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Approximation using the bilateral grid

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3.2. Approximation using the bilateral grid

Desenvolvemos nossa pesquisa na Escola de Aplicação da Universidade Federal do Pará que funciona em prédios independentes que se localizam na av. Perimetral nº 1000, em Belém do Pará. A escola abrange a Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio e funciona nos períodos matutino, vespertino e noturno, sua infraestrutura é composta basicamente de prédios com salas de aula, biblioteca e sala de informática. A entrada dos alunos na escola depende da oferta de vagas, que são preenchidas por sorteio e divulgadas através de editais em internet e panfletos. Essa escola é administrada por um Conselho Escolar formado pela Direção Geral e pelas Coordenações de Educação Infantil e Ensino Fundamental, Ensino Médio e Noturno, representantes dos alunos, docentes, pais e técnicos administrativos. O projeto “Desafios” esteve vinculado à coordenação do Ensino Fundamental/séries iniciais.

Realizamos a pesquisa na turma 2003, uma turma do 2º ano do Fundamental que estava inserida no projeto “Desafios” desde o 1º ano (em 2012). A turma era composta de dezenove alunos, sendo dez meninos e nove meninas, cuja faixa etária era de sete anos. Nessa turma, os alunos pertenciam a famílias de classe média e seus responsáveis são das mais variadas profissões (professores, comerciários, entre outros). Esses alunos não costumavam faltar às aulas e segundo informações iniciais da professora e da aluna de graduação (bolsistas do projeto), a maioria encontrava-se inserida na escrita alfabética.

Trabalhamos na turma 2003, em média, duas vezes por semana, além de frequentarmos reuniões com os participantes do projeto, geridas pelo coordenador local, toda segunda-feira à tarde, em que eram discutidas as atividades, o desempenho dos alunos, entre

outros. É preciso observar que não chegamos com uma proposta de ensino e aprendizagem feita, mas criamos propostas a partir do que se apresentou na escola.

No período de abril a agosto de 2013, trabalhamos com todos os alunos da turma 2003, entretanto, nesse período inicial, encontramos dificuldade de avaliá-los individualmente, pelas seguintes razões: a) produzir atividades que conseguissem abarcar as heterogeneidades presentes; e b) necessidade de confirmar e às vezes modificar avaliações prévias das professoras. Nesta primeira metade de 2013, trabalhamos com uma tabela geral que continha 10 critérios idênticos para o 1º e 2º ano do Fundamental, pois visava o ciclo escolar. Entretanto, a tabela apresentava objetivos específicos para o 1º ano (“leitura de letras do alfabeto” e “Leitura de rébus...”) e para o 2º ano (Leitura de nomes de personagens...” e “Leitura fluente”).

Os alunos foram avaliados três vezes ao longo do ano letivo de 2013. A primeira avaliação aconteceu no mês de abril, entretanto não tínhamos experiência suficiente com a turma de 2003 para discutir os critérios apresentados na tabela, pois estávamos inseridos no projeto há pouco tempo e ainda existia uma reserva dos professores em falar sobre as crianças, especialmente aquelas com dificuldades. Como discutiremos melhor na próxima subseção, o resultado dessa avaliação de abril contém inconsistências e precisou ser cotejado com informações mais precisas.

Em busca dessas informações, em maio, realizamos um diagnóstico individualizado com os alunos. Chamaremos esse diagnóstico de “diagnóstico inicial”, pois foi a primeira avaliação realizada individualmente que modificou os resultados da tabela geral de abril; além disso, forneceu-nos informações mais precisas para as atividades seguintes. Essas atividades foram tentativas de individualizar as avaliações e produzirmos dados concretos para embasá- las.

