• No results found

No decorrer do ano de 1928, o jornal publica outros autores que formam o Modernismo baiano, como Eugênio Gomes,126 que colabora com crônicas e críticas

nas quais avalia os resultados dos movimentos literários e estéticos no estrangeiro e no Brasil, e Nestor Duarte.127

Não há dúvida de que o jornal oferece condições para a formação de um sistema de literatura que não pode ocorrer de outro modo, pois faltam editoras. Quando são publicados, muitos dos textos encontram como tipografia a oficina do jornal.

125 Ela é publicada nas seguintes datas: 30 jan. 1944, p. 4; 6 fev. 1944, p. 4; 13 fev. 1944, p. 4; 20 fev. 1944, p. 4; 27 fev. 1944, p. 4; 5 mar. 1944, p. 4; 12 mar. 1944, p. 4; 19 mar. 1944, p. 4; 19 mar. 1944, p. 4; 26 mar. 1944, p. 4; 2 abr. 1944, p. 4; 9 abr. 1944, p. 4; 16 abr. 1944, p. 4; 23 abr. 1944, p. 4; 30 abr. 1944, p. 4; 7 maio 1944, p. 4; 14 maio 1944, p. 4; 21 maio 1944, p. 4; 18 jun. 1944, p. 5; 2 jul. 1944, p. 7; 9 jul. 1944, p. 5; 16 jul. 1944, p. 5.

126 GOMES, Eugênio. O Magnífico. O Imparcial, Salvador, p. 3, 29 jan. 1928. 127 DUARTE, Nestor. Somos Latinos. O Imparcial, Salvador, p. 3, 5 fev. 1928.

A referência aos movimentos literários é constante, pelo surgimento ou pela crítica a iniciativas literárias e culturais na Bahia. Em 8 de março de 1928, Henrique Câncio escreve crônica-crítica, “A Nova Cruzada”128 (p. 1), na qual avalia a antiga

agremiação sob a liderança de Carlos Chiacchio, Xavier Marques, Afrânio Peixoto e Artur de Sales. Seguindo orientação semelhante, o poeta Godofredo Filho também escreve ensaio sobre o movimento que comove o País: “Modernismo Brasileiro”, 5 jul. 1928, (p. 1). Por sua vez, Eugênio Gomes129 publica resenha sobre o livro de

128 “A Nova Cruzada é de 13 de maio de 1901, fundada por estudantes, ainda sem pouso certo, ou seja, em estilo boêmio, no adro da catedral... com a intenção de agremiar os ‘cavaleiros’ do ideal, poetas irreverentes, prosadores estreantes, ensaístas, críticos, gente do futuro. [...]. A corte compunha-se de valores esperançosos e autênticos, que acampavam ― em progressão visível ― ora numa alfaiataria atrás da Sé, ora no Liceu de Artes e Ofícios, ora na Associação Tipográfica ou na dos Empregados no Comércio, até a maturidade dos estatutos próprios (1 de setembro de 1910), a compilação das três ordens de sócios (Neocruzados, Cavaleiros de honra e Cavaleiros beneméritos), com o natural complemento, da revista. [...]. A poesia representa-se com Artur de Sales, Roberto Correia, Álvaro Reis, Pedro Kilkerry; os ensaios históricos, a investigação ― amenizada pelo bom gosto da prosa novelesca ― com J. da Silva Campos; a crítica literária, com um dos folhetinistas mais reluzentes da geração, que foi Carlos Chiacchio; o romance, com Xavier Marques ― que competiu com Afrânio Peixoto na popularidade e na consagração acadêmica, que lhe advieram de alguns livros primorosos.” In: CALMON, Pedro. História da literatura bahiana. Salvador: Prefeitura Municipal de Salvador, 1949. p. 216-7. (Col. Publicação Comemorativa do IV Centenário da Cidade, 2).

