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In document Dynamisk kartlegging og dysleksi (sider 96-108)

Realizaram-se reuniões de supervisão todas as quartas-feiras, pelas 12h com as estagiárias de Psicologia Clínica e a Psicóloga do Centro, com o intuito de assegurar o bom funcionamento, rigor e qualidade da intervenção. Os encontros relativos à supervisão individual tornaram-se mais visíveis e revestidas de significado aquando acompanhadas dos casos clínicos e respetivas intervenções terapêuticas.

4.4.2. Avaliações Psicológicas e Neuropsicológicas

Ao longo do estágio no Centro tive a oportunidade de realizar duas avaliações psicológicas completas (que serão abordadas no presente relatório) e realizei cerca de três avaliações neuropsicológicas para verificar efeitos da estimulação cognitiva com uso do programa Rehacom (ver Anexo I, II e III). Realizei ainda outras avaliações pontuais a pedido da orientadora de estágio.

Os pedidos de avaliação eram diversos e realizados quando o Serviço de Psicologia, por acordo mútuo, decidia que eram pertinentes. Os pedidos tinham como objetivo o esclarecimento do diagnóstico, de avaliação da personalidade ou ambos, de forma a delinear uma linha de tratamento mais adequada. De três em três meses foram feitas reavaliações neuropsicológicas para verificar os efeitos do programa Rehacom.

Estas avaliações começavam sempre por uma entrevista inicial com o objetivo de observar e registar a história de vida da utente e compreender o seu funcionamento psíquico. Após esta abordagem inicial, que servia também para conhecer melhor e entrar em relação com a utente, eram aplicadas as provas adequadas. Por norma, as utentes aderiam bem e cooperavam com a situação de avaliação. A maioria das avaliações psicológicas foram realizadas em 2 ou 3 sessões, sendo que as neuropsicológicas eram realizadas em uma sessão.

Após a conclusão da avaliação, os dados eram cotados e analisados de forma a elaborar um relatório coerente e de acordo com as necessidades da utente, finalizando com as propostas de orientação.

Reflexão Pessoal

Em retrospetiva, posso afirmar que ter realizado avaliações psicológicas ajudou-me a desenvolver as minhas capacidades de diagnóstico e testagem, sempre com o intuito de tentar perceber melhor as utentes, de forma a poder auxilia-las da forma mais adequada.

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Sendo a avaliação psicológica considerada um meio indispensável à prática da psicologia clínica, encarei as avaliações como uma oportunidade para compreender e aprofundar o conhecimento existente sobre as utentes, variando as estratégias de avaliação com métodos e instrumentos específicos. Tentou-se sempre fazer com que a avaliação não fosse um fardo para a utente, não sendo prejudicial para a relação e autodeterminação do cliente, estando presentes, sempre que possível, um conjunto de atitudes que julgo importantes para uma avaliação centrada na pessoa, centrada no aqui e agora, mas não excluindo o passado da pessoa.

4.4.3. Reabilitação Cognitiva

No decorrer do estágio tive a oportunidade de acompanhar três casos de reabilitação cognitiva (ver Anexo I, II e III). No entanto, realizei outras sessões de reabilitação, de caracter pontual, a pedido da orientadora de estágio. O acompanhamento decorreu uma vez por semana sempre sobre devida orientação.

No final de cada sessão, os resultados de cada utente eram impressos e posteriormente, registou-se o nível atingido nas diversas funções cognitivas. No entanto, o estado neurocognitivo das utentes foi acompanhado através da aplicação de um conjunto de provas de avaliação de três em três meses, com o propósito de reavaliar a situação cognitiva.

Reflexão Pessoal

Tal como já foi mencionado nas avaliações neuropsicológicas, de igual forma tentei fornecer um momento de acompanhamento às utentes ao longo das sessões de reabilitação cognitiva. Achei crucial providenciar esse pequeno momento de desabafo e escuta ativa antes das sessões de reabilitação cognitiva pois, ao fornecer essa oportunidade para falarem sobre as suas preocupações, as utentes sentiam-se compreendidas e isso, por vezes, era o que bastava para motivá-las a fazer a sessão com gosto e interesse.