A idealização dos grupos (Gs) e o reagrupamento semanal foram uma estratégia criada junto com os integrantes do projeto, no decorrer do ano, para trabalhar com a heterogeneidade inerente da turma de forma mais sistemática. Por isso, em setembro, começaram os reagrupamentos semanais nos quais elaborávamos atividades mais voltadas para grupos de alunos que apresentavam habilidades mais próximas. No caso de nossa pesquisa, começamos a focar nos alunos do G4 (posterior G5) que já liam, mas precisavam trabalhar a leitura silenciosa de textos mais longos do que estavam acostumados, compreendê-los e produzir inferências. Entre esses alunos do G4, selecionamos três para analisarmos os seus dados na seção 4, porque eram exemplos do que ocorria na turma, ou seja, alunos que, mesmo sendo considerados leitores, não tinham uma avaliação mais sistemática de como era sua leitura.

Desta forma, voltamo-nos para esses alunos porque os instrumentos disponíveis eram pouco claros sobre como avaliar ou ensinar crianças que atingiam esse nível, já que não existia um trabalho efetivo com alunos já alfabetizados. Assim, levantamos uma questão- problema: como crianças em alfabetização leem textos mediados pela imagem e narrativa que exigem inferências em diferentes graus?

Procurando responder a isso, recuperamos nossos objetivos apresentados na introdução. Nosso objetivo geral consiste em discutir como crianças, que estão inseridas na escrita alfabética, fazem a leitura de textos narrativos lúdicos e mediados pela imagem que exigem uma compreensão inferencial, com o intuito de promover avanços nas habilidades de alunos que já são considerados leitores, mas que apresentam desempenho e comportamentos variados quando lidam com textos escritos. Nossos objetivos específicos:

a) Por meio de atividades, voltadas especificamente para alunos que no projeto foram identificados como G4\G58, trabalhar a leitura autônoma com compreensão e produção de inferências;

b) Encontrar indícios de como a subjetividade das crianças constitui-se na forma como elas interagem com textos narrativos lúdicos e textos que apresentem imagem; e

c) refletir sobre o desempenho das crianças ao longo do ano letivo.

O primeiro objetivo específico foi alcançado por meio da pesquisa-ação que desenvolvemos; os objetivos b e c foram alcançados através da análise dos dados. Assim, utilizamos a seguinte metodologia:

a) Realizar uma avaliação inicial do desempenho dos alunos em leitura, com foco na identificação daqueles que já leem com alguma fluência;

b) Auxiliar o professor da sala base na elaboração e ministração das aulas, registrando continuamente os dados por meio de diário de campo;

c) Documentar e analisar episódios que indiciam a maneira como os alunos estabelecem mediações entre o material escrito e a imagem para intermediar a leitura;

d) Documentar e analisar episódios que indiciem a forma como as crianças desenvolvem a leitura de textos narrativos lúdicos;

8 Os Gs (grupos) são os reagrupamentos semanais feitos com alunos que apresentavam perfis semelhantes com o objetivo de trabalhar esses perfis e promover a passagem um nível para outro, ex.: G4 são os alunos que já leem, mas que precisavam trabalhar a leitura silenciosa de textos mais longos com compreensão; G5 são alunos que já leem, mas que precisavam trabalhar a leitura inferencial de textos mais “densos”.

e) Selecionar, dentre os alunos considerados leitores, alguns que apresentem dificuldades recorrentes durante a leitura e/ou compreensão leitora; e

f) Comparar o desempenho, dessas crianças selecionadas, no começo e no fim do estudo.

Desta forma, desenvolvemos uma pesquisa qualitativo-interpretativa que se configura como uma pesquisa-ação. Nossa pesquisa é qualitativa, pois converge com o que é apresentado por Lüdke e André (1986) quando explanam que esse tipo de pesquisa possui pelo menos quatro características conforme apresentaremos a seguir:

- Ambiente natural como sua fonte de dados, isto é, um contato direto e prolongado do pesquisador com aquilo que está sendo investigado. Corresponde a experiência que vivenciamos em sala de aula, pois tivemos contato com as crianças do segundo ano no período de um ano letivo inteiro (de abril de 2013 a fevereiro de 2014);

- Os dados coletados são, em sua maioria, descritivos (descrição de ambientes, acontecimentos etc.). Na nossa pesquisa, o ambiente que coletamos os dados foi a sala de aula, os acontecimentos foram os ocorridos com as intervenções feitas, também procuramos contextualizar esses acontecimentos, e descrever como era a turma, as atividades passadas, como foram feitas essas atividades, entre outros;

