4. Analyse del 1
4.4 Utviklingen mot buddhistisk singalesisk politisk dominans
4.4.2 Analyserende refleksjon
O porto do Mindelo na ilha de São Vicente (Cabo Verde) era um importante ponto de amar- ração dos cabos submarinos, fundamentais, na época, para as comunicações telegráficas da Europa com a América e a África; o Mindelo era também naquela época um estratégico porto abastecedor de carvão para a navegação, e para a esquadra britânica em serviço na- quela área do Atlântico.
50 A Sala do Risco, com 80x18 metros, estava situada no extremo Oeste dos edifícios pombalinos, onde hoje estão
as messes das Instalações Centrais de Marinha. Em 1969, quando ali estava instalado o Instituto Hidrográfico, foi novamente destruída por um incêndio.
Figura 2. A localização das ilhas de Cabo Verde nas rotas do Atlântico. Desenho de José Manuel Cabrita.
Foi, por isso, o primeiro porto a ser dotado com um sistema de defesa contra ataques vin- dos do mar.
O cruzador São Gabriel (capitão-de-fragata Pinto Basto) que já estivera em Cabo Verde antes do início do conflito (28MAI-09JUN1914) voltou para aquele território em 8 de Se- tembro de 1914 para defesa e vigilância dos cabos submarinos que ancoravam na ilha de São Vicente.
A 2 de Dezembro largaria do Mindelo para ir às Canárias comboiar os paquetes Peninsu-
lar e Ambaca que tinham largado de Lisboa sob escolta do cruzador Vasco da Gama com
militares do Corpo Expedicionário para Angola; chegou a Luanda a 26 e regressou a São Vicente onde permaneceu até regressar a Lisboa a 20 de Abril de 1915.
Depois, foram enviadas as canhoneiras Beira, Ibo e Bengo que, com o patrulha Briga-
deiro Barreiros e os dois vapores armados Fendale e Mindelo, utilizados também como
patrulhas, garantiram a defesa marítima daquele porto. De recordar que estas canhoneiras eram então os mais modernos navios da Armada tendo entrado ao serviço, respectivamen- te, em 1911, 1913 e 1917.
Eram pequenas unidades construídas no Arsenal da Marinha, com 463 toneladas de des- locamento e 44 metros de comprimento; armadas com duas peças Krups de 76 mm, duas
Hotchkiss de 47 mm e duas metralhadoras, tinham uma guarnição de 85 homens e a sua
silhueta sui generis deu-lhes o epíteto de cruzadores de bolso.
Figura 3. A canhoneira Beira. Modelo do Museu de Marinha. Foto do autor.
A primeira a chegar foi a Ibo (1º tenente Carvalho Brandão), a 20 de Setembro de 1914 e que ali ficaria até 2 de Abril de 1918.
A Beira largou de Lisboa a 14 de Dezembro de 1914 (1º Tenente Cisneiros e Faria) e mante- ve-se em Cabo Verde até 24 de Junho de 1917, dali seguindo para os Açores. Voltaria a Cabo Verde em 26 de Janeiro de 1918 ali ficando até ao final do conflito.
Para substituir a Ibo, foi enviada a Bengo (1º Tenente Serra Guedes), um navio que aca- bara de ser construído no Arsenal da Marinha em Julho de 1917; chegaria a Cabo Verde em 5 de Maio de 1918.
Em 22 de Novembro de 1914 a Marinha enviou para Cabo Verde, embarcado no vapor
Cazengo o seu segundo contingente para o Ultramar; a Força Expedicionária de Marinha para Cabo Verde, de 90 homens (1 oficial, 9 sargentos e 80 praças), para efectuar a vigi-
lância e defesa dos cabos submarinos e do porto do Mindelo, comandado pelo 1º tenente Joaquim Costa.
Em terra existiam apenas duas velhas peças de bronze Krups de 76 mm montadas no ilhéu dos Pássaros e que foram transferidas para o Morro Branco, na ponta Sul da baía sen- do guarnecidas pelo pessoal da Força Expedicionária de Marinha.
Em Outubro de 1916 foram instaladas mais duas peças Armstrong 150mm desmontadas da fragata D. Fernando II e Glória e da canhoneira Zambeze e que foram montadas também no Morro Branco.
Em Janeiro de 1917 foram instaladas na ponta Norte da baía 4 peças de montanha Canet de 47 mm – com apenas 3 kms de alcance – guarnecidas por pessoal do Exército comanda- do pelo capitão João Sequeira.
Só em 1918 foi montada, no ilhéu dos Pássaros, outra bateria de Marinha constituída por três peças Hotchkiss de 47mm a que se juntaria uma peça francesa de 90 mm que a Beira trouxe de Dakar.
Na mesma data chegou também uma companhia de Infantaria do Exército.
