Quanto às repercussões na vida futura, observei que o programa em estudo criou esperanças nas pessoas contempladas quanto ao melhoramento do status social. A conclusão de um curso superior lhe favoreceria para que seu cotidiano melhorasse e que obtivesse uma melhor qualidade de vida.
E1: “A minha visão é ótima por que como estudante, como sou do interior, eu via o ensino superior, pra mim, impossível, por que desde quando eu terminei o ensino médio eu disse ‘eu só vou fazer uma faculdade se for Federal ou se for mesmo por bolsa, por que eu não tenho condições’. Minha visão é ótima assim, com a existência do PROUNI sou muito feliz pela criação desse programa. As repercussões na minha vida futura são ótimas, eu aproveito o máximo dessa oportunidade que eu tive de ganhar essa bolsa de 100%. O que eu mais digo é que o mais difícil eu já consegui que é ter o ensino superior, ter a graduação, e o que vem depois é a consequência, que eu vou atrás. Vou atrás de crescer, de procurar outra bolsa, de crescer tanto financeiramente, de crescer nos conhecimentos. A repercussão futura do PROUNI vão ser as melhores, pretendo crescer muito como pessoa, é um programa que foi criado, que tem suas falhas sim, mas a minha visão é ótima, só de crescimento”.
E2: “Eu acho que ele me proporciona uma oportunidade de ter um futuro bem melhor, bem melhor, realizado na profissão que eu escolhi que era realmente o que eu queria. Ele só representa coisas boas pra mim”.
É visivelmente demonstrada na fala dos entrevistados a associação do programa com perspectiva de um futuro melhor. As palavras centrais são crescimento e oportunidade. O entrevistado número 1 ressaltou que vem de uma cidade do interior e fazer uma faculdade estaria longe de suas possibilidades. Ressaltando que o programa lhe proporcionou uma
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oportunidade de crescimento, foi o ponta pé inicial, sendo considerado o mais difícil de conseguir, e o que virá depois será consequência de seu esforço pessoal.
E3: “A gente sabe que a faculdade tem como lema a pesquisa, social e ensino, são as três coisas que a gente sempre vê na universidade e acho que isso, nós temos que dá um retorno à sociedade, a gente não recebeu a bolsa? Então a gente tem que dá o retorno, todos os dias da faculdade tem que ser bem aproveitados e eu acho que isso tem que ser orientado desde o começo. Ai muita gente não dá valor, perde a bolsa e por que não é orientado. “ah, só por que eu reprovei...” não, mais isso você tá recebendo, num é que você tá recebendo de graça, tá tudo embutido nos impostos e isso têm que ser colocado. Talvez eu não sentisse a pressão por que eu tenho mais maturidade e vou focar por que é o que eu quero né”.
Na fala da entrevistada percebeu-se que a questão de ter recebido uma bolsa foi um ganho irreparável, mas que se deve fazer jus ao que recebeu procurando estudar e dar bons resultados na faculdade. Houve uma crítica aos alunos que não aproveitam a oportunidade quando conseguem a bolsa, como se a entrada na faculdade mudasse toda sua vida daqui em diante.
E4: “hoje em dia não adianta só você ter cursado a faculdade e passado nas disciplinas, você tem que realmente ter feito bem feito às disciplinas, o seu melhor e ter participado de outras coisas também né, faz muita diferença no currículo. Então eu acredito que esse currículo que eu consegui construir até agora, vai me ajudar muito na minha vida futura né e tudo em decorrência do PROUNI por que nada disso teria acontecido e acredito que se eu tivesse tido condições de pagar talvez eu nem valorizasse da forma como eu valorizo hoje né. Algum ponto negativo do programa? Eu acho que é em relação mesmo a eles fiscalizarem realmente se a pessoa está cumprindo com seus compromissos né (...) Por que é um investimento que o governo faz, é uma coisa que está saindo do bolso da população né, eles pagam pra gente está aqui, e tem gente que não honra muito esse compromisso com a sociedade, por que é a sociedade, é as pessoas que estão pagando e tem gente que não ver esse peso, e ai acaba não valorizando e eu acho que deveria ter uma fiscalização mais de perto.
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Nesta fala reforça o que foi dito anteriormente, a questão de prestar uma satisfação à sociedade por ter conseguido a bolsa de estudos. E também o relato de um ponto negativo do programa, devendo os governantes fazer uma melhor fiscalização quanto à distribuição de bolsas.