129 GOMES, Eugênio (Ipirá, BA, 15 nov. 1897 – Rio de Janeiro, 7 maio 1972), criado no sertão baiano, fez carreira no comércio, como contador. No Rio de Janeiro, para onde se mudou em 1951, foi diretor do IAPC, depois de havê-lo sido em Salvador (1936-40). Foi secretário particular do ministro Clemente Mariani, da Educação e Saúde (1947-50) e esteve em Nova York (1946-47), como redator de Seleções do Reader’s Digest. Foi adido cultural junto a Embaixada Brasileira de Madri (Espanha) e viajou pela Europa. Foi diretor da Biblioteca Nacional (1951-1956) e do Centro de Pesquisas e da própria Casa de Rui Barbosa (1960). Recebeu o Prêmio Machado de Assis (1950) da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra. A vocação para as letras cedo se lhe despertou, e, em Santo Amaro da Purificação, cidade da área açucareira da região do Recôncavo, enquanto exercia o mister profissional, sobretudo, entregou-se largamente a leituras literárias, aproveitando sobretudo a biblioteca do Engenho do Barão de Vila Viçosa. Nesse tempo, fez amizade com o grande poeta e tradutor de Shakespeare, Artur de Sales, com quem passou a conviver em Santo Amaro e depois em Salvador, dividindo com ele a mais fervorosa admiração pelo bardo inglês. Transferindo residência para a capital baiana, continuou sua vida de perito, conciliando-a com a atividade literária, participando do grupo que fez o movimento modernista na Bahia, na década de vinte, em torno de Carlos Chiacchio. Publicou, então, seu primeiro livro, Moema (1928), uma coletânea de poesia lírica de inspiração local. Em seguida, passou a dedicar-se à crítica literária, não sem antes formar o espírito em vastas leituras – de literatura francesa, espanhola, italiana, grega, latina, portuguesa, até por fim dedicar-se mais profundamente às letras inglesas. Assim, veio a distinguir-se como um crítico arguto, de extremo bom gosto e senso de discriminação. Era superiormente dotado e apto para os estudos de crítica comparada, de que deixou, em seus livros, numerosos exemplos de alto nível. Não esquecia, porém, a literatura brasileira, da qual foi um estudioso seguro, especialmente da obra de Castro Alves e Machado de Assis e do romance brasileiro em geral. Bibliografia: Moema, 1928 (poesia); Um grande poeta inglês, 1930 (crítica); D. H.

Lawrence e outros, 1937 (crítica); Influências inglesas em Machado de Assis, 1939 (crítica); Espelho contra espelho, 1949 (crítica); O romancista e o ventríloquo, 1953 (crítica); Prata da casa, 1953

(crítica); O romantismo inglês, 1956 (crítica); Vieira, 1957 (antologia Nossos Clássicos); Visões e

revisões, 1958 (crítica); Machado de Assis, 1958 (antologia crônica Nossos Clássicos); Aspectos do romance brasileiro, 1958 (crítica); Ensaios, 1958 (ens.); Obra completa de Castro Alves, 1960 (edic.); Castro Alves, 1960 (antologia Nossos Clássicos); Shakespeare no Brasil, 1961 (crítica comparada); A neve e o girassol, 1967 (ensaio); O enigma de Capitu, 1968 (crítica); O mundo de minha infância,

Cassiano Ricardo: “Martim Cererê”130. Esses textos vão colocando o leitor a par dos

acontecimentos sobre a literatura de outros lugares e pondo a Bahia dentro das reivindicações literárias dos novos.

A voga dos movimentos literários e culturais baianos prova que a literatura divulgada em jornais como O Imparcial forma um campo de leitura. No entanto, as ligações políticas desse veículo da cotidianidade torna frágil e peculiar o literário que se apresenta. Acontecimentos como as constantes interventorias obrigam a executar largos passos de repuxe das letras, da leitura e da criatividade. Um novo ensaio sobre a literatura modernista sai em 6 de novembro de 1928, p. 3: “Livros Novos ― A propósito de Macunaima”, da autoria de Augusto F. Schmidt. Algum tempo depois, em 16 de janeiro de 1929, o Dr. Fontes de Miranda continua o trabalho dos seus colegas anteriores, tentando responder o “Que é a poesia nova?” (p. 2).

Na seqüência do mês de janeiro, são publicados artigos refletindo sobre a situação da literatura brasileira: “Decadência Intelectual”,131 de Lindolfo Gomes e “O

Modernismo na literatura de 1928”,132 de Antonio Alcântara Machado. Ainda se

publica “O sentido moderno do Brasil”, da Revista Movimento Brasileiro de junho de 1909. Abordando os textos de revistas literárias como um tipo de recepção escrita, o jornal publica “Idéias sobre a nova literatura”,133 de Álvaro Ribeiro, da Revista baiana Samba 134(p. 1 e continuação na 2). Em 31 de julho de 1929 ― “Artistas da Nova

Geração”, de Oswaldo Teixeira, (p. 2). O professor Anísio Teixeira escreve sobre a literatura e cultura contemporâneas: 24 de outubro de 1929 ― “O espírito moderno em São Paulo” (p. 1). Em 30 de outubro de 1929, imprime-se, sem assinatura, o texto “A Festa da poesia brasileira” (p. 1).

1969. Colaborou na obra A literatura no Brasil, direção de Afrânio Coutinho. In: COUTINHO; SOUSA, 1989. 2 v. v. 1, p. 671.

130 GOMES, Eugênio. Martim Cererê. O Imparcial, Salvador, p. 1 - 26 jul. 1928; p. 5 - 27 jul. 1928. 131 GOMES, Lindolfo. Decadência Intelectual. O Imparcial, Salvador, p. 1, 30 jan. 1929.

132 MACHADO, Antônio Alcântara. O modernismo na Literatura de 1928. O Imparcial, Salvador, p. 1, 3 fev. 1929.

133 RIBEIRO, Álvaro. Idéias sobre a nova literatura. O Imparcial, Salvador, p. 15, 2 jul. 1929. 134 Ver nota 101.