5.2 Design Basis
5.2.1 Alumina
Desta vez nasci no Brasil, sou brasileiro, amo meu país, mas meu coração também está na Espanha! Em função da visão universalista que o Espiritismo nos oferece, consideramos que, em realidade, somos todos cidadãos do universo. ¡Sin fronteras! (Sol).71
A Doutrina busca sempre que você se coloque de maneira que procure prejudicar o menos possível as pessoas que estão ao seu lado. [...] É o dia a dia, é a sobrevivência nossa em sociedade, do nosso planeta, porque sem o planeta a gente não tem como sobreviver bem. (Amarelo).
Uma das caras concepções à Doutrina Espírita está contida n’O livro dos Espíritos,
no item que trata da “Pluralidade dos mundos”. No capítulo III, do Livro Primeiro da referida
obra, com a sistematização de Allan Kardec, são discutidas questões que, se viessem à lume em momento pretérito, não hesitamos afirmar que às linhas e explicações, viriam as chamas ardentes dos inquisidores, tentando silenciar, com o perecimento do corpo físico do codificador, informações que ainda hoje são estranhas à limitação dos homens de Ciência da nossa época,
imbuídos em observações circunscritas ao “universo” que lhes é peculiar.
No item referido d’O Livro dos Espíritos,há a afirmação categórica que de que os demais globos que circulam no espaço infinito são habitados, com formas de vida condizentes às suas composições bioquímicas, não sendo a Terra o único planeta no universo a conter vida
inteligente; inclusive, em sobre “Diferentes ordens de Espíritos”, constante no capítulo I do
Livro Segundo, são descritas as características de cada espírito de acordo com o degrau evolutivo que ele ocupa e amealha ao longo das inúmeras existências que grassa ao logo de sua evolução, nos processos reencarnatórios que abrigam as vivências necessárias ao seu adiantamento espiritual, moral e intelectual.
Vejamos a explicação de Kardec (2007, p. 60)72 à indagação e resposta contidas na pergunta 55:
Deus povoou os mundos de seres vivos, concorrendo todos ao objetivo final da Providência. Acreditar que os seres vivos estão limitados ao único ponto que habitamos no Universo, seria pôr em dúvida a sabedoria de Deus, que não fez nada inútil; ele deve ter determinado para esses mundos um fim mais sério que o de recrear nossa visão. Nada, aliás, nem na posição, no volume, na constituição física
71
Em encontro com a pesquisadora em Brasília-DF, em 12 de novembro de 2014.
72 Primeira obra da codificação, como já informado em nosso trabalho, O Livro dos Espíritos contém perguntas feitas por Allan Kardec a médiuns em diferentes pontos de Paris e outros países, ao que eram pretensamente respondidas pelas inteligências espirituais, ou espíritos. Algumas dessas perguntas e respostas contém explicações e elucidações de determinados pontos pelo próprio Allan Kardec, sendo uma dessa a que ora destacamos.
da Terra, não pode razoavelmente supor que só ela tenha o privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de mundos semelhantes.
E, da mesma maneira que o universo seria povoado por planetas que acolhem vidas inteligentes compatíveis com as suas especificidades, no item dedicado à “Escala
Espírita”, incluído no capítulo I do Livro Segundo da obra em análise, vemos importante
consideração sobre os espíritos em função de seu estado evolutivo.
A classificação dos Espíritos baseia-se sobre o grau do seu adiantamento, sobre as qualidades que adquiriram e sobre as imperfeições das quais devem ainda se despojar. Esta classificação, de resto, nada tem de absoluta; cada categoria não apresenta um caráter nítido senão no seu conjunto. Todavia, de um grau a outro a transição é insensível e sobre seus limites a pequena diferença se apaga como nos reinos da Natureza, como nas cores do arco-íris, ou ainda como nos diferentes períodos da vida do homem. Pode-se, pois, formar maior ou menor número de classes, segundo o ponto de vista sobre o qual se considera a questão. Ocorre o mesmo que em todos os sistemas de classificações científicas: esses sistemas podem ser mais ou menos completos, mais ou menos racionais, mais ou menos cômodos para a inteligência, mas, quaisquer que sejam, não mudam em nada as bases da Ciência. (KARDEC, 2007, p. 72).
