5.2 Analyse des discours de Marine Le Pen 2011-2018
5.2.3 Analyse du discours lors des Estivales de Fréjus le 18 septembre 2016
A ERSAR disponibiliza às EG, Guias de Avaliação da Qualidade dos Serviços Prestados
aos Utilizadores (Alegre et al., 2009 e Alegre et al., 2010), onde identifica e especifica todos
os componentes do sistema de avaliação e o conjunto de indicadores de qualidade do serviço a
utilizar. São também definidos pela ERSAR os procedimentos de avaliação, através da
definição da informação a obter, do cálculo de indicadores, da sua interpretação e análise
comparativa, numa perspetiva de benchmarking, e da produção do relatório de síntese (Alegre
et al., 2010). A implementação do sistema de avaliação assenta num conjunto de indicadores
que permitem avaliar de modo quantificado o cumprimento dos principais objetivos do
serviço. Baseia-se em informação de apoio à interpretação dos resultados, composta pelo
perfil da entidade gestora, pelo perfil do sistema, por outros fatores de contexto não incluídos
nos perfis referidos e pelos dados de base que alimentam esta informação (Alegre et al.,
2010). A Figura 2.32 apresenta esquematicamente os componentes do sistema de avaliação da
qualidade do serviço e os fluxos de dados que ocorrem. O perfil da EG pretende dar uma
imagem da estrutura da sua organização. Engloba o conjunto de aspetos que a caracterizam
sumária e univocamente. Contempla informação sobre o tipo de sistema, modelo de gestão, a
dimensão e respetiva circunscrição da EG (Alegre et al., 2010). As EG são classificadas em
função do tipo de sistema gerido, em alta ou em baixa conforme já apresentado nos sub-
capítulos 2.2.6 e 2.2.7. O perfil do sistema descreve o conjunto de infraestruturas e
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Figura 2.32: Componentes do sistema de avaliação da qualidade do serviço. (Fonte: Alegre et al., 2010)
Existe uma relação de interdependência coerente e articulada entre o perfil da EG e do
sistema e a avaliação da qualidade de serviço que assenta na implementação de um sistema
constituído por indicadores (Figura 2.33).
Figura 2.33: Sistema de ID. (Fonte: adaptado de Matos et al., 2002)
De forma a dispor de instrumentos para a avaliação de desempenho da EG relativamente
aos objetivos de regulação, os ID são organizados por grupos que no seu conjunto, traduzem
de modo sintético, os aspetos mais relevantes do desempenho da EG de uma forma que se
pretende verdadeira e equilibrada. Os ID devem ser sempre analisados no seu conjunto com
conhecimento de causa, e associados ao contexto em que se inserem.
Os fatores de contexto têm como objetivo auxiliar a interpretação de alguns indicadores.
Incluem fatores externos que são independentes de opções de gestão, tais como fatores
D a d o s d o s is te m a d e a v a li a çã o d a q u a li d a d e d o s er v iç o Dados internos (relativos à EG e ao sistema) Dados externos (relativos à região) Perfil da EG e do sistema Indicadores da qualidade do serviço Factores de contexto da qualidade do serviço Indicadores de Desempenho Informação de contexto (Perfil da EG) (Perfil do sistema) (Perfil da região)
Sistema de Indicadores de Desempenho
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climáticos, de ocupação urbanística e de topografia, mas também fatores internos
nomeadamente os que dependem de opções de gestão de médio ou longo prazo, tais como
materiais e tempo de vida (Alegre et al., 2009). Os fatores de contexto não estão sujeitos a
nenhum formato pré-definido, mas devem referir-se sempre a informação auditável. Não
afetam o resultado da avaliação mas poderão ser tidos em conta na apreciação realizada
(Alegre et al., 2010).
