• No results found

Answers to the terms of reference

In document Strand_2017_Ass39289.pdf (814.7Kb) (sider 23-28)

Esse tema busca trabalhar a formação e inserção dos entrevistados na política LGBT, levantando as trajetórias diferenciadas por funções, ideologias, teorias e práticas que foram priorizadas por cada um. Dessa forma, procura identificar se a inserção na área se deu pelo ativismo/militância ou pelo poder público. E, ainda se foi uma inserção mista na qual o entrevistado transita entre cargos na militância e no poder público, alguns passando também por uma trajetória acadêmica. Este item foi construído basicamente pela primeira questão do roteiro de entrevista, que perguntava, por exemplo, sobre a Trajetória pessoal com relação ao ativismo e\ou a formação profissional (cargos, funções, identificações, vínculos que o levou a essa temática).

Esta categoria também possibilita verificar, além da identificação inaugural com a área dos direitos LGBT, os caminhos que os entrevistados têm percorrido para sustentar essa interface; seja trabalhando em movimentos sociais e ONGs, seja trabalhando em políticas públicas ou, ainda, desenvolvendo trabalhos que ora transitam pelas instituições governamentais e ora pelas não-governamentais.

4.1.1 Ativismo/Militância

Neste subtema, englobam-se nove entrevistados que têm desenvolvido suas trajetórias na área da política LGBT através de trabalhos que realizam, exclusivamente, em movimentos sociais e ONGs. Isto é, estão ligados profissionalmente a instituições não-governamentais ou militam em prol dessa causa.

A partir da discussão sobre ator social (Touraine) e ator coletivo (Melucci), é possível refletirmos que estes ativistas se encontram numa nova concepção de sujeito, como atores que se posicionam contra uma perspectiva naturalista e evolucionista de sociedade. Para

Touraine (1984), a necessidade de uma renovação do pensamento social, por meio de uma nova representação da vida social, poderá se desenvolver com a formação de novos atores sociais e da organização de conflitos para gerir uma historicidade em transformação.

O relato de três entre os nove informantes, que compõem este item, expõe de forma clara como a identificação com a área pela via da militância prévia pode demonstrar maior engajamento com esse campo, como é possível perceber nos trechos abaixo:

Eu começei a fazer política no Movimento Estudantil… no início dos anos 90… não sei se tens ideia, mas nos anos 90 houve um Movimento Estudantil (…) Eu estava a estudar Jornalismo, Ciências da Comunicação, fui jornalista… a… deixei de ser jornalista por questões éticas e também por ter que escolher ou… ou… ou fazer Jornalismo ou fazer activismo LGBT (…) fui descobrindo outras formas de ganhar a vida, mas hoje em dia…hoje em dia trabalho como tradutor… Politicamente eu envolvi-me nesse Movimento Estudantil, estive num pequeno Partido que já não existe que era o Partido Socialista Revolucionário, uma direção de extrema- esquerda… de origem trotskista (…) e havia este grupo que era o grupo que trabalhava o homosexual, que foi a primeira organização

gay (…)que formou o que viria a ser os activistas de hoje, ou uma boa

parte deles e esse grupo durou 10 anos até 2001… como vês foi uma experiência continuada… a… era um grupo dentro de um Partido Político, portanto não se pode dizer que fosse ainda um movimento associativo… a ILGA e o CLUBE SAFO que são as primeiras associações não partidárias surgem em 95/96… portanto cinco anos depois do aparecimento do GTH e o GTH ainda dura outros cinco anos, sendo que eu simultaneamente participei na ILGA, estive na… estive na direcção informal da ILGA, nunca estive na direcção propriamente mas… mas… mas estive bastante envolvido no trabalho político…nomeadamente… (Entrevistado 14L).

Em uma outra parte da mesma entrevista, é argumentado que a inserção via ativismo contribuíu para que o entrevistado se tornasse da ala mais crítica entre os demais movimentos LGBTs.

