Por meio da pesquisa foram identificados outros importantes espaços à formação docente, entre os quais se destacam a facilidade de acesso a novas informações, a importância da colaboração entre os pares, a re-elaboração dos
modos se pensar educador a partir da reconstrução e questionamento do que é ser bom professor, para problematizar suas produções e construir novas possibilidades de constituição docente.
A facilidade do acesso a diferentes fontes de pesquisa favorecem o planejamento da aula. Sites de universidades disponibilizam resultados de pesquisas científicas, propostas diferenciadas de abordagem dos conceitos químicos para as aulas, relato de experiências de aulas de Química. Vários Periódicos estão disponíveis na internet, assim como livros on-line, dados atualizados acerca de novidades científicas, enfim, referencial diversificado é acessível aos professores interessado em qualificar suas aulas. Por outro lado, os
sites de órgãos governamentais, os documentos oficiais e as contribuições de
pesquisas da Educação Química também podem ser utilizados para a atualização constante do professor.
Desse modo, destacam-se as oportunidades de busca de informações na própria rede que associada ao interesse de formação acabam caracterizando outro espaço privilegiado de construção de saberes.
Uma proposta considerada adequada para conhecer diferentes modos de atuação de professores de Química é o acompanhamento das aulas de experientes colegas da área. Segundo os entrevistados tal prática permite a identificação de modelos de atuação ou simplesmente o colocam diante de metodologias desconhecidas, de formas de atuação que auxiliam o professor a planejar sua proposta de trabalho e favorecem a construção de sua própria atuação em aula.
O apoio de um qualificado grupo de professores contribui para a construção dos saberes do professor de carreira e pode ajudá-lo a superar os desafios da sala de aula. Os grupos docentes são capazes de apresentar, ao professor, metodologias de trabalho e propostas didáticas embasadas nas pesquisas da área, dando sugestões sobre como abordar assuntos do programa de Química. Essa vivência amplia suas experiências, pois não limita àquelas em que participou como aluno, as quais costumam receber algumas críticas.
Normalmente as aulas do Ensino Médio do novo professor ocorreram há algum tempo, noutra época e por isso com outras características. As da graduação são igualmente questionadas pela área da Educação Química, quando não estão comprometidas com as propostas mais recentes da Didática das Ciências ou pelo
seu enfoque diferenciado. Enfim, a simples diversificação de práticas e modos de atuar em sala de aula justificaria o acompanhamento do novo professor às aulas de seus colegas na escola de atuação.
A parceria com colegas permite conhecer estilos diferentes, e as trocas entre os pares é favorável a todos os envolvidos, especialmente para o professor que começa seu trabalho numa nova instituição. Ao acompanhar as aulas e o trabalho de colegas, um entrevistado cita ao menos quatro diferentes contribuições.
A primeira refere-se aos aspectos positivos na própria postura do professor e sua forma de relacionamento com os alunos servindo como inspiração e um modelo a ser imitado, ainda que não integralmente: “Eu achava legal a postura dele”.
O contágio da empolgação e a busca pela implementação de novas alternativas didáticas mobilizam e influenciam o professor:
“eu gosto muito que ela está sempre preparando material, ela está sempre envolvida, correndo atrás, elaborando coisas e eu acho legal isso, eu acho positivo, gostaria de ter esse mesmo preparo, assim nas coisas, eu vejo ela sempre empolgada, preparando coisas novas e elaborando coisas diferentes”.
Também a observação dos estilos e a forma de portar-se em aula inspiram o professor que observa aulas de colegas experientes:
“eram metodologias completamente diferentes, um era mais divertido, descontraído contava história e piada para os alunos, sempre envolvendo e relacionando com os assuntos e eu gostei muito das aulas dele e a outra trazia muitas informações, de filmes e livros, bastante teoria, mas era bem legal a aula, então eram aulas bem diferentes assim... Eu gostei de assisti a aula deles, porque é interessante, eu nunca tinha assistido a aula de ninguém e é legal, a gente ver do outro lado, como é...”
Por fim, a atuação profissional, numa escola comprometida com pesquisa em Educação Química, com a qualificação das aulas e promotora de mudanças curriculares, desafia o professor. Para sua inserção no grupo de trabalho o professor
precisa estudar, aprender e compartilhar saberes desenvolvidos nas pesquisas da área.
“eu aprendi muito a metodologia deles [...], a sequência dos conteúdos e eu gostei muito dessa visão que eles tinham”.
Essas produções dão-se ao longo das vivências, constituindo-se na e pela cultura, construindo noções do que seja considerado bom professor, talvez como “modelos” reproduzíveis na atuação docente.
O modelo de aula por transmissão de conteúdos pelo professor exige uma turma atenta, ouvinte, acompanhando o raciocínio do professor. Ao reproduzir tal sistema o professor considera-se com sucesso quando consegue manter a atenção dos alunos e recebe o reconhecimento deles por facilitar tal tarefa, tal como na fala a seguir:
“eu me lembro que gostava dele, porque além dele explicar muito bem, ele era muito didático, ele explicava todos os raciocínios ele impunha muito respeito, então a aula dele era um silêncio”.
Pensar nesta reprodução retoma a questão da subjetivação como acontecimento contínuo em nossa vida. Uma multiplicidade de situações, verdades, saberes, experiências faz da formação um processo permanente.
Reconstruir os entendimentos acerca do ser professor, a partir da concepção de educação de nosso período histórico requer reflexão e desconstrução de antigos modelos. Para tanto outras novas vivências e a crença na efetivação de outros modos de aprender são fundamentais para que o professor possa reconstruir novas ideias com base em outros parâmetros.
Desse modo, tanto a formação inicial, quanto a experiência docente, as relações com os pares, as aprendizagens com estudantes, as ideias docentes e discentes construídas em nossa cultura, bem como suas implicações para o
processo de ensino e aprendizagem vão constituindo a multiplicidade do “vir-a-ser” educador em Química. Por essas razões, oferecem-se novas oportunidades para o professor colocar em ação suas compreensões por meio da construção de currículos escolares desenvolvidos.