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Avfallslag SL512 og SL1424

6 Resultater fra utgravningen

6.3 Funn fra senmiddelalder:1350–1537

6.3.1 Avfallslag SL512 og SL1424

Além do envelhecimento progressivo da carreira docente, há também discussões sobre a feminização do magistério. Vaillant (2009, p.132) afirma que o corpo docente está altamente feminizado, o que difere claramente da distribuição de gênero em outras profissões não docentes, em que costuma predominar o sexo masculino ou em que a distribuição tende a ser mais equitativa.

No Brasil, semelhante aos países pesquisados pela OCDE (2006), a predominância em relação ao sexo dos docentes é feminina, com aproximadamente 82% contra 18% de profissionais do sexo masculino. (Figura 4).

Figura 4: Número de Professores por Sexo – Brasil – 2009

Fonte: MEC/INEP/DEED

Entre outros fatores, a análise realizada pela OCDE (2006) mostra que questões sobre a quantidade e a qualidade de professores estão estreitamente interligadas. Os sistemas escolares frequentemente respondem à escassez de professores, no curto prazo, por meio de associações entre: diminuição dos

requisitos de qualificação para ingresso na profissão; indicação de professores para lecionar disciplinas para as quais não estão plenamente qualificados; aumento de aulas designadas para cada professor; ou aumento do tamanho das turmas. Por outro lado, nos países que não enfrentam escassez de professores, a preocupação fica por conta da qualidade da força de trabalho, quando o processo de seleção não resulta nos melhores candidatos para o trabalho como professores.

Nesse contexto, segundo dados do INEP (2009), do total de docentes atuantes na Educação Básica no Brasil, 68% concluiu o Ensino Superior e a maioria deles está lecionando no Ensino Médio, e no Ensino Fundamental, especificamente nos anos finais do Ensino Fundamental. Existe, porém, ainda um número elevado de docentes com formação em nível médio, sem formação técnica e lecionando, principalmente, no Ensino Fundamental.

Entretanto, ao verificar a escolaridade dos docentes atuantes na Educação Infantil, é possível observar que a maioria possui apenas o Ensino Médio, sem especialização técnica, sendo respectivamente: Educação Infantil com 51% dos docentes; Educação Infantil – Creche com 52% e Educação Infantil - Pré-Escola com 49%. (Quadro 11).

Quadro 11: Número de Professores por Escolaridade - Brasil – 2009

Número de Professores por Escolaridade - Brasil – 2009

Área de Atuação

Escolaridade

Total Fundamental Ensino Médio Superior N % N % N % Educação Básica 1.977.978 12.480 1 624.320 32 1.341.178 68

Educação Infantil 369.698 4.968 1 187.002 51 177.728 48 Educação Infantil - Creche 127.657 2.508 2 66.195 52 58.954 46 Educação Infantil - Pré-Escola 258.225 2.591 1 126.695 49 128.939 50

Ensino Fundamental 1.377.483 6.926 1 410.129 30 960.428 70 Ensino Fundamental - Anos Iniciais 721.513 4.137 1 275.293 38 442.083 61 Ensino Fundamental - Anos Finais 783.194 3.306 0 165.193 21 614.695 78 Ensino Médio 461.542 361 0 39.703 9 421.478 91 Educação Profissional 58.898 40 0 6.882 12 51.976 88 Educação Especial 33.594 152 0 8.023 24 25.419 76 Educação de Jovens e Adultos 261.515 1.086 0 58.161 22 202.268 77

Conforme o Boletim da Educação (2009), a legislação atual exige o diploma de Ensino Superior para os professores das Séries Finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio e, desde 1996, recomenda o mesmo para os docentes dos Primeiros Anos do Ensino Fundamental. Mais especificamente a Lei nº 9.394/1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), ao descrever a formação de docentes para atuar na educação básica, determina que ocorra em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal.

Como consequência dessa recomendação legal, a escolaridade dos professores de 1ª a 4ª séries aumentou sensivelmente nos últimos dez anos. Entre 1997 e 2007, o percentual de professores desse grupo com formação universitária passou de 19% para 61%.

O trabalho realizado pela OCDE (2006) indicou que, sem ações estratégicas por meio de políticas, há riscos de que a profissão docente entre em um declínio em médio prazo. À medida que as sociedades se tornam mais ricas e que as qualificações educacionais aumentam, assim como as oportunidades de emprego são ampliadas, profissões que eram populares nas décadas de 1950, hoje já não existem mais. Observa-se, também, um gradativo aumento do número de profissões, devido ao crescimento e à evolução da sociedade, fator esse que contribui para a falta de interesse pela carreira docente, por parte dos alunos que estão concluindo o Ensino Médio.

A atratividade da docência, como meio de ascensão social e de segurança de trabalho está diminuindo gradativamente. Preocupações amplas em relação às dificuldades enfrentadas por muitas escolas, frequentemente alimentadas por relatos negativos que circulam nos meios de comunicação, prejudicaram a atratividade da docência. As expectativas e as demandas em relação às escolas aumentaram embora, em muitos países, os recursos nem sempre tenham acompanhado essas exigências.

