4. RESULTATS I DISCUSSIÓ
4.4.2. Anàlisis de valors per estació
Sabe-se que no final do século XIX e início do XX, eram comuns as comparações entre a Amazônia e a Europa como registrou Ignácio Moura324 ao comparar a pequena cidade de Cametá, situada no vale do rio Tocantins, com a Itália. Vale lembrar as referências à cidade de Belémcomo a “francesinha do norte”. 325Acerca das relações entre a Amazônia e a Europa, David Pennington produziu um estudo comparativo entre as cidades de Manaus e Liverpool;nessa obra, as “pontes” entre essas duas cidades seriam econômico-financeiras e também de encenação cotidiana; seriam “pontes” consubstanciadas nas representações escritas, orais e iconográficas. 326
Voltando ao engenheiro Ignácio Moura, percebemos que esteve ligado à divulgação da Amazônia em eventos internacionais como o Congresso Internacional de Americanistas (1908) que ocorreu na cidade de Viena; o mesmo ocorreu em 1893, quando esteve com o Barão de Marajó e outros intelectuais para representar o Pará na Exposição de Chicago.327
Moura tinha admiração por Gama e Abreu, o Barão de Marajó, tanto que na obra
De Belém a São João do Araguaia, ele transcreveu um artigo de sua autoria, intitulado
1847-1897:
Para não enfadar o leitor com a imperfeição de um estudo comparativo nesse sentido, dou aqui a estampa um belo artigo do Sr. Barão de Marajó, já falecido e notável escritor
323MOURA, Ignácio Baptista de. De Belém a São João do Araguaia. Rio de Janeiro/Paris: H.Garnier
livreiro-editor, 1910.p.59.
324 Em 1926, Ignácio Moura tornou-se presidente de honra do Instituto Histórico e Geográfico do Pará.
325 SARGES, Maria de Nazaré. Belém: Riquezas produzindo a Belle-Époque (1870-1912). 3ª ed. Belém:
Paka-Tatu, 2010. p.159.
326 PENNINGTON, David. Manaus e Liverpool: uma ponte marítima centenária. Manaus: Ed. da
Universidade Federal do Amazonas, 2009.p.29.
327 A tradução deste material da língua portuguesa para a inglesa foi feita pelo Barão de Marajó. Ver: The
State of Pará notes for Exposition de Chicago. New York: G.Putman’s, 1893. Ver também o artigo de Jorge Nassar Fleury da Fonseca: Artes do progresso: uma história da visualidade da Exposição de Chicago
de 1893. 19&20, Rio de Janeiro, v. IV, n. 1, jan. 2009. Disponível em:
http://www.dezenovevinte.net/arte%20decorativa/expo_1893_chicago.htm. Acesso em 15 de janeiro de 2014.
94 paraense, que como testemunha de todos os fatos deste meio século, com a bizarria da
sua pena e com a competência que ninguém lhe negava assim escreveu(...).328
No artigo 1847-1897, o Barão de Marajó contava as suas lembranças da cidade de Belém, 329 observando as mudanças na paisagem urbana, ocorridas de entre as datas, enfatizando os melhoramentos urbanos e prevendo o progresso do Pará:
Eis em resumido quadro a comparação das duas épocas, 1847 e 1897, no Pará. Preza ao destino, ainda para nós fechado em seus arcanos, que na segunda metade do século, o progresso da pátria paraense ainda seja muito maior, fazendo resplandecer o seu nome em uma auréola de glória e de luz.330
Como vimos no primeiro capítulo, para o Barão de Marajó as transformações ocorridas na cidade de Belém se relacionavam diretamente ao desenvolvimento da navegação do rio Amazonas iniciado pelo Barão de Mauá.331 As linhas de navegação a vapor por ligarem rapidamente a Amazônia com a América e a Europa impulsionavam o desenvolvimento econômico:
O gênio do Barão de Mauá, criando a navegação a vapor do Amazonas, marcou meta gloriosa ao desenvolvimento do Pará, granjeando para sua memória direito imperecível à nossa gratidão, dívida que ainda não foi saudada e que aos poderes públicos cumpre pagar. A par do desenvolvimento da navegação, e com ela o do comércio, as instituições bancárias se multiplicam, o valor dos imóveis aumentam, novos produtos se descobrem, novas aplicações são estudadas e os reditos públicos, que em 1847 mal chagavam a mil contos, em 1897 ascendem a quatorze mil.332
Sendo um entusiasta da navegabilidade internacional do Amazonas, quando ocupava o cargo de senador, em 1896, elaborou uma proposta de lei estadual que visava a navegação para o mar mediterrâneo.333 Em 1890, o Barão de Marajó ofereceu um
328 MOURA, Ignácio de. De Belém a São João do Araguaia: Valle do Tocantins. Rio de Janeiro: Garnier,
1910.p.2.
