3 METODE
3.5 Analyse av datamaterialet
Diversas hipóteses têm sido propostas para explicar como as funções neurológicas são alteradas em condições dos espectros psicótico e autista (BARON- COHEN et al., 2005; BRUNE 2004; BURNS, 2004; GREY, 1998; HAPPÉ e FRITH 2006; JOHNSON, 2005). Um ponto de quase consenso nessas ideias é que disfunções cognitivas são movidas por interações alteradas entre e dentro dos componentes do cérebro social humano, que compreende a amígdala, sulco temporal superior, o córtex orbito frontal, o córtex cingulado anterior, junção temporoparietal, pólos temporais, córtex pré-frontal medial, e os sistemas de neurônios-espelho (BRUNE 2004; BURNS, 2004, 2006a; HAPPÉ e FRITH 2006). A hipótese proposta
por Crespi e Badcock (2008) prevê que sistemas integrados do cérebro social são interrompidos de forma diametralmente oposta em condições do espectro autístico- psicótico. Esta hipótese pode ser avaliada através da análise de como os aspectos do olhar, a intencionalidade, a agência, a teoria da mente e os sistemas de neurônios- espelho são subdesenvolvidos ou desregulados no autismo e na esquizofrenia, a condição com mais informação disponível (CRESPI; BADCOK, 2008), como descrito na tabela 8.
Tabela 8 - Estudos dos espectros autista e esquizofrênico em relação às
funções neurológicas na cognição social
Traço Espectro Autista Espectro Psicótico
Cognição Déficits relacionados com rastreio (49)
Déficits na interpretação de intenções (52)
Déficits em atenção compartilhada (55)
Déficits na agência pessoal (56-57) Teoria da Mente subdesenvolvida (58,59) Hipoativação em BA8,4446 em estudos de imaginação funcional (64) Redução da desativação da rede de descanso (71) Literalidade e incapacidade para ludibriar (74) Redução da imaginação e de jogos simbólicos (76-78) Filtragem anormal de estímulos sensoriais, comportamento repetitivo, e foco em um ou alguns aspectos do ambiente (81,82) Sem linguagem em alguns dos casos de autismo de Kanner; Discurso interior ausente ou reduzido (86)
Habilidades visuais e espaciais melhoradas em relação às habilidades verbais (88,89)
Aumento de processamento local (em relação ao global) (92)
Hiperlexia (95,96)
Aumento de desativação da rede de repouso; mais regiões em rede (72,73) Mentalidade delirante, autoengano, ideação mágica (53,75)
Complexos delírios sociais, imaginação melhorada (79, 80)
Redução da filtragem de relevância de estímulos; associações entre palavras e entre aspectos ambientais “solta”, criatividade aprimorada (83-85) Alucinação auditiva e a inserção de pensamento (87)
Déficits em algumas habilidades visuais e espaciais relativas a habilidades verbais (90,91)
Aumento de processamento global (93,94)
Dislexia (97,98)
Referência: (49) Ristic et al., 2005; (52) Gallese 2006; (53) Kimhy et al., 2005; (55) Tomasello et al., 2005; (56) Toichi et al., 2002; (57) Grandin 2004; (58) Baron-Cohen & Belmonte 2005; (59) Frith 2003; (64) Happe et al., 1996; (71) Kennedy et al., 2006; (72) Garrity et al., 2007; (73) Harrison et al.,
2007; (74) U. Frith 2004; (75) Camisa et al., 2005; (76) Losh & Capps 2003; (77) Blanc et al., 2005; (78) Honey et al., 2006; (79) Claridge et al., 1990; (80) Nettle 2001; (81) Happe ´ 1994; (82) Landry & Bryson 2004; (83) Brugger & Graves 1997a; (84) Brugger & Graves 1997b; (85) Mathes et al., 2005; (86) Whitehouse et al., 2006; (87) Jones & Fernyhough 2007; (88) Baron-Cohen et al., 2001; (89) Baron-Cohen et al., 2005; (90) Toulopoulou et al., 2005; (91) Kravariti et al., 2006; ((93) Bellgrove et al., 2003; (94) Sumich et al., 2005; (95) Just et al., 2004; (96) Turkeltaub et al., 2004; (97) Bersani et al., 2006; (98) Edgar et al., 2006.
Fonte: Crespi & Badcock: Psychosis and autism as diametrical disorders of the social brain in: BEHAVIORAL AND BRAIN SCIENCES p.248 (2008)
A fim de identificar os componentes específicos neurobiológicos da cognição social, Veluw e Chance (2013) propuseram uma meta-análise sobre a percepção de si e dos outros. Com base em paradigmas bem-definidos; reconhecimento da própria face e na falsa crença da TdM, confirmou-se que certas regiões distintas de ativação são importantes para a auto-consciência e ToM. As principais regiões foram o córtex medial pré-frontal (CMPF), junção temporo-parietal (JTP) bilateral, pré-cúneo e giro temporal medial bilateral para ToM e giro temporal superior direito, giro para- hipocampal direito, giro inferior direito frontal/córtex anterior cingulado e o lobo inferior parietal (LIP) esquerdo para auto-consciência. Áreas que estavam envolvidas em ambas as tarefas foram o giro temporal superior, e as partes mais ventrais do CMPF. O envolvimento de JTP e CMPF tanto em falsa crença quanto no reconhecimento da própria face sugere seu envolvimento tanto em diferenciações si dos outros tanto de alto como de baixos níveis, embora inspeções mais minuciosas das áreas ativadas do córtex pré-frontal e do giro supra temporal para os dois níveis de tarefa revelou que eles estão em subáreas intimamente relacionadas, mas nem sempre idênticas. Estes resultados embasam a noção de que a percepção de si e dos outros envolve uma rede composta por vias neurais separadas, mas também inclui regiões que se sobrepõem, de maior ordem do córtex pré-frontal em que estes processos podem ser combinados para contribuir para uma integração mais global que apoia os processos de integração metacognitivos. Insights provenientes da neurobiologia dos transtornos, tais como o autismo e a esquizofrenia, são consistentes com essa noção, indicando que percepções atípicas de si e dos outros referem-se a uma conectividade alterada em vias neurais similares semelhantes e sobrepostas. (COOK et al., 2012).
