O primeiro teste para o modelo está relacionado com levantamento de necessidades de informação por parte dos avaliadores de qualidade dos processos de desenvolvimento e/ou produção de software no Brasil, em micro, pequenas, médias e grandes empresas. Para que possam atuar nesta área, os avaliadores devem ser certificados pela Associação para a Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex), organização da sociedade civil,
gestora do Programa para a Promoção da Excelência do Software Brasileiro, para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
No período pesquisado, havia 106 avaliadores registrados43 . Deste total, 68 cadastrados em Instituições Avaliadoras, os únicos que podem fazer este trabalho. O grupo de avaliadores varia a cada ano com a entrada de novos profissionais e o descredenciamento dos que não estão em atividade. Entre 2007 e 2012, o número médio de avaliações anuais efetuadas por este método variou entre 50 e 80 e se refere a organizações públicas, privadas e de direito civil sem fins lucrativos. No total, estes profissionais avaliaram 312 organizações.
5.1.1. Tipo de ator/rede
Este grupo homogêneo mantém relações informais de consulta profissional em redes, via mídias digitais, em redes descentralizadas. É constituído por atores individuais, que participam da rede como professor ou como avaliador, e não como representante de uma instituição. O grupo reúne-se anualmente em evento obrigatório de atualização desses profissionais. Os dados demográficos (figura 7) indicam um grupo de alto nível acadêmico, alto nível de competências instrumentais e conhecimento de gestão. Não foi feita qualquer avaliação de rede, pois não era este o objetivo da pesquisa.
Figura 7 – grau de instrução dos avaliadores
43
<www.softex.br/mpsbr>, acesso em: 2012.
7%
61%
7%
25%
Especialistas Mestres Doutorandos Doutores5.1.2. Aplicação da metodologia
Esta pesquisa com os avaliadores resumiu-se à aplicação de um Estudo de Usuários, sob orientação do professor Murilo Bastos da Cunha44. Nesse estudo, procurou-se especificamente: identificar as fontes primárias e as secundárias de informação utilizadas no trabalho por estes profissionais; analisar o comportamento na busca e troca de informações e de conhecimentos; e saber se tais fontes e processos alteram-se durante as avaliações inicial e final e no período compreendido entre elas. O profissional avaliador utiliza na prática de suas atividades, como referência, o Modelo de Melhoria do Processo do Software Brasileiro (MPS.Br)45 e também utiliza o Método de Avaliação, um guia direcionador das atividades a serem realizadas. Modelo e Método orientam as atividades do avaliador e definem quais informações devem ser analisadas para conceder o grau de maturidade da qualidade do processo de produção de software.
O questionário foi elaborado com três blocos: 1) informações demográficas; 2) comportamento informacional, com base no modelo de Wilson (1981), sobre busca, e segundo o mapa do conhecimento da Ciência da Informação, de Zins (2007), quanto aos fatores de mediação; e 3) fatores que impactam a avaliação. Também foram apresentadas questões com espaço para respostas discursivas para buscar as multivocalidades no universo investigado. Dos 28 pesquisados, 20 responderam, houve mais de uma indicação de áreas importantes para o trabalho de avaliador. Além do questionário, houve aprofundamento dos temas com avaliadores sêniores, por meio de entrevista semi-estruturada. A pesquisa tomou como base para amostragem os avaliadores cadastrados nas Instituições Avaliadoras e mais alguns avaliadores que não estão cadastrados atualmente, mas que realizaram avaliações em anos anteriores.
5.1.3. Alguns resultados
A questão discursiva do bloco de dados demográficos sobre áreas de conhecimento consideradas “importantes para a realização de uma avaliação de processos além da
44
Professor da disciplina Estudo de Usuários no PPGCInf/UnB, no segundo semestre de 2012.
45
Engenharia de Software” apresentou dois grandes grupos de respostas: um específico da área de Tecnologia da Informação e outro relacionado com gestão – que registrou a maior quantidade de áreas de conhecimento estranhas à TI – demonstrando o alto grau de interdisciplinaridade necessário ao desempenho na função.
Sobre o contato entre as pessoas nos diferentes níveis de interação seja pessoalmente seja por meio de mídias eletrônicas (Figura 8), os avaliadores deram maior importância a “Encontros Oficiais”, considerado de alta relevância para 57,1% dos entrevistados. As “reuniões informais” também foram bem avaliadas – 28,6%, de alta e 57,1% de média relevância. No que diz respeito ao uso das mídias sociais, os respondentes avaliaram o uso das mídias em grupos fechados mais relevante: 32,1% de alta e 39,3% de média relevância. As ”Reuniões Informais” foram classificadas de média ou alta relevância para agregar conhecimento por mais de 80% dos que responderam ao questionário.
Figura 8: Fontes de informação em diferentes níveis de interação pessoal ou via mídias eletrônicas.
À questão aberta sobre busca de informações mais compartilhadas com outros especialistas, a rede de relações profissionais LinkedIn® foi a mais citada, mas também consta da lista o Google®, uso de e-mail, participação em comunidades, grupos e listas virtuais, e os espaços de interação específicos, como os sites organizados para interação em
rede: da SEI (Software Engeneering Institute), do MPS.Br, da SPIN-SP (Software Process Improvement Network) e da InfoQ, uma comunidade online independente, focada em mudança e inovação no desenvolvimento do software corporativo.
Também por respostas a questão aberta, foram identificados tipos de informação que complementam o que está na planilha do Modelo MPS.Br: processos de trabalho gerados pelas empresas avaliadas; entrevista com pessoas não citadas na lista de entrevistados; confirmação de realização de determinadas atividades, ou não, pela empresa avaliada; internet, artigos e livros.
5.1.4. Diagnóstico para planejamento
O objetivo desta aplicação foi aprofundar o conhecimento da metodologia de Estudo de Usuários como ferramenta de obtenção de dados sobre o indivíduo e sua relação com a rede. Neste caso, obteve-se informação de perfil e contexto, bem como dados específicos sobre necessidades de informação. Não houve avaliação sobre competências nem sobre relações em rede. Os dados permitem inferir algumas coisas sobre as relações desse grupo, como uso de mídias sociais e tipos de temas de interesse comum.
Quadro 5 – Resumo Rede de Avaliadores
item metodologia específico elementos encontrados
A rede estudada
avaliadores de qualidade dos processos de desenvolvimento e/ou produção de software no Brasil
Tipo ator/rede
não se organizam formalmente como rede, mas mantêm relações informais de consulta profissional em redes, via mídias digitais
Metodologia Estudo de Usuários Sim
Multivocalidade Parcial
item metodologia específico elementos encontrados
Resultados Dados Demográficos
grupo de alto nível acadêmico, alto nível instrumental (por ofício) e conhecimento de gestão
Dados sobre
competências instrumental não analisado (têm alta competência) em informação não analisado (trabalham com
busca de informação) em comunicação não analisado Dados sobre necessidades
de informação Buscam conhecimento de forma interdisciplinar nas áreas de Tecnologia da Informação e de gestão; importam-se com
encontros formais e informais com outros avaliadores
Dados multivocais indicam participar de redes ligadas
ao tema, de comunidades de Tecnologia; preferem grupos fechados
Dados relacionais não analisado
Diagnóstico não elaborado