329 “Dos que, em 1847, já tinham idade bastante para julgar e apreciar as coisas, bem poucos existem; a
maioria repousa no silêncio da Soledade ou no terreno ermo de Santa Izabel. Somos daqueles poucos que ainda não resolveram fazer a derradeira peregrinação; por isso, lembrando-nos de 1847, poderemos orientar o leitor do quanto tem mudado Belém até o presente”. MARAJÓ. Barão de. 1847-1897. In: MOURA, Ignácio de. De Belém a São João do Araguaia: Valle do Tocantins. Rio de Janeiro: Garnier, 1910.p.2-3.
330MARAJÓ. Barão de. 1847-1897. In: MOURA, Ignácio de. De Belém a São João do Araguaia: Valle do
Tocantins. Rio de Janeiro: Garnier, 1910.p.9.
331 O Barão de Mauá conquistou a exclusividade da navegação do rio Amazonas em 1852, inicialmente
com as linhas: Belém - Manaus, Manaus – Tabatinga e Belém – Cametá. Devido aos anseios particulares, aspirações locais e pressões internacionais dos E.U.A e da Inglaterra, aproximadamente em 1867, já havia uma internacionalização das empresas de navegação fluvial. Ver: PENNINGTON, David. Manaus e Liverpool: uma ponte marítima centenária. Manaus: Ed. da Universidade Federal do Amazonas, 2009. P.148-151.
332 MARAJÓ. Barão de. 1847-1897. In: MOURA, Ignácio de. De Belém a São João do Araguaia: Valle
do Tocantins. Rio de Janeiro: Garnier, 1910.p.8.
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banqueteà Amazon Company, 334 uma importante empresa de navegação, para comemorar o lançamento ao mar dos vapores América e Marajó, batizados por sua filha Esther Chermont.335 O discurso do Barão foi em homenagem a Mauá o precursor da navegação do Amazonas, que foi comentado dessa forma pelo jornal O Democrata:
O banquete foi presidido pelo Exm° Sr. Barão de Marajó que ocupara a cabeceira da mesa de centro. Ao dessert, S. Exª. rememorando quarenta anos esquecidos pelo tempo, ao visconde de Mauá, que com seu gênio empreendedor, iniciou a navegação a vapor nas
águas da Amazônia.336
Voltemos para o artigo do Barão de Marajó. Após fazer a transcrição do artigo, Moura observa a continuidade das obras de melhoramento da cidade, iniciadas em 1850, e continua a narração a partir de 1897, o período em que a cidade de Belém começa a ser administrada pelo intendente Antônio Lemos (1897-1911), época em que a cidade teria crescido ainda mais:
Muitos melhoramentos apontados pelo ilustre escritor como projetos, hoje são brilhantes realidades. O monumento da República já se acha erigido à praça do mesmo nome; os palácios do Instituto Gentil Bittencourt para meninas órfãs, e do Instituto Lauro Sodré para o ensino de artes e ofícios de meninos pobres já se acham esplendidamente concluídos. Belém está quase toda calçada de paralelepípedos de granito e passeios de cimento ou cantaria; é iluminada por eletricidade, fornecida por duas companhias, e por gás carbônico; tramwáys elétricos circulam em todos os pontos dos 68 quilômetros quadrados da área urbana; comunica- se com os seus arrabaldes e com as cidades próximas ou por uma estrada de ferro, com diversos ramais, ou por lanchas ou