4. PRESENTASJON OG DRØFTING AV FUNN
4.1 I NVOLVERINGSFASEN
4.1.4 Anerkjennede væremåte
O objetivo deste tópico não é conceitualizar identidade, mas sim abordar identidade em alguns de seus leques, que apoiam esta dissertação teoricamente. Pode-se dizer que a identidade não é uma simples identificação com determinado grupo social, cultura ou nação. Está vinculada à conjuntura, às relações sociais, materiais e simbólicas, a padrões vividos, à memória e à vida. Entre as abordagens para a questão da identidade, há, por exemplo, os pontos de vista sociológico, antropológico, psicológico, histórico. A questão da identidade surge da seguinte forma: é individual ou coletiva? Nacional ou cultural? Para abordar essa temática, seguem-se algumas considerações introdutórias.
a- a identidade em psicologia67 é a identidade pessoal, individual, subjetiva,
que inclui noções de autoconhecimento e autorrepresentação da identidade do indivíduo que é o sentimento "subjetivo de uma unidade pessoal" para Erikson (1976), enquanto Jean Piaget enfatiza o conceito de socialização do indivíduo através de uma interiorização das representações sociais que ocorre principalmente através da linguagem.
b- a identidade em sociologia é formada na interação entre o eu e a sociedade. O sujeito tem uma essência interior que é o "eu real", mas este é formado e modificado num diálogo contínuo com os mundos culturais "exteriores" e as identidades que esses mundos oferecem. A identidade preenche o espaço entre o "interior" (mundo pessoal, o eu real) e o "exterior" (mundo público). A identidade costura o sujeito à estrutura (HALL, 2006). É, então, a relação entre o coletivo e o individual, construída por meio de classificações, classe social ou relações profissionais intra e inter-grupal (grupos, subgrupos), interagindo com outros membros de seus grupos, com diversos atributos categóricos (sexo, masculino / feminino), idade, a profissão, o clube, etc., onde as pessoas afirmam uma identidade que lhes é atribuída. O indivíduo procura se ver como membro da comunidade, não como ser singular, diferente dos outros. Segundo Hall (1987), a identidade torna-se
adoção de uma língua popular comum, língua média escrita que resultava da criação de uma koiné compreensível por populações que falavam dialetos diferentes, tornando-se assim em clientes consumidores deste novo produto-mercadoria, o livro impresso em língua “vulgar”, de acordo com Guisan (2011).
67 A tese de douto
rado intitulada “Identidade: um estudo da psicologia social sobre a estória do Severino e a história da Severina”, de Antonio da Costa Ciampa (São Paulo: PUC/SP, 1986) mostra a definição de identidade pela alteridade, e tem sido usada como uma das obras para base de definição de identidade para a psicologia.
uma "celebração móvel", formada e transformada continuamente em relação às formas pelas quais somos representados ou interpelados nos sistemas culturais que nos rodeiam. Jürgen Habermas e Michel Foucault foram os pioneiros na análise da identidade em sociologia. Para Habermas (2009, pp. 86, 86), há hoje duas abordagens teóricas relativas à análise de processos sociais: uma ciência comportamental geral, ou abordagem behaviorista68, que se impôs na etimologia e na psicologia social, e uma teoria de ação, ou abordagem praxiológica69, que predomina na antropologia cultural e na sociologia.
c- identidade individual - por natureza, o sujeito pertence ao seu grupo supostamente real, caso contrário, ele procura pertencer a um grupo de colegas, muitas vezes idealizado, imaginado, o qual deseja ser incluído, ele pertence a um único grupo ou não a "sociedade multi" por causa da idade, sexo, ocupação, cultura, religião., de. classe social, geografia etc ... O indivíduo não procura se ver como um ser singular, diferente dos outros no grupo. Não se define em oposição a outros grupos, sem criar crise que abrange um campo muito amplo de semântica: crise de identidade, crise cultural, crise de gerações, a crise dos cidadãos, a crise da comunidade, etc.
d-identidade nacional (nacional da consciência, a consciência nacional), os termos para a sensação sentida por uma pessoa pertencente a uma nação. Inclui o" terreno comum" entre as pessoas que deveriam se identificar com uma nação e forma um conjunto de hábitos (BOURDIEU, 1982). A identidade nacional é um sentimento com o qual a nacionalidade é uma afiliação política ou legal, ou étnica da comunidade (linguística, cultural, religiosa ou social, por exemplo, árabe, muçulmanos, cristãos leigos ...), ideológica (partido político).
