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Anbefalinger for brøytekonsept med enveisregulert sykkelveg

TT) Eu não perdôo ninguém!!! O meu ex-marido foi um sacana!!! Foi, ele me tirou meu filho! Na nossa separação meu apartamento tinha

ficado para mim, ele levou meu filho e agora no final do ano, ele pediu a metade do apartamento, que eu já queria ter feito na nossa separação, então ele foi um tremendo de um cachorro, mas claro, ele está fazendo isso agora porque o V está com ele e eu estou com outra mulher, e ele tentou voltar duas vezes e eu já estava com ela, e eu: “Não!!! Não vou voltar” e ele saiu de casa por causa de outra mulher e eu falei: “Vai!!! Vai ser feliz com ela vai!!!”, Nós tivemos uma primeira conversa, falei: “Eu não vou ficar chorando sozinha”, fui para terapia. Em quatro meses eu decidi me separar, eu falei: “Não!!! Chega!!! Não vou ficar sofrendo, eu tenho 26 anos, 27 anos só, eu falei: ‘Vai embora, vai cuidar da sua vida!! Seu grande amor é a M?” – que era a professora de música do meu filho. Eu me separei sem problema! Me separei sem raiva do meu ex-marido, hoje eu tenho raiva dele, porque tudo que a gente tinha construído com o V ele destruiu! Ninguém diz não para o V, até hoje é assim.

Então lá em casa eu estava começando a ensinar a ele lavar a louça, cuidar do quarto dele, era uma guerra todo dia!!! Mas nessa época que eu estava trabalhando (até mais tarde) eu chegava morta!!! Eu queria chegar em casa com calma, para você cuidar, chegava em casa a casa virada, ela (C) não tinha chegado ainda da faculdade, ele na maior festa, falei “V você precisa me ajudar!” e foi nessa fase que meu filho foi embora!

Então eu não sei te dizer se ele foi embora porque eu não dei atenção, apesar de eu estar tentando explicar para ele que aquilo era passageiro, só que é filho, é criança, você não sabe, só que ao mesmo tempo eu acho que ele tinha maturidade já suficiente pra olhar e dizer: “A minha mãe está precisando de ajuda!” Não foi assim: ele teria que adivinhar que eu estava precisando de ajuda, não, eu dizia para ele: “Eu preciso que você lave teu prato e teu copo, é só teu prato e teu copo!” e não era nem para mim, era pra ele aprender a fazer porque já estava... já é um adolescente, um pré-adolescente! Então o V é muito maduro, você fala com ele, ele tem 14 anos, você pensa que está falando com um “peá” de 16, 17, ele tem uma maturidade muito boa, até depois que foi para casa do pai dele, aí deu uma regredida.

Então, até hoje eu não sei por que ele saiu!

Como já exposto, a saída do filho de casa foi muito traumática para TT e criou um ponto de tensão entre mãe e filho que, durante a entrevista, foi atribuído a diversas circunstâncias como sua orientação sexual, o fato do menino permanecer muito só em casa, a exigência dos afazeres domésticos, o direito de experimentar viver com o pai, enfim, uma série de hipóteses, mas ela não nega o rigor de suas exigências no convívio diário com o filho. Também concorda que a família de seu ex- marido tenha se aproveitado de um momento conveniente, ou seja, a vulnerabilidade do adolescente naquele momento, para retirá-lo de sua companhia.

Aspectos que indicam desagrado referentes a separação do casal também ainda estão muito presentes no discurso de TT, apesar da mesma colocar com segurança sua decisão, ou seja, a certeza de não querer retomar o casamento, mesmo porque já estava envolvida com C. São muitos os sentimentos que envolveram a separação do casal e a separação de mãe e filho, trazendo, algumas vezes, aspectos contraditórios na fala de TT. É provável que as significativas mudanças ocorridas em sua vida, em tão pouco tempo, não contribua para a superação dos conflitos que vivencia ainda hoje, como por exemplo, a mágoa que guarda do filho e a expectativa que o mesmo tenha atitudes mais maduras diante das circunstâncias apresentadas.

TT) Ele saiu de casa e quem conversou com ele foi a C, que disse que a hora que ele quisesse voltar poderia voltar, eu não consegui falar, eu só chorava, mas a C conversou com ele meio aos berros também, porque ela ficou muito brava com ele, mas eu NÃO vou chamar, ele saiu porque quis ou porque levaram e eu não vou chamar, não, eu sou muito boazinha, mas eu também sou muito ruim! E é meu filho e não é porque é meu filho que eu tenho que ‘baixar a guarda’ ou: “Ah você quis sair! Então tá!”

O casal já percebeu que existe uma vontade do adolescente em retornar à casa da mãe, mas mesmo entendendo que provavelmente houve a influência da família paterna e que esta também teve dificuldades em aceitar a sua união com outra mulher, não se manifesta e nem o encoraja a retornar para casa, acredita que

a iniciativa deva partir dele, assim como, supostamente, foi sua saída, mas não nega que foi uma atitude que trouxe muita dor. A atitude de V é interpretada como uma forma de aceitação em relação a união das mesmas.

Em vários pontos do relato é possível observar que TT mantém uma postura bastante rigorosa com o filho e C assume uma posição solidária à companheira. É possível ainda perceber que a separação do casal deixou algumas marcas que colaboram com as dificuldades no relacionamento entre TT e o ex-marido, inclusive por este ter tentado reatar o casamento e, logo após, ter solicitado a divisão do apartamento que, a princípio, seria de TT.

Nos casos de separação com posterior recasamento, em geral, é comum que os filhos tenham, além do enfrentamento da separação propriamente dita, algumas dificuldades em aceitar os novos parceiros do pai ou da mãe8, e é muito provável que estas dificuldades se acentuem ainda mais quando estes novos parceiros são do mesmo sexo.

Ramos (2003, p.67) afirma que:

Os filhos não escolheram nem a separação nem os novos companheiros de seus pais – não lhes caberia mesmo fazê-lo. No entanto, serão obrigados a aceitar essas duas situações e a tentar a conviver com os conflitos que elas acarretam. [...] Outro dado que parece dificultar a aceitação dos novos parceiros dos pais é a idade dos filhos na ocasião que o recasamento acontece.

A autora defende que se os filhos estiverem na adolescência este será um fator complicador diante das novas relações, o que provavelmente incorrerá em novos conflitos.

Outro ponto a considerar é que a saída de V coincide com um período de muita pressão na vida profissional de TT, sendo que esta almejava ascensão dentro da empresa. Por outro lado não abre mão dos períodos de visita, pois apesar do ressentimento e mágoa que ainda sente, não deseja se eximir do papel de mãe, ao

8 Ver mais sobre em RAMAOS, Magdalena. Novas parcerias, novos conflitos. In: Vínculos

Amorosos Contemporâneos: psicodinâmica das novas estruturas familiares. São Paulo: Callis,

contrário, mantém regularmente os finais de semana que lhe são atribuídos para ficar com o filho e exige sua presença.