barcos a vapor. A cidade possui muitas empresas de carruagens, com 358 carros de luxo e 96 automóveis. No teatro da Paz, iluminado por eletricidade, têm trabalhado as principais companhias líricas italianas ou dramáticas portuguesas e brasileiras. Ha, ainda, dois pequenos teatros, o Polyttíeama e o Apollo. Há diversas associações de música, de danças e de esportes, com uma raia para corridas de cavalos. As suas praças são ajardinadas à inglesa, devido ao impulso que, para completa transformação da cidade, tem dado o
intendente senador Antônio Lemos.337
Para Ignácio de Moura, após o ano de 1897, os projetos do Barão de Marajó e de outros políticos que o antecederam tornavam-se realidade. Para este autor haveria um grande progresso em Belém relacionado à construção de teatros, de praças jardinadas à inglesa, da educação para um número cada vez maior de pessoas, o calçamento das ruas, a inauguração da luz elétrica e uma diversidade de meios de transportes. Essa observação de Ignácio Moura nos leva a pensar que mesmo com as rivalidades políticas, existentes entre os membros das elites na Amazônia (como as que existiram no período imperial
334 O jornal O Democrata descreve os brindes após a sobremesa, os do Barão de Marajó são ao gerente da
Amazon Company (Edmund Compton) e à Rainha Vitória. O Democrata. Belém, 25 de março de 1890.p.2.
335 Esther P. da Gama e Abreu, casou-se com Francisco Leite Chermont, filho de Antônio Lacerda de
Chermont, o Visconde de Arari.
336 O Democrata. Belém, 25 de março de 1890.p.2.
337 MOURA, Ignácio de. De Belém a São João do Araguaia: Valle do Tocantins. Rio de Janeiro: Garnier,
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entre Conservadores e Liberais ou as disputas e cisões entre os grupos de republicanos), havia durante o período entre meados do século XIX e início do XX uma continuidade no projeto modernizador da urbe com uma forte inspiração europeia.
Os discursos do Barão de Marajó e Ignácio de Moura apresentam duas importantes características desse processo modernizador. Em primeiro lugar, a valorização da educação, das artes e de associações culturais e cientificas; em segundo lugar, o ideal da cidade higiênica e planejada. Era um período, no qual o futuro era pensado de forma promissora.
A busca por uma ampliação das ligações com os locais considerados centros de civilidade, em meados do século XIX e início do XX, não eram apenas movidos por interesses comerciais, mas ocorriam em âmbito intelectual. Segundo Emília Viotti da Costa, os intelectuais brasileiros buscavam nas teorias europeias explicações para a realidade brasileira, e as respostas que buscavam significavam menos uma resposta às necessidades estruturais e mais o desejo de criar no Brasil condições para elevá-lo à condição de uma nação civilizada. 338 Conforme apresentamos no primeiro capítulo, muitos dos envolvidos nesses projetos eram bacharéis educados no Brasil e no exterior que viajavam tanto a serviço do país, quanto para educar-se e interagir em diversos círculos intelectuais.
