4. Anbefalte løsninger for ny kirkelig organisering
4.2 Anbefalinger for lokalisering og inndeling av tilsatte
Tendo em conta os objetivos da intervenção nesta comunidade, foi necessário elaborar um plano de ação e escolher os métodos que melhor se adequassem ao público-alvo e que garantissem a concretização dos referidos objetivos. Porém, como um trabalho de investigação social tenta compreender e interpretar uma determinada realidade social, é necessário identificar um paradigma que oriente todo o projeto.
Coutinho (2011, p.9), que cita Kuhn, define paradigma “como sendo, em primeiro lugar, o conjunto de crenças, valores, técnicas partilhadas pelos membros de uma dada comunidade cientifica e, em segundo lugar como um modelo para “o que” e para o “como” investigar um dado contexto histórico/ social”. Assim de acordo com Kuhn, citado por Moreira (2007, p. 18), um paradigma designa uma perspetiva teórica, partilhada e reconhecida pela comunidade científica de uma determinada disciplina, baseada em aquisições que precedem a própria disciplina, orientadora da investigação em termos de identificação e seleção dos factos relevantes a estudar, formulação de problemas, preparação dos métodos e técnicas de investigação necessários.
26
Para Moreira (2007, p. 19), um paradigma é um sistema de pressupostos sobre: a) a natureza da realidade investigada (pressuposto ontológico), b) o modelo de relação entre investigador e investigado (pressuposto epistemológico), c) o modelo pelo qual podemos obter conhecimento da dita realidade (pressuposto metodológico).
Neste projeto foi adotado o paradigma qualitativo, o qual, segundo Bogdan & Biklen (1994,p.19), teve origem em várias disciplinas e surgiu nos finais do século dezanove para estudar situações da vida quotidiana da sociedade. Contudo, a investigação qualitativa em educação só conheceu um período de verdadeiro desenvolvimento a partir da década de sessenta, altura em que a atenção da sociedade em geral estava voltada para os problemas da educação e os “investigadores em educação começaram a manifestar interesse por estas estratégias” (Bogdan & Biklen 1994, p.37). De acordo com os mesmos autores, na década de setenta, ainda que os métodos qualitativos não fossem os mais usados em educação, alguns investigadores de relevância começaram a explorar a abordagem qualitativa e a defender a sua utilização.
Uma das facetas mais importantes da investigação qualitativa, segundo Moreira (1994, p. 94) é requerer uma apreciação das perspetivas, culturas e visões do mundo dos atores envolvidos, pois estes não são vistos como meros objetos a serem estudados mas sim como “actores cujos respetivos quadros de referência necessitam investigação detalhada antes que as suas ações possam ser devidamente interpretadas e explicadas”, é necessário um grande envolvimento do investigador com aqueles que estuda.
Também Almeida (2008, p.25) refere que estudos desta natureza devem ter em conta a realidade percebida como dinâmica, associada à história individual e aos contextos e que “ o seu estudo não poderá ser feito sem o recurso à própria perspetiva dos sujeitos implicados nas situações”. Este autor refere, ainda, ser importante que, para além dos comportamentos que são observáveis, o investigador conheça e compreenda as crenças e valores, os sistemas de comunicação e de relação, bem como as suas representações para os indivíduos ou grupos. Assim o fundamental é ter em conta os significados e as interações das ações humanas.
De acordo com Bogdan & Biklen (1994, pp.47-51), a investigação qualitativa tem cinco caraterísticas fundamentais que a definem e a caraterizam. A primeira delas é que a fonte dos dados é o ambiente natural, sendo o investigador o instrumento principal. A segunda caraterística é que a investigação qualitativa é descritiva, os dados recolhidos são transformados em palavras ou imagens e respeitam a forma como foram registados. A terceira caraterística é que os investigadores se interessam mais pelo processo do que pelos resultados. A quarta caraterística é
27
que os investigadores analisam os dados de forma indutiva, isto é, não recolhem os dados para confirmar hipóteses, mas, antes, vão construindo os seus conceitos e abstrações à medida que obtêm os dados e, a partir desses dados recolhidos, vão percebendo quais as questões mais importantes. A quinta e última caraterística é que os investigadores qualitativos em educação procuram compreender e tomar em consideração a perspetiva das pessoas que estudam -“ os investigadores em educação estão continuamente a questionar os sujeitos de investigação, com o objetivo de perceber aquilo que eles experimentam (Bogdan & Biklen,1994, p.47-51), deste modo se orientando para eliminar da sua investigação os seus pré-conceitos.