O senso de identidade se relaciona com a intimidade de cada pessoa e depende da conduta real da internalização de marcadores de identidade como linguagem, práticas sociais, cultura, música, culinária, e outros; em geral a identidade de uma pessoa não é estática, ela evolui ao longo do tempo, assim como pode ser reforçada quando se está ameaçado de extinção, estigma ou marginalização. Em resumo, uma personalidade única também pode receber e estar sujeita a múltiplas identidades (multi-identidade).
68
Behaviorista vem da palavra inglesa “behavior”, que significa em português “comportamento”. Estuda o comportamento humano.
69 Praxiolo
gia vem da palavra “práxis” (do grego π άξι ), que em seu sentido amplo, é a atividade humana em sociedade e na natureza. Significa também ação.
2.2.1 Identidade Individual, Coletiva, Nacional e Cultural
Hoje em dia, nos países ocidentais, a identidade coletiva não é tão prestigiada, uma vez que sofre da suspeita de ser uma espécie de conspiração contra a liberdade individual. Prefere-se valorizar nessa identidade, enquanto traço especificamente humano, a capacidade de cada um para se opor a esse aspecto.
Esse abandono relativo da identidade coletiva não é evidentemente compartilhado por todos, nem nos países ocidentais, tampouco, e, sobretudo, no resto do mundo. Para compreender as razões e os desafios desse desacordo, deve- se observar as várias espécies dessas identidades coletivas (TODOROV, 2010).
O ser humano nasce no seio da natureza, assim como sempre e necessariamente, de uma cultura. A primeira característica da identidade cultural inicial é que ela é “imposta” no decorrer da infância, em vez de ser o resultado de uma escolha. A criança, ao vir ao mundo, está mergulhada na cultura de seu grupo que lhe é anterior. O fato mais saliente, e também provavelmente mais determinante, é que os humanos nascem necessariamente no seio de uma língua – aquela que é falada por nossos pais ou pelas pessoas encarregadas de cuidar de nós. A língua, nas suas realizações de fala, não é uma ferramenta neutra, mas está impregnada de pensamentos, ações e julgamentos, legados pelo passado; ela descreve a realidade, de maneira particular, transmitindo imperceptivelmente uma visão do mundo. A criança não pode evitar de absorvê-la; de forma que essa maneira de concebê-la transmite-se de geração em geração.
A amplitude dos traços no decorrer da infância pode sofrer consideráveis mudanças. A língua é comum a milhões, até mesmo, dezenas ou centenas de milhões de pessoas. No entanto, recebem-se também outras heranças, mais restritas, do grupo humano no seio do qual os humanos crescem: as maneiras de se movimentar e de organizar o tempo ou o espaço, assim como de se relacionar com as outras pessoas, em suma, os modos de vida. No decorrer da infância é quando são adquiridos os gostos de alimentação, são interiorizadas as primeiras paisagens, memorizadas as melodias, e outras situações que constroem o universo mental. Tal filiação local é a mais afetiva de todas as afinidades; além disso, para cada ser, ela é parte da identidade.
Ainda quando crianças, o círculo se alarga porque as crianças começam a frequentar a escola, na qual elas aprendem elementos da história, se familiarizam com obras literárias, cientistas e artistas que fazem parte da memória coletiva. A língua comum e um conjunto de referências compartilhadas constituem o que veio a ser designado por Conche (1990) por “cultura essencial”, sendo o domínio dos códigos comuns que permitem compreender o mundo e se dirigir a outrem – cultura de base na qual se implantam os saberes próprios das diferentes áreas do conhecimento, arte ou ciência, religião ou filosofia; tais códigos são todos dados previamente constituídos e não escolhidos livremente por cada um.
