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Avsluttende betraktninger og veien videre

Nasceu em 1922, na Cidade de Goiás. E m 1953, form ou -se e m Medicina, especialidade obstetrícia, pela Faculdade de Medic ina do Rio de Janeiro. Depoi s de formado, reto rnou para a Cidade de Goiás onde trabalho u na Mater nidade Brasil Caiad o82 e no Ho spital São Pedro de Alcântara.

Uma das preocu pações do Dou tor Aderson é colab orar com o discur so hi gienista no momento da realização parto. Na sua opinião,

era preciso adequa r as parteiras às no rmas médicas, pois elas de viam tomar lições de h igiene e de anatomia, aprender a lavar as mãos e a cortar as unhas, além de conhecer melhor o cor po f eminino. Era o que estava f altando pelo menos aqui em Goiás. Poi s, quando e u era estudante ainda de medicina, às ve zes vinha passar as férias aqui e al gu mas vezes eu ia ter com alguma mulher q ue ia dar à luz e que a parteira cu riosa não tinha dad o conta. Eu ficava até com dó. Poi s a parteira esta va lá, sem lu va, não lava va a mão, usa va azeite, toda suada, sem nenhum

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MAYNARD ARAÚJO, Alceu. Op. cit., p. 247. 82

O Hospital e Maternidade Brasil Ramos Caiado foi fundado em 1938 na Cidade de Goiás pelos médicos Dr. Astúlio Ramos Caiado e Dr. Brasilio Ramos Caiado. Ver, BUENO, op. cit., p. 84 –92.

jeito. Na realidade, ela não estava realizando ela estava somente apar ando a criança e ainda assim de forma totalmente inadequada.

Dout or Aderson Ca valcante reconhece que as parteiras curio sas que atuavam na Cidade de Goiás tinha m conhecimentos sobre o part o, embora inadequad os para a medicina. Mesmo assim, consegu iam muitas ve zes salvar a vida da mãe e do bebê. Segundo o médico,

Existem três mo dalidades de parteira s: a parteira curiosa, que é a da roça. Essa é perigos a, ela aj uda a aparar a c riança, ela não entende, só tem aq uele espírit o de aj uda, não usam luva s, a maioria na hora de realizar um part o estão sujas, não dão banho nas parturientes. Mas não po demos ne gar que elas muitas vezes acabam salva ndo a mãe e a criança, porque só elas que naquele momento sabem o m í nimo e muitas vezes não dá tempo de conduzir aquela mulher pa ra um hospi tal, então o j eito é recor rer a elas. A maior ia delas aj udam mais para poder ganhar uma gorjeta da f amília da part uriente o u por c uri osidade mesmo. A se gunda modalidade de parte ira é a semi-entendida. É aquela que mesmo não sen do f ormada sabe f azer um pa rto por que ela j á viu um médico, aj udava o médico a f azer um part o. Essas são menos per igosas, salvam mais. A terceira é a partei r a enfermeira, essa sim sabe sem peri go nenhum con duzir um pa rto, são escoladas, sabem que sal var a vi da da mãe e da cri ança não é só no momento do part o, mas durante toda a gra videz.

Afirma ainda Dout or Ader son que não f oi f ácil para os médico s atuar na área da obstetrícia na Cidade de Goiás. Lemb ra ain da que sempre ou viu falar que, pri ncipalmente no século XIX, a relutâ ncia das mulhe res em reconhecer os conhecimentos médicos era maior.

Al gumas porque o marid o nã o q ueri a que outros homens a vissem n uas; outras porque pr ef eriam mesmo as curiosas. Diziam que dar à luz era coisa somente para mul her e só as mul heres ent endiam desse momento.

Percebe- se que Dr. Ader son ref orça a idéia do nascimento de crianças como área de atuação exclusivam ente feminina.

A partir dos disc ursos apresentad os, afirmamos que as mulheres parteiras d a Cidade de Goya z t ornaram-se visí veis e puderam se r compreendi das e re conhecidas socialmente. Poi s percebemos, a parti r da memória coleti va, q ue a f amília vilab oense ident ifica as mulheres pa rteiras inseri das em uma rede de relações imprescindí veis à sobre vi vência de muitas mães e recém-nascidos, o que em nosso enten der conf ere-l hes historicidade.

Send o assim, mesmo que seus procedime ntos e sua transmissão de conhecimentos nã o tenham si do harmônicos e h omogêneo s, como foram explicitados pelos entre vistad os, pude ram ser desvelad os a partir da oralidade de mulheres e homens que estiveram, di reta ou i ndiretamente, li gados a essas mulheres parteiras na Cidade de Goyaz.

Até mesmo pela sua história de resistên cia às normas sociais, notadamente ao discurso médico, as mulheres partei ras tiveram suas imagen s socialmente construída q ue muito cont ribui u para estigmatizá-las. Ent retanto, não p od e ser esquecido que as atitudes dessas mulheres, bem como o prestí gio atribuído a elas, incomodaram os olha res masculinos, princi palmente durante o século XI X, em decorrência da f alta de estrutura

médica na Cidade de Go yaz. Aspecto este que podemos citar c omo uma das preocupações de r econhecê-las of icialmente por parte de algumas instituições, entre estas a I greja Católica. Até mesmo porque, quant o mais o exercício das part eiras fosse reconhec ido po r parte das autori dades mais controle se teria sobre elas.

Em suma, percebe- se a arte de parte jar como um sabe r feminino transmitido oralmente e pela experiência, de mãe para f ilha, criando dessa f or ma uma tradição familiar de mulheres parte iras. Esta não foi interr ompi da com o deslocamento dessa arte de partej ar da casa para o hospi tal, pois, conf orme os relatos o rais, as filhas de parteiras muitas ve zes formaram -se enf erm eiras e t rabalham em maternidade. Iss o e videncia a persistê ncia simból ica do espaço dos rituais de nascimento como essencialmente f eminino. Vale também lembrar que, quando as mulheres, j á no sécul o XX, conseguiram rom per os muros da Facul dade de Medicina, antes fechados a elas, passou-se a assist ir lentamente à feminili zação da especialidade médica da obstetrícia e da ginecolo gia.

No próx imo capítulo , a análise se concentrará na preocupação de algumas institu ições em regulame ntar o exercício das mulheres parteiras, como também na construção das imagen s ne gati vas que muito contri buíram para qu e elas f ossem perseguidas pelas autorida des médicas e go vernamentais.