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O Arteduca é um curso totalmente a distância, que nasceu de uma proposta de formação continuada para professores de artes visuais por meio da utilização das tecnologias de informação e comunicação, defendida como dissertação de mestrado no Instituto de Artes – IdA, por Sheila Campello em 2001.
Previsto inicialmente para ser oferecido aos professores da rede pública de ensino do Distrito Federal, pelo Núcleo de Tecnologia Educacional de Brasília, por meio de uma parceria a ser viabilizada, entre a Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação – EAPE, e o Instituto de Artes da Universidade de Brasília, o curso foi inviabilizado, tendo em vista que não houve interesse por parte da EAPE, no estabelecimento da parceria com o IdA, para garantir essa oferta.
Em sua primeira edição, iniciada em 26 de janeiro de 2004, foi prevista a formação de tutores, por meio de um curso de extensão, com duração de 24 semanas, e uma carga horária de 360 horas. Os tutores formados nessa primeira edição atuariam na mediação pedagógica do curso de pós-graduação que seria oferecido pelo Instituto de Artes da Universidade de Brasília a partir do 2º semestre de 2004.
No decorrer do mesmo houve uma alteração em sua proposta, que ganhou maior amplitude, com aprovação do projeto que o validava como pós-graduação lato sensu em Arte, Educação e Tecnologias Contemporâneas. O curso de extensão foi extinto e cedeu lugar a uma especialização, na qual se formaram os primeiros tutores que viriam a integrar o corpo de tutores do Arteduca.
A especialização Arteduca – Arte, Educação e Tecnologias Contemporâneas, sob coordenação das professoras Suzete Venturelli e Sheila Maria Conde Rocha Campello, possui em seu corpo de trabalho Adriana Conde Rocha, pedagoga e economista; Ângela Maria dos Santos Faria, professora; Alexandre Camarcio Ataíde, designer gráfico; Getúlio Rosário Caetano, professor; Luzirene do Rego Leite, professora e Jovanka Dantas Sadeck, analista do Programa Nacional de Informática – Proinfo.
3.2.1 Apresentação do Curso Arteduca
De acordo Sheila Campello, uma das coordenadoras do curso, as teorias educativas refletem as concepções filosóficas que a sociedade anseia para a educação. Os pressupostos também são influenciados pelas interferências socioculturais. A coordenadora ressalta que, apesar dos textos e discussões teóricas existentes sobre a formação dos professores nas últimas décadas do século XX, eles não são suficientes para sensibilizar a questão das interferências socioculturais. Muitos professores, por não realizarem estudos teóricos, não conhecem as origens das abordagens metodológicas aplicadas em suas salas de aula.
O curso vem com uma proposta de contribuir para a realização dos anseios de educadores, que tem compromisso com a mudança do cenário educacional, no qual a arte poderá desempenhar um papel essencial na ação de interdisciplinaridade fundamentada em propostas curriculares da atualidade.
A utilização das tecnologias da informação e comunicação, por meio da educação a distância, se apresenta como um instrumento de divulgação do conhecimento e informações entre diversas comunidades virtuais de aprendizagem com seu enorme potencial pedagógico.
Visando atender a essa demanda apresentada, o Instituto de Artes da Universidade de Brasília, apresenta esta proposta de formação, a ser oferecida por meio do ambiente virtual do Programa de Informática na Educação – Proinfo aos professores da rede pública de ensino.
3.2.2 Objetivos
A proposta do Arteduca tinha, inicialmente como objetivo principal, promover a formação de professores das escolas, o planejamento e implementação de projetos de aprendizagem, cujo eixo central será a arte e a cultura. Visando, ainda, alcançar outros objetivos que eram:
• sensibilizar as unidades gestoras e as agências formadoras para a utilização dos recursos a distância para a formação e atualização de professores;
• aprofundar estudos acerca da importância da educação em arte na educação como um todo;
• promover a integração dos trabalhos desenvolvidos nas aulas de arte com as demais disciplinas das escolas;
• incentivar a participação da comunidade escolar nas atividades propostas no decorrer do curso;
• promover a integração entre as propostas de diferentes escolas, por meio de redes;
• incentivar a criação de um grupo de estudo sobre a utilização da informática na educação relacionada com as artes;
• aprofundar estudos sobre as abordagens teórico-metodológicas aplicadas à educação;
• dinamizar a utilização do ambiente virtual de aprendizagem, por meio das atividades de formação, e
• implantar e implementar um projeto piloto de formação continuada de professores para ser desenvolvido pela Universidade de Brasília – UnB.
3.2.3 Metodologia
As atividades do curso foram realizadas por meio de estratégias fundamentadas na articulação de trabalhos colaborativos e na articulação de estudos teóricos com a prática profissional. Em suas bases estavam abordagens teóricas de John Dewey, Lev Vigotsky, Jean Piaget, construtivismo apresentado por Jan Valsiner, a biologia do conhecer de Humberto Maturana, e na Proposta Triangular de Educação em Arte, sistematizada no Museu de Arte Contemporânea – MAC/USP, apresentada por Ana Mae Barbosa. O conteúdo a ser estudado constaria de atividades complementares e seria disponibilizados por meio do ambiente de aprendizagem do Programa de Informática na Educação da Secretaria de Educação a Distância – ProInfo/SEED/MEC.