E5: “[...] eu não acho que tudo que seja voltado para o estudo seja uma coisa negativa por que é um estudo, é muito diferente de você chegar lá e dá o dinheiro para a pessoa, por que a pessoa gasta e pronto cadê. E no estudo não, eu vou estudar e na frente eu vou ganhar, é como se eu tivesse uma recompensa de tudo que eu estou batalhando agora através do estudo. Se eu não tivesse essa oportunidade eu não estaria estudando, como muita gente que tem essa oportunidade, não estuda e acaba vivendo sua vida, uma vida assim como se diz meio medíocre né, ganha pouco, só naquela vida, trabalha e ganha dinheiro, trabalha e ganha dinheiro, não tem um futuro promissor, não tem como crescer às vezes sem ter estudo e a minha visão como contemplada do PROUNI, me abre outro caminho na minha vida, ai eu vou estudar aqui pra fazer mestrado, fazer doutorado por que eu acho que o mais importante seria a faculdade, depois de ter a faculdade eu vou trabalhar e ganhar meu dinheiro, ganhando melhor aí dá pra eu pagar o restante”.
Neste ponto o entrevistado reforçou uma ideia do estudo como crescimento para uma melhor condição de vida. Que sem o estudo a pessoa vive uma “vida medíocre”, ganhando pouco dinheiro e vivendo na estagnação. O entrevistado demonstra também o desejo de crescimento, investir no mestrado e doutorado. Considera a faculdade como o pontapé inicial para tudo, sentindo certo alívio como se o mais difícil o mesmo já teria conseguido.
Em meio a uma crise do emprego assalariado e diante de uma diferença e desigualdade na juventude brasileira, tem-se um debate central no qual se pergunta se devemos postergar o ingresso de jovens no mercado de trabalho, dando prioridade a uma maior escolaridade e melhor formação e reservar os empregos aos adultos, ou inserir jovens no mercado de trabalho, proporcionando melhores condições de renda, muitas vezes fundamental para a sua família e própria autonomia (ARAÚJO et al., 2007).
O autor acima citado ao lançar o programa de Ética e Cidadania com a confecção de um livro sobre o assunto vem preocupando-se com a questão das repercussões para a vida futura quando se é fornecido mais escolaridade e maior informação para os jovens,
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demonstrando que através de uma maior informação se poderá ter melhores condições salariais e consequentemente uma melhor condição de vida.
E11: “O impacto em curto prazo é... em curto prazo é o acesso mesmo né, a ter uma faculdade particular que você não vai pagar nada, e poder se formar... e... tudo, em longo prazo é isso também né. Cursar medicina que é um curso que antigamente... antigamente, né, hoje ainda é um pouco elitizado, assim... pessoas só... só estuda gente rica, minha mãe mesmo, achava que eu não ia conseguir passar por que só quem faz medicina é gente rica e não sei o que eu falava pra ela que não, que... que... hoje em dia a gente tem essas oportunidades né, que são muito boas assim pra vida da gente”.
O entrevistado E11 cita a descrença por parte de sua mãe quanto ao desejo dele de ingressar no curso de medicina. Chegando a considerar como se o curso fosse apenas para pessoas que tem um nível socioeconômico maior. O PROUNI apresentou-se aí quebrando barreiras antes intransponíveis, só uma pequena parcela de pessoa de baixa renda pudesse fazer um curso de medicina.
E14: “Em curto prazo seria pessoas de baixa renda trabalhando... trabalhando não, fazendo seus cursos... o que não daria pra fazer sem a bolsa. E a longo será pessoas mais qualificadas trabalhando tanto na rede pública quanto na rede privada atendendo a população com uma melhor qualidade”.
O entrevistado coloca em questão a palavra “qualificação”. Fortalecendo a ideia de que pessoas que cursam uma universidade possuem uma melhor qualificação e isso favoreceria a população de um modo generalizado, pois os mesmos teriam um melhor atendimento pela solicitação de serviços prestados.
Em uma entrevista ao site Terra em 2014, quando o programa PROUNI fez 10 anos, o professor de sociologia e política educacional da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) Oliveira (2014) ressaltou que o acesso à universidade por meio do programa não garante a permanência do aluno. “Só porque o estudante ganhou a bolsa, não significa que terá condições de estudar”. Atualmente, é ofertada uma bolsa permanência para quem tem bolsa integral em um curso presencial com duração mínima de seis semestres e carga horária média igual ou superior a seis horas diárias. Um benefício que tem valor máximo equivalente ao
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praticado na política federal de bolsas de iniciação científica, para auxiliar nas despesas educacionais. O valor atual da bolsa é de R$ 400. “Se o aluno não reside na cidade na qual ganhou a bolsa, precisa arcar com gastos de moradia e alimentação e, provavelmente, não terá esse dinheiro. A bolsa permanência ajuda, mas não é o suficiente. Diante disso aumenta a taxa de evasão da universidade. O governo poderia desenvolver um estudo para avaliar as possibilidades nesses cursos em que existem muito mais despesas além do valor do curso. Deveria haver uma política para arcar com esses valores”.
