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A produção mineral é essencial para a vida moderna Farias (2002), sendo atividade base para vários setores como a siderurgia, a metalurgia, a indústria, a petroquímica e a de fertilizantes. Quando associada aos efeitos das indústrias de beneficiamento, a mineração pode ser considerada uma multiplicadora de bens, desempenhando, portanto, papel estratégico para a economia das nações DNPM (2012). De fato, segundo Parizzotto (1995), desde sua existência, o homem utiliza bens minerais para o desenvolvimento de suas populações.

O Brasil é o segundo maior produtor de minério de Ferro, com uma produção de 390 milhões de toneladas em 2011 sendo os estado de Minas Gerais (67%) e Pará (29,3%) os maiores produtores. Para 2016, a previsão de produção é de 820 milhões de toneladas IBRAM (2012), logo, a região do

Quadrilátero Ferrífero é, sem dúvida, um dos locais mais importantes para a mineração de ferro do

Brasil.

Essa região está situada na porção central do estado de Minas Gerais, abrangendo os municípios de Alvinópolis, Barão de Cocais, Belo Horizonte, Brumadinho, Caeté, Congonhas, Ibirité, Igarapé, Itabira, Itabirito, João Monlevade, Mariana, Nova Lima, Ouro Branco, Ouro Preto, Rio

Acima, Sabará, Santa Bárbara, entre outros (Figura 2.1). Sua área é de aproximadamente 7.200 km2 e

os seus principais limites regionais são a Serra do Curral ao norte; as serras de Ouro Branco e Itatiaia ao sul; a Serra da Moeda ao oeste e, o conjunto formado pela Serra do Caraça e pelo início da Serra do Espinhaço ao leste Dorr II (1969).

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Figura 2.1: Localização do Quadrilátero Ferrífero em Minas Gerais. Quadrículas representam as cidades pertencentes ao Quadrilátero ferrífero.

Fonte: CPRM/CODEMIG (2008)

Segundo Lobato et al. (2001), a exploração mineral na região começou durante o ciclo do ouro entre 1700 e 1850, quando foram retirados cerca de 16 toneladas de ouro provenientes de aluviões e outros depósitos superficiais pelos bandeirantes. Porém, com a escassez do ouro nos aluviões, começou a exploração do minério de ferro na região, que perdura até os dias de hoje Diniz et al. (2014).

De acordo com Constantino et al. (2002), a bauxita, um composto de hidróxidos de alumínio e algumas impurezas (ferro, sílica, óxido de titânio e aluminossilicatos), é considerada o minério mais importante para a produção de alumínio. Os maiores depósitos de bauxita localizam-se nas zonas tropicais e subtropicais, que possuem ótimas condições climáticas para a sua formação Bárdossy e Aleva (1990). Segundo Carvalho et al. (1997), as primeiras informações sobre a ocorrência de bauxitas no Brasil remontam à década de 1920, quando os depósitos foram encontrados em Ouro Preto (MG). Durante um longo período de tempo, esses depósitos foram única fonte de alumínio no Brasil.

Geralmente, nessas regiões com depósitos gigantescos de minério de ferro e bauxita,

encontram-se as coberturas ferruginosas superficiais, denominados “cangas” (Figura 2.2), formadas

por material detrítico derivado de itabiritos e hematitas cimentado por óxidos hidratados de ferro e amorfo. A canga é muito resistente à erosão e ao intemperismo químico e ocupa uma área de cerca de

As cangas são consideradas, verdadeiras “ilhas de ferro” encontradas em topos e encostas das serras do Quadrilátero Ferrífero Simmons (1963) entre 900 a 1.900 m de altitude.

Figura 2.2: Área de canga na serra da Brígida, Ouro Preto, MG.

Devido aos seus depósitos de alta qualidade em ferro e alumínio, todo o ecossistema associado às cangas vem sofrendo grandes impactos pela atividade mineradora de extração de minério de ferro e de bauxita. Os ambientes sobre os afloramentos ferruginosos e a vegetação associada chamados de campos ferruginosos, estão entre os mais ameaçados de Minas Gerais Jacobi et al. (2007) e segundo Diniz et al. (2014) o impacto provocado pela mineração atuou drasticamente na cobertura vegetal desses campos, sendo que entre os anos de 1985 a 2011 estima-se uma perda de 3.263,07 ha da vegetação nativa.

Além do desmatamento, outros impactos negativos da mineração também podem ser citados, como: a perda da camada biologicamente ativa do solo, a mobilização do solo, a erosão, o

assoreamento de corpos d’água, a alteração de aquíferos subterrâneos, a contaminação da atmosfera e

das águas com metais e a perda de serviços ecossistêmicos em geral. Ao longo do tempo, caso nada seja feito para cessar, reverter ou minimizar tais processos degradantes, consequências negativas relevantes sobre a saúde das populações humanas, da flora e da fauna, assim como o funcionamento geral do ecossistema podem atingir proporções alarmantes Campos (2007).

A mineração provoca impactos ambientais que afetam direta ou indiretamente a biodiversidade e a vida humana. A exploração do ferro e do alumínio leva a total retirada da

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vegetação, altera a paisagem e muda completamente o funcionamento do ecossistema Gardner (2001). A alta concentração de alumínio no solo exposto pela mineração de ferro e alumínio impede o cultivo da maior parte das plantas, pois quando solubilizado pela acidez do solo, ele se transforma no cátion

Al3+, que é uma forma tóxica, com potencial de inibir o crescimento das raízes, causando deficiência

na captação de água e nutrientes Kochian (1995) e, consequentemente, levando à morte das plantas. Além do alumínio, o ferro na forma de óxidos de ferro são capazes de adsorver o fósforo, o potássio e o zinco, diminuindo a saturação de base e causando distúrbios nutricionais nas plantas Zhang et al. (1999). Assim, tanto no caso do alumínio quanto do ferro, as altas concentrações desses elementos nas áreas pós-mineração tornam a revegetação da área uma tarefa bastante complexa e dispendiosa. Espécies não adaptadas a tais condições necessitam de correções de solos e aplicação de fertilizantes para poderem se desenvolver em tais áreas degradadas.

2.2- OS CAMPOS FERRUGINOSOS E A RECUPERAÇÃO DE ÁREAS