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Appendix B The textual data and the LDA

Como impacto para a Educação Superior com a criação do PROUNI, mostrou-se evidente entre os entrevistados, a opinião de mais qualificação de profissionais para o mercado de trabalho. Um ponto interessante, pois fazendo um diálogo com o que foi exposto na literatura, mostrou-se que a criação de mais faculdades no Brasil deu-se pelos anseios da população em se qualificar para conquistar melhores vagas de emprego.

E3: “É colocar esse aluno que tá lá na comunidade que não tem oportunidade de vir, que não tem a oportunidade de conhecer, eu estudava em escola particular, mas era diferente. Eu me sentia diferente, eu tive muita oportunidade lá no marista, estudei a vida toda como bolsista no particular, mas a minha possibilidade era de passar numa faculdade pública, minha mãe não tem condições de pagar uma faculdade privada. Eu acho que isso, vai plantando uma sementinha na cabeça dos alunos que estão nas escolas profissionalizantes e tem vontade de fazer um curso superior”.

Nesta entrevista o foco se dá nos termos “diferença” e “sementinha”. A diferença se refere na oportunidade que o mesmo teve de estuda em escola particular, mas sentia-se diferente, como não fosse merecedor de uma vida mais digna e a sementinha refere-se na esperança que o programa criou, oportunizando muitas pessoas que não tinham uma perspectiva de melhoras a condição de vida.

E4: “Eu acredito que em longo prazo nós vamos ter profissionais capacitados, por que geralmente quem entra pelo PROUNI são pessoas que querem muito ter aquela oportunidade e na maioria dos casos aproveitam muito a bolsa e em longo prazo vão ser bons profissionais que o mercado vai tá recebendo e profissionais que

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também mais na frente vão tá produzido pesquisa, por que eu vejo que os alunos que são do PROUNI são diferenciados”.

O entrevistado substanciou a ideia a “oportunidade” e uma “formação de profissionais” para o mercado de trabalho. Exaltando que o aluno contemplado pelo PROUNI é diferenciado devido esforçasse para aproveitar melhor as oportunidades.

E5: “Em longo prazo é se formar e ter uma carreira, a pessoa se empenhar , por que depois de fazer a faculdade é bem mais fácil conseguir o restante”.

E9: “Eu acho que é uma democratização no ensino. Dá uma oportunidade por que assim, infelizmente o ensino superior público ele é mais pra elite né, é muito difícil uma pessoa que é de baixa renda ela conseguir ingressar no ensino superior e numa instituição pública [...] Eu acho que a longo prazo, as minhas irmãs que estão mais novas elas já tem isso que vão ter uma oportunidade, tipo esperança para gerações mais novas, de saber que elas não vão ser só aquilo, ter só o diploma de ensino médio, elas vão poder ingressar num ensino superior e ser tipo, muito mais na vida ... acho que é isso. Que a longo prazo é dar esperança pra essas gerações agora de poder...tipo...ter perspectiva de vida, por que a maioria das pessoas assim...pelo menos eu moro no Aquiraz, no Eusébio e tem muita comunidade perto, o pessoal que é da região praiana, que é pescador, família de pescador, a mãe é doméstica ou dona de casa, depende do bolsa-família ou de outros programas sociais pra sobreviver, desde crianças eles sabiam que eles iam ou seguir a carreira dos pais de ou ser pescador ou de ser doméstica ou dona de casa, ou então trabalhar assim no setor de ser vendedor, atendente...não tem muita perspectiva de vida. Com o PROUNI a longo prazo essas gerações agora elas vão está cientes que elas tem mais oportunidades, que elas vão poder estar mais capacitadas”.

Na entrevista é solidificado e noção de “esperança” e “perspectiva”. Pessoas que vêm de família pobre sem perspectiva de uma melhora, seguindo apenas os passos dos pais e que com a existência deste programa consegue ter uma esperança de uma vida melhor quando cursar uma faculdade.

E10: “Me permitiu adentrar em uma instituição de qualidade, elevou o nível de possibilidades que depois de formada terei para mudar minha situação social”.

80 O entrevistado enfatiza a “situação social” atribuindo ao ingresso na universidade através do programa a uma mudança em sua situação social, aumentando as oportunidades em sua vida.