Requerendo, então, a investigação científica, de cariz quantitativo ou qualitativo, uma recolha de dados, entende Coutinho (2011, p. 99), citando Charles, que existem seis procedimentos diferentes para efetuar essa recolha de dados para uma investigação, sendo eles a notação, a descrição, a análise, inquérito, os testes e as medições.
Para esta autora (2011, p.99), a notação é o processo de fazer registo ou breves descrições acerca de pessoas ou de objetos, contextos ou acontecimentos. “o investigador observa um dado comportamento, fenómeno ou documento e regista ocorrências ou faz uma lista das suas características”.
A descrição “é o método de recolha de dados utilizado sempre que se investiga contextos naturais, processos acontecimentos ou comportamentos em profundidade, tomando os dados a forma de longos textos escritos” (Coutinho 2011, p.100), é o processo de transformar a observação em anotações e tem a preocupação de proporcionar um retrato o mais fidedigno possível da situações em estudo, devendo incluir o maior número de detalhes possível.
Embora este termo possa ser utilizado com outros significados na investigação social, a análise, enquanto procedimento ligado à recolha de dados, refere-se, também de acordo com Coutinho (2011, p.100), ao processo em que o investigador, mais do que observar, procura inferir traços, processos, significados e relações, isto é “ o investigador não vai para o terreno observar tudo o que se passa, mas apenas aquilo que interessa no contexto do seu estudo, ou seja, os objetivos específicos que procura alcançar” Coutinho (2011, p.100).
O inquérito é “o processo que visa a obtenção de respostas expressas pelos participantes no estudo“ (Coutinho 2011, p.100) e pode ser alcançado através de entrevistas ou questionários. As entrevistas, de acordo com esta autora, são levadas a cabo por uma pessoa, podendo ou não ser o investigador, e permitem que as questões sejam adaptadas de modo a obter informações adicionais relevantes para a investigação, sendo esta flexibilidade precisamente a caraterística que
28
a individualiza em relação a outras formas de inquérito. A entrevista pode envolver um único entrevistado ou, então, ser dirigida a um grupo de pessoas (grupos focais). Nas entrevistas, e para auxiliar a sua realização, existe um guião, normalmente, que contém as questões a colocar e a sua sequência.
O questionário, dispensando a presença do entrevistador, toma a forma, geralmente, de formulário impresso que pode ser enviados pelo correio ou entregue em mão, podendo ser administrado em várias situações e contextos, assim se conseguindo menor dispêndio de tempo do que na entrevista, sendo verdade, não obstante, que, relativamente a estas últimas, o questionário não fornece a riqueza de pormenores nelas (entrevistas) obtidos.
A testagem “é o processo de obtenção de dados pela resposta/desempenho dos participantes aos testes, inventários, escalas, provas de avaliação específicas” (Coutinho, 2011 p. 102) e a medição consiste na “aferição/ avaliação de caraterísticas ou traços individuais, performance, acuidade mental, conhecimento” do público-alvo (Coutinho, 2011 p. 102).