No início do conflito, a Royal Navy tornara Cabo Verde numa base para a sua esquadra em serviço naquela área do Atlântico – couraçado Swiftsure, cruzador Highflyer e cruza- dor-auxiliar Marmora (um paquete da P&O armado).
Quando em 24 de Fevereiro de 1916 foram apresados os 8 navios alemães estacionados no Mindelo, foi o pessoal das canhoneiras Beira e Ibo quem executou esta operação e fez a guarda dos navios, cujas tripulações foram desembarcadas, ficando à guarda do pessoal da Força Expedicionária até serem internados na ilha de São Nicolau sob a guarda de uma força de Marinha comandada pelo 1º tenente Garcês de Lencastre, Delegado Marítimo da Praia.
Em 16 de Março de 1916, chegaram a São Vicente mais navios da Royal Navy, sob o co- mando do contra-almirante Gordon Moore – couraçado Swiftsure, cruzadores King Al-
fred, Suttley, Lancaster, Essex, Highflyer, Kent, cruzadores-auxiliares Carmania, Ophir, City of London e Marmora e numerosos navios auxiliares.
Deslocada do Funchal perante a ameaça dos submersíveis alemães – agora com maior autonomia – a frota deslocou-se para Sul, acolhendo-se em Cabo Verde para patrulhar as águas do Atlântico, a Sul das Canárias, o Golfo da Guiné e o Atlântico Sul.
Mas a baía do Mindelo era também vulnerável a ataques de submersíveis, face aos seus 5 kms de abertura e os cerca de 100 metros de profundidade que dificultavam a vigilância e permitia a aproximação dos submersíveis em imersão.
Figura 4. A Baía do Mindelo e o seu porto. Desenho de José Manuel Cabrita.
O alargamento para Sul, da ameaça submarina, obrigou os britânicos a retirar para Freeto- wn em Novembro daquele ano. Com a saída da esquadra deixaram também de frequentar aquele porto nacional os transportes de tropas australianos e os navios com cereais vindos da Argentina.
O porto foi sujeito a vários ataques de submersíveis alemães; a 4 de Dezembro de 1916 (um dia depois do ataque ao Funchal), o U-47 tentou entrar na baía do Mindelo onde se encontrava o paquete Moçambique com 500 militares a bordo e numeroso material de guerra; detectado pelos vigias da canhoneira Ibo, foi atacado a tiro e obrigado a mergulhar ainda dentro do porto e sair em imersão.
A canhoneira Beira, que também se encontrava no Mindelo, largou em auxílio da Ibo e, quando o inimigo voltou à superfície, já fora da baía, estava próximo daquela que o atacou com a sua artilharia obrigando-o a mergulhar novamente.
A ameaça submarina na região levou a que a tripulação e os passageiros civis do paquete
Moçâmedes, que regressava de África em Janeiro de 1917, protagonizassem um episódio
de revolta, recusando-se a largar de São Vicente sem que lhes fosse garantida a escolta por um navio militar. Ameaçados com a prisão, os tripulantes decidiram conduzir o navio para Lisboa.
Recordemos que em 13 de Novembro de 1916, o vapor Machico, (ex-alemão Belmar, de 6.118 TAB) que regressava de Moçambique, foi atacado por um submersível quando nave- gava a Norte das Canárias. Utilizando toda a potência da máquina o navio conseguiu colo- car-se fora do alcance das peças do submersível e abrigar-se entre as ilhas do Arquipélago das Canárias (a Espanha era um país neutro), evitando a sua destruição.
Em 9 de Fevereiro de 1917 houve nova tentativa de ataque ao porto; avistado pelos vigias do ilhéu dos Pássaros, o submersível desapareceria com a saída do porto da canhoneira Ibo.
Outro ataque foi efectuado em 2 de Novembro de 1917 pelo cruzador-submarino U-151, que torpedeou os vapores Guahyba e Acary de nacionalidade brasileira; os dois torpedos foram disparados de fora da baía a cerca de 300 a 450 metros dos dois navios que atingidos na linha de água se afundaram. A reacção da Ibo, que largou logo em sua perseguição, fez o inimigo abandonar o ataque e mergulhar.
A presença frequente de submersíveis alemães naquela região levou as autoridades mi- litares e navais portuguesas a desconfiar da existência de uma célula alemã na ilha que fornecesse informações e outros apoios aos inimigos.
As desconfianças viriam a recair sobre o navio mercante holandês Kennemerland, que ali se encontrava desde o início do conflito ao abrigo do estatuto da neutralidade. A sua tripu- lação tinha comportamentos menos apropriados, nomeadamente quanto ao cumprimento das normas de segurança do porto.
Eram frequentes os sinais de luzes do navio para o mar, o uso indevido da TSF e o incum- primento das determinações sobre a ocultação de luzes no período nocturno, permitindo a sua localização e a da entrada do porto.
