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Aquisições

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4. O PROCESSO DE ORÇAMENTO EM ANGOLA

4.5 D ISPÊNDIO E CONTROLO DO FINHEIRO PÚBLICO

4.5.3 Aquisições

Na última parte de nossa análise apresentaremos as publicações intituladas “Curso de Encadernação” vol. 1 e 2, direcionadas ao ensino dos alunos para aprendizagem das operações e tarefas, porém com a utilização e consulta do livro “Curso de Encadernação: guia do professor”, para aplicação das mesmas aos alunos e como se deu a utilização do livro Manual do Aprendiz Encadernador, de Jorge Menegazzi, como referência na elaboração dos Cursos.

No livro “Curso de Encadernação”, vol. I e II são tratadas todas as operações, tarefas e informações do ofício da encadernação e como aplicá-las, através da divisão de folhas intituladas: folhas de estudo, folha de tarefa, folha de operação e folha de informação, que já foram detalhadas em diversos momentos de nossa análise.

Para lembrança, traremos novamente informações sobre as “Folhas de instrução”, suas funções e cores.

Folha de estudo: contém uma indicação das operações que o aluno vai aprender, executando a tarefa e também uma série de perguntas auxiliares que servem para verificar se o aluno compreendeu.

Folha de Tarefa: possui os dados e instruções para a execução de trabalhos práticos.

Folha de Operação: cada trabalho exige pelo menos uma, mas podem ser várias. Cada operação é uma fase no processo de execução do trabalho. As folhas de operação devem ser um relatório minucioso da técnica de execução do trabalho.

Folha de Tecnologia: cada noção teórica é uma folha de tecnologia e servem para serem estudadas e não para serem executadas.

No exemplo apresentaremos imagens e ilustrações extraídas do “Curso de Encadernação” vol. I e II, utilizado pelos alunos e imagens do livro “Manual do Encadernador”, de Jorge Menegazzi.

A análise será para demonstrar como se deu a utilização da metodologia no ensino industrial e a aplicação da série metódica ao ofício da encadernação, lembrando que a série trata-se de uma proposta onde os trabalhos contém todas as operações fundamentais do ofício, sendo utilizada como um roteiro ou guia para o professor e onde indica seus pontos principais e como utilizá-lo.

Acreditamos que a análise do ofício da encadernação para confecção das fichas de instrução, tenha incentivado a publicação dos livros “Curso de Encadernação”, vol. I e II, já que elas aparecem antes, e consequentemente o livro “Curso de Encadernação: guia do professor” foi publicado para entendimento de como se realizava a aplicação dos Cursos.

Por essa razão, em nossa análise, os Cursos de Encadernação são apresentados antes do Guia do professor e para melhor entendimento de como o Curso foi realizado apresentamos a metodologia e as séries metódicas.

No exemplo a seguir esperamos esclarecer e demonstrar a aplicação da série metódica, com as folhas de instrução, como uma remete a outra, de forma progressiva, porém não seqüencial.

Por fim, apresentaremos imagens do livro de Jorge Menegazzi, “Manual do Aprendiz Encadernador”, reforçando, como já foi relatado no tópico anterior, indícios da tradição de um ofício.

Folha de Tarefa 4 do livro “Curso de Encadernação” vol. I, com destaque para as operações e informações que deverão ser consultadas, ao final da página.

Folha de Operação 15, do livro Curso de Encadernação vol. I.

Folha de Informação 7, do livro “Curso de Encadernação” vol. I, com referência no final ao livro “Manual do aprendiz encadernador”, de Jorge Menegazzi.

Destaque da página anterior, com Folha de Informação 7 do livro “Curso de Encadernação” vol. I e referência ao livro “Manual do aprendiz encadernador”, de Jorge Menegazzi.

Imagens do livro de Jorge Menegazzi, Manual do Aprendiz Encadernador, referenciada na Folha de Informação 7.

Folha de Informação 8 do livro “Curso de Encadernação” vol. I, com referência ao livro “Manual do aprendiz encadernador”, de Jorge Menegazzi no final da página.

Imagens retiradas do livro de Jorge Menegazzi, Manual do Aprendiz Encadernador, referenciada na Folha de Informação 8.

