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4 Analysis

4.1 Analyses of Survey 1 and 2

Mas afinal, o que são representações sociais? Como saber se um determinado conhecimento pode ser uma representação social?

Santos (2005, p. 21) adverte que nem todos os conhecimentos podem ser inseridos na categoria de uma representação social, do mesmo modo que é preciso distinguir uma Representação Social (RS) da Teoria das Representações Sociais (TRS).

Para Santos (2005, p. 25), representação social é uma “[...] forma de conhecimento compartilhado, articulado, que se constitui em uma teoria leiga a respeito de determinados objetos sociais”. Já a Teoria das Representações Sociais é “[...] um modelo teórico, um

conhecimento científico que visa compreender e explicar as representações sociais”

(SANTOS, 2005, p. 25).

A Teoria das Representações Sociais tem como objetivo estudar os fenômenos das representações sociais, que só podem ser classificados como representações na medida em que atendem a outros critérios, como se verá mais adiante, neste relato de pesquisa.

Sá (1996) comenta que essa dúvida é frequente entre os estudantes que iniciam os

estudos em representações sociais: será que [...] “tudo é representação social [...] todos os

objetos do ‘ambiente social, material e ideal’ são objetos de representação social por parte de

um ou outro grupo, conjunto ou segmento social?”

Sá (1996) responde que nem tudo é representação social e que não existe representação social de tudo.

Segundo IBAÑEZ (apud SÁ, 1996, p. 40), pode ser que um mesmo grupo tenha opiniões e imagens relativamente desconexas de um determinado objeto, assim como é

possível também que um determinado grupo tenha um conjunto de opiniões ou de informações sobre um determinado objeto sem que isso constitua a existência de uma representação social.

Para Alves-Mazotti (2008), as representações formam-se a partir do que denominou de

“universos consensuais”, de conhecimentos que deixam de ser simples opiniões e passam a ser vistos pelos grupos como verdadeiras “teorias” do senso comum, “[...] construções

esquemáticas que visam dar conta da complexidade do objeto, facilitar a comunicação e

orientar condutas” (ALVES-MAZOTTI, 2008, p. 21). Essas “teorias”, ainda segundo a autora,

ajudam a forjar a identidade grupal e o sentimento de pertencimento do indivíduo ao grupo. Nas palavras de IBAÑEZ (apud SÁ, 1996, p. 41) “[...] nem todos os objetos do

ambiente social chegam a se constituir em objetos de representação de algum grupo”. As

pessoas podem até falar sobre ele, se incitadas por pesquisadores, daí a importância do cuidado na construção dos objetos de pesquisa.

A elaboração teórica apresentada por Moscovici, segundo Alves-Mazotti (2008), focaliza os dois aspectos essenciais das representações sociais: os processos responsáveis por sua formação e o sistema cognitivo que lhe é próprio; Assim, estabelece-se “[...] um modelo capaz de dar conta dos mecanismos psicológicos e sociais de sua produção, suas operações e

suas funções, permitindo relacionar interações sociais, processos simbólicos e condutas”

(ALVES-MAZOTTI, 2008, p. 26).

Por representações sociais, entendemos um conjunto de conceitos, proposições e explicações originado na vida cotidiana no curso de comunicações interpessoais. Elas são o equivalente em nossa sociedade, dos mitos e sistemas de crenças das sociedades tradicionais: podem também ser vistas como a versão contemporânea do senso comum (MOSCOVICI, apud SÁ, 1996, p. 31).

Conforme destaca Santos (2008), Moscovici abriu a perspectiva de interconectar conceitos da sociologia e da psicologia, considerando que a realidade social é construída por sujeitos que a constroem e que são construídos por ela. Nesse processo de apropriação, o sujeito não reproduz os elementos da realidade objetiva, mas a reconstrói, a reelabora, em um constante processo cognitivo e social: “[...] representar uma coisa [...] não é com efeito

simplesmente duplicá-la, repeti-la ou reproduzi-la; é reconstitui-la, retocá-la, modificar-lhe o texto” (MOSCOVICI, apud SÁ, 1993, p. 33).

Para que um determinado conhecimento possa ser inserido na categoria de representação social, é preciso que seja observada uma série de condições.

Representação social é um conceito teórico em que se busca compreender a leitura que

um determinado grupo faz de um objeto. “É uma forma de conhecimento, socialmente

elaborada e partilhada, com um objetivo prático, e que contribui para a construção de uma

realidade comum a um conjunto social” (JODELET, 2001, p. 22).

Sobre ser social, Chamon (2009, p. 41) complementa:

[...] a representação é social, porque necessita de ao menos duas pessoas para existir [...] em representação há sempre um sujeito que representa um objeto, alguém buscando a compreensão de algo, e este alguém é sempre social, pois não é possível chamar de representação social a interpretação de algo por uma única pessoa.

Moscovici buscou compreender, por meio de seus estudos, “[...] o “poder das ideias” presentes nas propagandas nazistas [...] de como e porque as pessoas partilham o conhecimento e desse modo constituem sua realidade comum transformando ideias em

práticas” (MOSCOVICI, 2011 p.8).

Assim sendo, a comunicação por meio da “arte da conversação” tem papel fundamental na formação das RS.