- A preocupação com o processo é maior do que com o resultado. No caso do nosso estudo, podemos dizer que a preocupação com o processo é tão importante quanto o resultado, pois além de nos determos no percurso, também nos interessamos pelo desempenho leitor das crianças ao final do ano letivo; e

- A análise dos dados tende a seguir um processo indutivo, ou seja, as hipóteses se constroem e/ou se fortalecem a partir dessa análise. Na sala de aula, procuramos construir e fortalecer hipóteses em relação ao ensino e aprendizagem da leitura das crianças à medida que trabalhamos com elas. Por exemplo, dentro de nossa pesquisa, a construção de tabelas de avaliação e o trabalho com diversas atividades com objetivos específicos são processos indutivos, pois parte de dados individualizados para uma tentativa de construir generalizações.

Erickson (1988) utiliza a denominação “interpretativa” por ser mais ampla, e por destacar o fato de que o pesquisador não apenas coleta e seleciona os dados, ele também faz um processo de interpretação. Desta forma, consideramos nossa pesquisa “qualitativa – interpretativa” referente ao processo que fizemos em sala de aula.

A metodologia utilizada para a coleta dos dados sobre a leitura dos alunos consiste em diários de campo, vídeos, tabelas, instrumentos de diagnóstico do projeto e observações participativas. Na análise dos dados, utilizamos o “paradigma indiciário”, corroborado por

Abaurre (1996) quando explana que na aquisição da linguagem e da língua escrita os dados aparecem muitas vezes de forma “episódica” e “assistemática”, porém dão indícios importantes para que percebamos os processos que estão ocorrendo. Desta forma, tendo em mente esse paradigma, analisamos os dados das crianças em relação à leitura, entendendo que são indícios importantes de seu processo de aprendizagem. Apesar de nossa pesquisa inserir- se nas descrições apresentadas acima, ela possui singularidades que vale ressaltar, pois a interpretação que fazemos dos dados coletados busca articular interpretações indutivas mais gerais – por exemplo, com as tabelas, instrumentos de diagnósticos – e discussões de casos individualizados.

De acordo com Thiollent (1985, p.14), pesquisa-ação:

(...) é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos do modo cooperativo ou participativo.

Desta forma, realizamos uma pesquisa-ação, pois nosso trabalho em sala de aula não se limitou a descrever uma situação pesquisada, mas produzir a própria situação da pesquisa. Isso porque atuamos em sala, junto com a professora, no papel de segundo professor tanto na turma regular 2003 quanto nos reagrupamentos, nos quais produzimos9 atividades diversas (que envolviam narrativas, HQs etc.) para trabalharmos em sala de aula e ajudarmos a resolver um “problema” que observamos ser presente naquela turma. O “problema” que percebemos foi a falta de um trabalho mais efetivo com alunos que eram considerados leitores.

Assim, ao constatarmos através de diagnósticos algumas dificuldades apresentadas na leitura desses alunos (durante a produção de inferência, a leitura silenciosa com textos mais longos do que estavam acostumados etc.), procuramos trabalhar a leitura fluente com compreensão inferencial de crianças do 2º ano do Fundamental. Essa ação em sala de aula foi feita em conjunto com os participantes da situação, tanto com a professora que contribuiu significativamente nas aplicações das atividades, quanto com os alunos que se mostraram participativos nos atendimentos individuais quando requeridos a fazerem leitura em voz alta e silenciosa, a responderem perguntas e recontarem as histórias quando necessário.

9 Apesar de termos produzido as atividades com quadrinhos e narrativas que trabalhamos em sala de aula, também utilizamos atividades produzidas por outros integrantes do projeto, como pelo Prof. Fairchild, Prof. Belintane etc.

Nas próximas subseções (3.2 e 3.3), apresentaremos apenas um recorte das atividades que trabalhamos em sala de aula, mas nos quadros anexos (Quadro 4, Quadro 5 e Quadro 6) discriminamos todas que foram passadas no ano letivo.