4. Results and discussion
4.3 Animal information
“ A m inha alm a tá arm ada e apontada Para cara do sossego! Pois paz sem voz, paz sem voz Não é paz, é m edo! Às vezes eu falo com a vida, Às vezes é ela quem diz: ‘Qual a paz que eu não quero conservar, Prá tentar ser feliz?’ As grades do condom ínio São prá trazer proteção Mas tam bém trazem a dúvida Se é você que tá nessa prisão Me abrace e m e dê um beij o, Faça um filho com igo! Mas não m e deixe sentar na poltrona No dia de dom ingo, dom ingo! Procurando novas drogas de aluguel Nest e vídeo coagido... É pela paz que eu não quero seguir adm itindo É pela paz que eu não quero seguir É pela paz que eu não quero seguir É pela paz que eu não quero seguir adm itindo!” M in h a Alm a ( A Pa z Qu e Eu N ã o Qu e r o) Com posiçã o: M a r ce lo Yu k a Gr a va çã o: O Ra ppa
3 .1 . Um Pouco sobre o Text o 3 .1 .1 Unindo o Text o e o Cont ext o
Nesse capít ulo, pret endem os propor um a “ conversa” ent re o que vim os a respeit o do Evangelho de Marcos e o uso singular que est e faz da palavra
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no decorrer de t oda a sua obra e o que descrevem os acerca do I m pério Rom ano, especialm ent e acerca dos m unera, caract eríst ica m arcant e e dist int iva desse I m pério.Sem nos afast ar ou esquecer do cont ext o m aior represent ado pelo Evangelho de Marcos, est udarem os de form a especial o t ext o apresent ado no capít ulo 15 versos 6 a 15 do m esm o, cena que descreve a apresent ação de Jesus a Pilat os e a ent revist a ent re am bos, diant e da m ult idão e dos líderes j udeus, que t erm ina com a condenação de Jesus à m orte. Nossa int enção será verificar, através da percepção da est rut ura narrat iva do t ext o e de seu desenvolvim ent o, os papéis e funções at ribuídos a cada personagem do m esm o e a form a com o esses personagens se relacionam para conduzir ao desfecho da cena ( a condenação de Jesus) , dando especial at enção ao papel at ribuído a
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/ m ult idão.Paralelam ent e, pret endem os cont rast ar esses papéis e funções at ribuídos aos personagens da narrat iva à est rut ura dos m unera e aos papéis e funções at ribuídos a cada grupo part icipant e dessa prát ica caract erist icam ent e rom ana: o I m perador, o público e os gladiadores. Dessa form a, o text o de Marcos será com preendido com o um a paródia int erdiscursiva que dialoga com a realidade e procura esclarecer e subvert er essa realidade at ravés de um a propost a de inversão de valores. Procurarem os perceber de que form a Marcos procurou inserir o t ext o no cont ext o da dom inação rom ana e da guerra j udaica, e que at it udes esperava despert ar em seus ouvintes/ leit ores.
Sabem os que t al propost a é ousada, pois em bora t enha sido sugerida por out ros pesquisadores105, não foi desenvolvida a content o. Além disso, essa possibilidade de interpretação dá a todo texto de Marcos ( e não apenas ao capít ulo 15) um a int erpret ação ext rem am ent e polit izada, engaj ada e conscient e, difícil de ser adm it ida à prim eira vist a. No ent ant o, quando lem os esse Evangelho com atenção e à luz do que conhecem os acerca da dom inação rom ana, percebem os o quanto o texto está m arcado com referências e sím bolos do I m pério Rom ano e dessa dom inação. Desde o nom e do dem ônio que aflige o j ovem na cidade de Gadara ( Legião)106 e o fat o de pedirem para serem enviados aos porcos ( anim al sím bolo das legiões rom anas)107, as m enções da grande adm iração das pessoas a Jesus, que poderiam ser com paradas ( ou dar ensej o) à aclam ação108 ( lem brando a aclam ação dos I m peradores rom anos) , referências aos tribut os a serem pagos a César109 e a própria cena da ent rada de Jesus em Jerusalém110, que pode ser com parada com um a cerim ônia de advent us do I m perador111, cam inham os no t ext o de Marcos com varias indicações de presença rom ana, at é chegarm os ao nosso t ext o de est udo. Paralelam ent e a essas referências à presença rom ana, Marcos faz tam bém
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cam inhar em seu Evangelho, est ando present e, com suas expectat ivas, nessa cena crucial e det erm inant e.À luz dessas observações, a propost a de que o t ext o apresentado a seguir foi com posto com o um a paródia dos m unera
105 Ched Myers, O Evangelho de Marcos, São Paulo: Paulinas, 1992, p.452.
106 A legião rom ana era a divisão fundam ental do exército rom ano. Variavam entre 8.000 e 4.000 hom ens, dependendo das baixas que eventualm ente sofressem nas batalhas. Para além dos soldados, há que contar com os inúm eros servos, escravos e seguidores que as acom panhavam .
107 Marcos 5,1- 14.
108 Por exem plo: Marcos 1,28; 2,12, ente outros. 109 Marcos 12,13- 17.
110 Marcos 11,1- 11.
111 A cerim ônia do Advent us era um a festividade rom ana celebrada quando o Princeps visitava um a cidade. Tratava- se de um a cerim ônia de recepção em que as ruas eram enfeitadas com flores, tochas e incensos e o Princeps recebia as cham adas ovationes da população ( incluindo os nobres e soldados) , que eram aclam ações de aprovação pelos seus feitos.
pode ser im pressionant e e ousada, m as t em de ser considerada com o um a possibilidade bast ant e plausível, que procurarem os dem onst rar nas páginas seguint es. Antes disso porém , convém conhecerm os um pouco m elhor o texto de Marcos 15,6- 15.
3 .1 .2 O t ext o de Marcos
Apresent am os abaixo o t ext o do Evangelho de Marcos capít ulo 15, versos 6 a 15, conform e apresentado no Novum Testam entum Graece, seguido de t radução própria, com a qual t rabalharem os adiant e:
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