Folhas de Operação 5 e 6, do livro do “Curso de Encadernação” vol. I.

Folha de Informação 4, do livro “Curso de Encadernação” vol. I.

A análise realizada enfatiza vestígios da tradição do ofício da encadernação que permaneceram, como discorremos no início de nossa pesquisa e mesmo com sua utilização no ensino industrial, através de metodologia “racional” com as séries metódicas e base nos fundamentos tayloristas.

Essa comparação se deu por percebermos que o objeto livro permaneceu o mesmo ao longo de tantos séculos e consequentemente a encadernação também.

Os espaços onde foi e ainda é realizada sua feitura se adaptaram a diversas demandas, mas o objeto e a sua técnica também.

Nas corporações de ofício ou nas indústrias, com a aprendizagem durante o trabalho ou através de uma metodologia “racional”, há certa fragmentação do ofício e talvez perdas.

Porém, mesmo havendo “racionalidade” e metodologia no aprendizado, em nosso caso no SENAI, questões como a oralidade, ou seja, a presença do mestre ou professor continuam, bem como os gestos, que permanecem no uso de certas ferramentas e o espaço onde o aprendizado acontece, ou seja, a oficina.

Percebemos então que a tradição de um ofício, em nossa análise o ofício da encadernação, se mantém, com continuidades e descontinuidades, transformações e adaptações, através da oralidade, das práticas, permanência de gestos, saberes e fazeres.

Considerações Finais

Existe uma tradição no ofício da encadernação? Essa foi a pergunta que motivou esta pesquisa e que permeou toda a análise que realizamos e tentamos demonstrar durante a dissertação.

A pergunta surgiu de uma dúvida em relação ao ofício da encadernação, com questionamento em relação a gestos e práticas que se repetem, mas que nem sempre sabemos de onde vem ou desde quando permanecem.

Quando nos questionamos em relação a uma tradição, pensamos em coisas que se reproduzem e permanecem, mas que, como pudemos perceber em nossa análise, nem sempre estão presentes somente em gestos, práticas ou na oralidade.

A tradição pode estar presente através de uma construção de pensamentos e ações, que perduram e se repetem, sem sabermos ao certo seu princípio, como é o caso dos ofícios, que nas corporações se manteve, como percebemos, por questões sociais, políticas e econômicas.

As hierarquias também se estabelecem para criar-se uma continuidade dos saberes e fazeres, e para garantir uma formação profissional, criando um sistema de aprendizado com regras e critérios, que percebemos sempre estarem presentes, no caso das corporações com o exame, ao qual o oficial era submetido para “subir” de categoria e assim ascender em sua profissão. Como pudemos perceber, no Brasil esse sistema se deu de outra maneira, com os jesuítas e padres salesianos, os primeiros ainda trabalhando em um sistema de manufaturas e os segundos em um sistema de prevenção à marginalidade dos menos favorecidos, porém já voltado a interesses da indústria, ou à formação de mão de obra.

O ofício da encadernação esteve presente desde os jesuítas, na confecção dos códices, provavelmente nos mosteiros e igrejas e no Liceu Coração de Jesus, com os salesianos, sendo considerado em ambos uma arte mecânica, existindo dessa forma uma tensão presente entre arte e artesanato. Lembrando que o Liceu Coração de Jesus, mesmo encerrando suas atividades, manteve as oficinas de tipografia e encadernação em funcionamento, devido sua importância.

Já no início da industrialização a encadernação se faz presente no Imperial Instituto dos Meninos Cegos, depois chamado de Imperial Instituto dos Surdos-Mudos com o ofício sendo ensinado a ambos, porém com a tipografia direcionada aos cegos, o que também nos deixa alguns indícios sobre a tipografia, a encadernação e a deficiência visual terem uma função além do ofício.

Preconceitos gerados durante décadas em relação ao trabalho manual, e ainda presente atualmente, também foram abordados, pois como vimos temos uma herança escravista que também motivou o ensino dos ofícios como prevenção ou somente para a produção.

Com as Escolas de Aprendizes Artífices a encadernação se destaca em nossa pesquisa com a padronização dos currículos e com a Consolidação temos a Seção de Artes Gráficas, com o 3º ano dedicado à Tipografia e o 4º ano à encadernação.