No entanto, e apesar dos argumentos apresentados pelos comandos militares – nomea- damente pelo comandante da canhoneira Ibo, capitão-tenente Henrique Monteiro Correia da Silva, o Governador, comandante Abel Fontoura da Costa, não apoiava uma acção mili- tar sobre o navio e o internamento da sua tripulação.
Foi depois do ataque e afundamento dos navios brasileiros que o comandante da Ibo re- solveu intervir, o que lhe valeria uma chamada a Conselho de Guerra. O navio seria ocu- pado por uma força de marinheiros da canhoneira Ibo e a sua tripulação desembarcada e internada em terra. Ficou no navio uma pequena guarnição de presa constituída por mili- tares portugueses (Silva, 1931).
Quando a 7 de Novembro o mesmo submersível entrou na baía a coberto da noite e acos- tou ao Kennemerland, foi atacado a tiro pelos militares de bordo e pela Ibo, sendo obrigado a largar e a mergulhar.
A 14 do mesmo mês voltou a atacar a baía do Mindelo, após o que abandonou a região; dois dias depois atacou, junto à ilha da Madeira, o navio americano Margaret L. Roberts.
Com a chegada da canhoneira Beira, em Janeiro de 1918, vieram e foram instaladas bar- reiras submarinas. O navio trazia uma artilharia reforçada com mais uma peça de 90 mm, cargas de profundidade e caixas de fumo.
Após a chegada da Bengo em 5 de Maio de 1918, o serviço de vigilância passou a ter a seguinte constituição:
Canhoneira Beira armada com 1 peças de 90 mm, 1 de 65 mm, 2 de 47 mm e duas cargas de profundidade
Canhoneira Bengo armada com 1 peças de 90 mm, 4 de 47 mm e duas cargas de profun- didade.
Patrulhas Brigadeiro Barreiros, Fendale e Mindelo armados, cada um com uma peça de 47 mm e uma bomba de profundidade.
Barragem anti-submarina – constituída por três panos de redes com um comprimento
de 2.340 metros com 52 minas e 3 barcaças, guarnecidos por 1 oficial, 2 sargentos, 6 praças e números auxiliares civis.
Baterias de costa nas pontas Norte (4 peças Canet 47 mm) e Sul (2 peças Armstrong de
150 mm e 2 peças Krups de 76 mm), da Baía.
Posto de vigilância no ilhéu dos Pássaros guarnecido por um sargento e 9 praças e uma
bateria de 1 peças de 90 mm e 2 de 47 mm.
Com estas defesas, o porto voltou a ter movimento – com 80 navios em Setembro de 1918 – e ali se organizaram, até ao final da guerra, dois comboios com 24 e 19 navios sob a escolta de cruzadores-auxiliares britânicos (Inso, 2006).
Em Setembro de 1918 o Almirantado Britânico solicitou a colaboração da Divisão Naval
de Operações de Guerra da Marinha brasileira, então estacionada em Dakar, para a patru-
lha das águas adjacentes ao arquipélago de Cabo Verde, onde tinham sido avistados vários submersíveis inimigos.
Os navios brasileiros debatiam-se com a epidemia da Gripe Espanhola (pneumónica) e apenas os contratorpedeiros Piauí e Santa Catarina ainda dispunham de guarnições sufi- cientes para navegar; foi determinado pelo Comandante-chefe brasileiro, Almirante Fron- tin, que aqueles navios largassem para São Vicente a 8 de Setembro.
Mas epidemia alastrou-se a bordo do Santa Catarina e apenas o Piauí se fez ao mar. Mas a gripe acompanhou-o e quando dois dias depois atingiu o Mindelo e fundeou junto às ca- nhoneiras portuguesas Beira e Bengo, o número de doentes existentes impossibilitavam o navio de continuar a navegar (Maia, 1961).
Enquanto a guarnição brasileira melhorava, a epidemia atacou as guarnições dos navios portugueses. Seria o navio brasileiro quem, até 19 de Outubro, garantiu a vigilância da en- trada do porto do Mindelo, enquanto as guarnições portuguesas recuperavam da epidemia que lhes provocou nove mortos (8 na Beira e 1 na Bengo)51.
51 Faleceram ainda, naquele fatídico mês de Outubro de 1918, mais nove militares do Exército, dos quais, dois
5. Conclusões
A participação da Marinha Portuguesa na Grande Guerra enorme relativamente aos seus poucos recursos e os marinheiros portugueses podiam orgulhar-se do trabalho realizado.
Sem o caminho do mar não teria sido possível o abastecimento do Corpo Expedicionário
Português na Flandres, a acção mais visível da participação portuguesa no conflito, nem a
defesa do Ultramar, afinal uma das razões da nossa participação no conflito.
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