E, à maneira de um adendo: dependendo do ponto de vista adotado, nem espíritos existem, muito menos que estes mereçam ser catalogados e compreendidos na universalidade de suas existências extra e intercorpóreas.
Contudo, a natureza do nosso trabalho apoia-se numa Educação de caráter universal que, contribuindo para e através de uma (trans)formação espiritual, parta de um paradigma do espírito, como assevera Incontri (2001). Esta realidade extracorpórea que só passou, parcialmente, a ser compreendida a partir do século XIX, poderia atestar a imortalidade do homem, contextualizando e respondendo, finalmente, aos grandes enigmas que sempre o acompanharam, desde a observação dos astros e estrelas nos céus, ao longo dos tempos, na tentativa de deduzir o que se passava no silêncio do firmamento, como resposta às suas problemáticas íntimas, familiares e sociais.
E se inumeráveis, incontáveis são os mundos habitados, de modo a que afirmou Bruno (data apud BARACAT FILHO, 2009), em sua cosmologia, que “[...] existem
inumeráveis sóis, em torno destes giram inumeráveis terras, e os habitam seres vivos”,
assim como, também, infinito seria o ordenamento possível dos Espíritos, defendemos que bem mais profundas e múltiplas são as vidas dos seres objetos dessas considerações: estes universos que testemunham a riqueza que cada história, em sua complexidade, comporta.
Nos termos de Baracat Filho (2009, p. 65-66):
[...] tal e qual nosso pensamento age de espaço em espaço, sem fim, assim na realidade estende-se um espaço infinito, em que o centro e a periferia, o alto e o
baixo, e qualquer outra determinação são todas sempre relativas. O espaço infinito é preenchido por uma matéria infinita, movida toda ela pela mesma causa intrínseca – a alma universal – que forma e faz girar mundos inumeráveis: ‘Assim somos levados a descobrir o efeito infinito da infinita causa, o verdadeiro e vivente vestígio do infinito vigor; e a nossa doutrina é não procurar fora e distante de nós a divindade, embora ela esteja perto, ou melhor, dentro de nós, mais ainda do que nós mesmos estamos dentro de nós’. A divindade que vive em nós, assim como em todos os seres da criação, no nosso mundo é igual a todos os demais, infinitos, que juntos formam o universo infinito, é a alma universal, presente toda no todo e em qualquer parte dele. Em função desta onipresença cada coisa é um espelho do universo, que está em cada ser particular, microcosmo que reflete em si o macrocosmo. Assim, em cada coisa, por diminuta que seja, e mesmo separada de outras, se pode intuir um mundo, como em cada homem, em cada indivíduo contempla-se o mundo.
Caminhando de um geocentrismo para um heliocentrismo, apesar de não mais negar veementemente a tese do universo infinito de Bruno (BARACAT FILHO, 2009), o homem, ao invés de especular sobre essa possibilidade, envereda por um egocentrismo difícil de ser rompido, se não por suas estreitas concepções e escolhas – confirmando ainda uma tendência fortemente idealista disfarçada de materialista –, principalmente pela dificuldade em admitir que na infinitude do cosmos repousa também a infinitude das vidas, o que enseja consequências para as suas ações no mundo e na vida de relação entre os seres.
E já que falamos da vida de relação, partindo de tais considerações, recordemos um importante registro e descrição de Carl Sagan (2008) por ocasião de sua participação num evento que congregou uma multiplicidade de sacerdotes religiosos, políticos e membros representantes das minorias e maiorias étnico-culturais e religiosas que existem na imensidão do nosso planeta. Tal acontecimento nos convida a pensarmos se temos o direito de nos achar possuidores de uma verdade única, posto que tantas vezes encastelad as em referenciais construídos numa certa comunidade afim de propósitos e tendente a realizações puramente materiais em torno de sua subsistência naquela realidade local.