Esse comentário de Emília Viotti, a respeito da importância do contato com a Europa para os intelectuais brasileiros, lembra-nos as observações de Raymond Williams a respeito da importância das metrópoles para a produção intelectual na segunda metade do século XIX e início do XX:
A metrópole acolheu as grandes academias e museus tradicionais e suas ortodoxias, cuja proximidade e poder de controle eram tanto um modelo quanto um desafio. Mas dentro do novo tipo de sociedade aberta, complexa e móvel, pequenos grupos com alguma forma de divergência ou de dissidência poderiam encontrar o apoio que não seria possível se os artistas e pensadores que compunham esses grupos estivessem espalhados em sociedades mais tradicionais e fechadas.339
A preocupação com a modernização do país foi um dos principais temas da chamada “geração de 1870";340 caracterizada por um panorama intelectual mais
338 COSTA, Emília Viotti da. Da Monarquia à República: Momentos decisivos. 9ªed. São Paulo: Unesp,
2010.p.264-265.
339 WILLIAMS, Raymond. Percepções metropolitanas e a emergência do modernismo. In: A Política do
Modernismo. São Paulo: Unesp, 2011.p. 21
340 A respeito da década de 1870, Sílvio Romero comentou: um bando de ideias novas esvoaçava-se sobre
nós de todos os pontos do horizonte. Ver: ROMERO, Sílvio. Explicações indispensáveis. In: Vários Escritos. BARRETO, Tobias. Sergipe: Ed. Do Estado do Sergipe, 1926.p. 23-24.
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diversificado com a criação de faculdades, centros de pesquisas, institutos históricos e geográficos, mas essa ânsia modernizadora e a discussão da nacionalidade entre os intelectuais podem ser percebidas antes da década de 1870, um exemplo é a revista Niterói (1836),341 publicada por jovens brasileiros residentes na França e que faziam parte do
Institut Historique de Paris.342
Para Wilma Peres Costa, essa busca por legitimidade diante do olhar estrangeiro, está muito relacionada à formação da identidade nacional brasileira, já que três dos principais documentos de identidade do Brasil são narrativas de viagens: a carta de Pero Vaz de Caminha, as narrativas de viagens de Hans Staden e Jean de Léry, e História Geral
do Brasil, o primeiro livro de história nacional, de Adolpho Varnhagen, que foi construído através do diálogo com documentos e opiniões produzidas pelos viajantes ingleses, prussianos e franceses que visitaram o Brasil durante o reinado de D. João VI.343
Segundo o historiador Aldrin Figueiredo, os intelectuais amazônicos do final do século XIX e início do XX estavam inseridos na busca por modernização e discutiram a respeito da identidade nacional, especialmente por meio da literatura. Neste contexto, os intercâmbios entre os grupos de intelectuais locais e outros circuitos brasileiros são fundamentais para o processo de constituição do campo de saber sobre a Amazônia. 344
Um exemplo desses intercâmbios eram as associações como o Grêmio de Letras e Artes, com sede no Rio de Janeiro, que buscavam conectar intelectuais brasileiros que viviam em vários estados ou no exterior, além de estrangeiros. Na listagem dos sócios correspondentes aceitos constavam cidades e países, como: Paris, Portugal, Londres, Liverpool, Roma, Turin, Nápoles, Florença, Milão, Buenos Aires, Montevidéo, Chile, Guyana Francesa, Baltimore e Boston.345
O estado do Pará era representado por D. Antônio de Macedo Costa, Cônego Antônio de Macedo Costa Sobrinho, José Veríssimo, Tito Franco de Almeida, João Marques de Carvalho, Barão de Guajará e Barão de Marajó; enquanto o estado do
341 A revista Niterói era marcada pela discussão a respeito da formação nacional, faziam parte da
organização da revista Manuel Araújo Porto Alegre, Domingos José Gonçalves de Magalhães e Francisco Sales Torres Homem.
342 Ver o artigo de Maria Orlanda Pinassi sobre o assunto. PINASSI, Maria Orlanda. Os brasileiros e o
Instituto Histórico de Paris – 1834-1856. (orgs) BASTOS, Elide Rugai; RIDENTI; ROLLAND, Denis. Intelectuais: sociedade e política, Brasil-França. São Paulo; Cortez, 2003.p.31-47.