Os dados internos de cada EG são muito importantes para definir o perfil da EG, os ID e
os fatores de contexto. As EG têm de recolher dados internos (relativos à própria EG e ao
sistema operado) e dados externos que terá de obter junto de outras fontes. Os dados internos
têm de estar de acordo com a definição estabelecida, referir-se ao mesmo período de tempo e
área geográfica, e serem tão exatos e fiáveis quanto técnica e economicamente possível. Os
externos têm de ser originários de estatísticas oficiais sempre que possível e serem
fundamentais para o cálculo de um ou mais indicadores.
Depois da recolha, as EG têm de fazer uma autoavaliação da qualidade dos dados
recolhidos, para que os utilizadores da informação estejam cientes da confiança que lhe está
associada (Alegre et al., 2010). Os ID do sistema de regulação da ERSAR foram
reestruturados, sendo que, inicialmente se pautavam por três objetivos (Alegre et al., 2009):
(i) defesa dos interesses dos utilizadores; (ii) sustentabilidade da EG; e (iii) sustentabilidade
ambiental, compondo no seu total 20 ID listados conforme se apresenta no Quadro 2.15.
Posteriormente, o sistema de avaliação da qualidade do serviço foi revisto dando origem
à 2.ª geração de avaliação a qual coincide nas suas grandes linhas com o anterior. O sistema
de indicadores foi reorganizado de acordo com os princípios da norma ISO 24500 que
estabelecem que se identifiquem claramente os objetivos da avaliação, os critérios a adotar
para avaliar o cumprimento de cada objetivo e os indicadores correspondentes a cada critério
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Quadro 2.15. ID para a gestão de RU. (Fonte: adaptado de Alegre et al., 2009)
Objetivos Indicadores EG alta EG baixa
Adequação da interface com o
utilizador
Acessibilidade do serviço aos utilizadores RU01 – Cobertura de serviço (%)
RU02 – Cobertura da recolha seletiva (%) RU03 – Preço médio do serviço (€/t)
Qualidade do serviço prestado aos utilizadores RU04 – Resposta a reclamação escritas (%)
X X X X X X X X Sustentabilidade da prestação do serviço Sustentabilidade económico-financeira da EG RU05 – Racio de cobertura dos custos operacionais (-) RU06 – Custos operacionais (€/t)
RU07 – Rácio de solvabilidade (-) Sustentabilidade infraestrutural da EG RU08 – Reciclagem (%)
RU09 – Valorização Orgânica (%) RU10 – Incineração (%)
RU11 – Deposição de aterro (%)
RU12 – Utilização da capacidade de encaixe anual em aterro (%)
Sustentabilidade operacional da EG
RU13 – Avarias em equipamento pesado (n.º/1000t) RU14 – Caracterização dos resíduos (-)
Sustentabilidade em recursos humanos da EG RU15 – Recursos humanos (n.º/1000t)
X X X X X X X X X X X X X X X X X Sustentabilidade ambiental
RU16 – Análises realizadas aos lixiviados (%) RU17 – Qualidade dos lixiviados após tratamento (%) RU18 – Utilização de recursos energéticos (kWh/t) (l/t) RU19 – Qualidade das águas subterrâneas (%)
RU20 – Qualidade das emissões para o ar (%)
X X X X X X
Desta aplicação resultou à semelhança do sistema de ID anterior, a identificação de três
objetivos (i) adequação da interface com o utilizador: com este grupo de indicadores pretende-
se avaliar se o serviço prestado aos utilizadores no ano a que se refere a avaliação foi
adequado, nomeadamente ao nível da maior ou menor acessibilidade física e económica que
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dois aspetos referidos: acessibilidade do serviço aos utilizadores e qualidade do serviço
prestado aos utilizadores; (ii) sustentabilidade da prestação de serviço: com este grupo de
indicadores pretende-se avaliar se estão a ser tomadas as medidas básicas para que a prestação
do serviço seja sustentável; subdivide-se este grupo nos aspetos de sustentabilidade
económica do serviço, de sustentabilidade infraestrutural do serviço e de produtividade física
