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5   DISKUSJON

5.1   Drøftninger  knyttet  til  utvalgte  variabler

A cidade de Marabá, situada no sudeste do estado do Pará, é o local onde foi desenvolvido o nosso estudo; portanto, nesta subseção, apresentamos um breve histórico político, econômico e social da região, pois entendemos que esses fatores auxiliaram no

tratamento dos dados produzidos e podem ser preponderantes para os resultados de nossa pesquisa.

FIGURA/Mapa 2 – Localização da cidade de Marabá

Fonte: IBGE 2016

O título desta subseção, Entroncamento de Marabá, deve-se ao encontro das duas principais vias de acesso à cidade: as rodovias Transamazônica (BR-230) e Paulo Fontelles (PA-150), rodovias que foram e continuam sendo fundamentais para o desenvolvimento da cidade e da região de Carajás8. Além destas duas rodovias, a cidade é banhada, principalmente, pelos rios Itacaiúnas e Tocantins que também exercem sua importância desde a fundação da cidade.

Segundo Almeida (2008), o processo de ocupação da área onde hoje se encontra Marabá deve-se à fundação do Burgo Agrícola, instaurado por Carlos Gomes Leitão9 que é pertencente de um grupo de famílias provenientes de Goiás em 1895. Inicialmente, a ideia era estabelecer um núcleo dedicado à agropecuária para assentar colonos que fugiam das lutas

8 O Carajás é uma proposta para uma nova unidade federativa do Brasil, que seria fruto do desmembramento do

Pará. A região abrange uma população de aproximadamente 1,7 milhão de habitantes, e 289.799 km² de área.

9 Conhecido como coronel Leitão foi um político, militar, magistrado e agricultor brasileiro que se fixou nos

políticas na cidade de Boa Vista10 que, até então, pertencia a Goiás. Entretanto, o local escolhido para a fundação da cidade, junto ao encontro do rio Itacaiúnas com o rio Tocantins, próximo de onde hoje se encontra o bairro Marabá Pioneira, apresentou problemas de insalubridade e parte da população foi acometida por febres. Em consequência disso, alguns moradores migraram para um outro ponto do burgo, acompanhando Carlos Leitão, 18 quilômetros rio abaixo. Segundo o engenheiro Ignácio Baptista de Moura, que em 1896 percorreu a região comissionado pelo Governo do Pará, as condições no novo local eram bem melhores, inclusive no que se referia às enchentes11.

Figura 1 – Enchente na década de 80

Fonte: Casa da Cultura

Após o estabelecimento do Burgo Agrícola, foi descoberto o caucho (borracha) nas matas em torno da bacia do rio Itacaiúnas. A exploração do caucho12 impôs a necessidade de ocupar o pontal pela facilidade de se controlar o acesso à mata, sobre os caucheiros que extraiam o produto e também do trafego fluvial por parte dos comerciantes que negociavam o produto na capital, Belém. Nesse pontal formou-se um núcleo a partir de uma casa comercial fundada por um maranhense chamado Francisco Coelho, em 1898.

10 Segundo IBGE (2015), a cidade de Boa Vista, atualmente conhecida como Tocantinópolis, foi alvo de intensas

disputas políticas geradas pelo coronel Leitão que inclusive em sua época já almejava a criação do estado do Tocantins.

11 A cidade de Marabá, desde a sua fundação, sofre anualmente com problemas de enchentes. Esse problema

deve-se ao local de fundação da cidade, que foi justamente no encontro dos rios Itacaiúnas e Tocantins.

12 Um dos atrativos para ocupação da cidade de Marabá foi a descoberta do Caucho (Castilla ulei Warb), uma

Segundo Rodrigues (2010), o extrativismo do caucho ganhou impulso atraindo levas de migrantes, comerciantes donos de embarcações e distribuidores de mercadorias. Muitos deles também se estabeleceram na condição de aviadores por adiantarem ou aviarem recursos, utensílios e alimentação aos caucheiros para que estes penetrassem na mata. O acerto era feito na entrega do produto para embarque em Marabá em direção a Belém. Essa relação de trabalho conhecida como aviamento, acabou se consolidando e depois se manteve durante o ciclo da castanha.

Por meio do aviamento a mão de obra era submetida a uma relação de dependência, antes e depois do trabalho de extração do caucho, uma vez que, sem o adiantamento em produtos e a estadia mantida pelo patrão, o caucheiro não tinha como iniciar o seu serviço.