Deixemos que o físico que nos alertou que “em muitos casos, tem nos faltado
uma bússola moral”, nos transporte àquele momento, que teve como objetivo uma aliança entre Religião e Ciência, com a finalidade de que fosse firmado um laço ético entre dois polos opostos da história da humanidade moderna, com vistas a conter a depredação ambiental voraz que o avanço tecnológico promoveu no mundo desde a primeira revolução industrial até os dias atuais:
Tive a felicidade de participar de uma experiência extraordinária de várias reuniões realizadas em todo o mundo. Os líderes religiosos do planeta se reuniram com cientistas e legisladores de muitas nações para tentar lidar com a crise ambiental mundial que está piorando em ritmo acelerado. Representantes de quase cem nações estavam presentes nas conferências do ‘Fórum Global dos Líderes Espirituais e Parlamentares’ em Oxford, em abril de 1988, e em Moscou, em
janeiro de 1990. De pé sob uma imensa fotografia da Terra vista do espaço, eu me vi diante de uma representação da maravilhosa variedade da nossa espécie, com suas indumentárias diversas: madre Teresa e o cardeal arcebispo de Viena, o arcebispo de Canterbury, os principais rabinos da Romênia e do Reino Unido, o Grande Mufti da Síria, o metropolitano de Moscou, um ancião da Nação Onodaga, o sumo sacerdote da Floresta Sagrada de Togo, o Dalai-Lama, sacerdotes jainistas resplandecentes em seus mantos brancos, sikhs de turbantes, swa mis hindus, abades budistas, sacerdotes xintoístas, protestantes evangélicos, o primaz da Igreja Armênia, um ‘Buda vivo’ da China, os bispos de Estocolmo e Harare, metropolitanos das Igrejas Ortodoxas, o chefe dos chefes das Seis Nações da Confederação Iroquesa – e, junto com eles, o secretário-geral da Noruega, a fundadora de um movimento de mulheres do Quênia para replantar as florestas, o presidente do World Watch Institute, os diretores do Fundo para a Infância das Nações Unidas, de seu Fundo Populacional e da UNESCO, o ministro soviético do Meio Ambiente e parlamentares de várias nações, inclusive senadores e deputados norte-americanos e um futuro vice-presidente dos Estados Unidos. Esses encontros foram organizados principalmente por uma pessoa, Akio Matsumura, antigo funcionário das Nações Unidas. Lembro-me dos 1300 delegados reunidos no Salão de São Jorge, no Kremlin, para ouvir um discurso de Mikhail Gorbatchev. A sessão foi aberta por um venerável monge védico, representando uma das mais antigas tradições religiosas sobre a Terra, que convidou a multidão a entoar a sílaba sagrada ‘Om’. (SAGAN, 2008, p. 166-167).
Assim é que não podemos prescindir da presença e da influência uns dos outros, pois, estamos interconectados material e espiritualmente e fadados a nos encontrar e reencontrar, se não somente nas problemáticas e desafios planetários impostos a nós e cujas soluções serão mais eficazes se tomadas em conjunto. Mas quem sabe, principalmente, na multiplicidade das vidas e dos mundos, que são palcos onde, a cada nova existência, avançamos individualmente e também na dimensão coletiva.
Esta é uma das teses defendidas pela Doutrina Espírita que vê, na reencarnação e na variedade de mundos habitados, a ampla atuação dos sujeitos que, em constante desafio existencial seguem estabelecendo, à maneira de uma aranha que tece pacientemente uma teia, uma infinidade de relações, em uma série de possibilidades familiares, soci ais e culturais que tornam a cada um de nós – é racional assim pensar – cidadãos do universo.
Uma mesma família foi criada na universalidade dos mundos, e os laços de uma fraternidade, ainda inapreciável de vossa parte, foram dados a esses mundos. Se esses astros, que se harmonizam em seus vastos sistemas, são habitados por inteligências, não são por seres desconhecidos uns dos outros, mas sim por seres marcados na fronte por um mesmo destino, que devem se reencontrar momentaneamente segundo as suas funções de vida, e se procurarem segundo as suas simpatias mútuas; é a grande família de Espíritos que povoam as terras celestes; é a grande irradiação do Espírito divino que abarca a extensão dos céus, e que permanece como tipo primitivo e final da perfeição espiritual. (KARDEC, 2008, p. 86-87).
