4 PREMISSENE FOR BEVISBEDØMMELSEN
5.3 B EVISKRAVETS OG BEVISVURDERINGENS POTENSIELLE KONSEKVENS
A maior parte dos dados em que há transparência morfológica consiste de formações nas quais é possível identificar com clareza o afixo envolvido e, principalmente, a contribuição semântica da raiz ou da base e, logo, são, na maioria, formações transparentes e composicionais. Entretanto, um grupo menor de formações transparentes apresenta resultados semanticamente não-composicionais. Vejamos com mais vagar os dois tipos, dando mais atenção ao segundo tipo
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‘Apesar das afinidades ilusórias sugeridas pelas glosas inglesas de origem latina (G. Longobardi c.p.), a classe de palavras conceituais derivadas de esth- é suficientemente ampla para tornar impossível a tarefa de associar a raiz por si só a qualquer tipo de conceito cognitivamente coerente, não importa quão subespecificado ou vago, mesmo com a exclusão de ‘beautician’.’ (Tradução nossa).
nesta seção e deixando uma extensa e detalhada discussão sobre o tipo 3.1. para os próximos capítulos.
2.3.1. Tipo 3.1. Verbos totalmente transparentes com semântica composicional: verbos produtivos
Nesses verbos, isola-se com facilidade a raiz sincrônica e se nota a contribuição dos afixos verbais. Nesse sentido, trata-se de formações sincrônicas complexas que diferem radicalmente dos dados reanalisados como simples (tipo 2.1.). Contudo, a combinação da base com os afixos verbais resulta em diferentes tipos semânticos, o que nos levou a classificá-los em diferentes classes. Apresentaremos um detalhamento das classes a que pertencem tais verbos no capítulo 4, mas adiantamos abaixo quais os tipos sugeridos seguidos de números de ocorrência e alguns exemplos:
Tipos Semânticos # Exemplos
1. Mudança de estado 136 acalmar, emagrecer, esfriar
2. Mudança de lugar 36 acampar, encestar, expatriar
3. Mudança de posse concreta 37 acorrentar, encerar, estripar
4. Mudança de posse abstrata 23 abençoar, amaldiçoar
5. Mudança de configuração 27 agrupar, empilhar, esfarelar
6. Modificação de v 17 afrontar, encabeçar, espernear,
apedrejar, apunhalar, esfaquear
Total 276
Tabela 2 Verbos transparentes e composicionais.
Nos exemplos acima, nota-se claramente a presença de uma raiz que é ativa na formação de substantivos e adjetivos na língua. Adiante, discutiremos a estrutura interna de tais formações, se há uma etapa intermediária de formação nominal nesses verbos ou não. Por ora, é importante destacar o modo como tais formas contrastam com aquelas de tipo 2.1. No que se refere aos dados de tipo 2.2., verbos não transparentes analisáveis, podemos equipará-los aos dados da tabela 2 acima no que se refere à composicionalidade. Demonstramos na seção anterior que dados como atrair e incluir podem ser formas compostas em que se pode admitir a presença de um
2.2.2. e 3.1. em um único grupo denominado verbos composicionais. Por isso, apresentamos uma segunda tabela abaixo que inclui todos os verbos composicionais. No diagrama em 1 acima, a flecha bidirecional busca mostrar que ambos os tipos 2.2.2. e 3.1. seriam verbos complexos. Contudo, somente os de tipo 3.1. podem ser considerados transparentes e composicionais e, assim, produtivos. Estamos usando produtivos no sentido de ARONOFF (1976) em que se entende que essa noção está fortemente relacionada com a noção de coerência semântica. Assim, esses verbos são produtivos no sentido de que se considerada, sobretudo, a denotação de suas raízes e a presença de afixos verbais, se espera como resultado uma das seis classes na tabela abaixo, em ordem de aparição.
Tipos Semânticos # Exemplos
1. Mudança de estado 136 acalmar, emagrecer, esfriar
2. Mudança de lugar 36 acampar, encestar, expatriar
3. Mudança de posse concreta 37 acorrentar, encerar, estripar
4. Mudança de posse abstrata 23 abençoar, amaldiçoar
5. Mudança de configuração 27 agrupar, empilhar, esfarelar
6. Modificação de v
17 afrontar, encabeçar, espernear, apedrejar, apunhalar, esfaquear
7. Analisáveis? 18 atrair, incluir, exibir
Total 294
Tabela 3. Verbos composicionais/complexos.
Com relação à forma dos constituintes, Pereira (2007) sugere que, dentre os verbos compostos, pode haver transparência perfeita ou parcial (exemplos do autor em (51) a (54)). Nas formas parcialmente transparentes, a base é uma forma parcial da palavra derivada. Segundo essa visão, a forma de base e a forma derivada contêm a mesma forma subjacente e tal parcialidade é motivada por processos fonológicos. Não nos utilizaremos de tal refinamento, acreditando que o termo parcialmente transparente descreva melhor as formas de tipo 2. Trataremos os casos como os de (52) e (53) como variantes alomórficas, porém ainda transparentes. As formas em (51) são totalmente transparentes Já (54) é um caso distinto, cuja investigação foge ao objetivo deste trabalho. Para discussão de tal fenômeno, referimos o leitor a Nóbrega (2011):
(51) Perfeitamente Transparentes
(52) Parcialmente transparentes:
Capitão:capitanear; Japão:japonizar; paz:pacificar; católico:catolicizar
(53) Variante formal alternativa de origem latina ou grega (parcialmente transparentes) Lágrima: lacrimejar; corpo:corporificar; problema:problematizar
(54) Variante formal alternativa de origem grega (não transparente) Alegre: letificar; limpo:mundificar; corpo:somatizar
Finalmente, um esclarecimento deve ser feito no que se refere ao uso dos termos simples e complexo na formação de palavras. Tendo assumindo a hipótese das raízes acategoriais, tal como sugerida pela MD, não podemos mais usar os termos complexo e simples em seu senso comum sem um prévio esclarecimento. Para a MD, qualquer palavra é minimamente complexa, pois é fruto, no mínimo, da concatenação de dois elementos: a raiz e o categorizador. Quando nos referirmos ao termo verbo simples, tal como sugerimos para os dados de tipo 2.1., estaremos nos referindo ao que é a formação verbal mais simples possível dentro da teoria: a concatenação de uma raiz a um categorizador verbal (v). Quando nos referirmos a uma estrutura complexa, estamos nos referindo à concatenação de mais de dois núcleos (categorizadores ou não, conforme detalhamentos no capítulo 3) a uma raiz. Tais núcleos podem transparecer na estrutura morfofonológica na forma de afixos e de vogais temáticas.
2.3.2. Discutindo composicionalidade: Tipo 3.2. Verbos totalmente transparentes com semântica não-composicional: formações idiossincráticas?
Como apontado em Bassani (2009: 80-84; 148-153) especificamente para os verbos considerados denominais, parte dos verbos transparentes parece não apresentar o que é chamado de semântica composicional. Tais dados foram tratados naquele momento como formações derivadas diretamente da raiz, assumindo completamente a Restrição de Localidade na
Retomaremos a motivação dos autores para a ideia de que o primeiro nível de categorização da raiz pode levar a interpretações semânticas especiais (não-composicionais) ao passo que a anexação acima do primeiro categorizador leva somente a resultados composicionais. Em seguida, discutiremos a validade dessa proposta com base em nossas reflexões a partir de novos dados e revisaremos a proposta de Bassani (2009), atentando para o fato de que resultados composicionais não dependem necessariamente de uma segunda categorização.