Dentro desse processo, constituiu-se o núcleo urbano, onde uma parte da população deslocava-se para outras regiões na entressafra do caucho e outra se dedicava a serviços temporários, praticando uma agricultura de subsistência ou roçado. Durante essa época do ano o movimento na cidade diminuía, nas pensões, no comércio e no porto às margens do rio Tocantins, pois a navegação durante o “verão” era mais difícil com a vazante dos rios.

No início do segundo decênio do século XX, a crise da borracha provocada pela concorrência asiática derrubou os preços da goma elástica brasileira, afetando a extração do caucho na área de Marabá. Contudo, um outro produto já bem conhecido na região encontrava boas possibilidades no mercado internacional, a castanha-do-pará, fruto da castanheira (bertholetia excelsa). A presença de castanhais nas áreas do Baixo Tocantins já era bem conhecida e a sua extração também. O que notabilizou a área do município de Marabá foi a grande concentração dessas árvores, também na bacia do rio Itacaiúnas e de seus igarapés. A castanha era muito apreciada na Europa e nos Estados Unidos, sobretudo para confecção de doces e bolos.

A castanha colocou Marabá em uma situação favorável para poder superar rapidamente a decadência do comércio da goma elástica. Além da localização, próxima aos castanhais mais produtivos, Marabá possuía um porto já instalado e o sistema de aviamento em vigor na época do caucho e que se perpetuou nessa atividade.

Marabá presenciou outros ciclos, como a exploração de diamantes próximo ao rio Itacaiúnas e do ouro em Serra Pelada, que até aquela época fazia parte do território marabaense, posteriormente emancipando-se e surgindo um novo município, Eldorado do

Carajás. Atualmente, a cidade vive o ciclo da agropecuária, principalmente a pecuária extensiva.

Hoje o município de Marabá é o quarto mais populoso do Pará, contando com aproximadamente 266.032 habitantes, segundo o IBGE (2016), e com o 4º maior Produto Interno Bruto (PIB) do estado, com seu Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é de 0,668. É o principal centro socioeconômico do sudeste paraense e uma das cidades mais dinâmicas da região Norte.

A evolução histórica da urbanização da cidade de Marabá, desde seu surgimento, tem sido condicionada pelas atividades econômicas e políticas de desenvolvimento que, por si, conduziram a um elevado aumento populacional, em alguns momentos, que deu origem a uma ocupação e uso do solo conflitantes, em algumas áreas, com as condições ambientais locais.

Devido a dinâmica da migração, impulsionada pelos ciclos econômicos outrora verificados na região e a perspectiva da instalação da Aços Laminados do Pará (ALPA)13, que seria implantado pela mineradora VALE, além dos núcleos14 de povoamento já existentes (São Félix, Cidade Nova, Nova Marabá, Morada Nova), foi possível verificar o surgimento da expansão do núcleo Nova Marabá.

13 Inicialmente projetado para ser implantado pela mineradora VALE, a siderúrgica ALPA motivou a vinda de

migrantes da própria região e de diversas regiões do Brasil, principalmente do Nordeste. Criou-se uma estrutura para implantação do projeto, mas a mineradora VALE doou o terreno à multinacional Cevital, que promete investir U$ 2 bilhões e gerar 2.500 empregos diretos até 2019.

14 A cidade de Marabá, inicialmente devido a topografia e depois pela expansão do mercado imobiliário é

Figura 2 – Imagem de satélite dos núcleos de Marabá

Fonte: Google Maps 2016

Na imagem acima é possível identificar os núcleos de ocupação da cidade de Marabá. O círculo em vermelho representa o primeiro núcleo de povoamento, São Félix, que posteriormente se expandiu para Cidade Nova (círculo em lilás), Nova Marabá (círculo em azul) e atualmente a expansão se dá pela BR-230 (Transamazônica), sentido Tocantins (círculo em vermelho escuro).

Ainda segundo o IBGE (2015), o município possui 1265 docentes da rede pública de ensino municipal, 219 escolas municipais e 43.035 alunos matriculados no Ensino Fundamental da rede pública de ensino. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), referente ao 9º ano é de 4,0. (INEP, 2015)15. Estes fatores e os outros expostos até aqui nos credenciam pela escolha do município de Marabá para realização desta pesquisa, haja vista a necessidade de entender o processo de formação do professor que atua com uma disciplina específica sobre a temática amazônica e a sua importância para disseminação dos conhecimentos relacionados a nossa região.

15 O IDEB é apenas um dos mecanismos de avaliação da Educação Básica, o que não reflete realidade da