Encomendada pela Fundação Victor Civita (FVC), a Fundação Carlos Chagas realizou, em 2009, uma pesquisa com o objetivo de circular entre pesquisadores, universidades, organizações não governamentais, Institutos de

pesquisa e gestores públicos informações relevantes sobre a educação. Coordenado por um grupo de pesquisadores, o estudo: A atratividade da

carreira docente no Brasil entrevistou 1.501 estudantes, concluintes do Ensino

Médio, para construir um painel sobre as percepções dos jovens a respeito da carreira docente. Embora mostre que os jovens enxergam a profissão como uma atividade nobre, gratificante e necessária para a sociedade, o trabalho indica que poucos a encaram como uma opção profissional: apenas 2% declaram ter a Pedagogia ou algum tipo de Licenciatura como primeira opção para o vestibular. Os baixos salários, a rotina desgastante e a desvalorização social são as principais razões apontadas para a baixa atratividade da carreira docente.

Segundo especialistas ouvidos pela equipe que coordenou a pesquisa, a transformação desse panorama exige medidas como a oferta de salários iniciais mais altos, a melhoria nas condições de trabalho, a redefinição da formação (inicial e continuada) e ações para resgatar o valor do professor na sociedade. A partir da publicação desse trabalho, surgiram diversas reportagens1 em diferentes meios de comunicação que, de certa forma, confirmam o discurso sobre a carreira docente, em relação às dificuldades enfrentadas, frequentemente alimentadas por relatos negativos que reduzem a atratividade da docência.

A carreira docente se inscreve, à primeira vista, entre duas dinâmicas contraditórias, que evoluem em sentido inverso: ela figura entre as carreiras valorizadas socialmente, porque combina certo status profissional com estabilidade de emprego (características até há pouco tempo exclusivas das

1 Ser professor: uma escolha de poucos - Pesquisa com estudantes do Ensino Médio comprova a

Ser professor: uma escolha de poucos - esquisa com estudantes do Ensino Médio comprova a baixa atratividade da docência. [Revista Nova Escola - Edição 229 І Jan/Fev 2010]; O que você não vai ser quando? [Jornal Folha de São Paulo - 31/01/2010]; Profissão Desvalorizada [Zero Hora - 02/02/2010]; Pesquisa mostra que os bons alunos não querem [Veja Online - 10/02/2010]; Professor vai virar artigo de luxo [Gazeta do povo - 22/02/2010]; 32% dos jovens cogitam, mas só 2% tentam ingressar na carreira docente [UOL Notícias - 25/02/2010]; Aluno de hoje não quer ser o educador de amanhã [GIFE - 02/03/2010]; Quem quer ser professor? [Destak - 24/03/2010]; A educação e o desafio do desenvolvimento do país [Paraná Online - 06/04/2010]; Só 2% pensam em ser professores [O Estado de São Paulo - 22/04/2010]; Profissão em baixa [Zero Hora - 04/09/2010]; Jovens evitam ser professor [Zero Hora Online - 04/09/2010]; Magistério tem dificuldade de atrair jovens talentos para a carreira [A Tarde - 15/10/2010]; Carreira no magistério não atrai novos talentos [Diário do Pará - 15/10/2010]; Magistério tem dificuldade de atrair jovens talentos para a carreira [Folha.com - 15/10/2010]; Profissão sem brilho [Jornal de Brasília - 16/10/2010]; Carreira de professor não é atraente [A Crítica - 24/10/2010]; O resgate do prestígio do professor [Gazeta do Povo - 18/11/2010]; Sobram vagas para professor no País [Correio da Paraíba - 05/12/2010].

profissões tradicionalmente reputadas como “nobres”), colocando os professores ao abrigo das grandes flutuações do mercado; mas, ao mesmo tempo, ela pode, também, servir de lugar de passagem ou trampolim para algumas funções administrativas (VALLE, 2006).

Segundo Valle (2006), a carreira docente se torna pouco atrativa, pois, apesar de exigir um enorme investimento pessoal e familiar (diplomas e aprovação em concursos), oferece um futuro profissional bastante incerto, baixos salários, limitadas possibilidades de ascensão pessoal, condições precárias de trabalho, além de requerer uma grande versatilidade, uma vez que o exercício do magistério implica inevitavelmente a conciliação da atividade de ensinar com outras que lhe são complementares, seja por sua natureza, seja em razão da organização do trabalho escolar. Essas dinâmicas convergem em favor de duas ideias fundamentais:

A escolha do magistério resulta de uma decisão consciente ou inconsciente tomada durante a escolarização média, ou até mesmo antes dela, em razão da atração que a carreira docente exerce sobre o jovem estudante. A escolha do magistério pode, por outro lado, ser provocada pela impossibilidade de concretizar outro projeto profissional, seja devido a circunstâncias diversas de ordem pessoais geralmente decorrentes de uma condição familiar homogênea e unívoca de existência, seja pela oferta limitada de habilitações profissionais, em que predominam igualmente as estruturas objetivas dessa condição.(VALLE, 2006, p 181)

Entretanto, há sinais positivos de que as políticas podem fazer a diferença, neste quadro, como mostram os exemplos incluídos no relatório OCDE (2006), que apresentam sinais recentes de uma reviravolta no interesse pela docência e iniciativas de políticas que tendem a apresentar resultados positivos.