Do total dos 21 egressos que responderam ao questionário, foi possível traçar o perfil desses alunos e identificar sua trajetória acadêmica.
Entre os alunos egressos, 6 pesquisados possuem mais de 30 anos, 7 estão entre 28 e 30 anos, 7 entre 25 e 27 anos, 1 entre 22 e 24 anos e nenhum deles possui menos de 21 anos (Figura 5).
Figura 5: Faixa de Idade – Alunos Pesquisados Licenciatura em Matemática PUC/SP
Fonte: Questionário de pesquisa de campo aplicado aos estudantes concluintes do curso
de Matemática da PUC/SP – 2005/2010
Esses dados são semelhantes aos coletados pelo Relatório da OCDE (2006) o qual revela que a força de trabalho está envelhecendo, o que aumenta a preocupação relativa ao recrutamento de novos profissionais. Nos países participantes da pesquisa da OCDE, em média, 26% dos professores das séries iniciais do ensino fundamental e 31% dos professores das séries finais do ensino fundamental e do ensino médio têm mais de 50 anos de idade.
Embora não seja um problema registrado em todos os países da OCDE, esse fenômeno foi constatado na maioria deles. A relação entre a faixa de idade dos egressos participantes da pesquisa e sua carreira pode ser observada na figura seguinte e pode-se apontar a semelhança com os dados da OCDE (2006), pois entre os 7 ex-alunos com faixa etária entre 25 e 27 anos, 4 estão lecionando, enquanto 3 não estão na carreira docente. Já dos egressos na faixa etária entre 28 e 30 anos, 7 não estão lecionando, enquanto 4 entre os 6 que possuem mais
de 30 anos estão dando aula e há um único egresso na faixa de idade entre 22 e 24 anos que está lecionando (Figura 6).
Figura 6: Faixa de Idade
Fonte: Questionário de pesquisa de campo aplicado aos estudantes concluintes do curso de
Matemática da PUC/SP – 2005/2010
Em relação ao estado civil, 15 alunos são solteiros, enquanto 4 estão casados ou em união estável e 2 estão separados, desquitados ou divorciados. (Figura 7).
Figura 7: Estado Civil – Alunos Pesquisados Licenciatura em Matemática PUC/SP
Fonte: Questionário de pesquisa de campo aplicado aos estudantes concluintes do
Em relação ao sexo, a maioria é do sexo feminino: 11 são do sexo feminino, contra 10 participantes do sexo masculino (Figura: 8).
Figura 8: Alunos Pesquisados Licenciatura em Matemática PUC/SP
Fonte: Questionário de pesquisa de campo aplicado aos estudantes concluintes do
curso de Matemática da PUC/SP – 2005/2010
Segundo o Censo da Educação Superior, realizado em 2009, ao traçar o perfil dos alunos matriculados na graduação, sem considerar o curso ou instituição a qual estão vinculados, é possível afirmar que a educação superior brasileira, em 2009, é predominantemente formada por pessoas do sexo feminino.
Esse dado remete a Vaillant (2009), quando descreve as características proeminentes do ambiente de trabalho, em relação à análise realizada com professores da América Latina. A autora cita que o corpo docente está altamente feminizado, o que difere claramente da distribuição de gênero em outras profissões não docentes, em que costuma predominar o sexo masculino ou a distribuição tende a ser mais equitativa, em países como Bolívia ou El Salvador, que têm uma profissão docente menos feminizada que outros como Costa Rica, Paraguai ou Brasil.
O relatório da OCDE (2006) também ressalta que, muitos países estão preocupados com a redução no número de homens dedicados ao ensino, principalmente em função das inquietações com relação às realizações escolares dos meninos. Os dados revelam que, em média, os homens representam apenas 20% dos professores das séries iniciais do ensino fundamental nos países
pesquisados da OCDE e, além dos dados apresentados de professores, os dados coletados desse do total de 21 participantes do estudo em relação aos estagiários sugerem que essa proporção deve cair ainda mais, nos próximos anos.
Do total de 21 participantes da pesquisa, 9 estão trabalhando como professores neste momento e 8 deles pertencem ao sexo feminino. Esses dados mostram-se invertidos em relação aos egressos que não estão lecionando, dos quais a maior concentração é do sexo masculino (9) contra 3 do sexo feminino (Figura 9).
Figura 9: Sexo X Atuação na Docência/ Atuação em Outras Áreas – Alunos Pesquisados Licenciatura em Matemática PUC/SP
Fonte: Questionário de pesquisa de campo aplicado aos estudantes concluintes do curso de
Matemática da PUC/SP – 2005/2010
Em relação ao grau de escolaridade dos pais dos alunos, observa-se que 16 deles possuem o Ensino Fundamental, 13 concluíram o Ensino Médio, 8 possuem Ensino Superior, 2 não possuem nenhuma escolaridade e 3 alunos pesquisados informaram não saber a escolaridade dos pais.