É uma espécie de... de... núcleo duro do activismo mais politizado se quiseres... e é uma rede informal... Sim, nós tamos sempre um passinho à frente... novas fasquias... é engraçado porque, por exemplo (…) eu não acredito em vanguardas esclarecidas, não se trata disso... agora, que há um grupo de pessoas... que antes estavam dispersas e que têm um pensamento mais aprofundado e que encontrou num... num sítio onde pode pensar em conjunto e que isso tem dado frutos importantes... sem dúvida nenhuma... não faz de nós o grupo mais amado no movimento, isso não faz... (…) Despertamos emoções fortes, digamos assim... prum lado e pro outro...(…) Sim... alguém tem que fazer este papel... nós intervimos tanto pra fora quanto pra dentro... eu acho que neste aspecto somos únicos... (Entrevistado 14L).

O relato acima, de um entrevistado português, pode ser corroborado pelo argumento levantado nos trechos a seguir de duas entrevistadas brasileiras:

Bom...é... é.... hoje eu sou assessora da Associação Lésbica de Minas, que é o interessante, que hoje tem um quadro renovado, mas eu tô ajudando as novas lideranças aí nesse... nessa nova etapa que a gente tem... Bom... a Associação Lésbicas de Minas, ela foi fundada em 1997 por um grupo de mulheres trabalhadoras na área da Saúde, bancárias... e professoras... nós não tínhamos um debate nas estâncias que estávamos... é... por exemplo... nos Sindicatos, partidos políticos onde se tivesse um debate específico... em relação à... à lésbica... então aí nós construimos esse espaço(…)a gente discutia de fazermos algumas oficinas sobre a questão de visibilidade... e dentre essas reuniões, nós... é... definimos que a gente ía organizar a Primeira Parada de Minas Gerais, então... né?... olha, nós vamos organizar um Seminário Nacional, agora vamos estar organizando a Parada, é... isso é um grande avanço que quando você sai de uma sala e vai pra rua dizer: nós somos lésbicas e temos orgulho, e aí... a gente... é... é... o engraçado em que... em outros Estados sempre eram os gays que

puxavam as Paradas e tal... e aqui em Minas, apesar de ser um Estado conservador... da... da família tradicional mineira, com tudo isso... nós conseguimos levar... é... à frente... e conseguimos fazer a Primeira Parada, decerto com pouca gente, decerto que com pouca estrutura, mas... enfim tivémos a ousadia, fomos e fizémos (...) e depois nós organizamos o Primeiro Encontro de Lésbicas Mineiro... que foi em 2001... (Entrevista 12BH).

E, ainda, pode-se acrescentar esse argumento com a entrevistada abaixo:

Sinto que em BH muitas pessoas que não fazem parte dos LGBT podiam até ter interesse em ajudar e a compreender a nossa população, mas não existia uma formação, conhecimento, um eixo de aproximação (...) aí entra meu trabalho para aproximar essas diferentes pessoas e assim poder dar visiblidade a minha população (Entrevista 4BH).

Essas duas últimas citações nos apontam para o quanto a inserção na área LGBT via ativismo tem servido como estratégia política de visibilidade social. Contudo, isso não significa dizer que conduz, necessariamente, a uma maior eficácia na sua atuação. O que irá definir se essa atuação realmente tem sido emancipatória é perceber a quais fins tem se prestado esse trabalho.

Desta forma, é possível levantar que tanto em Belo Horizonte quanto em Lisboa foi observada a coexistência de Grupos de militantes mais progressistas em relação aos Grupos de militantes mais consensuados:

Bom... é importante estar lembrando que a gente vive numa Sociedade patriacal... falocrática... infelizmente existe também... o machismo no Movimento Gay... o Movimento Gay é machista e tem se trabalhado em relação a isto... e... enquanto nós enquanto Movimento de Mulheres Lésbicas... nós temos algumas bandeiras... mas é claro que não deixando aquelas bandeiras específicas e históricas nossas... por exemplo... nós temos duas bandeiras históricas, que é a parceria entre pessoas do mesmo sexo e agora a... a

