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Analyse av funn

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3. Metode for pilotundersøkelsen – en innledende kartlegging

4.1. Analyse av funn

Os clubes nocturnos considerados como modernos eram também chamados «clubes da Baixa», devido à nítida concentração nesta zona da cidade, em particular nos Restauradores e nas vias que lhe são adjacentes, nomeadamente o troço a sul da Rua das Portas de Santo Antão e, do lado oposto da praça, a Calçada da Glória e o espaço da avenida da Liberdade que medeia entre esta e o Parque Mayer.

Trata-se de uma zona que fora alvo de uma recente transformação e reorganização funcional do espaço. Tanto os espaços públicos exteriores aos edifícios, como o interior dos próprios edifícios sofreram intervenções que procuraram adaptar um espaço oitocentista às necessidades do século XX, numa remodelação que é em grande parte ditada por objectivos modernizadores. São transformações que alteram o espaço físico e a organização urbanística da cidade1 e, consequentemente, transformam as dinâmicas que aí têm lugar, a funcionalidade e a centralidade desta zona. Podemos assim falar do nascimento de uma cidade “nova”, planificada de acordo com as exigências e ideais modernos.

Os clubes vão instalar-se preferencialmente na zona dos Restauradores, procurando associar-se a uma imagem de modernidade e progresso que, passado meio século sobre os projectos e obras iniciais, é em Lisboa ainda conotada com esta área. A centralidade da zona, os equipamentos aí existentes e, de forma geral, a imagem e a identidade desta área vão determinar a localização destes espaços neste local.

As obras da Avenida vêm reconfigurar a posição da zona dos Restauradores no mapa funcional da cidade. A Lisboa que se tinha expandido ao longo da zona ribeirinha e vivido voltada para o rio Tejo até à segunda metade do século XIX, vê o centro ser fortemente basculado para norte no final do século XIX e início do século XX, com a abertura e progressiva ocupação da área da Avenida da Liberdade – Marquês de Pombal e das suas ramificações nas Avenidas Novas. A área da Baixa-Chiado constitui até ao segundo quartel do século XX o centro de Lisboa, concentrando com o Cais do Sodré a quase totalidade das actividades terciárias centrais (administração pública central, sedes

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O Levantamento da Planta de Lisboa de 1904-1911, sob a direcção de Júlio António Vieira da Silva Pinto, dá-nos conta das grandes transformações que se operaram na cidade.

bancárias, comércio de retalho de produtos de nível elevado, hotéis de 1.ª Classe, entre outros)2. Do ponto de vista da qualidade, distinguia-se no centro da cidade uma área comercial rica, que correspondia aos Restauradores-Rossio, Chiado e grande parte das ruas Augusta e do Ouro. A Avenida da Liberdade vai dar continuação, do ponto de vista funcional, à “Baixa Rica”.

O carácter residencial desta zona desaparecia progressivamente para acompanhar as crescentes pressões e necessidades económicas, administrativas e sociais. A resposta da cidade a estas exigências não conseguiu, todavia, provocar a descentralização das áreas comerciais e de serviços. Nesta área concentram-se diversos equipamentos dedicados ao lazer e divertimento: as Portas de Santo Antão, o Jardim do Regedor e proximidades eram as zonas mais procuradas pelos estabelecimentos de restauração. Aí encontram-se também o Teatro Nacional, vários cinemas e o Coliseu dos Recreios. Próximo, existia outra pequena concentração de equipamentos, do lado oposto da Avenida da Liberdade, Restauradores e Rua da Glória. Outro centro de divertimentos era a zona da Praça da Alegria ao Parque Mayer. São estas as zonas privilegiadas para o estabelecimento dos clubes nocturnos, que procuram associar-se à imagem de modernidade e progresso, beneficiando da centralidade da zona e dos equipamentos já aí existentes:

O local de implantação dos clubes nocturnos modernos demonstra bem esta preferência.

