5.1 Patterns of Control and Lethal Violence
5.1.2 Areas under Fragmented Control H2
MACAÍBA (Acrocomia intumescens DRUDE)
Edvaldo Vieira da Silva Júnior¹; Raquel Barbosa da Silva²; Antonio Fernando Morais de Oliveira²; Laise de Holanda Cavalcanti Andrade ².
¹Universidade Federal de Pernambuco, Centro de Ciências Biológicas, Departamento de Botânica. Rua Prof. Moraes Rego, Cidade Universitária. CEP: 50670-901 - Recife,
Pernambuco- Brasil; [email protected]. ²Universidade Federal de Pernambuco - Recife, Pernambuco.
RESUMO
A macaíba (Acrocomia intumescens) é um fruto bastante utilizado nas comunidades rurais,
in natura ou em preparações culinárias, ocorrendo espontaneamente na Zona da Mata
nordestina. Tanto sua polpa como sua amêndoa possui um grande interesse socioeconômico, porém possui propriedades nutricionais pouco estudadas. Com isso o presente estudo objetivou avaliar a composição centesimal, o perfil de ácidos graxos e a relação ácido graxo insaturado/saturado da polpa e da amêndoa da macaíba da Zona da Mata Pernambucana. Foram realizadas análises físico-químicas de umidade, cinzas, lipídios, proteínas e carboidratos totais. O perfil de ácidos graxos foi avaliado através de cromatografia gasosa, e por divisão simples foi verificado a relação de ácido graxo insaturado/saturado. O fruto apresentou a seguinte composição centesimal para a polpa e para a amêndoa respectivamente: umidade (62,24% e 14,88%), lipídios (29,61% e 27,42%), proteínas (2,58% e 11,72%), carboidrato (6,57% e 46,91%) e cinzas (2,00% e 2,07%). O perfil de ácidos graxos foi de ácidos pentadecanóico, oléico e elaídico na polpa e cáprico, láurico, tridecanóico, palmítico, esteárico e oléico na amêndoa. Predominou, desta forma, ácidos graxos insaturados na polpa e saturados na amêndoa. A relação ácido graxo insaturado/saturado foi de 5,81 na polpa e 0,3 na amêndoa, mostrando que o consumo de sua polpa é vantajoso na alimentação humana. Concluísse que a macaíba constitui uma importante alternativa alimentar e econômica, principalmente para famílias mais subdesenvolvidas nordestinas.
Palavras-chave: ácidos graxos; análise centesimal; macaíba.
INTRODUÇÃO
Brasil possui cerca de trinta por cento das espécies de plantas e de animais conhecidas no mundo, que estão distribuídas em seus diferentes ecossistemas, sendo a Mata Atlântica um dos ecossistemas mais diversificados do Brasil e com um dos maiores potenciais para a fruticultura (1). E a família das palmeiras (Arecaceae) é uma das mais bem representadas na Mata Atlântica e tem uma grande importância à região tropical devido à grande diversidade de produtos que dela podem ser obtidos, especialmente, aqueles relacionados aos seus frutos e sementes (2). E uma planta que representa bem este dado anterior é a macaibeira (Acrocomia intumescens Drude) que se destaca por seu uso alimentício, medicinal, tecnológico e comercial em várias regiões de Pernambuco (3).
A macaíba é um fruto tipo drupa globosa, com mesocarpo comestível, carnoso- fibroso e de sabor adocicado (2). Ela e frutos de outras palmeiras apresentam potencial oleaginoso, fornecendo importantes quantias de óleo em seu mesocarpo, semente ou ambos. Além do teor de lipídios, frutos de várias espécies de palmeiras são usados na alimentação humana e animal, por apresentarem considerável valor nutritivo. São bastante utilizadas na alimentação e na culinária popular in natura e na fabricação de sucos, sorvetes, cocadas, licores, xaropes, na obtenção de seu óleo (4).
