Por último, realizou-se um estudo de caso, utilizado para confrontar a realidade encontrada na literatura bibliográfica e/ou na documental, científica, no sentido de comprovar os pressupostos e responder às proposições emitidas pelo presente trabalho.
Segundo Yin (2001), o estudo de caso permite a investigação, por preservar as características holísticas e significativas dos eventos da vida real tais como ciclos de vida individuais, processos organizacionais e administrativos, mudanças ocorridas em regiões urbanas, relações internacionais e a maturação de alguns setores.
De acordo com Yin (2001), o estudo de caso representa a estratégia preferida, quando se colocam questões do tipo "como" e “por quê”, quando o pesquisador tem pouco controle sobre os eventos e quando o foco se encontra em fenômenos contemporâneos inseridos em algum contexto da vida real.
O estudo de caso, como esforço de pesquisa, contribui, de forma inigualável, para a compreensão dos fenômenos individuais, organizacionais, sociais e políticos. Por isso, o estudo de caso vem sendo uma estratégia comum de pesquisa na Psicologia, Sociologia, Ciência Política, Administração, no trabalho social e no planejamento (YIN, 2001).
Yin (2001) afirma que o estudo de caso é a estratégia escolhida ao se examinar acontecimentos contemporâneos, quando não se podem manipular comportamentos relevantes. O estudo de caso conta com muitas das técnicas utilizadas pelas pesquisas históricas, mas acrescenta duas fontes de evidências que usualmente não são incluídas no repertório de um historiador: observação direta e série sistemática de entrevistas, prevalecendo a capacidade de lidar com uma ampla variedade de evidências – documentos, artefatos, entrevistas e observações – além do que pode estar disponível no estudo histórico convencional.
O estudo de caso é uma investigação empírica. Investiga um fenômeno dentro da vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos (YIN, 2001).
De acordo com Yin (2001), o estudo de caso enfrenta uma situação tecnicamente única, em que haverá muito mais variáveis de interesse do que pontos de dados, e, como resultado, baseia-se em várias fontes de evidências, com os dados precisando convergir em formato de triângulo. Como outro resultado, beneficia-se do desenvolvimento prévio de proposições teóricas, para conduzir a coleta e a análise de dados.
O estudo de caso, como estratégia de pesquisa, compreende um método de pesquisa que abrange tudo, com a lógica de planejamento incorporando abordagens específicas à coleta de dados e sua análise. Nesse sentido, o estudo de caso nem é uma tática para a coleta de dados nem meramente uma característica do planejamento em si, mas uma estratégia de pesquisa abrangente (YIN, 2001).
O estudo de caso foi selecionado como estratégia de pesquisa, neste caso específico, citando Yin (2001), por permitir ao presente trabalho de pesquisa, a compreensão de forma inigualável dos fenômenos sociais e organizacionais, possibilitando o uso da observação direta e entrevistas, além da grande capacidade de lidar com uma ampla variedade de evidências, também pelo fato de ser uma pesquisa empírica e de natureza exploratória, logo, o objeto de estudo do presente trabalho encontra-se ainda na fase exploratória ou de investigação, buscando uma melhor compreensão deste fenômeno organizacional.
3.2.1 CARACTERIZAÇÃO DO ESTUDO DE CASO
Yin (2001) afirma que se ensinou a acreditar que o estudo de caso seja apropriado à fase exploratória de uma investigação; que a coleta de dados e as pesquisas históricas são apropriadas à fase descritiva e que os experimentos são a única maneira de fazer investigações explanatórias ou causais. O estudo de caso, entretanto, está longe de ser apenas estratégia exploratória. O estudo de caso pode assumir caráter descritivo e ou explanatório.
Embora a tipologia do estudo de caso inclua um dos três tipos citados, a visão mais apropriada dessas estratégias é pluralística, podendo-se utilizar cada estratégia para três propósitos: exploratório, descritivo e/ou explanatório. O autor afirma que há grandes áreas de sobreposições entre eles, mas o objetivo é evitar desajustes exagerados, quando se planeja utilizar um determinado tipo de estratégia e percebe- se que outro é mais vantajoso (YIN, 2001).
Este trabalho, em particular, conforme já explicitado e fundamentado anteriormente, é uma forma de tratar a questão de pesquisa do tipo (como, por quê), sem exigir controle sobre eventos comportamentais e focalizar acontecimentos contemporâneos. Tem-se aqui um estudo de caso exploratório no que tange à pesquisa de campo durante a fase de investigação.
3.2.2 UNIDADE DE ANÁLISE
As unidades de análise foram o escritório de monitoramento de projetos da SEPLAG-CE e os escritórios setoriais. A Seplag é resultado da fusão das Secretarias da Administração e do Planejamento e Coordenação, criando-se em seu lugar, a Secretaria do Planejamento e Gestão (SEPLAG), de acordo com a Lei nº 13.875, de 7/2/2007, que dispõe sobre o Modelo de Gestão do Poder Executivo, alterando a estrutura da administração estadual. Tem como missão promover e coordenar o planejamento e a gestão estadual, visando à efetividade das ações do governo (PORTAL SEPLAG-CE, 2012).
Nesta secretaria está instalado o Escritório de Monitoramento de Projetos (EMP), criado pelo Decreto nº 29.917, de 08 de outubro de 2009, responsável por promover a padronização de processos para o gerenciamento e monitoramento dos projetos no âmbito do Governo do Estado do Ceará (PORTAL SEPLAG-CE, 2012).
As unidades de análises em questão foram escolhidas por se tratarem de excelente referencial para a pesquisa da gestão de projetos, realizada por escritórios de projetos face às nuances do setor público e, por serem responsáveis pela padronização de processos e pelo monitoramento e gerenciamento de todos os projetos no âmbito do Governo do Estado do Ceará.
Para tanto, por se tratar de uma pesquisa de natureza exploratória foi utilizada nesta dissertação o estudo de caso realizado na SEPLAG (CE) através de entrevistas com gestores do referido órgão, além da observação direta, assim como a coleta de informações que permitiram a análise e consecução do objetivo a que se propõe o presente trabalho, realizado no ano de 2012. No conteúdo das entrevistas utilizou-se a análise de conteúdo.