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Analysemetode

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4 Metodevalg og fremgangsmåte

4.6 Analysemetode

produções da indústria fonográfica, após a redução das verbas para os programas com plateias e para as grandes reportagens investigativas. A associação com a indústria do disco era rentável para as duas partes: as gravadoras dependiam das empresas radiofônicas para

vender os novos sucessos e os rádios dependiam de novas produções para conseguir atender os anseios de sua audiência por novidades. Nessa época as gravações já tinham qualidade bastante superior aos primórdios do rádio e os aparelhos de reprodução eram mais facilmente encontrados nas residências das grandes cidades. O rádio assume o papel de divulgador de novas produções e, mais do que isso, de filtro dessas produções. As músicas mais tocadas nas rádios eram, na maioria dos casos, as músicas mais vendidas nas lojas de discos.

Porém, esse poder difusão foi distorcido. Aos poucos surgem boatos que era possível comprar espaços de execução nas rádios. Os acordos não eram oficiais e inicialmente envolviam apenas o técnico que selecionava as músicas, sem a participação da administração das empresas, e garantiam que determinada música fosse executada diversas vezes até o público se identificar com o novo artista e começar a pedir que fosse novamente executado.

Essa prática nunca foi considerada ilegal, mas foi considerada antética porque negociava a os espaços e, por consequência, restringia as exposições espontâneas de diversos artistas, independente da qualidade artística ou da afinidade da produção com seu público. Apesar dos protestos, a prática de pagamento para execução, popularmente conhecida como “jabá”, tornou-se comum e alguns artistas denunciavam que era praticamente impossível participar da programação das rádios sem oferecer suborno. Contudo era exigido silencio absoluto sobre a prática, afinal não era conveniente que esse suborno fosse amplamente divulgado pelo risco de desencantar a audiência que ainda entendia que a programação era fruto de apreciação coletiva e da solicitação insistente para que o artista preferido fosse executado diversas vezes ao dia.

O silêncio foi quebrado a primeira vez em 1976, momento em que foi publicada uma reportagem investigativa na revista de maior circulação do Brasil na época. A Revista Veja enviou dois repórteres às principais emissoras de rádio da cidade de São Paulo e da cidade do Rio de Janeiro, que participaram da rotina dessas empresas durante algumas semanas, entrevistando comunicadores, locutores, administradores descritos como “homens assustados com a possibilidade de se verem incluídos no extenso rol de responsáveis pelas arbitrariedades diariamente praticadas na divulgação radiofônica da música” (SEIBEL; FAGÁ, 1976, p. 101).

Em seu texto, Seibel e Fagá inicialmente descrevem a grande quantidade de novos discos que chegavam diariamente às emissoras na esperança de serem escolhidos para entrar na programação. Esses discos eram expostos ao “poder de vida e morte” dos “senhores do ar”, que eram capazes de consagrar ou sepultar um cantor, compositor ou instrumentista. Para evitar os sepultamentos e mortes prematuras de possíveis sucessos, as gravadoras tentavam acordos com os programadores e apresentadores de programas do rádio. Esses acordos, porém, se tornaram cada vez mais frequentes, a ponto de criar um esquema mafioso, conforme descreve um dos entrevistados:

“Em toda profissão existem os bons e os maus profissionais. O que eu não consigo entender é como a exceção – composta pelos ruins – está se transformando, a cada dia, em regra”. A grave constatação parte de Antônio Celso, 33 anos de idade, programador, apresentador e assistente de direção da Rádio Excelsior de São Paulo. Segundo ele, existe um “esquema mafioso” de fabricação do sucesso. “Há programadores vendidos, que executam a música X porque receberam pagamento da gravadora. Em dinheiro ou presentes, é jabaculê, palavrinha de gíria que significa suborno. A qualidade da música absolutamente não vem ao caso” (SEIBEL; FAGÁ, 1976, p. 101).