Para avaliar a qualidade dos alimentos, as informações relacionadas à sua composição se mostram cada vez mais importantes. Estudos sobre o teor e composição de proteínas, lipídeos e fibras são de extrema importância em países ainda em desenvolvimento e as pesquisas voltadas para as espécies nativas tem mostrado sua relevância para um maior valor nutritivo da dieta (5). Já a relação ácido graxo insaturado/saturado é de extrema importância, uma vez que dados epidemiológicos têm confirmado que, em uma dieta rica em ácidos graxos saturados, os teores de colesterol e triglicerídeos no sangue aumentavam, e quando a dieta é rica em ácidos graxos insaturados, aqueles diminuíam e ainda aumentava os níveis de HDL (6). A busca da relação insat/sat ideal na nutrição humana é importante, entretanto, é preciso ter em mente que como cada ácido graxo tem características nutricionais próprias, a consideração individual destes é necessária (7).
Muitos estudos estão dando ênfase à outra espécie de macaíba presente nas regiões de cerrado (A. aculeata), mas pouco se sabe sobre a macaíba da mata atlântica (A.
intumescens), sendo os estudos de valor nutricional ainda escassos. Visando preencher
parte dessa lacuna e pela potencial utilização deste fruto pouco explorada pela comunidade científica, determinou-se a composição centesimal, o perfil de ácidos graxos e a relação ácido graxo insat/sat em polpa e amêndoas da macaíba ocorrente na Zona da Mata de Pernambuco.
MATERIAL E MÉTODOS
As amostras de fruto de macaíba maduro foram coletadas no município de Recife. Após a coleta, os frutos foram separados em polpa e amêndoa, acondicionados em embalagens plásticas e armazenados em freezer a -10ºC até o momento das análises.
A partir das polpas e amêndoas foram realizadas as análises físico-químicas de umidade, proteínas, cinzas, lipídeos e carboidratos por diferença (8). Para a análise do perfil de ácidos graxos seguiu-se a metodologia proposta por Hartman e Lago (9), com modificações, utilizando cromatografia gasosa acoplada a espectrômetro de massas, em coluna capilar de sílica fundida DB-5, J&B (5% fenil, 95% metilsiloxano, 30 m x 0,25 mm I.D., 0,25 μm). Para a obtenção dos valores da relação de insat/sat, foi realizada a divisão dos valores dos ácidos graxos insaturados (insat) pelos ácidos graxos saturados (sat).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na análise centesimal, a macaíba apresentou um alto teor de umidade na polpa (62,24%), mas com baixo teor (14,88%) na amêndoa. Em relação às cinzas, ela alcançou em suas polpas 2,00% de cinzas e 2,07% em suas amêndoas. Para proteína, obtiveram 2,58
e 11,72% respectivamente para polpa e amêndoa. O teor estimado de carboidratos foi elevado na amêndoa, com valor de 46,91%, e baixo na polpa, com valor de 6,57%. Nos valores de lipídeos, a macaíba alcançou valores altos, com 29,61% na polpa e 27,42% na amêndoa. Portanto ela se destaca pelo seu teor gorduroso apresentando um teor elevado de lipídeos, condizente com palmeiras amazônicas (10). O elevado teor de lipídios, carboidratos e proteínas presente na macaíba à torna um forte recurso econômico/nutritivo para populações pouco desenvolvidas que habitam o estado de Pernambuco. Este recurso ainda é pouco explorado, principalmente em sua região de ocorrência natural, onde muitas famílias carecem de uma alimentação equilibrada.
No perfil de ácidos graxos, este fruto é representado pelos ácidos pentadecanóico (C15:0), oléico (C18:1-cis) (majoritário – 78,14%) e elaídico (C18:1-trans) na polpa e cáprico (C10:0), láurico (C12:0) (majoritário – 45,44%), tridecanóico (C13:0), palmítico (C16), esteárico (C18:0) e oléico (C18:1) na amêndoa. A característica do predomínio de ácidos graxos insaturados e/ou saturados (geralmente ácido oléico e/ou palmítico) na polpa e saturados na amêndoa condiz com a composição comumente encontrada em frutos da família Arecaceae (11). Segundo Salgado et al. (12) uma alimentação rica em ácido oléico (o ácido graxo mais presente na macaíba) tem efeitos benéficos na saúde, como redução nos teores de colesterol total plasmático, no percentual de LDL colesterol e na relação LDL/HDL.