Achei necessário providenciar estes pequenos momentos de forma a estimulá-las a participar nas sessões com vontade e não apenas como mais uma tarefa enfadonha que tinham de realizar.

Apesar das dificuldades às vezes sentidas (ex.: falta de motivação por parte das utentes), através de perseverança e ao estabelecer uma relação de empatia foi possível realizar processos de reabilitação cognitiva positivos e que evoluíram da forma desejada.

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4.4.3. Grupo Psicopedagógico II

Quando iniciei o estágio ficou decidido que iria trabalhar com o Grupo II, que corresponde a um grupo independente, cujas características patológicas são: a esquizofrenia, a depressão, psicoses, neuroses, deficiências auditiva e visual, etc.

O grupo era constituído por 14 utentes, tendo sido feita inicialmente uma caracterização do Grupo Psicopedagógico em relação ao escalão etário, nível de escolaridade, tempo de internamento e diagnóstico.

O objetivo principal era a realização de atividades que estimulassem as capacidades cognitivas das utentes, trabalhando áreas como a comunicação e relação intergrupal. As reuniões tinham um carater flexível, sendo realizado semanalmente um planeamento de atividades para as reuniões (ver Anexo IV), de forma a realizar sessões dinâmicas e de grande interação e que também proporcionassem momentos lúdicos.

Assim sendo, o meu papel passava pelo planeamento, preparação, dinamização e registo das sessões, uma vez que após o final de cada reunião era realizado um registo para posterior avaliação.

As sessões decorriam uma vez por semana, numa sala previamente preparada de modo a que as utentes pudessem sentar-se em círculo.

As atividades eram planeadas de acordo com as necessidades, capacidades e limitações das utentes do grupo, no entanto dava-se igual importância aos interesses e preferências das utentes, tal como ocorrência de datas especiais como Natal, Páscoa, aniversários, entre outras.

Reflexão Pessoal

Ao planear as sessões, tinha sempre em atenção deixar um espaço inicial aberto para dar a oportunidade às utentes de abordarem questões que fossem importantes. Em seguida planeava atividades interessantes e que estimulassem as áreas que precisavam ser trabalhadas, o que por vezes se revelou difícil.

As sessões foram evoluindo positivamente ao longo do estágio, notando-se um crescente envolvimento, interesse e vontade de participar por parte das utentes. De um modo geral, observou-se uma evolução nas utentes e uma melhoria no relacionamento interpessoal, o que provocou em mim uma grande sensação de satisfação por estar a conseguir obter aqueles resultados.

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4.4.4. Acompanhamentos Psicológicos

Ao longo do estágio, tive a oportunidade de realizar dois acompanhamentos psicoterapêuticos.

Os acompanhamentos das utentes, cujos casos clínicos serão aqui apresentados iniciaram-se em Novembro de 2013 até ao final do estágio.

Ambos começaram com uma entrevista clínica, com o intuito de aprofundar a problemática das utentes e as suas histórias de vida. Na primeira consulta foi acordado o contrato terapêutico, onde ficou definido uma periocidade semanal e que o acompanhamento decorreria até finais de Maio de 2014.

Ao longo dos acompanhamentos tive sempre supervisão com a Dr.ª Paula Agostinho, que me ajudou na reflexão e compreensão dos casos e no desenvolvimento do processo terapêutico dos mesmos. Pude ainda contar com a Professora Dr.ª Odete Nunes que supervisionou os casos nos seminários. As sessões foram sempre conduzidas com base na interação e estabelecimento de uma relação de confiança, aceitação e acompanhamento do seu próprio ritmo.

Reflexão Pessoal

No geral, os acompanhamentos psicológicos foram um grande momento de aprendizagem e autoconhecimento. Estes desenvolveram e aprofundaram, igualmente, a minha capacidade empática e de escuta ativa, centrada na pessoa, no aqui e agora, sem excluir o passado da utente. No entanto, todos estes aspetos serão abordados em profundidade nas reflexões pessoais em cada um dos casos clínicos.

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