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2. Atmospheric boundary layer

2.3 Atmospheric stability

O PIB nominal brasileiro cresceu de US$ 224 bilhões, em 1985, para US$ 882 bilhões, em 2005, enquanto o da China saltou, no mesmo período, de US$ 309 bilhões para US$ 2.302 bilhões (EIU, S.d.). Mais do que as diferenças na forma de organização das duas sociedades, a estratégia de inserção internacional adotada pelos dois países pode indicar como uma economia que tinha a mesma dimensão que a brasileira passou a ser quase três vezes esta em duas décadas. A China preparou e conduziu sua integração global pela via do comércio e pela atração de investimento estrangeiro direto, destinado a setores com maiores taxas de expansão nas transações internacionais. Dessa forma, a China foi capaz de aproveitar o movimento de expansão das empresas transnacionais, que deslocaram a produção de peças e componentes para economias com menor custo de mão-de-obra.

Entretanto, ao contrário de outros países emergentes que apenas buscam investimentos, não importando a sua natureza e destinação, a China adotou uma política de atração e seleção para investimentos diretos no país, priorizando aqueles que possam dar acesso a tecnologias capazes de incentivar as cadeias produtivas internas do país. O governo chinês favorece o investimento estrangeiro com a condição de que tecnologias mais sofisticadas sejam transferidas para o país. Em 2002, por exemplo, a Embraer estabeleceu uma joint-venture com a estatal China Aviation Industry Corp, uma tentativa do governo chinês de quebrar o monopólio da Boeing e da Airbus na China e criar uma empresa de jatos regionais. No acordo, ficou estabelecido, entre outras políticas, que haveria transferência de desenhos, ferramental, normas e procedimento, além de treinamento dos funcionários chineses no Brasil (EMBRAER, S.d.).

A China também vincula investimento em manufatura com investimento e estabelecimento de unidades de pesquisa e desenvolvimento. A Motorola tem, por exemplo, um de seus principais centros de pesquisa instalado na China, como contrapartida de acesso ao imenso mercado chinês de celulares. Assim, políticas comerciais, tecnológicas e poder de compra do Estado são coordenados com a aprovação dos investimentos diretos externos, com o objetivo de aumentar as capacidades tecnológicas locais. Adicionalmente, as estratégias da China de atração de investimento estrangeiro incluem (mas não estão limitadas) a existência de diferentes regimes aduaneiros, um mais elevado para as importações destinadas ao mercado interno e outro menor para as importações de bens a serem transformados e

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destinados ao mercado externo; e regras para as empresas transnacionais gerarem os recursos em moeda estrangeira que pretendem remeter às matrizes. Para isto, é também importante reconhecer a importância das políticas públicas.

Essa política esteve associada também à garantia estatal de taxas de câmbio reais competitivas e estáveis, mediante intervenções no mercado cambial e controles rigorosos sobre a conta de capital. Como resultado, a participação das exportações no PIB chinês saltou de apenas 8,7%, em 1985, para 33,1%, em 2005, enquanto o estoque de investimentos diretos na China como percentual do PIB cresceu de 3,4% para 27%, no mesmo período, com suas reservas internacionais alcançando US$ 825 bilhões no final de 2005. Com relação ao estoque de investimentos diretos da China no exterior como percentual do PIB, o mesmo cresceu de 0,6%, em 1990, para 2,2%, em 2005, mostrando uma mudança na política de internacionalização do país (EIU, S.d.).

Em contrapartida, a estratégia brasileira foi diversa, no mesmo período analisado. Creitou (2007 em Almeida 2007) afirma que, diferentemente de outros países em desenvolvimento, o governo brasileiro não definiu medidas oficiais de apoio à internacionalização das empresas nacionais, que investem no exterior por decisão própria, sem contar com o suporte de uma política governamental específica, dirigida a estimular, facilitar e até induzir à internacionalização. Além disso, embora não haja proibições ou restrições governamentais ao investimento direto no exterior, algumas normas cambiais e procedimentos legais dificultam e encarecem as transações.

No período posterior ao Plano Real (1994), o Brasil passou a experimentar um novo ciclo de investimentos diretos no país, atraído pela abertura econômica, estabilização com expectativas de crescimento econômico e privatizações. Na segunda metade da década de 1990 e início da década de 2000, a entrada de investimento estrangeiro direto foi realizada majoritariamente mediante fusões e aquisições, muitas das quais por meio de privatizações que não geraram, necessariamente, aumento relevante de capacidade produtiva. Uma parte significativa dos investimentos externos se concentrou no setor de serviços, por meio da transferência de ativos das antigas empresas estatais para os seus novos proprietários. Grupos empresariais, tais como Santander, Portugal Telecom e Electricité de France, despontaram como novos nomes em importantes setores da economia nacional. O controle de setores como o de autopeças foi praticamente transferido para empresas multinacionais, enquanto se percebeu uma crescente concentração na indústria varejista, com grupos como Wal-Mart, Carrefour e Pão de Açúcar adquirindo um enorme número de concorrentes menores. Do ponto

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de vista macroeconômico, o Brasil continuou a mostrar um comportamento ciclotímico nesse período, com baixas taxas de crescimento, uma ameaça de crise cambial recorrente, taxas de juros declinantes, mas ainda elevadas, alto nível de desemprego e queda do investimento público e privado.