Embora os movimentos políticos nacionalistas tenham sido objeto de numerosos estudos, os mecanismos que cercam as noções de nacionalidade - o sentimento pessoal e cultural de se pertencer a uma nação - não têm tido a mesma atenção. Anderson (1993) lançou as bases para o estudo da identidade nacional como estudo teórico e empírico sistemático e profundo em sua obra Comunidades
imaginadas: reflexões sobre a origem e difusão do nacionalismo. Na obra, o autor
explora os processos que geram esses mecanismos; a territorialização das fés religiosas, o declínio da realeza antiga, a interação entre capitalismo e imprensa, o desenvolvimento de línguas nacionais, a evolução das concepções do tempo. Constitui uma referência obrigatória para os estudos das identidades nacionais e dos processos de construção de uma nação.
Anderson (1993) considera as comunidades nacionais como o produto de um processo de desenvolvimento político, social e cultural que resulta na geração de uma relação imaginária dos cidadãos com seus semelhantes nos contornos do Estado-Nação. A recuperação do conceito de imaginação exime a conotação pejorativa do termo, em oposição à realidade (imaginação versus realidade). O autor examina a base material da imaginação para entender como se forma uma comunidade nacional.
A imprensa tem um papel-chave, que permite a disseminação em massa através da mídia, e que pode estabelecer relações entre grupos e indivíduos localizados na distância. Não só permite o estabelecimento de relacionamentos, mas também de imaginar relações e de descobrir uma comunidade global dentro do Estado nacional. A circulação de jornais e mais tarde da televisão, tem um papel de construção do imaginário nacional. Anderson (1993) estuda o processo de construção das nações europeias, e continua com o processo histórico das nações
latino-americanas, sendo assim um modelo para estudos sobre a construção de identidades e processos sociais contemporâneos. Esta obra-chave fundamenta a busca do entendimento de identidade e fronteira imaginária, conceitos-chave para este trabalho.
O autor define nacionalismo como sendo uma patologia da história moderna do desenvolvimento, tão inevitável como a neurose no indivíduo, com a mesma ambiguidade essencial que esta, uma capacidade semelhante intrínseca para levar à demência, arraigada nos dilemas da impotência que afetam a maior parte do mundo (o equivalente do infantilismo para as sociedades) e em grande medida incurável (ANDERSON, 1993, pp. 22, 23). Para ele, a nação é como uma comunidade política imaginada - e imaginada como sendo intrinsecamente limitada e, ao mesmo tempo, soberana, assim a nação seria imaginada, limitada e soberana.
“Nação imaginada” porque seus membros nunca conhecerão todos os demais; na mente de cada indivíduo reside uma imagem da comunidade da qual participa. Ou seja, ainda que os limites de uma nação não existam empiricamente, seus indivíduos são capazes de criar e imaginar tais fronteiras, criando e imaginando seus membros (idem, p. 23).
Limitada, porque a nação é limitada em suas fronteiras por outros territórios. O autor critica a possibilidade de uma nação abranger toda humanidade, pois seria inviável para a consolidação de um sentimento nacionalista abarcar toda a humanidade - uma vez que a nação é um critério de distinção entre grupos e comunidades (idem, pp. 24, 25).
Soberana, porque o surgimento do nacionalismo, segundo Anderson, está relacionado ao declínio dos sistemas tradicionais de governabilidade (monarquia, na Europa, ou administração colonial na Ásia e nas Américas) e à construção de uma nacionalidade baseada na identificação étnica, racial e/ou cultural70. Esta identificação possuiria um projeto comunitário de união baseada nas diferenças de um povo para o outro A soberania nacional, deste modo, é um símbolo da liberdade frente às estruturas de dominação antigas - gerando novas estruturas de dominação, como a administração estatal, a divisão intelectual do trabalho (administradores, burocratas, professores universitários, etc.), o capitalismo editorial e o surgimento de
70 Como parte do componente cultural, pode-se acrescentar o item religião, que desempenhou papel
práticas de controle estatal (censo para a população, mapas para o território e museus para a cultura legítima) (idem, p. 25).
A nação é imaginada como comunidade por ela ser concebida enquanto estrutura horizontal na sociedade. Ou seja, é possível membros de diferentes classes sociais, em diferentes posições sociais, ocuparem um mesmo âmbito nacional e estarem vinculados por um projeto em comum (idem).
Para o autor, as bases históricas para a concepção de nação imaginada são: primeiramente, a negação da existência de um texto sagrado que seja assumido como “a verdade”. Mudanças na religião propiciaram a crença de que o nacionalismo era uma solução secular para a questão da continuidade que era respondida, anteriormente, pela fé. Por fim, o desenvolvimento de uma ideia de que os fatos, ainda que ocorridos em locais diferentes, podem ligar as pessoas que neles estão envolvidas, criando assim uma consciência de compartilhamento temporal na medida em que tudo co-existe (idem).