Por sua vez, Ketele e Roegiers (1993, 23) valorizam a observação, por se destacar enquanto “ processo que inclui a atenção voluntária e a inteligência, orientado por um objetivo final ou organizador e dirigido para recolher informações sobre ele”. Mas, sobretudo, privilegiam a entrevista enquanto “método de recolha de informação que consiste em conversas orais, individuais ou de grupo, com várias pessoas selecionadas cuidadosamente, a fim de obter informações sobre factos” (Ketele e Roegiers, 1993, pp. 21-22) e consideram que a entrevista pode ser livre, dirigida ou semi-dirigida. Designa-se por entrevista livre quando “o entrevistador se abstém de fazer perguntas que visam reorientar a conversa”, por entrevista dirigida quando “o discurso da pessoa entrevistada constitui exclusivamente a resposta a perguntas preparadas antecipadamente e planificadas numa ordem precisa”, e por entrevista semi-dirigida sempre que “ o entrevistador tem previstas algumas perguntas para lançar a titulo de ponto de referência”. Consideram os mesmos Ketele e Roegiers (1993, p.193) que a entrevista semi-dirigida apresenta duas grandes vantagens em relação às outras, pois não só “as informações que se pretende recolher refletem melhor as representações do que numa entrevista dirigida, dado que a pessoa entrevistada tem mais liberdade na maneira de se exprimir”, como também nela, entrevista semi- dirigida, se consegue recolher a informação que se deseja num mais curto espaço de tempo do que numa entrevista livre, uma vez que esta “ nunca oferece garantias de que vão ser oferecidas informações pertinentes”.
29
Ainda quanto à entrevista, Bogdan e Biklen (1994:134) reconhecem-lhe a vantagem de, através dela, ser possível “recolher dados descritivos na linguagem do próprio sujeito, permitindo ao investigador desenvolver intuitivamente uma ideia sobre a maneira como os sujeitos interpretam aspetos do mundo”.
Já Quivy e Campenhoudt, realçam o inquérito por questionário e a observação participante. Definem o primeiro como “uma série ordenada e coerente de perguntas que são colocadas a um conjunto de inquiridos para colher elementos sobre a sua situação social, profissional ou familiar, as suas opiniões, as atitudes que assumem, a forma como se posicionam perante certas questões humanas e sociais, acontecimentos ou problemas, as expectativas, o seu nível de conhecimento e, ainda, sobre qualquer temática ou assunto de interesse para o investigador” (Quivy e Campenhoudt, cit. por Morgado, 2012, p. 77). A observação participante é aquela em que o “ próprio investigador procede diretamente à recolha das informações, sem se dirigir aos sujeitos interessados, apelando diretamente ao seu sentido de observação” (Quivy&Campenhoudt, 1998, p. 165).
A análise documental é outro dos métodos fundamentais em investigação social, entendendo-se por documento, de acordo com Moreira (2007, p.153), o “material informativo sobre um determinado fenómeno que existe com independência da ação do investigador”. Estes documentos podem existir de diversas formas e registos, como nos diz Erlandson, citado por Moreira (2007, p.153) “ o termo documento refere-se a uma ampla gama de registos escritos e simbólicos, assim como a qualquer material e dados disponíveis. Os documentos incluem praticamente qualquer coisa existente antes e durante a investigação, nomeadamente relatos históricos ou jornalísticos, fotografias, transcrições, folhetos, agendas e notas de reunião, registos áudio ou vídeos, apontamentos”.
Uma referência final a De Bruyne, citado por Hérbertet al. (2005, p. 143),que defende existirem três grandes grupos de formas de recolhas de dados em ciências sociais: 1) inquéritos que podem tomar uma forma oral, designados por entrevistas, ou escritos designados por questionários; 2) a observação, que pode assumir uma forma direta sistemática ou uma forma participante, (3) a análise documental.
No estágio de que o presente relatório dá conta, foram utilizados vários dos métodos de recolha de dados supra referidos, tais como entrevistas, análise documental, observação participante. Também recorri a conversas informais com os utentes do Centro de Dia e Lar de Idosos.
30
Para a avaliação da aptidão física dos utentes, para além de sessões de diagnóstico, foi usada a bateria de testes desenvolvida por Rikli e Jones (1999), o Senior Fitness Test (SFT), que pretende medir a capacidade de resistência aeróbica, a força e a flexibilidade dos membros superiores e inferiores e o equilíbrio dinâmico. Este instrumento foi utilizado por permitir garantir um resultado que medisse fidedignamente aquilo que realmente se pretende medir, pois, através da utilização de testes estandardizados (como este), e tal como Coutinho (2011, p. 106) refere, o desempenho de cada sujeito é comparado com todos os outros que já realizaram a mesma prova e que são o grupo norma, o qual serve de aferição para os desempenhos considerados normais.