Utilizando-se os mesmos indicadores descritos anteriormente para o Brasil, ter-se- ia que a participação das exportações no PIB brasileiro sofreu uma discreta variação de 11,4%, em 1985, para 13,3%, em 2005, enquanto o estoque de investimentos diretos no Brasil como percentual do PIB cresceu de 11,4% para 22,2%, no mesmo período, com suas reservas internacionais alcançando US$ 54 bilhões no final de 2005. Com relação ao estoque de investimentos diretos do Brasil no exterior como percentual do PIB, o mesmo cresceu de 0,5%, em 1990, para 8,1%, em 2005, mostrando também uma maior inserção de empresas brasileiras no exterior (EIU, S.d.).

3.2.1 Petrobras - Uma Multinacional Estatal

A Petrobras foi criada em 1953, como uma empresa de capital misto, com o objetivo de executar atividades no setor de petróleo e gás natural. Ao longo de quatro décadas, tornou-se líder em distribuição de derivados no Brasil, colocando-se entre as quinze maiores empresas petrolíferas na avaliação internacional. Detentora de uma das tecnologias mais avançadas do mundo para a produção de petróleo em águas profundas e ultraprofundas, a empresa tem, constantemente, aumentado a sua produção no país. Em 2005, a empresa teve um faturamento líquido de R$ 136,6 bilhões, lucro de R$ 23,7 bilhões e procedeu a investimentos de R$ 22,9 bilhões nas suas diversas áreas de negócio.

Historicamente, a Petrobras sempre se destacou entre as empresas brasileiras que mais investiam no exterior. O início de suas operações internacionais remonta a 1972, quando foi criada a Braspetro, empresa responsável pela atuação internacional da Petrobras, posteriormente incorporada em 2002. A primeira atuação internacional se deu na Colômbia, para a exploração de uma área em terra. A seguir, obteve áreas em concessão para operar no Oriente Médio, no Iraque, resultando na importante descoberta do campo gigante de Majnoon, no Irã e no norte da África. Nas áreas de exploração e produção, a Petrobras também expandiu atividades conjuntas com outras empresas em águas profundas no setor americano

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do Golfo do México e no oeste da África, particularmente na Nigéria. Como operadora, a empresa foi responsável pela descoberta de reservas na Colômbia e dos campos gigantes de gás natural de San Alberto e San Antonio, no sul da Bolívia. Outra relevante contribuição da crescente presença internacional da Petrobras foi a construção do gasoduto Bolívia-Brasil, um importante instrumento da integração energética regional. Adicionalmente, a atuação na Argentina foi consolidada após a conclusão do processo de aquisição da Perez Companc (Pecom), em 2003, levando a Petrobras a integrar e expandir seus investimentos em outros países da região. Em 2004/2005, a Petrobras assinou Acordos de Intenção com as chinesas Sinopec e CNPC, para identificar e desenvolver oportunidades de parcerias.

Em 2005, a atuação da Petrobras no exterior abrangia toda a cadeia de operações da indústria de petróleo e energia, desde a exploração e produção de óleo e gás natural, refino, processamento de gás, distribuição de derivados, comercialização e transporte por dutos até a produção de produtos petroquímicos e a geração, distribuição e transmissão de energia elétrica. Os ativos, as operações e os negócios da Petrobras no exterior se estendiam a 18 países, de três continentes: seis unidades de negócio, que atuavam como empresas subsidiárias, localizadas na Argentina, Angola, Bolívia, Colômbia, Estados Unidos e Nigéria. Além disso, somavam-se atividades em outros 12 países: Venezuela, México, Equador, Peru, Uruguai, Paraguai, Tanzânia, Irã, Líbia, Guiné Equatorial, Turquia e China.

As estratégias de atuação no exterior abrangiam o posicionamento estratégico em áreas-foco da América do Sul e a atuação seletiva, como operadora ou em parceria, para a exploração e produção de petróleo em águas profundas e ultraprofundas. No continente sul- americano, a Petrobras conduzia o processo de integração energética regional, uma das metas de sua estratégia, visando favorecer a comercialização de gás natural e a monetização das suas reservas desse energético. Para tanto, o plano de negócios da empresa, para o período de 2006 a 2010, previa a realização de investimentos da ordem de US$ 56 bilhões, dos quais US$ 7,1 bilhões ou 13% a serem aplicados no exterior, majoritariamente nas seguintes regiões: América Latina, oeste da África e Golfo do México. Com isso, a empresa esperava duplicar, até o fim da década de 2000, a receita de vendas e serviços provenientes da Área Internacional.

A experiência adquirida pela Petrobras no exterior impulsionava seu crescimento no mercado brasileiro, aprimorando e consolidando o seu domínio tecnológico nas operações em águas profundas, em que a empresa competia com as grandes corporações petrolíferas mundiais. Paralelamente, a Petrobras disputava espaço internacional, levando a vantagem

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competitiva da excelência tecnológica, gerencial e operacional que desenvolveu domesticamente. Como principais fatores para a sua expansão internacional, havia a diversificação de riscos ligados à operação em um único país, a busca por receitas em moedas fortes, o aumento de capacidade de refino e a busca por novas reservas.

Entretanto, eventos político-econômicos na Venezuela e na Bolívia, onde a Petrobras foi obrigada a renegociar seus contratos em condições desfavoráveis ou mesmo teve parte de seus ativos nacionalizados, mostram as dificuldades de uma empresa gerenciar riscos em diferentes regiões.