343 COSTA, Wilma Peres. Narrativas de viagem no Brasil do século XIX – Formação do Estado e Trajetória
Intelectual. (org). RIDENTI, Marcelo; BASTOS; Elide Rugai; ROLAND, Denis. Intelectuais e Estado. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2006. p.31-32.
344 FIGUEIREDO, Aldrin Moura de. A Cidade dos encantados, pajelanças, feitiçarias e religiões afro-
brasileiras na Amazônia (1870-1950). Belém: EDUFPA, 2008. p.36-37
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Amazonas tinha como interlocutores internacionais o Dr. Álvares Afonso, José Barbosa Rodrigues, Aprígio de Menezes e Adelino do Nascimento. O correspondente paraense em Paris era o intelectual Santa-Anna Nery. 346
Outro exemplo de sociabilidade entre intelectuais foi a efeméride ocorrida em 1897, uma homenagem portuguesa às marinhas brasileira e espanhola, da qual o Barão de Marajó foi um dos convidados.347 Foram produzidos diversos eventos performances em teatros, banquetes e festividades organizados tanto por círculos aristocráticos quanto em bairros populares, conforme esta nota publicada na revista francesa La Diplomatie:
A natureza mais específica de intimidade ainda marcou estas celebrações, afirmando de uma maneira impressionante a simpatia de Portugal pela Espanha e Brasil. Unidas, nações latinas, nações irmãs, devemos caminhar de mãos dadas na mão na vanguarda do progresso e civilização. De todas as manifestações entusiasmadas que foram pródigas, (...) devem ser mencionados a representação ocorrida no Royal Colisée, o banquete oferecido no Hotel Avenida Palace e o almoço ocorrido em Cintra oferecido pelo rei D. Carlos, manifestações que certamente possuem uma certa importância, mesmo do ponto de vista político.348
Além desses intercâmbios, muitos intelectuais amazônicos forjavam teias discursivas que ligavam a Amazônia à Europa. O folclore era um desses meios, pois era corrente a teoria de Andrew Lang, na qual “o elemento irracional que se encontra nos mitos é tão somente a sobrevivência dum estado do pensamento que foi outrora muito comum, para não dizer universal”.349 Essa percepção dos estudos de folclore como forma de buscar as origens comuns da humanidade pode ser notada nos estudos dos intelectuais Santa-Anna Nery e Pádua de Carvalho.
Pádua de Carvalho era jornalista e estudioso de folclore, e foi um grande colaborador de Santa-Anna Nery, e lhe cedeu várias narrativas posteriormente publicadas em Paris na obra Folclore Brasileiro (1889). A obra de Santa-Anna Nery possui muitas referências ao que havia de semelhante nas culturas de diferentes localidades; para Nery, a força dos ventos ao sacudir as árvores e as sombras das folhas projetadas sobre a terra teria sido interpretada como a imagem de seres míticos habitantes das florestas, como o
346 Diário de Notícias, Rio de Janeiro. 25 de fevereiro de 1887.p.2.
347 Alguns dos convidados para o banquete oferecido pelo representante do Brasil em Lisboa, Assis Brasil,
no navio Almirante Barroso: “À mesa de honra, sr. Assis Brasil tinha à sua direita o comandante do navio Almirante Barroso e à sua esquerda o marquês de Franco. Os outro convidados foram: MM. Vieira da Silva, o cônsul do Brasil em Lisboa, Barão de Marajó, Henrique Sisson, D 'Costa Motta, Dr. Raymundo Correia, Manuel Martins da Hora, Alfredo Cordovil Petit, Oscar Short, Alfredo Cesar, Augusto de Mello, Luiz Teixeira Octavio, Dr. Julião Freitas do Amaral, Fabiano Martins da Cruz, José Luiz Sant'Anna, Dr. Américo de Campos Sobrinho”. La Diplomatie. Revue Bi-mensualle internationale. Paris 5 de outubro de 1897.p.14.