Já na indústria, o sistema novamente é alterado, com demandas em relação à mão de obra, voltando-se a uma aprendizagem que tivesse uma base mais sólida e consistente em relação a sua formação, que com a criação do SENAI é pensada à longo prazo e em resultados futuros.

No SENAI, a encadernação se estabelece desde o início como um curso artesanal e de aprendizagem, também na Seção de Artes Gráficas, sendo oferecido o curso de Tipografia e Encadernação, assunto que tratamos detalhadamente em nossa análise.

Assim como nas corporações de ofício, o sistema de aprendizado esteve presente em toda nossa análise, e a metodização do ofício, como é no caso da série metódica, reflete uma necessidade vigente da indústria.

Com as séries metódicas o método de ensino e aprendizagem muda, mas o ofício permanece o mesmo.

A compreensão do ofício agora se dá por partes, em minúcias, analisando-se todas elas e criando uma sequência do mais fácil ao mais difícil, diminuindo dessa forma o tempo de aprendizagem, pois agora o mestre não é mais o dono de sua oficina e sim contratado para ensinar a outros o seu saber e o seu fazer.

Porém, ele continua mantendo a sua categoria de mestre, mesmo na indústria ou no ensino e aprendizagem dos ofícios anteriormente a indústria, quando ele também era. E talvez continue sendo.

No SENAI temos um estabelecimento com uma finalidade educativa, o que talvez o diferencie em relação ao aprendizado, pois nos estabelecimentos industriais sua finalidade é a produção.

As oficinas durante as corporações trabalhavam e ensinavam através da produção, ou pela produção. Assim como nas indústrias. Por isso nas oficinas tipográficas existir uma variação no tempo de aprendizagem do aprendiz, que seria estabelecido através da demanda.

Assim, a demanda e a indústria mudam as condições de trabalho e o tempo de aprendizagem também muda, definindo até o que será ensinado. São escolhidas as

tarefas que serão realizadas, as operações e informações pertinentes, além do estudo. Tudo em uma sequência lógica, racional, do mais simples ao mais complexo.

Lembrando novamente que a aprendizagem e ensino de ofícios desde as corporações, estabelece uma idade de início para o aprendiz, por volta dos 12 anos, com conclusão por volta das 18 anos. Uma tradição de séculos.

Mas como ter a certeza de que a forma como é apresentada uma tarefa será compreendida pelos aprendizes e depois realizada de forma segura? A análise do ofício também será estruturada através de pesquisa e com o uso de referências que possam ajudar na aprendizagem do aprendiz e no Curso de Encadernação produzido por Anton Dakitsch, ele recorreu à bibliografia de autores que já executavam o ofício e em língua portuguesa, porém, percebemos que, dentre as obras citadas por ele, uma delas, a de Jorge Menegazzi, foi a mais utilizada e que seu manual possui uma estrutura muito parecida com a análise de ofício organizada pelas séries metódicas, conforme discorremos na análise do Manual do aprendiz encadernador.

Por essa razão a análise realizada ao final de nossa pesquisa se deu com a escolha de uma tarefa simples, tentando, através das imagens, mostrar como foi apresentada e construída a informação que Menegazzi dispõe em seu manual para o curso de encadernação.

As referências permanecem, as imagens se repetem e sem sabermos de onde vem, sempre dando a impressão de que aquilo já foi feito.

Uma tradição pode continuar, como dissemos, por diversos fatores, e a aplicação da série metódica ao ofício da encadernação e sua construção nos permite iniciar uma discussão sobre a existência de uma tradição no ofício da encadernação, talvez evidenciada pelas referências citadas pelo autor, talvez por sua formação, ou até pela imagens que se repetem e permanecem.

Novamente temos o livro, enquanto objeto, que por manter a mesma forma, possibilitou a sua análise, tendo a encadernação se estabelecido nessa fragmentação como um ofício, como quando se montam as tipografias e muitos ateliês de encadernação se tornam independentes, assim como nos scriptoria monásticos.

A permanência de um objeto e sua forma reflete nas relações com seu interlocutor e o livro ainda é o mesmo, com transformações e revoluções, mas acreditamos que com a permanência dos saberes e fazeres que o estabelece, como o ofício da encadernação, é possível manter dessa forma uma tradição.

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