Com os dados obtidos, é possível identificar que os pais possuem um grau de escolaridade distinto em relação ao grau de escolaridade das mães. Chama a atenção o fato de 7 pais terem concluído o Ensino Superior e apenas uma mãe possuir esse grau de ensino (Figura 10).
Figura 10: Escolaridade dos Pais – Alunos Pesquisados Licenciatura em Matemática PUC/SP
Fonte: Questionário de pesquisa de campo aplicado aos estudantes concluintes do curso de
Matemática da PUC/SP – 2005/2010
Para Vaillant (2004), ao contrário do que ocorre com os estudantes de carreiras diferentes da docência, os candidatos a professores têm antecedentes socioeconômicos mais modestos, tanto em relação aos níveis de instrução de seus pais, como de renda familiar. Também os padrões de admissão nas instituições de formação de professores tendem a ser mais baixos nessa carreira, em relação ao conjunto de carreiras da educação superior.
Para compreender as escolhas individuais, é fundamental considerar as estruturas objetivas do campo profissional, assim como suas lógicas de funcionamento e de transformação. alle (200 ) ressalta essa ideia quando descreve que a escolha ocupacional deriva não somente da posição social dos pais, ligada, portanto, atividade que e ercem, mas está igualmente vinculada sua posição sociocultural ou aos seus níveis de escolarização.
E, partindo desse pressuposto, a família tem como papel delimitar a escolarização dos filhos ou projetar a continuidade dos estudos, determinando assim as fronteiras de suas ambições profissionais, o que circunscreve o leque de possibilidades abertas pela família, e decorre de múltiplas articulações entre a vida familiar e a vida profissional, podendo, assim, influenciar ou não na escolha da carreira docente.
O que ainda chama a atenção em relação ao grau de escolaridade dos pais e a escolha profissional dos filhos é a tendência de que, quanto maior o nível de instrução dos pais, a escolha dos filhos pela carreira docente apresenta relativa redução.
A figura seguinte apresenta os dados sobre a escolaridade dos pais. É possível identificar algumas evidências sobre a afirmação anterior, se for tomada para análise a situação do pai. Cinco egressos, cujos pais concluíram o Ensino Fundamental, do total de oito identificados, estão lecionando. No grupo de pais com Ensino Médio, identifica-se 1 egresso atuando no magistério e no grupo de pais com Ensino Superior, 2 egressos estão na carreira docente e 5 não seguiram a carreira docente (Figura 11).
Figura 11: Escolaridade dos Pais
Fonte: Questionário de pesquisa de campo aplicado aos estudantes concluintes do curso de
Matemática da PUC/SP – 2005/2010
Em relação à ocupação profissional dos pais (pais e mães) dos sujeitos, 7 mães são donas de casa e 6 pais são aposentados, além de outras profissões conforme segue: (Quadro 14).
Quadro 14: Ocupação Profissional dos Pais Ocupação Profissional dos Pais
Pai Mãe
Aposentado 6 Aposentada 1 Comerciante 1 Artista Plástica 1 Corretor de Imóveis 2 Analista de Crédito 1 Diretor Financeiro 1 Cozinheira 1 Eletricista 1 Dentista 1 Empresário 1 Desempregada 1 Engenheiro Elétrico 1 Dona de Casa 7 Frentista 1 Eletricista 1 Porteiro 1 Funcionária Pública 1 Pedreiro 1 Tapeceira Náutica 1 Não responderam 5 Auxiliar Administrativa 1 Não responderam 4
Total 21 Total 21
Fonte: Questionário de pesquisa de campo aplicado aos estudantes concluintes do curso de
Matemática da PUC/SP – 2005/2010
Ao verificar que tipo de escola os alunos pesquisados frequentaram na Educação Básica, constatou-se que a maior parte, 13 deles, havia cursado escola pública, enquanto 5 estudaram sempre em escolas particulares e 2, que iniciaram os estudos em escola pública, depois mudaram para particular. Em contrapartida, nenhum aluno que iniciou os estudos em escola particular, mudou-se para escola pública. (Figura 12).
Figura 12: Escolaridade – Alunos Pesquisados Licenciatura em Matemática PUC/SP
Fonte: Questionário de pesquisa de campo aplicado aos estudantes concluintes do
Dos 21 participantes que responderam o questionário, 10 ingressaram no curso em 2005, 5 deles em 2004, 4 em 2003, 1 ingressou em 2002 e 1 em 2001. (Figura 13).