Na da relação de insat/sat, Santos Filho et al. (13) relata que o melhor resultado desta relação na dieta humana seria de 2,5 (25% de ácidos graxos insaturados e 10% de ácidos graxos saturados). Os resultados desta relação na polpa da macaíba foi de 5,81 (81,9/14,1) e em sua amêndoa foi de 0,3 (23,1/76,9).
Como a recomendação do consumo de gordura não deve ultrapassar 30% do consumo energético total e mais da metade desta deve ser representada por ácidos graxos insaturados, a polpa da macaíba se mostra uma excelente fonte de ácidos graxos insaturados, podendo com este resultado da relação insat/sat ser de grande utilidade na compensação das novas dietas ocidentais, ricas em gorduras saturadas (14).
CONCLUSÃO
A macaíba pode ser considerada como fontes excelentes para a alimentação humana principalmente nas zonas rurais pernambucanas, onde sua ocorrência é espontânea, pois lipídios, proteínas, carboidratos e ácidos graxos insaturados, sobretudo ácido oléico, estão presentes em quantidades satisfatórias. E considerando a escassez de pesquisas com a macaíba da zona da mata, este estudo aponta a potencialidade deste fruto como fonte considerável de compostos nutricionais.
AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo apoio financeiro.
REFERÊNCIAS
1. Rodrigues VMJ. O ordenamento do território e a certificação ambiental como contributos para a conservação da biodiversidade. Lisboa. Dissertação [Mestrado em Engenharia Agronômica] – Universidade Técnica de Lisboa; 2011.
2. Lorenzi H, Noblick L, Khan F, Ferreira E. Flora brasileira Lorenzi: Arecaceae (palmeiras). 1nd ed. São Paulo: Nova Odessa; 2010.
3. Silva AJR, Andrade LHC. Etnobotânica nordestina: estudo comparativo da relação entre comunidades e vegetação na zona do Litoral – Mata do estado de Pernambuco, Brasil. Acta Botânica Brasílica 2005;19:45-60.
4. Toledo DP. Análise técnica, econômica e ambiental de Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd ex Mart. e Jatropha curcas L. como alternativa de culturas para o produtor rural na cadeia produtiva do biodiesel. Viçosa. Dissertação [Mestrado em Ciência Florestal] – Universidade Federal de Viçosa; 2010.
5. Ávila R, Oliveira LF, Ascheri DPR. Caracterização dos frutos nativos do cerrado: araticum, baru e jatobá. Revista Agrotecnologia 2010;1:53-69.
6. Lima Júnior DM, Monteiro PSB, Rangel AHN, Maciel MV, Amaro LPA. Alimentos funcionais de origem animal. Revista Verde de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável 2011;6:2.
7. Beare-Rogers J. Dietary fat requirements in health and development. Urbana: American Oil Chemists Society; 1988. p. 201-206.
8. AOAC – Association of official analytical chemists. Official methods of analysis. 18th ed. Maryland: AOAC; 2006.
9. Hartman L, Lago BC. Rapid preparation of fatty methyl esters from lipids. Laboratory Practice 1973;22:475-477.
10. Balick MJ. Ethnobotany of Palms in the neotropics. Advances in Economic Botany 1984;1:9-23.
11. Clement CR, Lleras Pérez E, Van Leeuwen J. O potencial das palmeiras tropicais no Brasil: acertos e fracassos das últimas décadas. Agrociencias 2005;9:67-71.
12. Salgado JM, Bin C, Mansi DN, Souza A. Efeito do abacate (Persea americana Mill) variedade hass na lipidemia de ratos hipercolesterolêmicos. Ciência e Tecnologia de Alimentos 2008;28(4):922-28.
13. Santos Filho JM,Morais SM, Beserra FJ, Zapata JFF. Lipídios em carnes de animais usados para o consumo humano: uma revisão. Ciência Animal 2001;11(2):87-100. 14. Wood JD, Richardson RI, Nute GR, Fisher AV, Campo MM, Kasapidou E, et al.