Localização dos clubes

N.º Nome Morada Observações

1 Club Maxim’s Praça dos Restauradores, 43 - 1º Palácio Foz 2 Clube dos Patos Largo do Picadeiro, 10

3 Club Internacional Rua 1º de Dezembro, 59 4 Palace Club Rua Eugénio dos Santos, 89-91 5 Club Majestic

Monumental Club Rua Eugénio dos Santos, 58 Palácio Alverca 6 Bristol Club Rua do Jardim do Regedor, 9

7 Club Mayer

Avenida Parque Rua do Salitre, n.º 1 Palácio Mayer 8 Olímpia Club Rua Condes, 27 - 1º Até 1926 no nº 9 da

mesma rua 9 Ritz Club Praça dos Restauradores, 27

10 Palais Royal Avenida da Liberdade, 3 Antes de 1921 na Rua do Mundo 11 Regaleira Club Largo de S. Domingos, 14-15 Palácio Regaleira 12 Club Montanha Rua da Glória, 57

13 Salão Alhambra Parque Mayer

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De facto, é notória a concentração de clubes na Rua Eugénio dos Santos, actualmente conhecida como Rua das Portas de Santo Antão3, juntando-se a outros estabelecimentos comerciais e aos mais variados serviços, espaços de diversão, teatros, cinemas e cafés aí existentes, acentuando o seu carácter de zona dedicada ao lazer e à filosofia de vida para aí promovida.

O caso relativamente isolado do Clube dos Patos tem no entanto uma justificação funcional, uma vez que se situava na convergência de vários equipamentos culturais, como os teatros e ópera, e estabelecimentos de restauração como cafés, pastelarias, mas também de um comércio elegante. Historicamente, era também nas proximidades deste clube que se situavam as assembleias e clubes dedicados a práticas de sociabilidade mundana públicas ou semi-públicas para as classes mais altas que se vão impondo ao longo do século XIX4. Como constata Maria Alexandre Lousada, «O Chiado tornara-se verdadeiramente o centro da vida pública literária e mundana e área de eleição dos melhores clubes de Lisboa»5. Sendo dos primeiros clubes a abrir portas, ainda antes da guerra, é compreensível que o Clube dos Patos não abrace a tendência dos que se lhe seguiram.

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Esta artéria lisboeta, é chamada, de inícios do século XV a Julho de 1911, de rua de Santo Antão ou Portas de Santo Antão, por conduzir a uma porta da muralha fernandina que dava acesso a um convento de frades devotos do mencionado Santo. De 1911 a 1956 é apelidada de rua Eugénio dos Santos, em homenagem ao arquitecto que participou na reconstrução pombalina de Lisboa. Em 1956 retoma o nome inicial, pelo qual é hoje reconhecida.

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Ver Maria Alexandre Lousada, «Sociabilidades mundanas em Lisboa: Partidas e Assembleias, c. 1760- 1834», Penélope, 19-20, 1998, para a primeira metade do século.

5

Localização dos clubes: planta

Fonte: Gabinete de Estudos Olisiponenses

Tourist: Planta de Lisboa, Lisboa, Libanio da Silva, 1924.

Um considerável número de clubes nocturnos modernos ocupa alguns dos mais sumptuosos edifícios da cidade, instalando-se em espaços que possuem uma aura de luxo e ostentação que provém de épocas passadas, dando serventia a palacetes abandonados por uma nobreza muitas vezes decrépita e absentista, a viver, quando a situação financeira o permite, em novas zonas da cidade consideradas mais de acordo com o seu estatuto. A reutilização de palácios existentes na zona de eleição é notória: o palácio Alverca alberga o Magestic Club e, posteriormente, o Monumental Club; no Palácio Foz funciona o Maxim’s Club; o Palácio da Regaleira recebe o Regaleira Club e o Palácio Mayer é o local de funcionamento do Club Mayer, mais tarde Avenida Parque. Trata-se sobretudo de palacetes que foram sendo abandonados e alugados pelos seus proprietários para novos usos. Nesta reutilização dos antigos palácios do centro lisboeta, o aspecto luxuoso e faustoso dos edifícios ou o ambiente envolvente cunhado pelo seu uso original e resultante das sumptuosas festas e recepções que aí tinham lugar são factores decisivos.

Simultaneamente assistimos a uma reocupação e remodelação de edifícios oitocentistas para a instalação destes estabelecimentos nocturnos de acordo com as novas funcionalidades que lhes são atribuídas e que estes passam a desempenhar. A

imposição da modernidade, significa, no pensamento dos obreiros destas transformações, um corte com o passado, ainda que a influência de escolas mais tradicionais tenha obrigado a compromissos pontuais. Outros clubes instalam-se em edifícios recentemente construídos na zona da Avenida da Liberdade, como é o caso do Olímpia.

Os espaços que os clubes ocupam são forçosamente adaptados às diferentes funções que no seu interior se desenvolveram, sendo também reabilitados de forma a corresponder às exigências de funcionalidade e utilização, incorporando as novas técnicas e disponíveis, como a electrificação, a canalização e o aquecimento.

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