia Legislativa em Porto Alegre, com muitos movimentos surdos (Escolas e Associações de Surdos) vindos dos interiores do RS e do capital, e FENEIS - RS, ficava pasma, pensei em voltar para Santa Maria, não?

6- Contar resumidamente a realidade toda da formação e da Universidade / Escola.

- Hoje os surdos voltam e reverberam por uma nova pedagogia? Que passos influenciaram a pedagogia dos surdos?

Pensei em voltar a começar o curso Magistério de novo mas pensava: E a repetição? Fiquei muito chateada, e ao mesmo tempo senti muita saudade daqueles contatos culturais com os

surdos, colegas e professores daquela escola. Mas aqui aprendi: “nada”, vivia sempre sozinha, lá vivia com a identidade lingüística e cultural dos surdos.

Fui lá na escola de Santa Maria e pensei em 2 tempos e espaços simultâneos: 1-Volto a estudar no começo do curso de novo? Não queria! Chamei a minha mãe para falar com a diretora sobre o problema do “começo”, e ela telefonou para o CRE de Santa Maria, discutindo e concordaram a minha permanência na 2ª série em Santa Maria, fiquei aliviada, e feliz, minha mãe também não gostava das “repetições”. Tem um outro surdo para ficar como meu único colega. Fui comunicada pela CRE que não poderia voltar para a 1ª série.