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Artificial intelligence diagnostic approaches

2.3 Introduction

2.3.8 Artificial intelligence diagnostic approaches

MARQUES DE MELO, José. Teoria do jornalismo: identi- dades brasileiras. São Paulo: Paulus, 2006. 278p.

Setembro de 2013. Recebo a notícia de que sou finalista do Prê- mio Jabuti na categoria Comunicação. Vejo a lista com os nomes dos outros indicados. O primeiro deles é José Marques de Melo. Não tenho dúvidas: é preciso aclamar o professor José Marques e convencer os demais finalistas a fazer o mesmo. Ligo para outro professor da lista a fim de iniciar a tarefa. Ele é simples e objetivo: “Isso não é necessário, Felipe. Todos estão convencidos. A acla- mação já está feita por si mesma. JMM é uma unanimidade”.

1. Jornalista, psicólogo e professor associado da Universidade Federal Fluminense. Doutor em Literatura pela PUC, com pós-douto- rado em Semiologia da Imagem pela Universidade de Paris/Sor- bonne III, também foi repórter da TV Manchete, comentarista político na TVE-Brasil, apresentador na UTV e sub-reitor na Unesa. Autor de 14 livros, entre eles três romances e uma bio- grafia que foi finalista do prêmio Jabuti, também enveredou por obras acadêmicas, como “Teoria da Biografia sem fim”, “Jornalis- mo Literário”, e “Teoria do Jornalismo”, que já foi traduzido para o espanhol e publicado em 14 países. Site: www.felipepena.com

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Frase perfeita, que contraria a lógica de Nelson Rodrigues, a unanimidade em torno do professor José Marques não é comprovada apenas pela capacidade intelectual, mas também pela capacidade de aglutinação e pela generosidade. Durante toda a sua carreira, JMM estendeu a mão para os companheiros de profissão e docência. Sou testemunha dessa generosidade, com a qual já fui con- templado algumas vezes e, portanto, só poderia corroborá-la. Por isso, para falar sobre um livro tão importante como o “Teoria do Jornalismo”, minha melhor definição só poderia passar por essas duas palavras: competência e generosidade.

Competência porque o livro do professor José Marques de Melo, decano do ensino de jornalismo no Brasil, reúne as principais reflexões do autor nos últimos trinta anos. E generosidade porque ele cita diversos pesquisadores na- cionais, emprestando seu prestígio para a consolidação dessa área de pesquisa no país. Nas 278 páginas de “Teoria do Jornalismo: identidades brasileiras”, o leitor encontra ideias publicadas na década de 1970, passando pela tese de livre docência defendida por Marques de Melo na ECA-USP em 1983 e desembo- cando em pesquisas recentes sobre o campo jornalístico.

As sistematizações propostas pelo professor contemplam todas as correntes de pensamento da área, enfatizando, como sugere o subtítulo, os autores bra- sileiros. Difícil encontrar um pensador nacional que não esteja citado na obra, cujo posfácio relaciona oito classificações distintas e articula as vertentes prática e acadêmica para indexar uma ampla bibliografia sobre o tema. Dessa forma, o livro oferece um imprescindível mapa dos estudos jornalísticos no país, divi- didos nas categorias exercício teórico, pragmatismo crítico, conhecimento em- pírico, conhecimento aplicado, estudos de caso, estudos comparados, reflexões coletivas e periódicos especializados.

Os quinze capítulos de “Teoria do Jornalismo” são um espelho dessa diver- sidade. Assim como é possível encontrar reflexões sobre a questão dos gêneros, também estão presentes estudos mais pontuais, como jornalismo feminino, educativo, comunitário e científico, só para citar alguns exemplos. José Marques não deixa, contudo, de enveredar pela questão ideológica, um de seus eixos mais aprofundados, propondo alternativas pluralistas e democráticas para o exercício profissional. Da mesma forma, destila com maestria sua visão sobre a natureza do jornalismo, refletindo sobre temas complexos, como a objetividade e a ética.

O livro é indicado não só para estudantes e pesquisadores, mas para todos aqueles que se interessam em compreender os fluxos e contrafluxos do bem mais valioso da sociedade pós-industrial, a informação, e, principalmente, seus mediadores, os jornalistas. Como expresso na quarta capa, Marques de Melo também pretende aproximar os futuros profissionais da realidade nacional, nu- trindo a profissão de valores, utopias e conceitos que a renovem e a fortaleçam.

Nesse sentido, o autor parece de acordo com aqueles (entre os quais me incluo), que defendem que as várias tentativas de sistematizar a Teoria do Jor- nalismo já permitem a plena configuração da área como um campo específico do conhecimento humano. A disciplina deve ser incorporada aos currículos das escolas de jornalismo como um conjunto de metodologias e conceitos estuda- dos a partir da investigação científica. Os diversos modelos de interpretação podem ser estruturados no âmbito de uma teoria unificadora, mesmo que sua fundamentação seja complexa e heterogênea.

Como já deixei registrado em artigos e em um livro homônimo, acredito que o teórico deve assumir a vocação para vidraça e atravessar a avenida, com a cara no vidro, esperando pelas pedras e pelas flores. Mais pedras do que flores. As pétalas da crítica só aparecem para o cânone estabelecido. A academia é um inverno perene. A pesquisa científica tem mil faces, é construída e reconstruída em teias de complexidade e suor.

A reflexão crítica sobre o jornalismo não é só pertinente, é imprescindível. Precisamos entender nossos problemas, buscar caminhos, encontrar soluções. Precisamos saber os motivos da crescente desconfiança do público. Precisamos enxergar nossos preconceitos e estereótipos. Precisamos reconhecer nossas pró- prias limitações como profissionais de imprensa, não só incentivando a pesquisa científica, mas participando dela. Ao defender uma teoria unificada como um campo de conhecimento específico, o objetivo é exatamente refutar a ideia de que os procedimentos jornalísticos constituem um saber autônomo e autossu- ficiente. A efetivação de uma disciplina busca a interdisciplinaridade balizada. Ou seja, reconhece a multiplicidade de interpretações, mas aponta referências para as diversas análises.

A Teoria do Jornalismo deve assumir sua cientificidade, o que significa in- vestigar evidências, produzir dados e construir enunciados passíveis de revisão e refutação. Para isso, no entanto, deve contar com a perene interconexão dos profissionais da redação e da academia. Não pode haver uma lacuna entre os jornalistas que se ocupam da produção e os que se encarregam da reflexão. A di- cotomia é incoerente, não tem motivos para existir. Teoria e prática caminham juntas. O trabalho interligado é a única forma viável de discutir nossas questões. Para fazer essa ponte, trabalhos como o de José Marques de Melo são vitais, imprescindíveis e perenes.

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