Veluw e Chance (2013) ainda identificaram semelhança entre as redes, apesar das diferenças de tarefas, podem indicar uma distinção subjacente de si e dos outros
em comum, que poderia ser investigada em estudos futuros em nível perceptual. Por exemplo, estimulação tátil do eu/outro, (BLAKEMORE et al., 1999), a falsa ilusão da mão na caixa de espelho (EGSGAARD et al., 2011) ou o efeito MCGURK e a ilusão da 'mão de borracha" (ZHENG et al., 2011) oferecem ao eu/outro outras distinções em diferentes modalidades que podem ser testados em adição ao teste da própria face. Estudos futuros podem também investigar como a modulação dessas distinções perceptuais de si/outro depende da conectividade de regiões de pré-frontais, como o CMPF com regiões posteriores, incluindo o JTP (Veluw e Chance, 2013).
Tab. 8 – Artigos incluídos na metanálise de Veluw e Chance (2013) Estudos incluídos na busca da literatura por reconhecimento da própria face
Estudo Objetos Tarefa Áreas do cérebro X* Y* Z*
Devue et al., 2007 N=20 Própria face intacta > Insula direita 38 22 16 Idade média 22.1 anos Face intacta do colega
Giro direito frontal inferior 48 32 14
Idade 18–27 anos 20 mulheres Kircher et al.,
2000
N=6 Própria face > Ínsula anterior direita 53 − 1 6 homens Face
desconhecida
Ínsula direita meioposterior 50 -2 -6
Giro fusiforme esquerdo − -87 -12 Lenticular Direita / núcleo
subtalâmico
14 -11 -5
Giro temporal direito superior / meio
53 -2 -11
Giro frontal inferior esquerdo - 33 35 16 Giro frontal inferior esquerdo 39 33 -1 Cerebelo direito 11 -50 -20 Cingulado anterior 1 10 37 Cingulado anterior direito 4 39 -2 Cingulado anterior direito 7 45 -9 Giro supramarginal esquerdo /
IPL
− -42 34
Precúneo direito 11 -61 29 Giro frontal médio esquerdo − 36 35 Formação hipocampal direita 13 -46 4 Formação hipocampal direita 14 -37 -3 Kircher et al.,
2001
N=20 Própria face > Giro fusiforme esquerdo − -85 -12 Idade média
31 anos
Face do parceiro
Lenticular Direita / núcleo subtalâmico
14 -11 -5
20 homens Giro temporal médio direito 50 -2 -11 Ínsula anterior direita 43 -2 1 Ínsula posterior meio-direita 56 -5 -6 Giro frontal inferior esquerdo − 28 17 Giro supramarginal esquerdo /
IPL
− -38 34 Formação hipocampal direita 11 -37 -3 Platek et al.,
2004
N=5 Própria face > Giro frontal médio direito 46 28 46
Face famosa Giro frontal superior direito 42 28 49 Giro frontal inferior direito 46 11 25 Platek et al.,
2006
N=12 Própria face > Giro frontal superior direito 26 34 34
Idade média 19.36 anos
Face familiar Giro frontal superior direito 20 16 56
12 homens Giro frontal médio direito 26 -12 46 Giro frontal medial direito 6 48 -12
IPL direita 50 -62 40
Giro temporal médio esquerdo − 4 -16 Giro temporal médio esquerdo − -6 -4 Sugiura et
al., 2005
N=34 Própria face > Occipito direito-TPJ 42 -79 28
Idade 18–26 anos
Face não- familiar
Opérculo frontal direito 48 10 9
26 homens/8 mulheres
Giro fusiforme esquerdo − -57 -19 Córtex cingulado posterior
direito / PHG
22 -45 2
Córtex cingulado posterior esquerdo / PHG
Mesencéfalo 16 -33 -8 Uddin et al.,
2005
N=10 Própria face > Lóbulo parietal superior direito 32 -60 52
Idade média 26.9 anos
Outra face IPL direito 64 -24 50
3 homens/7 mulheres
IPL direito 42 -34 38
Giro occipital inferior direito 46 -58 -12 Giro frontal inferior direito 48 42 -2
* Coordenadas X, Y e Z correspondem a activação de pico de cluster, e estão no espaço MNI Fonte: Veluw e Chance, 2014, n. 8, p. 24–38