O depoimento de Antônio Celso demonstra a dimensão do problema e como se tornou habitual a prática de suborno. Mais adiante outro entrevistado revela que o suborno possibilitava que um artista desconhecido fosse incluído diretamente entre os 10 mais tocados da rádio. A simulação de preferência do público resultava em novos pedidos e também, por consequência, no interesse pelo artista nas lojas de discos (SEIBEL; FAGÁ, 1976, p. 101).

Os jornalistas rapidamente constataram que era proibido falar do suborno entre gravadoras e as rádios e escreveram com ironia que “todos [nas rádios], invariavelmente, admitem sua existência [do suborno] e atuação – menos, é claro, em suas respectivas emissoras”. Mais adiante um dos entrevistados explica como são iniciadas as negociações e subornos:

“Primeiro me mandavam lembrancinhas, discos, litros de scotch. Depois, presente de aniversário para cada membro da minha família (...) e partiram em seguida para as sondagens. (...) Seria falta de ética da minha parte, mas sei de um que se vendeu por 2000 cruzeiros [nota: valor equivalente a um mês de salário para alguns radialistas]” (CELSO apud SEIBEL; FAGÁ, 1976, p. 102).

Seibel e Fagá relatam que além da compra de presente ou pagamento em dinheiro, algumas formas de suborno envolviam contratar programadores de rádio como produtores

artísticos em gravadoras, o que garantia que o artista produzido seria incluído na programação com destaque desde o lançamento. Porém, quando questionados sobre a prática, todos os entrevistados dizem não identificar nenhuma ilegalidade ou corrupção no trabalho contratado. Segundo os autores, todos os entrevistados se exaltavam e se ofendiam quando o assunto da entrevista era o suborno entre gravadoras e empresas de rádio. Alguns reforçavam o compromisso de suas empresas com a qualidade musical, com a audiência e com os anunciantes, mas nunca admitiam a possibilidade de a lista das mais pedidas ser manipulada, “nem em pensamento” mesmo que admitindo que “elas [as gravadoras] pedem dia e noite” (SEIBEL; FAGÁ, 1976, p. 102).

Em decorrência das semanas de observação e entrevistas, Seibel e Fagá puderam concluir que o esquema de corrupção começou bastante tímido no início dos anos 1970 – principalmente entre representantes e programadores específicos –, mas em pouco tempo se tornou parte importante dos lucros das rádios e essas negociações passaram a envolver os diretores das empresas: “Antes, os divulgadores das primeiras entendiam-se diretamente com os programadores. Agora, as conversas parecem haver se deslocado para um nível mais alto. Empresa-empresa” (SEIBEL; FAGÁ, 1976, p. 102).

O pagamento para execução se tornou um excelente negócio tanto para as empresas produtoras de conteúdo quanto para as empresas difusoras: para as primeiras era a garantia que a nova produção seria executada e receberia a atenção de milhares de pessoas diariamente, até que começassem a comprar os discos desses artistas; para as empresas difusoras era uma fonte de lucro adicional e, em alguns casos, os contratos de exclusividade de alguns artistas mais famosos, o que incluía concertos exclusivos ou promoções que envolviam a presença de artistas e fãs.

A reportagem da Revisa Veja deve ser vista como um documento histórico em que está impressa a primeira denúncia ao grande público sobre os procedimentos de elaboração das listas de músicas mais pedidas. A reportagem nos revela o poder concentrado nas empresas de radiodifusão, por meio dos “senhores do ar”, alimentado pela indústria de discos que atuava sob qualquer preço para promover um possível grande sucesso de vendas.

Mesmo denunciado, o esquema de corrupção continuou durante as décadas de 1980 e 1990. Os arquivos dos meios de comunicação fazem diversas referências a essa

prática de suborno ao longo dos anos (FOLHA… 1976a; FOLHA… 1976b). A prática nunca foi enquadrada como crime ou punida pela legislação brasileira.

2.3.2. A televisão no Brasil: o uso estratégico da concentração midiática na televisão e

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