[...] o pensar é feito em voz alta [...] Se nós pensamentos antes de falar e falamos para nos ajudarmos a pensar, nós também falamos para fornecer uma realidade sonora à pressão interior dessas conversações, através das quais no ligamos uns aos outros (MOSCOVICI, 2011, p. 51).

Marková (2011, p. 313) afirma, que em sua obra clássica, La Psychanályse, Moscovici conseguiu evidenciar como a ideologia comunista presente na propaganda da época buscava, por meio da combinação de palavras, desqualificar a psicanálise: “[...] achei este estudo

iluminador, porque ele mostrou uma relação direta entre o pensamento e a linguagem”

“Nós pensamos com nossas bocas”, disse Moscovici, ao reafirmar o papel da “[...]

conversação na gênese e partilha de nossas representações sociais” (MOSCOVICI, 2011, p.

332). “[...] a conversação está no epicentro do nosso universo consensual porque ela molda e

anima as Representações Sociais e assim lhes dá vida própria” (MOSCOVOCI, apud SPINK, 1996, p. 99).

Sá (1993) destaca também a importância dos meios de comunicação de massa nesse processo de transferência e transformação dos conhecimentos pelos divulgadores científicos, trazendo para o debate sua relevância na veiculação de conhecimentos do universo reificado.

Para Moscovici (2011), as representações sociais presentes em todos os grupos representam uma forma de conhecimento. Um conhecimento elaborado: “[...] as representações sociais são entidades quase tangíveis. Elas circulam, se entrecruzam e se cristalizam continuamente, através duma palavra, dum gesto, ou duma reunião em nosso

mundo cotidiano” (MOSCOVICI, 2011, p. 10).

Comunicação e representação social são processos interligados, indissociáveis, segundo Moscovici “[...] uma condiciona a outra, porque nós não podemos nos comunicar, sem que partilhemos determinadas representações, e uma representação é compartilhada e entra em nossa herança social, quando se torna um objeto de interesse de comunicação” (MOSCOVICI, 2011, p. 372).

A representação social é um saber prático, ancorado nas situações concretas vividas, um saber construído em um processo dinâmico, interativo e contínuo, a partir da realidade social, econômica e cultural dos grupos.

Assim sendo, é importante reconhecer, não apenas as representações de um grupo, mas as condições que a derivaram. O lugar onde se vive, os meios de comunicação a que se tem acesso, as atividades realizadas e a história de vida são, entre outros, elementos importantes na análise dos dados coletados acerca da realidade: “[...] de fato uma explicação adequada dos fenômenos de representação social deve dar conta de suas origens, de seus fins

ou funções e das circunstancias de produção” (SÁ, 1996, p. 43).

Sobre este tema Moscovici (1978, p.76) afirma: “[...] para qualificar uma

representação social não basta definir quem a produz [...] saber ‘quem’ produz esses sistemas é menos instrutivo do que saber ‘por que’ se produzem”.

MOSCOVICI (apud CHAMON, 2009, p. 76) define representação social como:

Um sistema de valores ideias e práticas, com uma dupla função: primeiro estabelecer uma ordem que possibilitará as pessoas orientar-se em seu mundo material e social e controlá-lo; e, em segundo lugar, possibilitar que a comunicação seja possível entre os membros de uma comunidade, fornecendo-lhes um código para nomear e classificar, sem ambiguidade, os vários aspectos de seu mundo e da sua história individual e social.

Moscovici buscou compreender “[...] o poder das ideias [...], de como e por que as

pessoas partilham o conhecimento e desse modo constituem sua realidade comum

transformando ideias em práticas” (MOSCOVICI, 2011, p. 8).

Em 2011, a Teoria das Representações Sociais completou 50 anos, e desde essa época, é convertida em muitos enfoques dentro da psicologia social. A partir dos estudos de Moscovici, outros pesquisadores, como Abric e Jodelet, desenvolveram complementos e metodologias de pesquisa, agregando assim novas contribuições à Teoria das Representações Sociais.

Em 1976, Abric propôs a Teoria do Núcleo Central, pela qual entendeu que nem todos os elementos que compõem uma representação têm a mesma importância.

Além do histórico embate entre métodos quantitativos e qualitativos, travado entre as ciências sociais e as ciências da natureza, o movimento de construção metodológica iniciado por Moscovici para o estudo das representações sociais continua incitando debates sobre os vários instrumentos de pesquisas que os métodos comportam, sobretudo com a evolução da informática e do aparecimento de softwares específicos, que enriquecem o trabalho das análises (CHAMON 2009, p. 60).

No Brasil, segundo Chamon (2009), a Teoria das Representações Sociais teve boa acolhida, despertando o interesse de grupos que desenvolveram encontros e conferências, como as sucessivas edições das Jornadas Internacionais sobre Representações Sociais, da Conferência Brasileira sobre Representações Sociais, e os grupos de pesquisa existentes na Associação Nacional de Pesquisas de Pós-graduação em Psicologia (ANPEPP).

Segundo Chamon (2014, p. 116), as representações sociais explicam como um grupo se apropria de um objeto social e recria coletivamente seu significado. Desse modo, é preciso estudar os elementos constituintes das representações sociais.

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