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Avsluttet periode i Trondheim

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8.9 Avsluttet periode i Trondheim

Os profissionais de saúde relatam que o uso do álcool e outras drogas é responsável pela violência exercida contra as mulheres. De fato, o uso de álcool e outras drogas exacerbam a violência, especificamente o álcool, quando atua como um desinibidor, permitindo a liberação da tensão interna, criando uma sensação de onipotência. A preocupação dos profissionais de saúde revela que o álcool e a droga estão presentes e são recorrentes também no contexto social local.

(Discurso do grupo) (...) pensando na minha microárea, muito problemática a respeito do alcoolismo, nós temos clientes que são violentadas por causa do alcoolismo.

(Discurso do grupo) (...) representando às drogas, em com uma coisa bem pequena pode dar inicio a uma grande violência, como têm vários casos.

(Discurso do grupo) (...) na maioria das vezes a família é destruída devido ao uso de bebida alcoólica, então as pessoas não sabem usar e aí começa a agressão.

Para Adeodato et al. (2005) o alcoolismo foi apontado como um dos principais elementos desencadeador das agressões, principalmente as que ocorrem nos finais de semana ou à noite, quando o agressor está dentro de casa. Para Saffioti, embora o álcool exacerbe a violência, de modo algum podemos afirmar que seu uso responde por ela,

“o álcool constitui mais um pretexto do que causa de espancamentos e assassinatos de mulheres e/ou crianças. Rigorosamente, o alcoolismo não responde pela violência, mesmo porque um número imenso de homens pratica violência de gênero (contra a mulher) em condições de sobriedade” (Saffioti, 1995:5).

É relevante também dizer que o uso de drogas pode ocorrer não apenas entre os agressores, mas também entre as vítimas. O beber feminino engloba o processo de lidar com experiências adversas e fugir do

sofrimento, resistindo à violência e ao desamparo, numa tentativa de ficar alegre e mais sociável. Revela-se assim, ao mesmo tempo, um beber que é solitário, depressivo e autodestrutivo (César, 2005).

Assim, é possível que a maior vitimização das mulheres alcoolizadas ou drogadas se deva ao fato de que elas sofrem mais preconceito social. Os lares ainda são os locais mais usados pelas mulheres para o consumo dos entorpecentes, ao contrário dos homens, que têm um beber menos solitário e mais público. Da mesma maneira, a incidência do tabagismo em mulheres encontra-se relacionada com a tendência dessas desenvolverem comportamentos de risco para a sua saúde (Menezes et al., 2003).

Além do álcool, muitas mulheres costumam fazer uso de drogas medicamentosas. Nos discursos a seguir os profissionais referem que muitas mulheres que sofrem violência fazem uso de drogas prescritas, ansiolíticos, antidepressivos, hipnóticos etc. Eles criticam esse uso pois, no seu entender, isso contribui para que a mulher fique calma e não reaja. Certamente, esses medicamentos mantêm a violência encoberta, e o alívio momentâneo serve apenas como fuga do problema, pois essas drogas não solucionam o problema.

(Discurso do grupo) geralmente as mulheres tomam muito calmante. Procuram nas drogas uma forma de se acalmar, mas não reagem, só ficam no calmante.

(Discurso do grupo) (...) porque muitas vezes nas visitas que percebemos que muitas mulheres tomam tranqüilizantes, para tentar se esconder da violência, assim do tipo o marido alcoólatra, que não trabalha, não supre as necessidades e elas acabam se escondendo atrás de tranqüilizantes para, em vez de mudar a historia, elas se escondem atrás disso.

Alguns autores também desaprovam a indicação desse tipo de prescrição, entendendo que em casos de agressão, esses remédios deveriam ser evitados, uma vez que deixam as mulheres mais sonolentas, diminuem seus reflexos, sua capacidade de pensar e reagir e provocam dependência (Heise et al., 1999).

Para a Organização Panamericana de Saúde (2003), a menos que seja necessário, devem-se evitar tranqüilizantes e medicamentos

modificadores do estado de ânimo à mulheres, cujos companheiros sejam agressores, pois esses remédios podem diminuir a capacidade delas de prevenir-se de ataques e de reagir a eles (Organización Panamericana de la Salud, 2003).

Para Grossi, há também falta de sensibilidade dos profissionais para ouvi-las e assim, conhecer a sua história de vida. Muitas vezes, apesar de serem medicadas com tranqüilizantes, o problema persiste (Grossi, 1996).

Para Silva, o atendimento na unidade de saúde não pode se resumir a uma prática medicalizadora, limitada à prescrição de analgésicos e tranqüilizantes. É necessário que haja compromisso de considerar os aspectos sociais que se acham relacionados com o processo de adoecer, respeitando as peculiaridades de cada ser humano. Há necessidade de se ter uma preocupação maior, um olhar diferenciado por parte dos profissionais de saúde, responsáveis pelo atendimento a essas mulheres que recorrem à unidade de saúde em busca de ajuda (Silva, 2003).

Em contrapartida, em ferimentos aparentes, causados pela violência física, as drogas prescritas são aceitas pelos profissionais. Essas lesões chocam, expõem a dor e diante do sofrimento e da obviedade, a administração justifica sua indicação.

(Discurso do grupo) (...) essa caixinha, a respeito do medicamento, de amenizar uma dor ou, numa situação de assistência, de enfermagem, pois de repente seria prescrito alguma coisa e você pode tentar ajudar nessa situação física. Em se tratando de violência física, a intenção da prescrição do medicamento é vista como positiva pelos profissionais da saúde. No entender deles, nessas situações, o remédio trará alívio à mulher, ao sentimento exposto por ela.

(Discurso do grupo) quando há uma agressão física na mulher, ela vai sentir dor, ela toma remédio pra passar a dor.

Alguns profissionais não se mostram tão complacentes com esta conduta, pois percebem que a sensibilidade surte mais efeito. Pela vivência e pela experiência acumulada em atendimentos a mulheres agredidas, os

profissionais empiricamente observam que estar sensível ao fenômeno abre possibilidades, inclusive de escuta. Nesse caso, o remédio é visto por eles como um vilão, um paliativo que apenas posterga o problema, podendo até silenciá-la. Além disso, sinaliza uma futura procura da mulher pelo serviço.

(Discurso do grupo) A medicação: pela vivência que eu tenho de sete anos no pronto-atendimento, às vezes, o profissional médico não tem a sensibilidade que nós temos. Então, quando chega alguma mulher violentada ele se preocupa só em tirar a dor, medicar e liberar essa mulher para casa. Então a medicação, de uma forma negativa, não está resolvendo o problema dessa mulher.

Por não resolver seu problema com o uso de remédios, as mulheres agredidas comparecem ao serviço de saúde inúmeras vezes com diferentes queixas e por causa disso, no local é denominada “poliqueixosa” (Schraiber, Oliveira, 2003).

Muitas vezes, a essas mulheres os profissionais também agregam outras denominações pejorativas, tais como: polissintomáticas e hipocondríacas (Kronbauer, Meneghel, 2005).

4.2.5 O atendimento à mulher em situação de violência: entre a