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Confeccionamos em sala de aula os convites para enviarmos aos pais dos alunos, no intuito de que eles pudessem participar desse momento tão especial para os estudantes, pois entendemos que a participação dos pais faz parte do processo de crescimento do discente,

como afirma Perrenoud (2000, p. 64), “Toda pedagogia diferenciada exige a cooperação ativa dos alunos e de seus pais.”

A maioria dos alunos estava muito envolvida na confecção, assim como esteve em todo o processo, infelizmente não foram todos, alguns alunos se mostraram apáticos, pois disseram que não adiantaria levar o convite, uma vez que os seus pais não viriam.

Figura VII: Convite para manhã de autógrafos

Finalmente chegou o grande dia dos alunos mostrarem-se como escritores competentes. Organizamos o espaço – que não era muito grande –, pois não temos um espaço adequado na escola, mesmo assim deixamos o ambiente agradável para que os alunos pudessem contar suas histórias e apresentar o livro que eles produziram. Convidamos, além dos pais, os alunos do 6º ano A para ouvir nossas histórias. Como o nosso espaço é muito pequeno, não foi possível convidar as outras turmas da escola.

Aguardamos a chegada dos pais dos alunos até as 9h30min, no entanto, só compareceram cinco pais, então demos início ao evento. Primeiramente agradeci aos pais que compareceram para prestigiar os seus filhos por sua presença na nossa escola, explicando a eles o quanto essa atitude era importante para o desenvolvimento intelectual e social dos estudantes. Logo depois, convidei as estrelas do dia para compor a mesa reservada a eles e, quando todos já estavam em seus lugares, cantamos o hino nacional.

Em seguida, dei prosseguimento ao evento explicando o porquê dessa manhã de autógrafo, quais passos seguimos pra chegarmos a esse momento tão mágico para os alunos. Assistimos ao vídeo com a música de Toquinho “Aquarela”17 e conversamos um pouco sobre os sentidos que a música quer transmitir ao seu leitor. Logo depois, convidei a diretora para

proferir algumas palavras aos pais e aos escritores, ela lembrou os e-mails recebidos por ela e o quanto isso a deixava feliz – saber que os alunos estavam gostando de escrever.

Após a fala da diretora, os alunos foram convidados a contar alguns de seus contos, tivemos a leitura dos títulos “Volcano”, “O ataque do extraterrestre”, “Amor eterno”, “A história da menina perdida”, “O amor de amigas” e “O menino da escola”. Todos os alunos foram muito aplaudidos pela plateia.

Além de escritores, os alunos também mostraram seus dotes como atores, encenaram o conto produzido pela aluna K - “A menina que aprendeu a voar”. Apesar do pouco espaço, conseguiram dramatizar e passar emoção para quem estava assistindo, uma vez que nossos atores estavam empolgados e tentando mostrar o melhor de si.

Figuras VIII e IX: Dramatização do conto “A menina que aprendeu a voar”

Após a dramatização, iniciamos a sessão de autógrafos, o que deixou os pais e os alunos encantados, era tudo muito simples, mas repleto de uma simbologia e de uma veracidade que envolveu os autores e os espectadores deste evento.

Figuras X e XI: Autografando o livro de contos

Finalizamos essa manhã com um delicioso lanche servido aos pais e aos alunos dos 8º e 6º anos.

O dia 06 de setembro de 2012 foi muito esperado pelos alunos do 8º ano, por isso tudo que foi apresentado foi encantador para eles, pois já não eram apenas enunciadores do discurso, mas autores. Para Orlandi (2008, p. 81), a instituição escolar deve proporcionar essa passagem do sujeito enunciador para sujeito autor, de tal modo que os estudantes vivenciem práticas que os levem a dominar os mecanismos da escrita, que são de duas ordens: “a) Mecanismos do domínio do processo discursivo, no qual ele se constitui como autor. b) Mecanismos do domínio dos processos textuais, nos quais ele marca sua prática de autor.”, sendo a escola um lugar fundamental para a construção de experiências que desenvolva o papel de autoria com a linguagem.

Essa construção de experiências acontece dentro de um processo interativo do qual emerge o texto, e quando o tornamos público “temos de viver com o fato de ter criado o texto e, através dele, afirmado uma presença social num campo letrado de ação social.” (BAZERMAN, 2007, p. 53). Desta forma, o estudo da língua é visto como uma atividade sociointerativa e, ao afirmar sua presença social no mundo letrado de forma exitosa, fará com que os estudantes ousem em exercer sua cidadania em outros contextos e ambientes.

Esse envolvimento com a aprendizagem também foi percebido pelos pais que compareceram à manhã de autógrafos, no final do evento, ao serem indagados sobre a importância de um projeto como esse na vida dos estudantes, eles responderam:

O teatro foi ótimo, mostraram uma criatividade parecendo um adulto. (Pai de aluno, entrevista, 06/09/2012)

Gostei... muito importante para eles se descobrirem com a leitura e perder a vergonha mais um pouco, muito importante mesmo. (Mãe de aluna, entrevista, 06/09/2012)

Eu chorei, me emocionei, acho que estimula a imaginação deles, a escrita vai melhorando, gostei muito mesmo. (Mãe de aluna, entrevista, 06/09/2012)

As considerações feitas pelos pais evidenciam uma preocupação com o desenvolvimento das habilidades de leitura, escrita e oralidade dos alunos, ratificando a importância de projetos que favoreçam essa construção, portanto, o estímulo à criatividade, o envolvimento com a leitura e o desenvolvimento da escrita são atividades que deveriam estar presentes em qualquer contexto de aprendizagem desde muito cedo, evitando que tivéssemos tantos analfabetos funcionais chegando ao Ensino Fundamental II.