Assim como os acontecimentos históricos permitiram a consciência do nacionalismo, a imprensa capitalista facilitou tal processo, ampliando o mercado de livros e criando uma infinidade de campos de comunicação. Este fato permitiu a consciência da existência de outros povos, linguagens, etc, de acordo com Anderson (1993).
Mais um campo abordado pelo autor é o que ele chama de “Estados crioulos”71 (as colônias do “Novo Mundo”), definidos como comunidades que foram formadas e guiadas por pessoas que tinham como ancestrais aqueles que lutavam contra pela independência.
Citando exemplos nas Américas do Norte e do Sul, Anderson (1993) dá várias possíveis explicações, como exemplo, o comando severo da Espanha72 gerou muitos conflitos na chamada América espanhola. Outra razão seria a popularidades dos jornais, que reportavam tanto notícias no “Novo Mundo” quanto do “Velho”. Assim, a contraposição entre “nós” e “eles” teria fomentado a referida consciência nacional73.
71 Aqui o termo crioulo não tem o sentido de crioulo enquanto língua, mas refere-se a pessoas. 72 Mas não em aspecto linguístico.
73 O autor Andrés Bello menciona supranacional. A Argentina observa essa oposição, mas alimenta a
2.2.2 Identidade Social
Nos últimos anos tem sido crescente o fenômeno da identidade social. A aceleração das mudanças tecnológicas e sociais, a mobilidade geográfica e profissional e os problemas da imigração de países de terceiro mundo para o primeiro mundo podem ter produzido uma forte demanda que impulsiona de determinada maneira pesquisadores de disciplinas tão diversas como a psicologia, sociologia, história, ciência política ou direito, para responder às questões colocadas pela identidade no trabalho, identidade nacional, identidade cultural, etc.
A noção de identidade apareceu em psicologia social com Erikson (1976), que mergulha suas raízes na realidade, em diferentes escolas de pensamento e de diferentes campos que estão interessados no indivíduo e na autoimagem; responsável para a antropologia, psicologia do desenvolvimento, da psicanálise e do pensamento sartriano, a identidade emergiu como um conceito que seria a síntese de todas estas correntes, e ele iria encontrar uma definição de consenso, que seria operatória em cada um das disciplinas e cada um dos campos que a utilizam.
A questão do interesse sobre identidade é ora tangencial ora central de muitas disciplinas científicas, e necessitada de reflexão para desenvolver quadros de análise que faziam parte de abordagens bastante diferentes. Aborda-se na sequência a posição teórica que ajudou a constituir marco no conceito do desenvolvimento e crítica da identidade, a psicologia social.
Com terminologia diferente às vezes e estreitando a relação indivíduo/grupo/sociedade, a psicologia social desenvolveu pesquisas cognitivo- experimentais orientadas sobre as relações interpessoais e auto-representação dos outros. Essas pesquisas geralmente se referem às posições de Mead (1934) e de Heider (1958).
Mead (1934) é um dos primeiros pesquisadores a considerar a autoconsciência - o "eu" (“Self” 74) - como uma entidade estreitamente relacionada com os processos sociais em que o sujeito está envolvido. De acordo com o autor, o indivíduo experimenta-se como tal mesmo não diretamente, mas apenas adotando as opiniões dos outros ou o grupo social ao qual ele pertence. Vê-se não apenas autorrespeito como um objeto, levando-o para as atitudes dos outros dentro de um
74
“Self” é um conceito central na teoria sociológica de Chicago, e, além da difícil tradução, é normalmente utilizado no original. Em português pode ser vertido como a própria pessoa, eu, mesmo.
contexto social. Esta abordagem leva Mead (1934, p. 115) a argumentar que "o eu como um objeto para si mesmo, é essencialmente uma estrutura social nascida na experiência social". Ao afirmar que o indivíduo possui um “eu”, Mead enfatiza que, da mesma forma que interage socialmente com outros indivíduos, ele interage consigo mesmo. Ocorre assim um processo de comunicação social que produz a si mesmo e as várias facetas do eu se refletem em vários aspectos desse processo.