dos recursos humanos; e (iii) sustentabilidade ambiental: com este grupo de indicadores
pretende-se avaliar o nível de salvaguarda dos aspectos ambientais associados às atividades da
entidade gestora; subdivide-se este grupo em aspetos de eficiência na utilização de recursos
ambientais e de eficiência na prevenção da poluição (Alegre et al., 2010) compondo no seu
total 18 ID listados conforme se apresenta no Quadro 2.16, que visam promover que os
serviços prestados aos utilizadores sejam adequados e sustentáveis com práticas
ambientalmente mais corretas. As principais alterações na 2.ª Geração de avaliação da
qualidade de serviço são as seguintes (Alegre et al., 2010): (i) o número de indicadores a ser
avaliado em cada setor é reduzido de 20 para 18, o que corresponde a uma simplificação do
sistema; (ii) os indicadores sofreram alguns ajustes em definições e valores de referência; (iii)
os critérios de atribuição de níveis de fiabilidade de dados estão definidos com maior clareza;
e (iv) estabeleceram-se critérios mínimos de aceitabilidade de dados, ou seja, são
considerados como não disponíveis dados com fiabilidade inferior aos mínimos definidos.
A metodologia aplicada pela ERSAR neste processo de avaliação respeita uma sequência
de fases, de forma a constituir um sistema claro, racional e transparente (Alegre et al., 2010).
A didáctica adotada envolve tarefas da responsabilidade da EG e da ERSAR. A EG tem a seu
cargo a preparação e fornecimento de dados à ERSAR, necessários para a determinação dos
ID. Cada EG tem de efetuar a recolha de dados internos e externos tendo em atenção as
especificações constantes no que respeita aos conceitos, definições, comentários e unidades,
seguida por uma autoavaliação da qualidade dos dados em termos de bandas de exatidão e
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Quadro 2.16. ID para a gestão de resíduos urbanos – 2.ª Geração. (Fonte: Alegre et al., 2010)
Objetivos Indicadores EG alta EG baixa
Adequação da interface com o
utilizador
Acessibilidade do serviço aos utilizadores RU01 – Acessibilidade física do serviço (%)
RU02 – Acessibilidade do serviço de recolha seletiva (%) RU03 – Acessibilidade económica do serviço (%) Qualidade do serviço prestado aos utilizadores RU04 – Lavagem de contentores (-)
RU05 – Resposta a reclamações e sugestões (%)
X X X X X X X X X X Sustentabilidade da prestação de serviço Sustentabilidade económica
RU06 – Gastos operacionais unitários (€/t) RU07 – Cobertura dos gastos operacionais (-) Sustentabilidade infraestrutural
RU08 – Reciclagem de resíduos de embalagem (%) RU09 – Valorização orgânica (%)
RU10 – Incineração (%)
RU11 – Deposição direta em aterro (%)
RU12 – Utilização da capacidade de encaixe anual em aterro (%)
RU13 – Renovação do parque de viaturas (km/viatura) RU14 – Rentabilização do parque de viaturas (kg/m3.ano) Produtividade física dos recursos humanos
RU15 – Recursos humanos (n.º/1000t) Sustentabilidade Ambiental
RU16 – Utilização de recursos energéticos (kWh/t) RU16 – Utilização de recursos energéticos (tep/t) RU17 - Qualidade dos lixiviados após tratamento (%) RU18 – Emissão dos gases com efeitos de estufa (kg CO2/t) X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X
A metodologia aplicada pela ERSAR neste processo de avaliação respeita uma sequência
de fases, de forma a constituir um sistema claro, racional e transparente (Alegre et al., 2010).
A didáctica adotada envolve tarefas da responsabilidade da EG e da ERSAR. A EG tem a seu
cargo a preparação e fornecimento de dados à ERSAR, necessários para a determinação dos
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especificações constantes no que respeita aos conceitos, definições, comentários e unidades,
seguida por uma autoavaliação da qualidade dos dados em termos de bandas de exatidão e
fiabilidade da fonte de informação.
