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A organização institucional da Região Demarcada do Douro está apoiada na existência de um único organismo público inserido num modelo interprofissional. Assim, foram redefinidas as missões da Casa do Douro concentrando-se a supervisão da vitivinicultura duriense no Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP).

Casa do Douro – Associação pública, com inscrição obrigatória dos viticultores. Tem como competências a representação exclusiva da produção no Conselho Interprofissional do IVDP; a manutenção e actualização do cadastro dos viticultores e de todas as parcelas de vinha da Região Demarcada do Douro; colaboração com o IVDP na execução de medidas decididas pelo Governo no que concerne as regras de comercialização para regularização da oferta na primeira introdução no mercado.

Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto – Surge da fusão do Instituto do Vinho do Porto com a Comissão Interprofissional da Região Demarcada. O Estado continua a deter a competência relativamente à certificação dos vinhos da Região Demarcada do Douro e à disciplina do sector. O Instituto dispõe de quatro órgãos: o Conselho Interprofissional, a Direcção, o Conselho Fiscal e o Conselho Consultivo.

São as seguintes as atribuições do Instituto:

-Propor a orientação estratégica e executar a política vitivinícola para a Região Demarcada do Douro;

-Promover a convergência dos interesses da produção e do comércio na defesa do interesse geral da região;

-Controlar, promover e defender as denominações de origem da Região Demarcada do Douro;

-Disciplinar, controlar e fiscalizar a produção e a comercialização dos vinhos produzidos na Região Demarcada do Douro, fomentando e garantindo a sua qualidade e sancionando as infracções vitivinícolas que constituam contra-ordenações relativas a vinhos e produtos vitivinícolas daquela Região;

-Promover e gerir apoios para a orientação, regularização e organização do mercado dos vinhos do Douro e Porto;

-Estimular a adopção das melhores práticas ao nível da vitivinicultura e o desenvolvimento tecnológico.

Associação de Viticultores Engarrafadores dos Vinhos do Porto e do Douro – Criada após a legislação que permitiu os produtores exportar directamente a partir do Douro. O seu principal objectivo é promover e aumentar as exportações a partir do Douro.

União das Adegas Cooperativas da Região Demarcada do Douro – Composta pelas Adegas Cooperativas do Douro, tem dois grandes objectivos: coordenar a actividade económica dos seus membros e defender os interesses comuns das Adegas Cooperativas do Douro.

Associação das Empresas de Vinho do Porto – Surge após a extinção do Grémio dos Exportadores. A associação representa os interesses dos seus associados perante o Estado e os organismos oficiais, perante outras associações profissionais ou económicas e perante associações e organismos sindicais, procurando também a criação de condições que potenciem as capacidades dos seus membros na elaboração e comercialização do vinho do Porto. Coordena ainda os centros de visitas das empresas suas associadas procedendo à sua certificação.

De acordo com Brito (1997: 9) existem quatro categorias principais de actores na indústria do vinho do Porto: lavradores, adegas cooperativas, exportadores e distribuidores.

Cerca de 30.000 lavradores vendem a sua produção anualmente com base em relações baseadas na confiança e sem a necessidade de contratos (Araujo e Brito, 1998).

Os exportadores armazenam e envelhecem os vinhos nas caves em Vila Nova de Gaia, promovendo e vendendo o vinho em todo o mundo, assumindo um papel fundamental no sector ligando a rede de actores na produção no Douro, as autoridades e os mercados de comercialização (Brito, 2006). Neste grupo é possível identificar diversas empresas entre as mais antigas do mundo. Na verdade, quatro companhias contam com mais de trezentos anos de existência (ver quadro 3)

Quadro 3 – Data de fundação das mais antigas empresas de vinho do Porto Empresa Data de fundação

Croft 1588

Kopke 1638

Warre's 1670

Taylor's 1692

Para garantir a competitividade (face a produtos substitutos, alterações dos padrões de consumo, e ao crescente poder negocial da distribuição, entre outros) estas empresas iniciaram, logo após a segunda guerra mundial, um processo de concentração (Lopes, 1998: 38). Na década de 50 começaram as primeiras aquisições e fusões no sector do vinho do Porto (Bradford, 1983), a tendência acentuou-se durante as décadas seguintes (ver quadro 4) e hoje cinco Grupos (Gran Cruz, Symington Family Estates, The Fladgate Partnership, Sogrape e Sogevinus) representam 80% do sector (Woodard, 2008: 9).

Quadro 4 – Principais Aquisições no Sector Vinho do Porto

Ano Empresa Adquirida Empresa Adquirente

1961 Cockburn Harvey's (Allied Domecq)

1961 Martinez Gassiot Harvey's (Allied Domecq)

1962 Offley / Forrester Sandeman

1971 Croft / Delaforce Grand Metropolitan

1975 Gran Cruz La Martiniquaise

1978 Rozés Moët Chandon (60%) / Taylor (40%)

1980 Sandeman Seagram

1980 Robertson Seagram

1983 Offley / Forrester Bacardi-Martini

1987 A.A.Ferreira Sogrape

1987 Rozés Louis-Vuitton Moët Hennessy

1990 Ramos Pinto Roederer

1996 Offley / Forrester Sogrape

1999 Burmester Amorim

1999 Rozés Vranken

1999 Cálem Sogevinus

1999 Quinta do Ventozelo Proinsa

2001 Croft / Delaforce Fladgate Partnership

2002 Sandeman Sogrape

2004 Burmester Sogevinus

2004 Barros / Kopke Sogevinus

2000s 1960s

1970s

1980s

1990s

A dimensão constitui um elemento muito importante neste sector dado que os investimentos financeiros em stocks são consideráveis. De facto, a produção de vinho do Porto exige um esforço em capital muito significativo uma vez que a lei estipula um número de restrições destinadas a garantir uma determinada qualidade assim como assegurar um nível de stock para o futuro (como atrás referido a lei do terço obriga os produtores a deter um stock equivalente a três vezes as suas vendas anuais).

Através da concentração, os produtores encontraram uma forma para lidar com a realidade mundial em mutação, garantindo economias de escala para se manterem competitivos. No entanto, alguns destes grupos estão igualmente a investir em investigação e produção vertical assegurando qualidade e diversificação.

Ao longo das últimas décadas as empresas produtoras foram progressivamente aumentando o número de propriedades no Douro. Considerando que estes investimentos não terão retorno no curto prazo, significa que o seu propósito é essencialmente estratégico uma vez que o controlo do todo o processo permite produzir melhores e mais distintivos vinhos (Brito, 1996b). Estas empresas asseguram, assim, a verticalização do negócio, através do controlo das diversas fases da cadeia de valor do vinho do Porto, com a provável excepção da última fase: a distribuição (ver figura 5).

Figura 5 – Cadeia de Valor do Vinho do Porto

Fonte: Brito (2006: 129)

A vindima ocorre normalmente durante o mês de Setembro, princípios de Outubro. Depois de colhidas as uvas são desengaçadas e esmagadas produzindo o mosto que

Vindima Fermentação Fortificação Maturação

Inicial Distribuição Marketing e Vendas Envelhecimento Transporte Para as Caves

inicia a fermentação (transformando o açúcar em álcool), esta fermentação é interrompida através da adição de aguardente (cerca de 1/5 do mosto total) criando-se o vinho de maturação inicial. Este vinho mantém-se no Douro durante o Inverno, sendo depois transportado para as Caves em Vila Nova de Gaia na primavera seguinte onde envelhecem num ambiente propício. O marketing e as vendas são assegurados pelas empresas.