Heider (1958) estava interessado em transformar as relações interpessoais. Ele argumenta que os indivíduos percebem o ambiente social como objeto de previsão e controle, e que assim tentam compreender os acontecimentos sociais a partir de um diagrama de matriz para explicar a causalidade. Embora essa abordagem se concentre em dados da psicologia experimental da percepção e também de elementos da "psicologia ingênua", o autor também salienta a importância da afetividade na compreensão dos fatos sociais.
Ainda dentro de uma perspectiva cognitiva, vários estudos têm abordado as formas em que a identidade pessoal é construída, expressa em termos de "Self" ou apreensão de si mesmo. Festinger (1954) considera que o sujeito é convidado a se comparar aos outros, procurando entender as semelhanças e diferenças, afim de se localizar e avaliar contra o consenso social que o rodeia. A teoria de Festinger visa compreender a dinâmica de grupos majoritários e minoritários, mas os grupos são projetados em um contexto social mais amplo no qual os parâmetros parecem invariáveis, de modo que o consenso social está subjacente a esta interpretação.
Ainda sobre a percepção de objetos e pessoas, a partir de experimentos de laboratório, Tajfel pensou em tentar combinar os objetos observados em diferentes categorias. O processo de categorização social permite ao sujeito organizar as informações que recebe de seu ambiente, enfatizando determinadas características e subestimando outras (TAJFEL; FRASER, 1978). O estabelecimento de uma classe requer, por sua vez, a formação da categoria oposta (por exemplo, homens e mulheres, estrangeiros e nacionais, etc.). A abordagem de Tajfel leva em conta a influência dos outros no desenvolvimento das percepções do sujeito, por isso ele enfatizou que "os dois principais determinantes da seleção e organização social são valores sociais e de consenso social". Os valores se referem aos "interesses, prazeres, gostos, preferências, desejos, necessidades, descargas e atrações", enquanto o consenso social influencia a atividade cognitiva na determinação da forma de percepção social.
Numa aparição mais recente, a teoria do papel (no sentido de função) leva à influência social sobre a percepção e autodefinição. O termo geralmente se aplica ao papel de "situações em que as normas que regem a interação são culturalmente definidas e são independentes da relação especial e pessoal que podem também manter as pessoas que ocupam as posições correspondentes" (DEUTSCH; KRAUSS, 1972). Assim, o ator social é levado, durante a sua vida, a assumir uma série de funções relacionadas com a idade (infância, terceira idade), sexo (gravidez), ocupação (médico), etc., cuja definição pode levar a um conflito sociocultural.
A pesquisa empírica mostra que há vários papéis de associação, de modo que um sujeito pode ser definido por um papel (eu sou um médico ou eu sou o pai) ou pode se referir a esses papéis como uma atividade ou estado entre outros. É especialmente Erving Goffman, que contribuiu para a conceituação da noção de representação de si ("eu") e identidade a partir da teoria do papel. O sociólogo e escritor canadense Goffman traz em sua obra o estudo da interação social do cotidiano, principalmente em lugares públicos. Cabe mencionar algumas de suas obras e a contribuição que elas trazem para esta dissertação.
No campo da linguagem, Goffman (1975) contribui com o estudo da interação humana, introduzindo o conceito de "footing". Footing representa o "alinhamento, a postura, a posição, a projeção do 'eu' de um participante na sua relação com o outro, consigo próprio e com o discurso em construção", como é abordado em seu livro “A Representação do Eu na Vida Cotidiana”. Para o autor, o desempenho dos papeis sociais tem a ver com o modo como cada indivíduo concebe a sua imagem e a pretende manter.
The presentation of self in everyday life foi o primeiro livro de Goffman,
publicado a partir de sua tese de doutorado defendida na Universidade de Chicago (Communication conducts in an Island community, de 1953). O título que o livro ganhou em português - A representação do eu na vida cotidiana – pode não ser uma boa tradução, considerando que presentation é "apresentação", e não "representação". Assim, se for feita uma tradução de volta do título, como sugeriu Carlin (2004), o resultado seria: The representation of myself in everyday life, o que não faz sentido; no entanto, passando essa parte do título, abordar o conteúdo é relevante.
Um dos conceitos centrais nesse livro é a noção de "definição da situação".