O professor ainda explana que apesar de se fazer várias críticas, é inegável que o PROUNI ampliou o acesso de estudantes ao ensino médio privado. “Foi uma parceria público- privada que deu certo, pois houve um grande empenho das instituições em aderir ao programa. O maior impacto na educação brasileira é o social, dando a oportunidade de uma vaga no ensino superior para mais estudantes”.
O que o professor Alcivam Oliveira esclareceu é importante, pois muitos alunos não apresentam o mínimo necessário para sua sobrevivência. Uma ajuda de custo é interessante, pois se a renda familiar é tão pequena que gerou o direito a bolsa, como pode pagar pelos gastos enquanto o aluno encontra-se na unidade acadêmica? Fica penoso permanecer e ter um bom aproveitamento nos estudos de forma que possa se destacar e absolver todo o aprendizado para que em um futuro bem próximo possa concorrer com outras pessoas por um lugar no mercado de trabalho que sempre estimula a competitividade.
Em conversa com diversos alunos no Diálogo Nacional para uma Política Pública de Juventude (RIBEIRO; LÂNES, 2006, p. 41) estes transcreveram como meta para Políticas na Educação as seguintes recomendações:
Garantir acesso e permanência, com atendimento de qualidade, em Instituições Educacionais, de crianças até 6 anos, conforme previsto na legislação em vigor. Reforçar os programas de correção do fluxo escolar, sobretudo, para alunos (as)
que, pela sua idade, já deveriam ter concluído o ensino fundamental.
Ampliar a oportunidade de acesso e permanência dos (as) jovens nos cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA), buscando articular com novas experiências na área, como o Programa Nacional de Inclusão de Jovens: educação, qualificação e ação comunitária, da Secretaria Nacional de Juventude (Pro- Jovem), e o Programa de Integração da Educação Profissional ao Ensino Médio na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos, do Ministério da Educação (PROEJA).
77 Investir fortemente em ações que favoreçam a melhoria da qualidade do ensino, assegurando padrões adequados para todos os grupos sociais: por gênero, raça/etnia, situação socioeconômica e para portadores (as) de necessidades especiais.
Promover a valorização dos (as) professores (as) por meio de formação qualificada e permanente e de salários dignos.
Dar condições e apoiar escolas e iniciativas inovadoras, sobretudo as que contemplam atividades complementares (esporte, cultura, capacitação etc.), consideradas essenciais para o aumento da atratividade e do interesse dos (as) alunos (as) pela escola e, consequentemente, para a redução da evasão escolar. Aproximar as culturas juvenis da vida escolar, formando professores (as) para dialogar com as demandas juvenis e incluindo o tema nos cursos de formação inicial e continuada.
Ampliar a promoção de atividades culturais, recreativas e esportivas nos sistemas de ensino.
Diminuir as enormes diferenças de atendimento (infraestrutura das escolas e qualidade do ensino) entre a rede pública e privada, eliminando a fragmentação social da escola e a reprodução escolar das desigualdades sociais.
Implantar o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB), com o objetivo de ampliar o acesso e a permanência do (a) aluno no ensino básico.
Promover a articulação efetiva entre União, estados e municípios, em busca do equacionamento conjunto das questões educacionais.
Investir e intensificar as ações de inclusão digital, capacitando professores (as) e alunos (as), além de equipar as escolas e as universidades públicas.
Ampliar os programas de iniciação cientifica.
Generalizar o acesso ao ensino médio, ampliando o número de escolas e vagas, e garantir as condições de sustentabilidade e permanência do aluno, sobretudo dos (as) jovens que trabalham e têm filhos (as), para que possam se dedicar aos estudos e ter o direito de concluir a educação básica.
Democratizar os mecanismos de acesso ao ensino superior público.
Articular os projetos e programas governamentais vinculados à juventude e à educação.
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As sugestões sugeridas pelos jovens constatam a preocupação com a questão da escolarização, colocando como meta também a questão de democratizar o acesso ao ensino superior. Parecendo até um discurso em sintonia com os entrevistados neste trabalho que implicitamente e até explicitamente ligam a questão da escolarização e repercussão em melhorias na sua vida futura.