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Autentisitet – “Keeping it real”

2.3 Hiphop i Norge

2.3.2 Autentisitet – “Keeping it real”

Sob a consideração da dimensão tempo, Ring e Van de Ven (1994), em seus estudos sobre desenvolvimento de arranjos cooperativos, afirmam que os relacionamentos interorganizacionais não devem ignorar os processos, de modo que as motivações, bem como os resultados conjuntos obtidos pelos parceiros, são relevantes, mas insuficientes para compreender com plenitude o cotidiano de tais relacionamentos. Nesse âmbito, os autores sugerem um modelo teórico que busca explicitar como os arranjos interorganizacionais surgem, crescem e se dissolvem ao longo do tempo.

No modelo, Ring e Van de Ven (1994) assumem que, em seu ciclo de vida, um relacionamento interorganizacional segue os estágios de negociação, comprometimento e execução baseados em aspectos de incerteza, confiança, eficiência e equidade, papel exercido no relacionamento e os relacionamentos interpessoais (Figura 3).

Figura 3 – Estágios de desenvolvimento de um relacionamento interorganizacional cooperativo Extraído de: RING, VAN DE VEN, 1994, p. 97

No estágio de negociação, assim, as partes buscam um acordo no que diz respeito às suas expectativas, bem como incertezas, por meio de processos de barganha formal e sense making informal, buscando reduzir os riscos e perceber os aspectos de confiança que permeiam a transação (RING, VAN DE VEN, 1994).

Na fase seguinte, de comprometimento, as partes procuram estabelecer as regras e obrigações que irão guiar o acordo; desse modo, são estabelecidos os contratos formais e informais (psicológicos) que as partes deverão seguir ao longo do relacionamento, incluindo a estrutura de governança e os termos diversos (RING, VAN DE VEN, 1994).

Por fim, tem-se a fase de execução do acordo, em que as partes colocam em prática o acordo firmado, testando tudo aquilo que concordaram entre si, via interações pessoais e o estabelecimento de papeis (RING, VAN DE VEN, 1994). Nesta etapa, Ring e Van de Ven (1994, p. 98) afirmam que as partes “dão ordens aos seus subordinados, compram materiais, pagam as quantias acordadas e [...] administram o que for necessário para executar o acordo”.

Os autores ainda apontam para a possibilidade de continuidade do relacionamento, etapa na qual surgem as renegociações de conflitos e de outros aspectos identificados ao longo das atividades; a partir daí, podem então surgir

heurísticas que facilitam o ciclo de vida de acordos futuros. Atrelado a isso, existem também dois fatores fundamentais no modelo e que servem de base para o estabelecimento de um acordo satisfatório para as partes envolvidas: eficiência e equidade (RING, VAN DE VEN, 1994).

As reflected in transaction cost theory, researchers use efficiency to define the most expeditious and least costly governance structure for undertaking a transaction, given production cost constraints. We assume that an equally important criterion for assessing a cooperative IOR is equity, defined as "fair dealing" (which does not require that inputs or outcomes always be divided equally between the parties) (RING, VAN DE VEN, 1994, p. 93).

Alinhada à proposta de Ring e Van de Ven (1994) e sob um olhar estratégico sobre o fenômeno de redes, reafirma-se, no contexto em questão, uma necessidade constante de alinhamento de interesses entre os participantes com vista ao alcance de objetivos individuais e coletivos (SEMLINGER, 2008; PROVAN. KENIS, 2008; OSARENKHOE, 2010), bem como ao estímulo de participação, principalmente das empresas.

Nota-se, porém, e em acordo com as afirmações de Ring e Van de Ven (1994), que o fato de as partes buscarem um consenso em um processo de negociação, na maioria das vezes, permeado por processos de barganha, não significa que ambos terão igualdade no que tange às entradas e saídas relativas.

Desse modo, os resultados obtidos em arranjos cooperativos representam ganhos (OLIVER, EBERS, 1998), mas que podem ser distribuídos de forma desproporcional entre as partes; logo, podem ser também positivos (por exemplo: compartilhamento de recursos e aquisição de conhecimento) ou negativos (por exemplo: aumento de custos), dependendo da dinâmica da rede, sua gestão e coordenação.

Complementar, e em conformidade, com esse aspecto, tem-se a ideia de valor transacional diante de uma busca de aproximação dos conceitos puramente econômicos com os aspectos processuais que regem os relacionamentos (ZAJAC, OLSEN, 1993). Trata-se, assim, na visão de Zajac e Olsen (1993, p. 131), dos ganhos obtidos pelas partes ao longo do tempo de relacionamento, diante da “[...] maximização do valor compartilhado [...] e os processos pelos quais os parceiros de troca criam e reivindicam valor”.

The transaction value approach, by examining the processes by which joint value is created and claimed, can encompass joint benefit and transaction cost issues in its framework. In recognizing (1) the interdependence of exchange partners seeking gain and (2) the relational context and processes of interorganizational exchange over time, the approach offers a richer depiction of interorganizational strategies than does standard transaction cost analysis. More generally, the approach seems well-suited to a view of interorganizational strategies as voluntary, multi-firm collaborative efforts requiring a framework for analysis different from the transaction cost approach (which seems better suited for the study of an individual firm’s vertical integration - make or buy - decision).(ZAJAC, OLSEN, 1993, p. 133)

A referida abordagem, assim, considera que em um relacionamento interorganizacional as partes buscam agregação de valor ao longo tempo por meio do bom entendimento sobre os anseios do parceiro, bem como da melhor forma de maximizar valor ao acordo, de modo a satisfazer os interesses comuns (ZAJAC, OLSEN, 1993). A representação dos processos transacionais, segundo Zajac e Olsen (1993), pode seguir três estágios principais: inicialização, processo e reconfiguração (Figura 4).

Figura 4 – Etapas do processo transacional Extraído de: ZAJAC, OLSEN, 1993, p. 142

A fase inicial do processo envolve as questões preliminares da troca, em que as partes negociam os valores esperados da troca, buscando uma projeção futura dos ganhos que irão obter no futuro; também são tratados os aspectos mais específicos que moldam a relação de troca e algumas atividades iniciais da troca têm

início com o intuito de conhecer melhor o parceiro, bem como obter mais comprometimento das partes (ZAJAC, OLSEN, 1993).

Na fase seguinte, as partes procuram trabalhar juntas com a intenção de maximizar o aprendizado e criar normas relacionais que guiam a gestão da troca, administrando conflitos e desenvolvendo a confiança entre os parceiros (ZAJAC, OLSEN, 1993).

Por fim, tem-se a etapa de renegociação, em que os parceiros avaliam a(s) troca(s) realizada(s) em termos de performance da aliança, não apenas de forma conjunta, mas também individual; assim, decide-se pela continuidade ou não da parceria (ZAJAC, OLSEN, 1993).

Diante da análise contextual e processual de evolução, trocas e interdependência presentes nas redes de organizações, nota-se que a abordagem coevolucionária se torna pertinente, contribuindo para o aprofundamento teórico da abordagem de redes.