aprovação da PL 122... mas para além disso, nós...enquanto lésbicas, nós também lutamos pela legalização do aborto, temos outras bandeiras feministas enquanto feministas... que eu acho que... muitas pessoas perguntam: Mas vocês são lésbicas...porque que vocês estão aí... em toda hora...vinte e sete de Setembro, é em todos os lugares com a faixa pela legalização do aborto, é... e aí eu até digo que seria muito fácil de falar assim... é porque nós somos mulheres... é... e aí é importante ter diálogo que, do mesmo jeito que a Igreja quer... ser dono do corpo da mulher... mulher como propriedade, é mesma coisa que a Igreja quer pro nosso corpo, quer ver que nós temos orgasmo... que... é uma coisa do poder do corpo da mulher que a gente tem que lutar contra isso... e essas bandeiras específicas de... de... das lésbicas, por exemplo... qual seria o sentimento de pessoas do mesmo sexo... é uma coisa que nós vamos ter como nossa bandeira de luta, visto que... (…) isso... e é importante constatar que de 1997 até... é... é... 2000, 2001... nós éramos mais ou menos uma entidade mais classista, né?... era uma entidade mais classista, visto também que... é... uma grande maioria dos Sindicatos... e a partir de então a entidade nossa muda... muda... é... mas mantendo a questão da classe, da raça e visto que 80% das mulheres é que são negras... (Entrevista 12BH).

Esse argumento progressista de uma entrevistada belo-horizontina se aproxima do argumento do entrevistano lisboetano abaixo:

mas eu considero-me um radical... um... no melhor sentido da palavra e da regra das coisas e portanto um... o meu trabalho sempre foi de politização e de consciencialização e de aprofundamento do impacto político na comunidade LGBT e de combate à homofobia... e portanto não se dirige necessariamente ao poder político, não é?... e daí eu achei... sobretudo quando o movimento já tinha alguns pés pra andar, que era necessário outro tipo de intervenção... mais politizada... menos dependente da... das relações do final, portanto, mais independente... a... mas também mais... como dizer?... mais virada pra ação direta e pra um tipo de intervenção menos pedagógica... não é

menos pedagógica, mas é com outro tipo de pedagogia, menos discursiva e mais virada pra ação... o que nós fizemos na altura, só pra concretizar o que que isto quer dizer... foi a... passamos cinco, seis anos... e isso teve um grande impacto naquilo que é a visão do movimento LGBT hoje que há em Portugal... a ir a todos os lugares e situações onde havia denúncia de casos de homofobia, de lesbofobia, de transfobia... (…). Em todo o país... surgimos atrás de casos de discriminação, de violência, de despedimentos injustos, de todo o tipo de situações de discriminação... (…) E dois anos depois, fundamos o grupo com observatório da discriminação, mas também com o grupo de ação direta contra a discriminação... (…) Fomos nós que reagimos em primeiro lugar a esse caso (Entrevista 14L).

A fala supracitada esclarece sobre o que seja um movimento de vanguarda dentro do próprio movimento. O mesmo entrevistado reafirma este ponto de vista, conforme a transcrição abaixo:

Reagimos à contra-corrente do conjunto do movimento LGBT... (…) em vários momentos da história deste movimento, houve momentos em que nós tivémos que introduzir léxico no discurso público... é que há alguns anos não se dizia LGBT, dizia-se homossexuais... é que há uns anos não se dizia homofobia, dizia-se discriminação das pessoas homossexuais e em cada um destes momentos nós tivemos que lutar... eu digo nós... nós mesmos... de pegar, nós tivemos que lutar no próprio movimento pra impor estes termos … (…) também somos... a... de alguma forma, um foco de conflito interno dentro do movimento, por que somos uma espécie de consciência chata... porque em muitos momentos nós tivémos que intervir contra ideias internas ao movimento e não contra a homofobia lá fora... mas isso é... eu penso que é o eupanágio dos grupos que têm um bocadinho mais de discussão política e de aprofundamento... Eu acho que... bom... é... é engraçado ver... eu penso que podemos dizer... em todas as áreas que nós trabalhamos que... com uma diferença de dois, três anos, quatro anos... o conjunto do movimento LGBT tem vindo a... a

adotar o discurso que era nosso... e não estou a brincar... e tem sido mesmo assim, em determinado momento nós estamos com discurso, a maioria dos activistas diz: Não... radicais, isso não faz sentido nenhum... quatro anos depois no máximo, estão a adotar o nosso discurso como... como normalizado, digamos assim... (Entrevista 14 L).

