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A LFS é uma síndrome de difícil acompanhamento por apresentar um

espectro tumoral amplo e diversificado (Varley et al. 1997a). Até o momento,

rastreamento de lesões em mama a partir de idade jovem é, no momento, a única

estratégia recomendada no acompanhamento destes pacientes (National

Comprehensive Cancer Network - NCCN 2008) (Quadro 3).

Quadro 3. Estratégias de rastreamento na LFS/LFL - NCCN.

Rastreamento Adultos em Risco

Risco para câncer de mama

Educação para o auto-exame das mamas a partir dos 18 anos Exame clínico das mamas semestral a partir dos 20-25 anos Mamografia anual a partir de 20-25 anos

Ressonância magnética das mamas anual realizado seis meses após da mamografia.

Informar sobre cirurgia redutora de risco bilateral (individualizar a cada família) e AG sobre grau de proteção e possibilidades de reconstrução

Risco para câncer colorretal

Colonoscopia a cada 2 a 5 anos a partir dos 25 anos

Risco para outros tumores

Avaliação e exame dermatológico e neurológico anual

Tumores raros Exame clínico com foco na detecção de tumores raros e novos tumores primários

Agrupamentos de tumores

Rastreamento direcionado aos tumores ocorridos nas famílias

Crianças em risco

Tumores infantis Informar pediatras sobre risco de tumores infantis

Como o câncer de mama atinge até 30% de todas as mulheres portadoras da

síndrome, torna-se o principal alvo para estratégias de rastreamento de tumores na

síndrome. Foi sugerido por Thull e Vogel (2004) que mulheres portadoras da

mutação no gene TP53 deveriam considerar a possibilidade da realização da cirurgia

redutora de risco para as mamas, ou mastectomia profilática bilateral. Uma vez

oferecido e iniciado o acompanhamento aos pacientes com diagnóstico da LFS/LFL,

ressaltada a importância do acompanhamento clínico freqüente e especializado. Os

pacientes devem ter conhecimento do amplo espectro tumoral da síndrome, assim

como de sua expressividade variável, e saber como detectar possíveis sintomas

relacionados a tumores, tais como emagrecimento repentino, hiperemia e prurido na

região da mama ou sangramentos em mucosa gengival. O rastreamento baseado nos

tumores mais freqüentemente apresentados pelas famílias deve ser preconizado, ou

seja, em famílias com alto índice de câncer de estômago, o exame de endoscopia

digestiva alta deve ser realizado em todos os indivíduos em risco, e lesões suspeitas

devem ser acompanhadas por um gastroenterologista. Pacientes portadores da

síndrome que sobreviveram à primeira neoplasia devem prosseguir o rastreamento

devido ao a risco de desenvolvimento de novas lesões primárias (Hisada et al. 1998).

O maior desafio de todos os profissionais que acompanham pacientes

portadores da síndrome é o acompanhamento de crianças. A ocorrência de tumores

infantis está na essência da síndrome e faz parte dos critérios clássicos assim como

dos outros critérios variantes. No entanto, são tumores que podem ocorrer em

múltiplos sítios, como SNC, osso ou regiões de partes moles. O acompanhamento de

crianças que são possíveis portadoras é controverso devido ao fato de não existir

nenhum exame específico que venha reduzir a incidência ou mesmo levar ao

diagnóstico precoce dos tumores relacionados à LFS/LFL na infância. A introdução

de dosagens hormonais e por métodos de imagem para detecção precoce de ADR em

crianças portadoras da mutação R337H no gene TP53 foi proposta por Pereira

(2006). Os pediatras que acompanham crianças que são portadoras da síndrome

devem ser informados sobre o diagnóstico e risco, e o acompanhamento clínico deve

Malkin da Universidade de Toronto vem desenvolvendo um protocolo de pesquisa

no qual avalia anualmente as crianças portadoras da síndrome com ressonância

magnética de corpo inteiro (Malkin 2008 - comunicação pessoal). Este é considerado

um procedimento controverso, pois expõe as crianças a anestesia necessária na

imobilização para a realização do exame em boas condições, além do alto custo que

o inviabiliza na maior parte dos centros.

A multiplicidade de tumores observados na síndrome levou aos pesquisadores

do Hospital Dana-Farber, nos Estados Unidos, a realizar um estudo avaliando a

utilidade da tomografia computadorizada por emissão de pósitrons (PET-CT) em

portadores assintomáticos de mutações germinativas no gene TP53, visando à

detecção de tumores malignos em estágios iniciais (Digianni et al. 2008). Dentre 15

indivíduos acompanhados por dois anos, três (20%) desenvolveram um câncer, sendo

verificados dois casos de tumores papilíferos de tireóide (estágios II e III) e um caso

de adenocarcinoma de esôfago (estágio II). Frente aos resultados observados, os

pesquisadores sugeriram que existe benefício referentes à detecção precoce porém o

risco a exposição a radiação e custo devem ser reavaliados (Masciari 2007).

Tumores colorretais foram descritos na literatura como parte do espectro Li-

Fraumeni, mas até recentemente eram considerados como tumores ocasionais e não

faziam parte do grupo de tumores mais relacionados à LFS/LFL. No entanto, após

estudo realizado por Wong et al. (2006), verificou-se que de 62 famílias portadoras

da síndrome, 32 apresentavam ao menos um tumor gastrointestinal, representando

51% de todas as famílias portadoras da LFS/LFL. Os tumores colorretais foram

12,5% de todos os tumores referidos (8/62). Estes tumores ocorreram

tumores ocorridos, quatro deles foram detectados em indivíduos antes dos 21 anos

(aos nove, 11, 15 e 20 anos). Desta forma, foi sugerida a inclusão de colonoscopia no

programa de rastreamento de tumores em portadores da síndrome. Isto ocorreu na

última revisão das estratégias de rastreamento propostas pelo NCCN realizada em

fevereiro de 2008, sendo a colonoscopia incluída como um dos exames considerados

necessários, devendo ser realizada inicialmente antes dos 25 anos e repetida a cada

dois a cinco anos.