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Ao longo das 10 viagens realizadas para visitar a ONG Fundação Casa Grande17, no período entre abril de 2012 e dezembro de 2013, mais duas estratégias de investigação foram definidas a partir da pesquisa de campo: os relatos de vida e a oficina sobre ―escolha musical‖. Essas opções e decisões foram tomadas nas viagens realizadas no início de 2013, quando fui cinco vezes a campo.

A primeira ida a campo em 2013 foi apenas durante um final de semana, nos dias 04 e 05 de fevereiro. Com duração de 12 dias, entre 04 e 15 de maio, permaneci em Nova Olinda pelo segundo período mais longo durante toda a pesquisa de campo. A terceira ida a campo, de 14 a 21 de setembro, totalizou 08 dias de estadia na cidade. Já a quarta ida a campo de 2013 foi a mais longa de todas, de 03 a 23 de novembro, permaneci na cidade de Nova Olinda por 20 dias. Para finalizar as viagens, passei os dias 19 e 20 de dezembro na região do Cariri para o aniversário de 21 anos da Fundação Casa Grande.

O grupo de jovens moradores da cidade de Nova Olinda, participantes atuais ou não da ONG Fundação Casa Grande, que contribuíram diretamente com a minha pesquisa ficou em um número de oito pessoas. Desses, seis participaram dos relatos de vida: Dakota, Apoema, Jurandir, Iara, Moema e Ceci. Optei por chamá-los por nomes fictícios por utilizar trechos integrais dos relatos de vida que esses jovens confiaram a mim. Todos os nomes escolhidos foram de origem indígena, escolha feita como forma de homenagem às raízes culturais indígenas da cidade de Nova Olinda e, consequentemente, da ONG Fundação Casa Grande. No quarto capítulo onde analiso os relatos de vida desses jovens, explico a escolha por cada um dos nomes acima citados.

Minha opção por trabalhar com um grupo composto por jovens, participantes atuais ou não da Fundação Casa Grande, deu-se pela busca de um conjunto de pessoas que, ao mesmo tempo, pudesse relatar uma vivência com a proposta de formação cultural da ONG desenvolvida a um longo prazo e também representasse Nova Olinda na relação entre a instituição e a cidade. Na pesquisa que realizei para a conclusão do curso de graduação em comunicação nos anos de 2004 e 2005, na qual fiz

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No ano de 2012, foram cinco viagens distribuídas nos meses de abril (entre os dias 13 e 15, totalizando três dias de viagem), maio/junho (cinco dias de ida a campo entre os dias 30 de maio e 03 de junho), julho (entre os dias 17 e 20, permaneci em Nova Olinda por quatro dias), outubro (estive na cidade de Nova Olinda por quatro dias, de 10 a 14) e dezembro (na semana do aniversário da Fundação Casa Grande, entre os dias 17 e 21).

uma análise de discurso do programa infantil Submarino Amarelo, trabalhei com um grupo de crianças que não participava diretamente das atividades da ONG. Isso porque meu objetivo era compreender como se dava a escuta do programa fora do espaço físico da Casa Grande por parte do público infantil.

Com a presente investigação para o mestrado, senti a necessidade de escutar os jovens, e não as crianças ou até mesmo os adultos que participam da cooperativa ou de outros projetos da fundação, porque meu objetivo era construir uma linha do tempo. Nessa linha, pretendia traçar o caminho de como esses jovens iniciam a participação deles na Casa Grande ainda crianças e como eles vivenciam essa experiência com a proposta de formação cultural à medida que eles vão crescendo e reunindo a bagagem cultural deles. Em alguns casos, essa linha do tempo também pretendia trazer como esses jovens lidam com essa bagagem cultural para além das atividades que eles desenvolviam/desenvolvem na ONG, trazendo a contribuição dessa vivência na vida desses jovens fora da Casa Grande.

Utilizei a estratégia de investigação relato de vida como forma narrativa, proposta por Daniel Bertaux (2005). Para ele, há relato de vida desde o momento que um sujeito começa a contar ao investigador um episódio específico da sua vida. Dessa forma, Bertaux diferencia a estratégia de relatos de vida da estratégia de investigação história de vida, comumente usada no campo de estudos da história, que dá conta da vida de um sujeito por completo.

Para os objetivos da minha pesquisa, julguei mais apropriado conhecer os episódios da vida desses jovens, aqueles que estão relacionados com as experiências deles na Fundação Casa Grande, consequentemente, momentos esses ligados às questões culturais, portanto relato de vivências específicas e não da vida deles como um todo. Nesse caso, Bertaux (2005) alerta para a diferença entre o que ele chama de

história real de uma vida e o relato que esses sujeitos fazem em momentos específicos. Portanto, foi necessário, além da produção dos relatos de vida em separado, a comparação entre esses relatos para que se possa identificar nas singularidades de cada um deles a representação sociológica da situação como um todo (BERTAUX, 2005).

Além dos relatos de vida, também decidi pelo uso de uma oficina sobre ―escolha musical‖ como estratégia de pesquisa. A ideia inicial era trabalhar com jovens da Fundação Casa Grande que não estivessem no grupo com o qual realizei os relatos de vida. Na oficina, trabalhei junto a esses jovens, que participaram em número de sete, e decidi discutir as questões sobre a escolha das músicas que tocam na rádio comunitária

Casa Grande FM. Desses sete, apenas dois jovens, Cauê e Açucena, também com nomes fictícios, participaram mais ativamente da oficina. Assim, tomei apenas falas desses dois jovens para a análise da oficina, que também farei no quarto capítulo da dissertação.

Essa decisão por utilizar apenas dois dos sete jovens que participaram da oficina para tomar as falas deles como base na análise da mesma leva em consideração o que Travancas (2001) aborda sobre a quantidade de entrevistados adequada para uma pesquisa etnográfica, Travanca (2001) alerta que

a questão da quantidade é um ponto importante e às vezes crítico na etnografia. Qual o número ideal de entrevistados? O que se entende como grupo em termos de quantidade? Esses dados são muito flexíveis. Não há um número fixo, determinado. Você pode estabelecer a priori, no projeto de pesquisa, o seu corpus, o que não quer dizer necessariamente que vá obtê-lo. Mas a busca não é pelos números, mas pelos significados. E a recorrência nos discursos é um indicativo. (TRAVANCAS, 2001, p.106)

Vale alertar que, ao decidir realizar uma oficina na pesquisa de campo, compreendo iniciar, nesse momento, uma ampliação da etnografia como metodologia, dialogando com estratégias de pesquisa características da pesquisa intervenção. Sobre isso, discuto mais atenciosamente no quarto capítulo desta dissertação, quando relatarei melhor a preparação e a realização da oficina com os jovens da ONG Fudação Casa Grande.

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