TIDLIGERE ARBEID
5.3 analyse av sammensat te ord
O valor do indivíduo e o seu carácter único e irrepetível são fortes marcas de um legado judaico-cristão que caracteriza as sociedades ocidentais. O homem, sendo um ser individual, é
10 segundo Peter Ulrich, director do Instituto de Ética Económica da Universidade de St. Gallen na Suiça, in
ao mesmo tempo um ser social e isso fá-lo considerar os outros como iguais, sem perder a sua individualidade. É nesta consequente interdependência, que nos é constitutiva, que se alicerça também uma reflexão sobre o comportamento dos agentes económicos que, para a EdC, não se postula nem pelo individualismo, nem pelo colectivismo, mas por uma concepção cristã da sociedade. Como vimos, uma lógica de sobrevalorização do indivíduo face ao seu contexto fez nascer uma ciência económica separada da moral.
Como se viu através do Dilema do Prisioneiro, a teoria das escolhas racionais individuais não leva à realização do óptimum colectivo. Se uma perspectiva deontológica e ética entrasse na teoria económica, a Teoria dos Jogos não teria os mesmos fundamentos.
O desafio que nos é proposto pelo projecto EdC, em consonância com a Doutrina Social da Igreja (DSI), passa por articular a individualidade que nos separa de todos os outros seres humanos e as pertenças que nos solidarizam com os outros membros da sociedade.
De facto, a DSI rejeita o individualismo que não considera o carácter social do ser humano. A sociedade não é concebida como simples agregado de indivíduos unidos por interesses, segundo um contrato social para evitar a guerra de todos contra todos (na visão de Hobbes) ou para impedir que se sufoque a liberdade individual (à maneira de Rousseau) (Melé, 2003: 84).
Também a DSI, ao referir-se ao conceito de bem comum, não o faz considerando-o com uma soma de interesses ou preferências individuais, nem o identifica com o interesse geral ou da maioria. Defende que o bem comum é uma categoria ética, que se coloca acima de interesses particulares, não coincidindo necessariamente com o interesse da maioria ou o interesse geral Melè, 2003: 94).
Como Amarty Sen demonstrou, a crença geral em normas éticas pode resolver o “paradoxo do isolamento” que consiste em que cada pessoa faria o bem se soubesse que os outros também o fazem, mas não o faria se fosse o único indivíduo moral do grupo. Em suma, Sen substitui o dilema do prisioneiro por um jogo de confiança (Moreira, 1999: 104).
Na verdade, os teóricos têm cada vez mais dificuldade em explicar a cooperação e a acção colectiva, quer no âmbito da teoria da empresa e nas relações de trabalho, quer sobre os mercados de produtos ou financeiros. Como vimos, esta dificuldade prende-se com o facto de haver critérios como a justiça ou outros valores morais, mais do que a procura do interesse pessoal, que são inexplicáveis do ponto de vista da racionalidade instrumental (Lopes, 2003). No contexto dos dilemas da acção colectiva, segundo o estudo NORMEC, foram já realizadas várias experiências que permitem demonstrar que, contrariamente à teoria das escolhas racionais, a maioria dos indivíduos não procura apenas maximizar o seu interesse pessoal e
comporta-se de acordo com motivações sociais e morais. De acordo com a lógica da racionalidade, não se espera que o indivíduo actue de forma compatível com os objectivos do grupo, e as experiências realizadas revelam antes que há uma forte predisposição para as pessoas contribuírem para bens públicos e cooperarem em acções colectivas, bem mais do que havia sido esperado pela teoria das escolhas racionais. É também nesta linha que vai a teoria da escolha pública defendida por Kenneth Arrow.
Evidencia-se, assim, a força das motivações quando estão em causa questões de justiça, o que revela uma das sérias dificuldades do postulado do utilitarismo (Lopes, 2004: cap.2, 1.3). Além disso, nota-se que a acção dos sujeitos é bastante influenciada pelo comportamento de outros sujeitos, não só no plano das consequências que daí advenham, como das verdadeiras intenções. Daqui nascem reciprocidades positivas, quando todos contribuem, ou reciprocidades negativas, quando um ou mais sujeitos deixa de cooperar.
A teoria das escolhas racionais não leva em conta que os desejos e crenças possam orientar a acção individual. Isso levou a que muitos cientistas sociais usassem o interesse pessoal como elemento base da explicação para a variação de comportamentos, incluindo para os actos de cooperação, numa lógica de puro egoísmo sem espaço para a consideração por terceiros (Lopes, 2004: cap.2, 1.3). O estudo NORMEC é peremptório em afirmar que os comportamentos com uma conduta moral devem ser levados a sério na Economia e deve ser revista a essência do indivíduo, de modo a incluir a sua natureza social, que faz parte da constituição da identidade humana.
Consequentemente, as sociedades podem poupar significativamente em custos de transacção apenas porque os seus agentes confiam uns nos outros, o que os torna mais eficientes do que em sociedades de fraco nível do confiança, onde são necessários mais contratos; por isso, por vezes se diz que a existência de muitas leis pode ser sinónimo de pouca ética. Mas esta confiança – que vamos encontrar no projecto de EdC - não parte de um mero cálculo racional, nasce de fontes religiosas ou éticas (Moreira, 1999: 103).
Começa a ser cada vez mais comum a noção de que a gestão empresarial, mais do que um problema de custos e de afectação de meios materiais ou de coordenação de factores de produção, é um problema de custos de coordenação de pessoas e valores; o que no essencial diz que quem define uma empresa são as pessoas que a compõem e seus valores, que constituem a filosofia e a cultura da empresa (Moreira, 1999: 25).
A moralização da actividade económica só se consegue verdadeiramente com a moralização dos indivíduos que nela actuam. A EdC promove uma pedagogia nesta matéria. Até porque nem todos esses valores são exprimíveis em códigos éticos ou declarações de princípios,
havendo necessidade de um compromisso estritamente pessoal: a norma só se torna valor quando se interioriza, quando é pessoalmente assumida a todos os níveis da organização. Daí também a superioridade em eficiência da ordem de mercado coincidir com a excelência ética ou moral (Moreira, 1999: 26).