348 La Diplomatie. Revue Bi-mensualle internationale. Paris 5 de outubro de 1897.p.13-14.
349 Andrew Lang é citado pelo etnólogo Roland Bonaparte na introdução a obra Folclore Brasileiro de
Santa-Anna Nery. Ver em: NERY, F.J. de Santa-Anna. Folclore Brasileiro. Recife: Massangana, 1992.p.28.
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Curupira, na Amazônia, o Liechi, na Rússia e os Rakasasás, demônios dos bosques indianos.350 Outra narrativa era a dos marinheiros enfeitiçados com o canto de uma bela mulher, esse texto ligava a Iara, do rio Amazonas, a Lorelai, do Reno. 351
Aldrin Figueiredo, que analisou a obra do intelectual amazônico Pádua de Carvalho, observou as referências da cultura clássica nos textos deste autor a respeito da princesa da encantada ilha de Mayandeua, essas, significavam uma busca de definição do povo e da nação,que procurava ligar a história do Brasil à civilização europeia:
A ideia era contar uma história da Amazônia que pudesse colocar a região e o país numa das etapas da evolução histórica rumo à civilização. A destruição das práticas supersticiosas dos habitantes de Mayandeua e sua preservação apenas como registro do folclore enfatizavam que a nação estava no caminho certo, vivendo e, ao mesmo tempo apreciando o acaso de uma tradição autenticamente popular, mas primitiva e selvagem. Era como se os pajés da Amazônia representassem o passado mítico e lendário das grandes nações do velho mundo, daí o porquê da incorporação, por parte do literato, do imaginário cultural clássico ao fabulário amazônico.352
Ao lado do folclore, a história e a geografia eram formas de inserção da Amazônia em rumo à civilização. Um bom exemplo é a obra Abertura do Amazonas (1867) de Domingos Antônio Raiol, o Barão de Guajará, que estudou as possibilidades de crescimento na região norte, buscando pautar seu discurso em exemplos históricos de diversas sociedades para justificar a importância da abertura do Amazonas à navegação internacional, um dos acontecimentos lembrados foram as conquistas de Alexandre, rei da Macedônia.353
Estudos geográficos compartilhavam concepções semelhantes, Henrique Santa Rosa escreveu um artigo a respeito da corografia do Estado do Pará, esse texto era parte de um compêndio organizado para a Exposição Universal de Chicago (1893). Nele, Henrique Santa Rosa faz uma série de citações de viajantes e pesquisadores estrangeiros que manifestassem uma visão positiva da Amazônia, ressaltando as possibilidades naturais para o progresso no futuro. 354 Para convencer sobre a salubridade do clima paraense cita a opinião de viajantes estrangeiros:
350 NERY, F.J. de Santa-Anna. Folclore Brasileiro. Recife: Massangana, 1992.p.229.
351 NERY, F.J. de Santa-Anna. Folclore Brasileiro. Recife: Massangana, 1992.p.233.
352 FIGUEIREDO, Aldrin Moura de. Letras Insulares: Literaturas e Formas de História no Modernismo
Brasileiro. (orgs) CHALHOUB, Sidney e PEREIRA, Leonardo. A História Contada: Capítulos de História Social da Literatura Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998.p.306.
353 RAIOL, Domingos Antônio. Abertura do Amazonas. Tip. Do Jornal do Amazonas, Belém, 1867. A
respeito do Barão de Guajará e sua experiência como historiador e político, ver o artigo de Magda Ricci e Luciano Lima: RICCI, Magda; LIMA, Luciano D. B. Historiador político ou político historiador? – Interações entre experiências intelectuais e institucionais do Barão de Guajará. OPSIS, Catalão. v.13,nº2, Jul/Dez, 2013. p. 395-418.
354 A respeito do clima, Henrique Santa Rosa cita Wallace, Battes e H. Smith. PARÁ. Governo do Estado