1 Problemområde, bakgrunn og målsetting
1.3 Avgrensninger og legitimeringer
A IC, como outras doenças crônicas, determina alterações na condição/situação de vida dos pacientes, gerando a necessidade de buscar alternativas para se viver melhor. Para enfrentar essa situação, o paciente deve contar com a ajuda dos profissionais da área da saúde que atuam na prevenção primária, secundária e terciária, pois, somente com esforços conjuntos, é possível reduzir os fatores de risco para as doenças cardiovasculares (SCHNEIDER, 2002).
Após o diagnóstico de IC, o paciente precisa passar por um processo de adaptação, o qual é dinâmico, orientado para a saúde e capaz de auxiliá-lo a alcançar uma satisfatória condição clínica, física, psicoemocional e laborativa, incorporando hábitos condizentes com sua nova condição.
Diante do quadro e da gravidade da doença e das necessidades e particularidades que os pacientes portadores de IC apresentam, ressalta-se a importância da atuação da equipe de saúde, na qual a enfermagem possui papel fundamental no acompanhamento desses pacientes, pois contribui de forma holística para a educação em saúde, visando esclarecer o processo de saúde/doença e a importância da manutenção do tratamento realizando atividades de autocuidado. Soma-se a isso o auxílio ao paciente e à família na busca de qualidade de vida, utilizando estratégias para promover mudanças que habilitarão a (con)vivência com a sua situação de saúde.
A consulta de enfermagem (CE) destaca-se como estratégia tecnológica de cuidado importante e resolutiva, respaldada por lei, atividade privativa do enfermeiro que oferece inúmeras vantagens na assistência prestada, facilitando a promoção da saúde, diagnóstico e tratamento precoce e prevenção de situações evitáveis (QUEIROZ et al., 2010).
A CE não é uma atividade nova, já que foi reconhecida como atividade do enfermeiro na década de 20, sendo legalizada de forma definitiva em 25 de junho de 1986, segundo a Lei 7.489. Contudo, só agora, reconheceram-na como colaboradora na organização e sistematização do cuidar em enfermagem (QUEIROZ et al., 2010, SANTOS et al., 2009).
A consulta de enfermagem viabiliza o trabalho do enfermeiro durante o atendimento ao paciente, facilitando a identificação dos problemas e as decisões a serem tomadas. Para tanto, deve ser norteada pela sistematização da assistência de enfermagem, por ser um método cientifico com aplicação específica, de modo que o cuidado de enfermagem seja adequado, individualizado e efetivo (CARVALHO et al., 2008).
Sabe-se que a CE proporciona benefícios à comunidade e orientação de medidas favoráveis que visam à abordagem apropriada às necessidades peculiares dos pacientes (CAVALCANTI; CORREIA; QUELUCI, 2009). Além disso, a CE oferece bons resultados e traz diversos benefícios para o paciente e profissional (BENTO; BROFMAN, 2009).
A implementação da consulta de enfermagem ao paciente com IC tem proporcionado a identificação e compreensão das respostas dos pacientes aos problemas de saúde reais e potenciais, facilitando a escolha de intervenções que são uma alternativa de estimular medidas não farmacológicas para melhorar a qualidade de vida por meio de educação em saúde, com orientações sobre alimentação, atividade física, posições de conforto, entre outras questões que possam auxiliá-los a manter uma vida mais saudável e aumentar a aderência ao tratamento (CAVALCANTI; CORREIA; QUELUCI, 2009).
Bento e Brofman (2009) corroboram afirmando que o manejo das intervenções não farmacológicas por meio de educação em saúde liderada pelos enfermeiros acarreta bons
resultados de saúde aos pacientes com IC, dentre os quais, cita-se: redução das hospitalizações, do tempo de internação, do custo do tratamento e da mortalidade e melhora da qualidade de vida. Em seu estudo, esses autores observaram, a partir da intervenção educativa de enfermagem por meio das consultas e monitorização telefônica periódica, uma redução significativa nas internações hospitalares, representadas por cinco (18,5%) internamentos no grupo intervenção, e vinte e dois (81,5%) no grupo controle.
A consulta de enfermagem com foco em ações educativas capacita o paciente com insuficiência cardíaca na realização do autocuidado, promovendo redução da frequência de hospitalizações dos pacientes em tratamento (BENTO; BROFMAN, 2009). Para o desenvolvimento e operacionalização da CE, os enfermeiros precisam ter conhecimentos científicos para a detecção e interpretação dos problemas, além de capacidade e habilidade de intervir conforme a necessidade de cada paciente (LIMA et al., 2010).
O seguimento clínico ambulatorial meticuloso dos pacientes é tarefa essencial para monitorar a evolução do quadro clínico, a resposta ao tratamento instituído e a estratificação prognóstica da IC. A periodicidade das consultas não é aspecto definido em estudos clínicos prospectivos, porém evidências indiretas de estudos de gerenciamento de pacientes sugerem que acompanhamento intensivo por médicos e/ou enfermeiras pode reduzir a morbidade da síndrome (BOCCHI et al., 2009).
Vale ressaltar, que a meta do tratamento da IC não é somente prolongar a vida, mas também aliviar os sintomas e melhorar as funções do cotidiano, bem como aumentar a sobrevida e a qualidade de vida (DUNDERDALE et al., 2005; STRÖMBERG et al., 2003).
Assistir ao paciente com doença crônica requer que seja traçado um plano de cuidados humanizado e individualizado, podendo a obtenção dos resultados ocorrer a médio ou a longo prazo. Faz-se necessária à construção de um suporte social com apoio ao paciente que, geralmente, mantém uma estrutura emocional abalada. Assim, é preciso trabalhar com vistas à integralidade do ser humano e não somente aos aspectos técnicos, necessitando de uma abordagem humanística e individualizada a fim de promover a eficácia do processo saúde-doença (SMELTZER; BARE, 2010).
Ressalta-se que para o planejamento adequado dos cuidados de enfermagem, é importante considerar não apenas os aspectos fisiológicos, mas também os psicológicos e sociais da doença, incluindo o significado da IC para o indivíduo e para aqueles com quem convive. Mudar o estilo de vida implica em uma ameaça quase sempre cercada de ansiedade, angústia, medos, questionamentos e dúvidas. O envolvimento familiar e a motivação do paciente são imprescindíveis para a adesão às mudanças de estilo de vida (BOCCHI et al.,
2009). Além disso, há de se identificar os fatores que influenciam no processo de adesão ao tratamento e na prática do autocuidado.
Os pacientes sofrem de maneira significativa o impacto dessa doença, o que compromete a qualidade de suas vidas (PELEGRINO, 2008). Assim, diminuir o impacto negativo da doença na vida dos indivíduos deve ser um dos principais objetivos dos profissionais de saúde. Melhorar a qualidade de vida é uma meta importante na terapêutica e tem sido visto como um resultado importante a ser medido em pesquisas clínicas (DUNDERDALE et al., 2005). Uma melhor compreensão do impacto da IC e das dificuldades enfrentadas pelos pacientes para a prática do autocuidado poderá subsidiar o planejamento da assistência de enfermagem no cuidado a esses indivíduos na trajetória da doença cardíaca.