Entretanto, dentro do próprio movimento encontramos falas mais consensuadas, no sentido de não se proporem a ser um movimento de resistência radical ao sistema:

É. É porque… tudo aquilo que depois… Aqueles movimentos, aquelas situações que aceitam… ou que recusam a entrar nesse jogo… dizendo que a identidade LGBT é uma “coisa alternativa à norma”… Eu não… eu discordo desse argumento, porque é transformar uma opção numa espécie de “virtude”… e de identidade. Eu não concordo com isso. Eu tenho imensas com os segmentos mais radicais do movimento. Tenho grande conflito entorno disso. Eu recuso a ideia contra-cultural de que existe qualquer coisa intrinsecamente contestatária por ser LGBT…Contestatária, intrinsecamente, revolucionária, alternativa… Não há! Há para quem quiser, mas não há para todos, não é? Isto é, para mim uma pessoa LGBT tem exactamente a mesma variedade que uma pessoa não- LGBT. Isto é, pode ser reaccionário, católico, conservador, progressista, anarquista, pode querer estar casado com um pessoa, pode querer ser… Não tenho nada a ver com isso (Entrevista 9L).

O mesmo entrevistado acima complementa sua justificativa pela escolha de não ser da ala radical do movimento, acrescentando que:

Sou um liberal, nesse sentido. Há segmentos do movimento que fazem uma narrativa do ser-LGBT como uma coisa em si mesma alternativa, revolucionária… Ham… e, portanto, acho que aquilo que foi… que é importante é justamente passar esta ideia de que… de que há uma normalidade absoluta no ser-LGBT, mas que esta

normalidade está impedida por um sistema opressivo e homofóbico que sistematicamente vê o LGBT como anormal. E, portanto, o trabalho pedagógico é mostrar que não, que não é anormal. Agora, isso não quer dizer que eu vá ter um discurso conservador “olha, vejam como somos bem comportados”, não, não. É “vejam como somos pessoas como as outras”. Isto é, gente bem-comportada, gente malcomportada consoante os valores de cada um”, não importa. A questão é… a questão é anterior a isso. Isto é, pessoas, cidadãos… com sexualidade seja ela qual for, com capacidade de relação com outras, com ou sem desejo de constituir família e de reproduzir, etc… Podem ou não podem fazer igualdade de circunstâncias? E aí não me interessa o discurso dos modos de vida alternativos. Isso é com cada um. Isso é uma questão cultural também, não é uma questão política (Entrevista 9L).

Assim, fica para nós um questionamento: dentro de um modelo de sociedade heteronormativa, qual seria a melhor saída política, sustentar a lógica de que somos iguais e por isso não haveria nada de revolucionário no “sair do armário”39, conforme dito na

entrevista, 9 ou sustentar a lógica de que somos diferentes, apontando nisso o conflito inerente as relações de poder sexista e de gênero, de acordo com os entrevistados 12 e 14? Dar-se-á prosseguimento a tais discussões nas demais categorias analíticas.

4.1.2 Poder Público

Neste subitem estão incluídos os (as) nove entrevistados(as) que tem desenvolvido suas trajetórias na área das políticas LGBT por meio de trabalhos que realizam em orgãos públicos, seja como agentes públicos concursados ou contratados, ou seja como gestores. Uma entrevistada diz que:

Eu sou formada em Psicologia e desde de quando eu formei tive interesse em trabalhar por questões de gênero e sexualidade, aí eu fui

39 Sair do armário é uma expressão que descreve o anúncio público da orientação sexual ou identidade de gênero

de alguém, ou de si próprio. Estar fora do armário significa que alguém, cuja orientação é geralmente LGBT, não oculta a sua orientação sexual. Porém, a atitude de sair do armário torna-se difícil de ser realizada pela própria pessoa em contextos de maiores índices de preconceito e discriminação.

trabalhar numa ONG, de grupo de apoio e prevenção a AIDS, e ai lá eu comecei a trabalhar tanto na área que vm trabalhar aqui como Referência Técnica do Programa (Entrevista 1BH).

Um outro entrevistado esclarece que:

eu tenho como formação acadêmica, eu sou graduado em Medicina, fiz a residência em infectologia, e a partir do término da residência eu me vinculei ao Sistema Público de Saúde, no Ambulatório de Assistência, às pessoas que vivem com HIV/AIDS e hepatites virais… depois dessa vinculação eu recebi o convite pra assumir o cargo de gestão… eu nunca participei de nenhum Movimento Social da sociedade civil, desde muito cedo eu realizo alguns trabalhos voluntários, mas não vinculado a nenhuma OSCIP ou ONG, são trabalhos voltados pra Assistência Social, mas na maioria das vezes ligados às instituições religiosas (Entrevista 9BH).