E13: “Bem... provavelmente, não sei né... talvez... talvez se eu não tivesse... meu pai não teria esperado, eu teria entrado em outro curso talvez medicina não tivesse sido a opção, talvez eu tivesse ido pra odonto, pra alguma outra área, mas como eu consegui o PROUNI logo aí veio logo à oportunidade do PROUNI e eu pude ingressar na medicina, por que meu pai não ia esperar um ano, dois anos, três anos de cursinho pra poder tentar uma vaga na universidade pública... por que tem a questão do cursinho, tem custos... talvez ele não fosse esperar... não sei onde eu estaria se não fosse o PROUNI logo ainda no primeiro ano de cursinho que apareceu a oportunidade de tentar o PROUNI ai deu logo pra me encaixar na medicina... foi uma benção. De ponto negativo agora é a quantidade de vagas que eu acho pouco, por que eu acho que tem muitos alunos, por exemplo, da escola pública e também como bolsista na escola particular... bons alunos que pela quantidade de vagas não conseguem ingressar no PROUNI. E agora com a nota de corte que vem aumentando a cada ano, tá piorando. Tá deixando muita gente de fora”.

“Oportunidade” e “vagas” são o centro da fala do entrevistado. O mesmo desejava cursar medicina, mas sem o PROUNI, seria difícil concorrer a uma vaga na faculdade pública e no ensino privado seria fora da realidade das condições financeiras de sua família. Como ponto negativo ressaltou o quantitativo de vagas, pois fica muito aquém das pessoas que desejam ter a oportunidade.

E14: “Como eu falei o PROUNI abriu muitas portas para a minha vida. Eu acho que... ele facilitou bastante os meus estudos e eu acredito que a partir dele eu vou conseguir caminhar, seguir meu caminho com mais foco, dando mais valor às coisas”.

Schuwartzman (2000) explana que a educação superior brasileira esteve estagnada até a década de 80, retomando seu apogeu nos anos mais recentes, e tem como tendência a expansão cada vez mais nos anos vindouros. Este crescimento está acontecendo devido ao crescimento no ensino médio em taxas de 20% ao ano em alguns lugares, fazendo com que haja

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uma elevação de candidatos ao curso superior, também conta com a ajuda dos benefícios sociais e econômicos, pois no Brasil, ainda há uma grande diferença social entre os detentores de diploma superior e o restante da população.

O autor foi muito feliz ao falar das diferenças sociais entre os que possuem diploma de nível superior e os que não possuem. São essas diferenças que impactam as mudanças no curso superior e na vida da população no geral. Os programas sociais com certeza modificarão a configuração da sociedade, formará pessoas com mais capacidade de raciocinar sobre as condições de política atual, além de melhorar as condições de vida da população, mas será um ganho que virá gradativamente, e que modificará a forma de pensar das pessoas que já têm oportunidades pela sua condição social favorável.

Pelo que foi comentado entre os entrevistados as palavras principais são democratização e inclusão. A questão do acesso ao ensino superior levou esperança a gerações que não tinham perspectivas de futuro. Tem-se a ideia que a Universidade Pública é apenas para a elite, uma realidade distante de sua vida. O programa trouxe um alívio para que imaginava uma vida melhor, com melhores condições. Como tem o relato de um entrevistado que diz que todas as gerações seguiam a profissão de seu antecessor. Em sua família as mulheres geralmente eram empregadas domésticas ou do lar e os homens pescadores. Que tinha uma condição melhor é porque era vendedor. Com o programa apareceu àquela luz no fim do túnel. Outro entrevistado destacou a questão do aluno PROUNI ser diferenciado. O termo “diferenciado” veio com a conotação que se esforça mais para aproveitar o ensino durante a faculdade e obter notas melhores. Eles consideram-se diferenciados, pois para essa classe foi mais difícil conseguir a tão sonhada vaga na faculdade, uma realidade distante, que não faz parte de seu cotidiano, enquanto as pessoas da classe média ou alta tem uma visão que a faculdade é apenas uma consequência da sua trajetória de estudo ao longo da vida. Muitos têm todos os mimos que seus pais podem ofertar e crescem sem dar valor às pequenas coisas, não lutando por dias de vida melhores, pois não foram acostumados a “correr atrás”, diferentemente do que acontece com os alunos PROUNI, muito deles tem que conciliar estudo e trabalho para ajudar no sustento da família e também conseguir arcar com as despesas que aparecem na faculdade. Seu lazer é deixado de lado na esperança que no futuro se consiga ter uma vida digna e que proporcione um pouco de conforto aos seus pais que tanto se sacrificaram e tiveram uma vida com longos espinhos no percurso para oferecer aos filhos pelo menos o alimento, para que este não definhasse. Tirando às vezes de sua própria boca para que o filho não ficasse com fome.

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Com certeza para uma mãe e um pai que não tem estudos e veio de uma vida sacrificada, em um trabalho muitas vezes massacrante, ter um filho que entrou na Universidade é a maior satisfação e felicidade que se possa ter. A esperança que seu filho não venha a sofrer as suas dores e percalços, que tenha uma trajetória mais amena, com batalhas, mas que estas tragam muitas conquistas positivas.

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