As atividades estariam sendo acompanhadas a distância, via rede telemática, pelo tutor/colaborador vinculados ao Grupo de Apoio a Projetos de Educação a Distância da Universidade de Brasília – GAP/EDIA/UnB, por meio do ambiente virtual de aprendizagem do ProInfo.
O trabalho seria desenvolvido com base nos módulos que comporiam o programa do curso em blocos. Baseado nos módulos, as atividades seriam desenvolvidas ao longo do processo, com a participação de todos os cursistas para a proposição de projetos de aprendizagem interdisciplinares, sendo que a arte e a educação assumiriam papel importante de vértice de uma espiral, de forma a envolver as demais disciplinas, gerando uma matriz interdisciplinar.
O processo que o aluno vivenciaria durante o curso seria registrado no Diário de Bordo, (link disponível na plataforma do ProInfo), onde seriam colocadas suas reflexões, opiniões, dúvidas, descobertas, de forma a contemplar todo o caminho de sua aprendizagem. O trabalho de conclusão constaria de um relatório de aplicação do projeto de pesquisa implementado ao longo do curso, nos contextos de trabalho dos participantes.
Quanto à avaliação, esta seria feita com base na participação dos cursistas do ambiente, na análise e no trabalho de conclusão do curso. Os cursistas que seriam selecionados durante a Formação, iriam integrar o corpo de tutores para atuar no curso Arte, Educação e Tecnologias Contemporâneas.
3.2.4 Estratégias de Aplicação do Programa de Formação de Tutores
O trabalho seria desenvolvido com base em oito módulos distribuídos em dois blocos. As atividades do primeiro bloco seriam desenvolvidas em um espaço virtual intitulado Sala Práxis. Esse bloco era composto pelos módulos I, II, III e IV, sendo que o primeiro módulo tinha como objetivo ensinar aos cursistas a trabalhar com as ferramentas disponíveis no ambiente virtual de aprendizagem e informática para desenvolverem durante o curso. O segundo apresentava as estratégias de mediação pedagógica com o objetivo de preparar o participante para o exercício da futura função de tutoria no curso Arte, Educação e Tecnologias Contemporâneas. Já no terceiro módulo, seriam analisadas as possibilidades de uso de recursos tecnológicos de educação a distância do Ministério da Educação em projetos de aprendizagem de arte. E por fim, no quarto módulo, o cursista seria capaz de elaborar um projeto dentro de seu contexto de trabalho. As atividades previstas neste módulo seriam desenvolvidas durante todo o processo e culminaria, ao final do curso, com a apresentação de uma proposta de implementação do projeto.
No segundo bloco, seriam realizados estudos referentes aos conteúdos teóricos que deveriam fundamentar teórica e metodologicamente os projetos de aprendizagem elaborados com atividades que seriam desenvolvidas em outro espaço virtual do curso, intitulado Sala de Apoio.
Os resultados dessa primeira edição do curso Arteduca, que como já foi mencionado antes, era um curso que visou à formação de tutores, inicialmente como um curso de extensão, com três meses de trabalho, o projeto foi ampliando, passando a ser uma especialização que formou, ao final, 33 tutores para a continuidade do curso. Desses, foram selecionados 23 professores que passaram a atuar na tutoria das turmas.
3.2.5 Segunda edição do Arteduca
Neste ano de 2005, depois do sucesso da primeira edição do Arteduca, está acontecendo a segunda, com algumas modificações realizadas para melhor atender o aluno. A
primeira mudança, os alunos terão abordagens teóricas de Paulo Freire. A segunda, se refere ao grupo que não é mais o Grupo de Apoio a Projetos de Educação a Distância da Universidade de Brasília (GAP/EDIA/UnB), e sim Grupo Arteduca do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (Arteduca/UnB). O ambiente de aprendizagem que continua sendo utilizado é o do e- ProInfo da SEED/MEC, mas com algumas modificações também, que de acordo com alunos, foram reivindicadas por eles, por exemplo, o Bate-Papo.
Consultas virtuais poderão ser feitas com os próprios autores dos módulos ao longo do curso, por intermédio dos tutores.
Como não se trata mais de formação de tutores, as estratégias de aplicação estão voltadas para o programa do curso. Já no segundo módulo, está sendo trabalhada a autonomia do aluno e a mediação pedagógica, com vistas a preparar o aprendiz para uma melhor compreensão da sistemática dos cursos on-line.
Houve mudanças nos conteúdos dos módulos, devido ao novo direcionamento do curso, que antes estava voltado para a formação de tutores e agora está voltado para formação continuada de professores que atuarão em salas de aula. Todas as modificações feitas contribuíram para uma melhor performance tanto nos trabalhos dos cursistas como dos tutores e coordenadores.