Façamos um breve exercício de raciocínio: se o nosso planeta já congrega uma infinidade de formas de vida possíveis, aparentemente disformes, incongruentes no comparativo de seus sistemas físicos, o que não dizer das possibilidades de vida nos infinitos
planetas que nos circundam e até naqueles que ignoramos completamente existir, apesar de
sabermos, conforme Tyson (2016, p. 257) nos esclarece, que “os três ingredientes
quimicamente ativos mais abundantes no cosmos são também os três principais ingredientes da vida sobre a Terra?”.
Vejamos o que o discípulo de Carl Sagan observa:
Não sei se os biólogos vivem assombrados com a diversidade da vida. É o que certamente me acontece. Neste simples planeta chamado Terra, coexistem (entre inúmeras outras formas de vida) algas, besouros, esponjas, águas-vivas, cobras, condores e sequoias gigantes. Imagine esses sete organismos vivos alinhados um ao outro por ordem de tamanho. Se não tivesses maiores conhecimentos, você custaria a acreditar que todos vieram do mesmo universo, quanto mais do mesmo planeta. Tente descrever uma cobra para alguém que nunca viu uma: ‘Você tem que acreditar em mim. A Terra tem um animal que (1) pode perseguir sua presa com detectores infravermelhos, (2) engole animais vivos inteiros até cinco vezes maiores que sua própria cabeça, (3) não tem braços, pernas nem quaisquer outros complementos, mas (4) pode deslizar ao longo de um terreno a uma velocidade de 61 centímetros por segundo’. (TYSON, 2016, p. 256).
Se para nós essa diversidade orgânico-estrutural, a destreza, as capacidades, são manifestações quase maravilhosas no que concerne a seres que existem na nossa fauna, no nosso próprio ecossistema, de fato é justificável a dificuldade de transpormos esse raciocínio para planetas e formas de vida com possibilidades de existência completamente diversas das que até para nós, que coexistimos, nos são estranhas.
Assim, se a Terra e o cosmos – até onde foi possível ao homem mapear – possuem a mesma filiação bioquímica, humildemente especulamos não ser de todo impossível encontrarmos registros de vidas em outros planetas e que, acima de tudo, estas serão vidas- irmãs à nossa.
Um dia, como supôs Sagan (2016, p. 75), é provável que:
[...] tenhamos informações sobre pelo menos centenas de outros sistemas planetários perto de nós na imensa galáxia da Via Láctea – e talvez até sobre alguns pequenos mundos azuis agraciados com oceanos de água, atmosferas de oxigênio e sinais indicadores da maravilhosa vida.
E, quem sabe não confirmemos o que os poetas há muito já veem, mas, acusados de possuidores de sonhos metafísicos, fiquem restritos a validação de alguns poucos que não necessitaram da confirmação dos físicos e astrônomos, simplesmente sentindo com a alma a vida pulsante, firme e objetiva em realidades antes viventes apenas nos suspiros de transcendência existencial.
Na poética de Alves (2013, p. 80-81) e na perfeita identidade e interconexão entre o homem e o universo, entre o micro e o macrocosmos, encontramos guarida:
Os poetas, desde sempre, ouviram música ao ver estrelas. Tanto assim que Shelley definiu a poesia como ‘música cósmica para ouvidos mortais’. A poesia acontece quando a alma, provocada pela música exterior, é por ela possuída, se põe a vibrar em transe, e o corpo se transforma em instrumento musical que faz soar a sua própria música. Era isso que acontecia aos sábios antigos ao contemplarem os céus. Ficavam em êxtase, fora deles mesmos, e ouviam a ‘harmonia das esferas’. Já pensaram nisso? Estrelas, esferas de cristal flutuantes, transparentes, iridescentes, gotas de orvalho celestial, cada uma delas emitindo um som, e todas elas, em conjunto, uma orquestra tocando a música divina... Como se os céus estrelados e a alma, tão distantes, nada mais fossem que os dois lados, avesso e direito, da nossa carne: a minha pele se estende até os limites do universo; o universo inteiro mora no meu corpo! Assim, entre eles, o universo infinito e o corpo, gêmeos, haveria um conluio, uma ‘harmonia preestabelecida’: as estrelas que se acendem de fora fazem acender as estrelas de dentro.