Tomando como referência as duas falas acima, é possível inferir que o trabalho (isto é, ter se ligado à área pelas oportunidades de emprego) foi a estratégia utilizada pela maior parte dos entrevistados para participar desse campo no cargo governamental, levando-nos a algumas hipóteses:

1. pode haver por parte de alguns reduzido compromisso político prévio, ao menos no sentido pragmático, oportunidades profissionais atraem pessoas para uma área sem, necessariamente e

2. haver prévia adesão a valores no campo de atuação.

Entretanto, seria inadequado pensar, apenas, pelo viés do oportunismo profissional, porque, de alguma forma, percebe-se que há uma sensibilidade prévia e uma adesão ao tema sem resistência. Isto pode ser corroborado nas três argumentações a seguir, de um português e de dois brasileiros, respectivamente. O entrevistado português afirma que

Em 1999, eu era estudante do ensino secundário, tinha 15 anos… e, nasceu o Bloco de Esquerda e… então, nessa altura eu fui, portanto,

com o meu pai assistir uma sessão de apresentação do Bloco… E, portanto, nós… nessa altura eu juntei-me ao Bloco, e comecei a participar das actividades. Foi nessa altura que eu, por entrar no Bloco, conheci alguns activistas LGBT e comecei a tomar contacto com eles à distância (Entrevista 4L).

De forma objetiva, a entrevistada brasileira esclarece que:

Como membro da equipe técnica da CMDH/SMADC, no período de 1997 a 2010, ocupante do cargo de Analista de Políticas Públicas/Assistente Social deu-se a minha aproximação com a temática LGBT, especialmente, com o advento da Lei 9.011/05, por meio da qual a CMDH passou a ter a competência de elaborar e implementar ações, projetos e programas voltados para a defesa e a promoção dos direitos humanos e cidadania LGBT (Entrevista 2BH).

Essa análise pode ainda ser reafirmada no argumento do entrevistado brasileiro a seguir:

Bem, na realidade a...a minha participação se deu especificamente por… ocupar espaços de gestão na Prefeitura de Belo Horizonte, é… eu sou professor do Município, desde… longíquos anos, é que a partir de 1998, depois de duas experiências de mandato como diretor de escola, eu fui assessor da política educacional na Secretaria Municipal de Educação, eu fui diretor de escola, mais precisamente nos anos de 91/92. Então, foi essa experiência muito rica, em dois mandatos eleitos na escola do Município, me levou à Secretaria da Educação à convite do Secretário da época, fui assessor de política educacional, posteriormente Secretário Municipal AdJunto de Educação, em 98, 99 e 2000, posteriormente Secretário Municipal de Educação em 2001, 2002 até meados do ano, exatamente em meados de 2002… Eu sou professor... muito adepto, nunca deixei de sê-lo, continuo hoje sendo, estou licenciado, mas leciono pra curso de Engenharia…quer dizer, nunca perdi a referência da sala de aula, que é fundamental na minha vida e também para o meu trabalho aqui... e as demais atividades

também são consequências da uma trajetória político profissional. A experiência de ser Secretário Municipal de Cidadania…foi muito rica, não só porque o ambiente de conflito, conflito por direitos, por direitos ainda não constituídos, por direitos que existem proclamados mas não são efetivados, enfim a passagem do exercício da tradução do Direito Humano no sentido lato, para um direito que interfira no cotidiano da pessoas, do cidadão, da cidade, o que a gente chama de Direito da Cidadania, é…isso foi um desafio muito rico. É… eu… eu digo de uma maneira muito transparente que eu não escolhi ir pra Cidadania…certo?... é… eu tinha um trabalho a ser concluído na Educação, mas, o desafio me foi posto e eu acabei aceitando e eu assumi a Secretaria Municipal de Direitos da Cidadania em Abril de 2002… (Entrevista 3BH).

Enfim, percebe-se que de uma forma geral tais entrevistados a princípio não escolheram trabalhar na área dos direitos humanos LGBT, mas ao serem convidados acolheram essa luta social. Daí observa-se a passagem de uma prática profissional de tradução dos direitos humanos na sua vertente de universalidade para um direito que age

In document Strand_2017_Ass39289.pdf (814.7Kb) (sider 23-28)