No que respeita ao procedimento de autoavaliação dos dados, importa referir que, de
acordo com a terminologia metrológica, a exatidão de uma medição é a aproximação entre o
resultado da medição e o valor (convencionalmente) verdadeiro da grandeza medida (Alegre
et al., 2010). Neste caso, a ERSAR assume que a exatidão contabiliza o erro relativo ao
conjunto de processos de aquisição e processamento do dado, incluindo o erro decorrente de
eventual extrapolação entre medidas pontuais e o valor global fornecido (Alegre et al., 2010).
Dado que, em geral, não é viável conhecer com rigor o erro associado e cada dado, mas que se
conhece com facilidade a sua ordem de grandeza, a exatidão dos dados é avaliada com a
classificação de bandas (Alegre et al., 2010) que se apresenta no Quadro 2.17.
Quadro 2.17. Banda de exactidão de dados. (Fonte: Alegre et al., 2010)
Banda de Exatidão de
dados Erro associado ao dado fornecido
(0 – 5)% Melhor ou igual a + 5%
(5 – 20)% Pior do que 5%, mas melhor que ou igual a + 20%
(20 – 50)% Pior do que 20%, mas melhor que ou igual a + 50%
(50 – 100)% Pior do que 50%, mas melhor que ou igual a + 100%
(100 – 300)% Pior do que 100%, mas melhor que ou igual a + 300%
> 300% Pior do que 300%
A fiabilidade dos dados é essencial para que um sistema de avaliação seja transparente,
objetivo e aceite por todos os intervenientes. Uma vez que os dados podem ser de origem
interna ou externa, há que haver uma forma de aferir a precisão desta informação, em ambos
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Quadro 2.6. Banda de fiabilidade da fonte de informação. (Fonte: Alegre et al., 2010)
Banda de Fiabilidade da
fonte de informação Conceito associado
***
Dados baseados em medições exaustivas, registos fidedignos, procedimentos, investigações ou análises adequadamente documentadas e reconhecidas como o melhor método de cálculo.
**
Genericamente como a anterior, mas com algumas falhas não significativas nos dados, tais como parte da documentação estar em falta, os cálculos serem antigos ou ter-se confiado em registos não confirmados, ou ainda terem-se incluído alguns dados por extrapolação.
* Dados baseados em estimativas ou extrapolações a partir de uma amostra limitada.
A ERSAR tem à sua responsabilidade a validação, processamento e interpretação dos
dados com a posterior publicação e divulgação do relatório anual (Relatório Anual do Setor
de Águas e Resíduos - RASARP) que segundo Alegre et al. (2004) inclui: (i) uma avaliação
conjunta da qualidade do serviço prestado aos utilizadores onde serão feitas comparações
entre EG, precedidas do estabelecimento de grupos de EG comparáveis entre si e tendo em
conta fatores de contexto – benchmarking; e (ii) uma avaliação individual da qualidade do
serviço prestado por cada EG, onde serão analisados os seus resultados comparando-os com
os parâmetros estatísticos referentes ao conjunto das EG. Nos casos em que o processo de
avaliação esteja a ser aplicado a uma EG pelo segundo ou mais anos consecutivos a sua
avaliação incluirá, ainda, uma análise da evolução da qualidade do serviço por ela prestado ao
longo do tempo. Note-se que, apesar deste sistema de ID para efeitos de regulação, pretender
incluir os ID mais relevantes e requeridos para a satisfação das necessidades e dos objetivos
de gestão em termos de avaliação e de melhoria de desempenho das EG, estas não se devem
restringir aos mesmos. Tal como Matos et al. (2004) referem, poderão ser necessários
indicadores complementares, os quais tendem a ser muito mais dependentes da estrutura e
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