Figura 13: Ano de Ingresso – Alunos Pesquisados Licenciatura em Matemática PUC/SP
Fonte: Questionário de pesquisa de campo aplicado aos estudantes concluintes do curso
de Matemática da PUC/SP – 2005/2010
Em relação ao ano de conclusão dos egressos, 7 concluíram o curso de Licenciatura em Matemática em 2008, outros 7 em 2009, 4 em 2007, 1 concluiu o curso em 2005, 1 em 2006 e 1 em 2010. (Figura 14).
Figura 14: Ano de Conclusão – Alunos Pesquisados Licenciatura em Matemática PUC/SP
Fonte: Questionário de pesquisa de campo aplicado aos estudantes concluintes do curso de
Observou-se que o aluno leva em média 6 anos para concluir o curso de Licenciatura em Matemática, sendo que entre os 21 egressos que responderam o questionário, 11 concluíram o curso em quatro anos, pois antes da última reforma realizada no curso de Licenciatura em Matemática da PUC/SP, no período de 2006-2008, a duração do curso era de 4 anos. Desses alunos, 3 concluíram o curso em cinco anos, 3 em sete anos, 1 em 9 anos e 1 dos participantes já havia concluído o curso para atualização do currículo e fez algumas disciplinas, o que durou três anos. (Figura 15).
Figura 15: Quantidade de Anos para Conclusão – Alunos Pesquisados Licenciatura em Matemática PUC/SP
Fonte: Questionário de pesquisa de campo aplicado aos estudantes concluintes do curso de
Matemática da PUC/SP – 2005/2010
Considerou-se relevante para a continuidade da análise dos dados, destacar para o leitor que também serão aqui considerados os dados coletados por meio das entrevistas junto aos dez egressos pesquisados, mas que não estão lecionando. É importante, portanto, retomar que, do total de 48 egressos do curso de Licenciatura em Matemática da PUC/SP, entre os anos de 2005 e 2010, 21 ex- -alunos responderam o questionário e 10 participaram das entrevistas dentre os 12 ex-alunos que não estavam lecionando.
Outro dado relevante para identificação e melhor compreensão em relação à análise dos dados é a apresentação dos participantes, com seus respectivos nomes fictícios e suas atuais atividades profissionais, conforme segue: (Quadro 15).
Quadro 15: Partipantes e suas Atividades Profissionais Partipantes X Profissão
Nomes Fictícios Atividade Profissional
Júlia Área de TI em Multinacional alemã, Departamento Comercial Flávio Gerente de Planejamento
Sidnei Bancário Lourdes Corretora de Seguros Eduardo Bancário
Flávia Atividade Administrativa
Pedro Trabalho com Estatística e Análise de Dados Benjamim Técnico para Assuntos Administrativos
Henrique Técnico em Informática Davi Área Financeira
Fernando Bancário, Contábil e Administrativo Felipe Técnico em Mecatrônica Angélica Professora Maiara Professora Cláudia Professora Isabella Professora Beatriz Professora Fernanda Professora Verônica Professora Lucas Professor Yasmin Professora
Fonte: Questionário de pesquisa de campo aplicado aos estudantes concluintes do curso
de Matemática da PUC/SP – 2005/2010
Em relação à continuidade dos estudos após o curso de Licenciatura em Matemática, pôde-se identificar que dos 21 egressos, 6 realizaram cursos de especialização, 4 realizaram treinamentos, 3 fizeram mestrado, 1 cursou uma nova graduação, nenhum deles frequentou cursos de atualizações ou doutorado e 7 não responderam a questão. (Figura 16).
Figura 16: Atuação como Professor – Alunos Pesquisados Licenciatura em Matemática PUC/SP
Fonte: Questionário de pesquisa de campo aplicado aos estudantes concluintes do curso de
Matemática da PUC/SP – 2005/2010
Assim, em relação aos 10 participantes entrevistados, 4 afirmaram ter realizado outros cursos, sendo que 1 fez MBA, 1 está cursando MBA, 2 estão concluindo a pós-graduação em administração e estratégia. Isso permite afirmar que menos da metade dos alunos entrevistados continuou os estudos.
Jesus (2004) afirma que a democratização do ensino tem permitido o aumento do grau de escolaridade dos sujeitos e, por decorrência, o de suas expectativas profissionais, as quais, no entanto, não conseguem ser concretizadas na realidade da competição e da instabilidade do mercado de trabalho atual, levando-os a procurar alternativas de realização, que lhes permitam satisfazer as suas necessidades. Existe, cada vez mais, uma disância maior entre o grau de formação escolar correspondente a determinadas expectativas profissionais, e o início do percurso profissional, pois, frequentemente, este representa uma desilusão em relação às expectativas iniciais.
Dos 10 entrevistados 2 já haviam realizado outro curso antes da Licenciatura, porém um deles não chegou a concluir o curso de tecnologia e o outro concluiu a graduação em administração.