Assim, múltiplos são os mundos, como múltiplos somos nós, seres em jornada evolutiva, dando as mãos em perspectiva interplanetária, nas múltiplas vidas que compõem a nossa trama existencial, de modo que é lógico admitir que:
[...] o ser que existe hoje possa sentir amanhã e depois, porque tudo o que tem existência real e consciente pede existência sem fim, todo ser que uma vez chegou à consciência do Eu traz dentro do seio o germe da imortalidade. Não voltará jamais à noite do não existir o que foi iluminado pelo dia do ser eterno. É, pois, perfeitamente crível que exista para sempre o que hoje possui realidade. (ROHDEN, 2013, p. 27).
Dessa forma, na busca de responder aos seus dilemas existenciais, o homem valeu-se, ao longo das eras, através dos tempos, da razão. Não seria, portanto, paradoxal pensar que vivendo uma existência terrena tanto buscou respostas a enigmas que dizem respeito ao seu destino e que, finda a vida do corpo físico, todas as respostas ou até as ainda persistentes perguntas estejam endereçadas apenas aos seus descendentes biológicos, sendo o que se foi apenas um elo cognitivo na cadeia das indagações eternas?
Assim, à guisa de conclusão vêm-nos à mente a lembrança de um filme muito sugestivo, e que tomamos a liberdade de deixar aqui o registro, pois, já nos utilizamos dessa
ferramenta educativa para subsidiar nossas reflexões no item 1.2, alusivo à “relação da pesquisadora (e espírita!) com o fenômeno pesquisado”.
O filme ora mencionado, O homem que viu o infinito, trata da busca de um brilhante jovem indiano que, autodidata em matemática, tem como sonho a publicação de suas fórmulas sobre frações contínuas nos anais da grande universidade inglesa de Cambridge.
Apesar de não possuir um diploma de graduação, este foi admitido no Trinity College, da referida universidade, sendo convidado pelo professor G. H. Hardy para que passasse a frequentar as aulas, o que para Srinivasa Ramanujan seria a oportunidade de começar a realizar o sonho de ver seus achados matemáticos – que serviram de base para
que os físicos começassem a compreender o comportamento dos buracos negros – entre os trabalhos das mentes brilhantes que compunham o quadro acadêmico daquele centro de referência civilizatória, mas que infelizmente descobriria: não humanística.
Foi na convivência com grandes mentes do raciocínio filosófico e matemático, tal como o independente Bertand Russel, que Ramanujan descobriu que a necessidade de um método que formalizasse o seu saber intuitivo sobre os padrões das leis da natureza poderia custar-lhe a saúde, pois, lamentavelmente, rigor acadêmico e sensibilidade se acostumaram a caminhar distantes, em oposição radical.
Todavia, essa oposição alimenta estranhamentos entre culturas quando o homem ocidental moderno vê-se diante da afirmação de um asiático – cuja relação com a espiritualidade, com a transcendência, é o fundamento de sua vida – sujeito à matemática dura dos grandes centros civilizatórios do mundo que sua deusa, Namagiri, fala com ele colocando as fórmulas na sua língua, por vezes quando este reza.
Em completa estupefação o cético responde não acreditar em Deus, pois não acredita em nada que não pudesse comprovar, e o aluno, apesar de não ter poderes para demover o mestre de seus paradigmas empíricos, ao menos defende o que para ele é a tese
das teses: “uma equação não tem significado para mim a não ser que expresse um pensamento de Deus”.
Desta feita foi que pelas mãos de físicos e matemáticos que pensamos em registrar esse raciocínio intercósmico que baliza a consciência de que, quando olhamos as estrelas nos céus estamos olhando a nós mesmos, em jornada evolutiva, mudando apenas o ponto de vista que historicamente sufocou nossa condição, adotando uma visão mais ampla da vida.
Necessitados de comunhão cultural inicialmente nos aspectos mais urgentes da vida em nosso planeta, firmando a base necessária à construção de nossa cognição, que
evolui, na perspectiva doutrinária que analisamos, “do átomo ao arcanjo”73
, vemos que, se nos
73
Na pergunta 540 d’O Livro dos Espíritos, Allan Kardec indaga sobre a intervenção dos espíritos no mundo corporal, se estes o fazem “com conhecimento de causa, em virtude de seu livre-arbítrio ou por um impulso instintivo ou irrefletido”, ao que a resposta que se impõe para reflexão aponta para a condição dos espíritos e,